Influência do câmbio ainda é baixa e plataformas de petróleo impulsionam exportações

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

As plataformas de exploração de petróleo que foram comercializadas ao longo do ano passado ajudaram a incrementar o Coeficiente de Exportações (CE) da indústria geral brasileira, que fechou 2013 em 20,6%, um acréscimo de 0,33 ponto percentual (p.p.) em relação a 2012. O dado está na análise dos Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgados na tarde desta quinta-feira (20/02) pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade.

O aumento de 0,8 p.p. do Coeficiente de Exportação dos manufaturados foi o grande responsável pelo resultado positivo da indústria geral, uma vez que a atividade extrativa mostrou redução de quase cinco pontos percentuais no mesmo período. No entanto, se não fosse o aumento significativo gerado pela venda de sete plataformas de exploração de petróleo – contra duas exportadas em 2012 – o CE teria mostrado retração de 0,3 p.p.

O estudo também aponta que o efeitos do enfraquecimento do Real ainda não foram sentidos pelos exportadores, apesar da moeda ter desvalorizado cerca de 15% nos últimos doze meses.

Baixa competitividade

Segundo o diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, isso acontece porque o cenário de baixa competitividade das exportações brasileiras, “decorrente dos elevados custos de capital, impostos, infraestrutura e logística, neutraliza os efeitos da desvalorização do Real e não contribui de forma mais efetiva para aumentar a presença dos produtos brasileiros no exterior”.

“A manutenção de um câmbio desvalorizado é essencial para que essa inércia exportadora sofra uma mudança positiva no médio prazo”, explica.

Zanotto: oportunidades nas áreas de saúde, segurança, defesa e construção civil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Zanotto: “A manutenção de um câmbio desvalorizado é essencial para que essa inércia exportadora sofra uma mudança positiva no médio prazo”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O dólar mais caro também não inibiu a entrada de produtos estrangeiros no país. O Coeficiente de Importação (CI) da indústria geral extrapolou a barreira dos 25%, atingindo a marca histórica de 25,2% no final de 2013.

Os importados também dominaram o aproveitamento da expansão do consumo aparente, que foi de 2,6%. Na comparação interanual, é possível observar que a indústria brasileira absorveu apenas 10,7% dessa expansão, enquanto os produtos estrangeiros responderam por 89,3% do aumento do consumo.

“Mesmo com a recente desvalorização do Real, as importações continuaram a crescer. Isso se deve a fatores estruturais da economia brasileira, como a relação da indústria doméstica com os insumos importados”, comenta Zanotto.

“No que se refere ao consumo, o ciclo de apreciação cambial dos últimos anos exerceu forte influência em alguns setores, como por exemplo, eletrônicos e máquinas e equipamento. Assim, o produto nacional das indústrias afetadas passou a ser substituído pelo produto estrangeiro.”

Setores

Além do crescimento do CE do setor de “outros equipamentos de transportes” – que engloba as plataformas de petróleo – com aumento recorde de 43,1 p.p., outros dez setores apresentaram alta do indicador, entre eles, o de couro e de celulose, com elevações de 5,8 p.p. e 2,2 p.p., respectivamente.

Já entre os 22 setores que registraram queda no CE, as mais significativas ocorreram em máquinas e equipamentos para extração mineração e construção (-9,9 p.p.), aeronaves (-7,9 p.p.) e tratores e máquinas para a agricultura (-7,1 p.p.).

Em 2013, 17 dos 33 setores registraram aumento do CI em face ao mesmo período do ano anterior. Novamente, o destaque foi para o setor de “outros equipamentos de transportes”, com alta de 17,4 pontos percentuais. Demais setores que mostraram expansão foram os de produtos farmacêuticos (+7,4 p.p.) e equipamentos de instrumentação médico-hospitalar (+ 4,6p.p.).

Entre os segmentos que registraram redução do CI, destacam-se os de máquinas e equipamentos para extração mineração e construção ( -9,7 p.p.) e aeronaves (-5,4 p.p.).

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