Coeficiente de exportação da indústria avança para 20,5% no 3º tri

Agência Indusnet Fiesp

O Coeficiente de Exportação da Indústria de Transformação (CE) marcou alta de 0,3 ponto percentual, para 20,5% no terceiro trimestre deste ano, ante igual período do ano anterior. No mesmo sentido, o Coeficiente de Importação da Indústria de Transformação (CI) avançou 0,8% ponto percentual, para 21,1%, na mesma comparação. Os dados são do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp.

De julho a setembro de 2017, as exportações cresceram 3,1% (em quantum), enquanto a produção industrial registrou aumento de 1,6%. Na análise por setor, os destaques positivos foram puxados pelos produtos têxteis (+2,7 p.p.), máquinas e equipamentos (+2,4 p.p.) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+2 p.p.).

Outros quatro segmentos se mantiveram estáveis: produtos minerais não metálicos, alimentos, bebidas e artigos de vestuário. Na contramão, ainda considerando dados dessazonalizados, os quatro setores que marcaram quedas foram os de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-0,3 p.p.), móveis (-0,4 p.p.), celulose, papel e produtos de papel (-1 p.p.) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,5 p.p.).

Importações avançam 6,5%

Com um consumo aparente de importações 2,3% maior no terceiro trimestre deste ano, o Coeficiente de Importação da Indústria de Transformação (CI) avançou 6,5% (em quantum).

Dos 20 setores analisados pela Fiesp, dez apresentaram crescimento na comparação com os mesmos meses de 2016. Sete deles marcaram alta: máquinas e equipamentos (+6,1 p.p.), produtos farmoquímicos farmacêuticos (+3,6 p.p.) e indústrias diversas (+2,1 p.p.). Enquanto o coeficiente de produtos de minerais não-metálicos ficou estável.

Do lado negativo, outros nove setores tiveram recuo, principalmente informática, produtos eletrônicos e ópticos (-0,8 p.p.), bebidas (-0,7 p.p.) e produtos têxteis (-0,4 p.p.).

Na avaliação do diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, o comportamento dos coeficientes mostra a importância do comércio exterior para a retomada do crescimento. “O aumento do coeficiente de importação se concentrou em setores que incluem bens de capital e insumos industriais, o que indica que as empresas estão retomando seus investimentos diante de perspectivas mais otimistas para o consumo. Já o aumento das exportações atingiu a maioria dos setores analisados, o que significa que uma taxa de câmbio não muito apreciada, alinhada à realidade brasileira, é fundamental para a competividade do manufaturado nacional. Além disso, mostra também que a política comercial brasileira tem sido conduzida acertadamente. O governo entendeu a centralidade do comércio exterior para a retomada econômica do país”, afirmou.

Coeficiente de importação da indústria cai no 4º tri; consumo recua 1,5%

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

O Coeficiente de Importação da Indústria de Transformação (CI) paulista recuou 0,3 ponto percentual, de 20,6% para 20,3%, no 4º trimestre do ano passado, na comparação com os três meses imediatamente anteriores. Mesmo com a queda, ficou acima do valor registrado no mesmo período de 2015 (19%). Calculado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp e do Ciesp, o CI acompanha a quantidade (quantum) de produtos estrangeiros consumidos no Estado.

Segundo o levantamento, a leve queda é explicada pela diminuição de 2,7% das importações no período, além de uma retração no consumo aparente de 1,5%.

Entre 20 setores analisados de outubro a dezembro de 2016, 14 registraram avanços do CI, com destaque para os segmentos de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (3,5 pontos percentuais), indústrias diversas (3,2 pontos percentuais) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (3 pontos percentuais).

De acordo com Thomaz Zanotto, diretor titular do Derex, o número de setores cujo coeficiente de importação aumentou é uma consequência da valorização cambial. “Em 2016, a taxa de câmbio se valorizou mais de 20%. Trata-se de um subsídio ao ingresso de produtos importados no mercado doméstico. Infelizmente, é um filme que se repete e prejudica a competitividade do manufaturado nacional.”

Na contramão, outros cinco segmentos tiveram quedas. São eles: derivados de petróleo (-5,2 pontos percentuais), máquinas e equipamentos (-3,7 pontos percentuais), bebidas (-0,5 ponto percentual), produtos químicos (-0,4 ponto percentual) e produtos alimentícios (-0,4 ponto percentual). O setor de madeira se manteve estável.

No caso do CI dos derivados de petróleo, biocombustíveis e coque, a retração de 5,2 pontos percentuais corresponde a 24,7% do total importado por São Paulo. De acordo com o estudo, a contração trimestral do CI foi puxada pelo recuo de 24,4% nas importações e uma contração aparente de 8,2%. No entanto, ante os 12 meses anteriores, houve alta de 3,1 pontos percentuais, para 21,6%.

Já na análise do coeficiente de importação sobre o setor de máquinas e equipamentos houve baixa de 1 ponto percentual, para 30,7%, no quarto trimestre ante os mesmos meses do ano anterior. Na comparação trimestral, a queda foi de 3,7 pontos percentuais, puxada pelo recuo da quantidade (quantum) de importações (-14,7%) e do consumo aparente (-4,2%).
Exportações ficam estáveis

No mesmo ritmo, o Coeficiente de Exportação da Indústria de Transformação (CE) teve ligeira queda de 0,2 ponto percentual, para 19,8%, no quarto trimestre de 2016 contra o trimestre anterior. Para o Depecon e o Derex, a baixa pode ser explicada pela retração de 2,1% das exportações (quantum), enquanto a produção industrial teve retração de 1,3% na análise sobre o trimestre anterior. Ante os mesmos meses de 2015, os dados ficaram estáveis.

Neste cenário, os dez setores com avanços mais expressivos de outubro a novembro de 2016 foram máquinas e aparelhos elétricos (2,6 pontos percentuais), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (2 pontos percentuais) e veículos automotores (0,8 ponto percentual). O CE de móveis, bebidas e produtos diversos permaneceu estável, enquanto as quedas mais fortes foram dos produtos alimentícios (-1,8 ponto percentual), equipamentos de informática (-1 ponto percentual) e máquinas e equipamentos (-0,9 ponto percentual).

“A redução no coeficiente de exportações também reflete a valorização cambial. Os produtores têm que reduzir as margens das vendas à medida em que o real se aprecia ante o dólar, até um momento que a exportação se torna inviável”, afirma Zanotto.

Os produtos têxteis registraram baixa para 21,8% no quarto trimestre do ano passado, um recuo de 2,4 pontos percentuais na comparação com o mesmo trimestre um ano antes. Contra o trimestre imediatamente anterior, a queda foi de 1,8 ponto percentual. Na avaliação dos responsáveis pelo levantamento, a baixa trimestral reflete a queda de 9,4% das exportações (quantum) e o recuo de 1,9% da produção.

Finalmente, o CE de máquinas e equipamentos recuou 0,5 ponto percentual para 21,3% contra um ano antes, sob pressão do volume de exportações (-4,3%), já que a produção se manteve estável. No trimestre anterior, o nível havia sido de 22,2%.

Exportação da indústria registra queda, e participação de importados segue praticamente estável

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

O Coeficiente de Exportação (CE) da indústria de transformação, medido pelos departamentos de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp e do Ciesp, fechou o terceiro trimestre de 2016 em 20,1%, uma retração de 0,8 ponto percentual (p.p.) no acumulado de julho a setembro em relação ao segundo trimestre do ano.

O relatório mostra que no período analisado, o envio de produtos brasileiros para o exterior caiu 5,1% (em quantum), na passagem do segundo trimestre para o terceiro trimestre, enquanto a produção industrial contraiu em 1,4%.

Já o Coeficiente de Importação (CI) teve um pequeno aumento de 0,3 p.p. e passou para 20,3% no terceiro trimestre, ante 20,0% do segundo trimestre. Isso porque houve expansão de 2,0% das importações (em quantum), acompanhada de um consumo aparente praticamente estável (crescimento de 0,1%).

Thomaz Zanotto, diretor titular do Derex, afirma que os resultados traduzem a valorização do Real ao longo do ano. “As exportações da indústria se beneficiaram de um nível mais realista da taxa de câmbio em 2015, mas que se reverteu ao longo de 2016. Assim, o pequeno aumento da participação das importações no consumo é reflexo mais da valorização do Real do que da recuperação econômica, uma vez que não houve aumento do coeficiente em setores de bens de capital, como de máquinas e equipamentos”, observou.

Setores

Dos 21 setores analisados pelo Coeficiente de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp e do Ciesp, seis tiveram crescimento do CE no terceiro trimestre de 2016, na comparação com o segundo. Quatro setores permaneceram estáveis (0,0 p.p. de variação) e outros 11 registraram quedas. Os setores mais positivos foram os produtos de fumo (alta de 11,1 p.p.), madeira (2,7 p.p.) e celulose e papel (0,5 p.p.). No entanto, as maiores retrações ocorreram em metalurgia (-6,0 p.p.); produtos têxteis (-3,3 p.p.) e derivados de petróleo e biocombustíveis (-2,0 p.p.).

No CI, houve crescimento em 14 setores analisados e cinco registraram queda. Os destaques mais positivos foram os setores de produtos de fumo (alta de 5,2 p.p.), derivados de petróleo e biocombustíveis (4,7 p.p.) e produtos têxteis (2,0 p.p.). As retrações mais acentuadas ocorreram em máquinas e equipamentos (-3,9 p.p.); metalurgia (-2,9 p.p.) e artigos de vestuário (-1,4 p.p.).

Clique aqui para ter acesso à pesquisa  completa.

Metodologia

Depecon e Derex relançaram neste ano os Coeficientes de Importação e Exportação da indústria brasileira (CEI).

O levantamento tem como objetivo analisar de forma integrada a produção industrial e o comércio exterior. O Coeficiente de Exportação (CE) mede a proporção da produção que é enviada para fora do Brasil, enquanto o Coeficiente de Importação (CI) mede a proporção de produtos consumidos internamente, porém fabricados fora das fronteiras do país.

A nova metodologia desconsidera as sazonalidades, permitindo uma comparação entre meses sem influência de fatores pontuais e característicos de certas épocas do ano.

 

Coeficiente de Importação, medido pela Fiesp, sobe 1 ponto percentual no segundo trimestre

Agência Indusnet Fiesp

O Coeficiente de Exportação (CE) da indústria de transformação, medido pelos departamentos de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, fechou o segundo trimestre de 2016 em 20,9%, variação de 0,1 ponto percentual (pp) no acumulado de abril a junho em relação aos três primeiros meses do ano.

O relatório mostra que no período analisado, o envio de produtos brasileiros para o exterior cresceu 0,5% (em quantum) enquanto a produção nacional teve expansão de 1,1%.

O diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, afirma que os números ainda são resultado do período em que a taxa de câmbio esteve mais desvalorizada. “O pequeno aumento das exportações ainda é reflexo de um período de 12 meses em que a taxa média de câmbio esteve acima dos R$ 3,70. Porém, desde o começo de 2016, já observamos uma valorização cambial em torno de 15%, o que tende a estimular a retomada das importações.”

Zanotto destaca que os resultados são melhores no tocante às exportações versus importações nos bens de ciclo mais longo, ou seja, nos negócios fechados ainda com câmbio mais favorável. E há uma piora nos números dos bens de ciclo mais curto, como calçados, refletindo já a mudança do câmbio

Houve alta de 1,0 pp no Coeficiente de Importação (CI), que passou de 19,1% no primeiro trimestre de 2016 para 20,1% no segundo, nível semelhante aos 20,3% do mesmo período de 2015.

A análise das variáveis que compõem o coeficiente mostra que a alta se deve à expansão de 7,6% das importações (em quantum) e ao aumento de 2,4% no consumo aparente. “Olhando o CI, começamos infelizmente a sentir um pouco os efeitos do câmbio no comércio exterior brasileiro”, diz Zanotto. “As luzes amarelas estão se acendendo no tocante à apreciação do real versus o dólar, principalmente num cenário externo em que há excesso de produção e recursos e juros muito baixos.”

As mudanças são muito pequenas ainda, na opinião de Zanotto. É preciso, diz, esperar mais um trimestre, mas a tendência à redução das exportações e aumento das importações deve se acentuar.

Câmbio

Na análise de Zanotto, o Brasil vai na contramão do que se faz no mundo, em que os países tomam medidas muito fortes para recuperar sua indústria e usam o câmbio como principal arma no comércio exterior. Todos mantêm suas moedas o máximo possível desvalorizadas. “Nós infelizmente caminhamos no sentido inverso. Quando se valoriza o câmbio se taxa o trabalho aqui e suas exportações e subsidiando o trabalho lá fora e as importações. Foi o que se fez de forma quase suicida entre 2006 e 2013, mais ou menos, e o resultado foi o que vimos. E no entanto estamos deixando o câmbio se apreciar de novo. Para nós isso é sinal de preocupação.” Zanotto destaca também o prejuízo provocado pela volatilidade, com a variação rápida das cotações.

Setores

Dos 21 setores analisados pelo Coeficiente de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp, 10 tiveram crescimento do CE no segundo trimestre de 2016, na comparação com o primeiro. Houve estabilidade (0,0 pp de variação) em 2, e em 9 ocorreu queda. Os destaques mais positivos foram os setores de produtos de fumo (alta de 3,6 pp) e indústrias diversas (1,9 pp). A retração mais acentuada (-7,4 pp) foi registrada em produtos têxteis.

No CI, houve crescimento em 12 dos setores analisados, e 9 apresentaram retração. As maiores variações positivas foram registradas pelos setores de derivados do petróleo, biocombustíveis e coque (4,9pp) e máquinas e equipamentos (4,4 pp). As maiores quedas foram do setor de farmoquímicos farmacêuticos (-2,6 pp) e couros, artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-0,8 pp).

Clique aqui para ver a tabela completa dos setores.

Metodologia

Depecon e Derex relançaram neste ano os Coeficientes de Importação e Exportação da indústria brasileira (CEI).

O levantamento tem como objetivo analisar de forma integrada a produção industrial e o comércio exterior. O Coeficiente de Exportação (CE) mede a proporção da produção que é enviada para fora do Brasil, enquanto o Coeficiente de Importação (CI) mede a proporção de produtos consumidos internamente, porém fabricados fora das fronteiras do país.

A nova metodologia desconsidera as sazonalidades, permitindo uma comparação entre meses sem influência de fatores pontuais e característicos de certas épocas do ano.

Além das médias trimestrais, o CEI é atualizado mensalmente e pode ser conferido em http://www.fiesp.com.br/indices-pesquisas-e-publicacoes/coeficiente-de-exportacao-e-importacao/

Variação do dólar impacta Coeficientes de Exportação e Importação

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A desvalorização do real frente ao dólar ajudou a elevar as exportações no primeiro trimestre deste ano. O Coeficiente de Exportação (CE), medido pelos departamentos de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, fechou o período em 21%, variação de 1,4 ponto percentual no acumulado de janeiro a março de 2016 na comparação com os últimos três meses de 2015.

O relatório mostra que a participação do mercado externo na produção aumentou devido não apenas ao melhor desempenho da exportação, mas também devido à redução da produção externa. Durante o período analisado, o envio de produtos brasileiros para o exterior cresceu 6,4% (em quantum) enquanto a produção nacional registrou queda de 0,6%. Ou seja, a exportação ganhou representatividade em face a um menor volume de produção.

O diretor do Derex, Thomaz Zanotto, ressalta que o CE apresenta forte crescimento desde o final de 2014, o que é bom sinal para a indústria brasileira. “A exportação é um dos pilares para a recuperação econômica do país, pois estimula o emprego e a produção”, explica. “O aumento do coeficiente no período também mostra como uma taxa de câmbio mais realista é fundamental para a competividade do manufaturado brasileiro. ”

O Coeficiente de Importação (CI), por outro lado, também registrou alta, embora mais tímida, de 0,3 p.p. na comparação entre o trimestre imediatamente anterior. No final de 2015, o CI registrava 18,9% contra 19,2% aferidos nos três primeiros meses deste ano. No entanto, na comparação interanual, houve queda do CI. A variação foi negativa, de 2,2 p.p.

Analisando as variáveis que compõem o coeficiente, sua expansão pode ser explicada, em grande parte, pela retração de 1,9% no consumo aparente. O preço alto dos produtos importados afeta o bolso do consumidor, que devido à crise, tem evitado gastos.

A redução do coeficiente de importação mostra que houve uma substituição do produto importado pelo nacional”, ressalta Zanotto. “Embora tal movimento não tenha sido suficiente para uma retomada substancial da produção. ”

Setores

Dos 21 setores analisados pelo Coeficiente de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp, 14 apresentaram crescimento do CE no primeiro trimestre de 2016, na comparação com o trimestre anterior. Quatro registraram estabilidade, e três tiveram quedas. Os destaques mais positivos foram os setores de têxteis (alta de 4,4 p.p.) e metalurgia (4,3 p.p.), do lado negativo, a retração mais acentuada ocorreu no setor de fumo (queda de 6,8 p.p.).

Já o CI apresentou crescimento em oito dos setores analisados, dois ficaram estáveis e onze tiveram queda. As maiores variações positivas foram registradas pelos setores de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (4, 6p.p.) e máquinas e equipamentos (3,2 p.p.). Já as maiores quedas foram do setor de vestuário (-2,5 p.p.) e indústrias diversas (- 1,2 p.p.).

Clique aqui para ver a tabela completa dos setores.

Metodologia

Depecon e Derex relançaram neste ano os Coeficientes de Importação e Exportação da indústria brasileira (CEI).

O levantamento tem como objetivo analisar de forma integrada a produção industrial e o comércio exterior. O Coeficiente de Exportação (CE) mede a proporção da produção que é enviada para fora do Brasil, enquanto o Coeficiente de Importação (CI) mede a proporção de produtos consumidos internamente, porém fabricados fora das fronteiras do país.

A nova metodologia desconsidera as sazonalidades, permitindo uma comparação entre meses sem influência de fatores pontuais e característicos de certas épocas do ano.

Além das médias trimestrais, o CEI será atualizado mensalmente e pode ser conferido no site da Fiesp.

Importados atingem novo recorde e respondem agora por 22,7% do consumo interno

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

Confirmando a tendência observada nos trimestres anteriores – de forte alta das importações e aumento contido das exportações –, o Coeficiente de Importação (CI) da Fiesp, divulgado nesta sexta-feira (19), apresentou alta de 2,0 pp neste 3º trimestre do ano, e saiu de 20,7% para 22,7% na comparação com o trimestre anterior.

Por outro lado, o Coeficiente de Exportação (CE) também cresceu, e atingiu o valor mais próximo do nível observado no pré-crise, com alta de 1,5 pp, chegando a 19,2%. Apesar disso, de acordo a Fiesp, a tendência de descolamento entre os dois índices se aprofundou e a distância no terceiro trimestre de 2010 foi de 3,5 pp.

Se na comparação com o trimestre imediatamente anterior a expansão do CE e do CI foram mais próximas, na comparação com o mesmo trimestre do ano passado observa-se uma disparidade mais relevante, em favor do CI.

Enquanto a parcela exportada em relação à produção cresceu apenas 1 pp – quando no 3º trimestre de 2009 cerca de 18,2% da produção foi exportada, passando para 19,2% neste ano –, as importações sobre o consumo aparente tiveram elevação de 4,6 pp, ou mais de quatro vezes o valor do CE.

Em relação ao mesmo período de 2009, o índice revela que a alta de 1,0 pp no CE se deu essencialmente devido ao crescimento das exportações, que aumentaram em 13,7%, frente a um incremento de apenas 5,1% da produção industrial.

Crescimento das importações

“Analisando o CI, verifica-se que o aumento de 4,6 pp na participação dos importados no mercado interno teve como responsável a espantosa alta de 41,7% das importações, contra uma alta de 12,9% no consumo aparente”, comparou o diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, durante coletiva de imprensa.

“As importações cresceram bem acima do consumo aparente e, em ambas as comparações, a produção industrial brasileira não apresentou ritmo de crescimento tão forte, subindo abaixo do consumo”, ressaltou.

Nível de atividade

Os dados trimestrais mostram uma alta de 5,1% no nível de produção no 3º trimestre do ano em relação ao período imediatamente anterior.

No entanto, com os dados dessazonalizados (que eliminam o efeito da época do ano), o estudo aponta queda de 0,5% no nível de atividade. Já na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, houve alta de 7,9% na produção industrial, bem menor que as de 18,2% e de 14,3% registradas no 1º e 2º trimestres, respectivamente.

“Mesmo com aumentos na produção, o cenário que se observou até então, em 2010, é de crescimento cada vez menor, por conta da alta dos importados, como mostram os coeficientes”, explicou Giannetti.

Importados X Nacionais

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o consumo aparente teve um crescimento de 12,9%. Desta fatia que se adicionou ao consumo, o estudo indica que a indústria nacional foi responsável por suprir cerca de 41,6%, com os 58,4% restantes sendo aproveitados pelos importados.

Em “condições normais”, conforme Giannetti, a expectativa é de que este aproveitamento por parte dos importados fosse próximo ao próprio Coeficiente de Importação (22,7%).

Coeficiente de Importação reforça preocupação sobre a intensa entrada de importados

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

Os resultados dos Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) do 2º trimestre de 2010 reforçam a principal preocupação pela atual tendência do comércio exterior: lenta recuperação das exportações e acelerada elevação das importações.

No primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2009, o saldo da balança comercial apresentou queda de 43%, fruto de uma maior alta das importações (45%) em relação às exportações (27%). Os bens manufaturados aparecem como principais responsáveis por este resultado global.

De acordo com a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), enquanto os produtos básicos apresentaram altas semelhantes nas exportações (32%) e importações (37%), resultando em alta de 30% no superávit do setor, as manufaturas aumentaram as vendas em apenas 27%. Em contraposição, as importações obtiveram aumento de 47%, o que ocasionou queda de 97% no saldo já negativo do setor.

“Da fatia que representa o aumento de 20,7% no consumo aparente neste trimestre, a produção nacional voltada ao mercado interno teve uma participação de 68%, com os 32% restantes aproveitados pelos importados”, explica o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.

Levantamento da Fiesp mostra a projeção da balança comercial para 2010, com indicação de déficit de US$ 59 bilhões em manufaturados, o que representa aumento de 62% no saldo negativo de 2009.

Este cenário de lenta retomada das exportações, sustentada por bens básicos e semimanufaturados, também é captado pelos Coeficientes de Exportação e Importação da indústria, que sinalizam forte aceleração das importações.

Apesar da alta de 0,6 pp em relação ao trimestre anterior, atingindo 17,7% neste 2º trimestre de 2010, o Coeficiente de Exportações (CE) da indústria geral ainda não demonstra fôlego, e apenas aponta nível comparável ao ano de 2003, afirma a Fiesp.

Por outro lado, mais do que retornar ao patamar anterior à crise, o Coeficiente de Importação (CI) da indústria apresentou a quarta alta consecutiva, atingindo valor recorde, com 20,7% do consumo aparente do País. Com isso, o CI já se torna 3,0 pontos percentuais mais elevado que o CE, confirmando o baixo desempenho da indústria brasileira no mercado externo.

Quando confrontado com o 2º trimestre de 2009, o CE ainda se encontra 0,5 p.p. abaixo em relação àquele trimestre, 18,2% da produção da indústria foi exportada. Por outro lado, o CI teve alta de 3,8 p.p.

De acordo com Giannetti, é importante ressaltar que a preocupação com a entrada de importados não gira em torno do simples fato de as importações estarem crescendo.

Segundo o diretor, é natural haver uma retomada das compras, pois a comparação evolve um trimestre imerso na crise, a exemplo do 2º trimestre de 2009, com um trimestre de recuperação do nível de consumo. “No entanto, o que se destaca aqui é que, mais do que acompanhar a retomada do consumo interno, as importações crescem em ritmo superior ao do próprio consumo e da produção interna”, afirma.

Comparado ao mesmo trimestre de 2009, neste ano o consumo aparente brasileiro apresentou alta de cerca de 20,7%, representando forte expansão no período pós-crise.

As importações tiveram aumento de 47,9%, diferença de 27,3 p.p. Já a produção industrial cresceu abaixo do consumo aparente, 14,3%.
Mesmo no confronto com o 1º trimestre de 2010, as importações (11,6%) cresceram mais do que o consumo interno (7,2%) e a produção industrial (6,9%).

Resultados Setoriais

No nível setorial, dos 33 setores da indústria para os quais se calcula os Coeficientes, apenas nove deles tiveram alta no CE na comparação com o mesmo período do ano anterior. No CI, a alta é generalizada, com apenas dois setores apresentando queda.

Dentre os setores com maior alta do CI, destaca-se o de instrumentos médico-hospitalares e de precisão, que possuem o maior grau de penetração de importados e contabilizaram alta de 11,5 p.p., atingindo 66,6% neste trimestre. Isto significa que dois terços do consumo interno neste setor é atendido por importados.

Tendo ultrapassado pela primeira vez o nível de 50% no 1º trimestre deste ano, o CI do setor de material eletrônico e aparelhos de comunicação continuam com forte crescimento neste trimestre, registrando alta de 9,9 p.p.

No setor de siderurgia, o estudo revela um nível recorde no CI: neste trimestre, 15% do consumo do setor foi atendido por importados, contabilizando coeficiente 5,2 p.p. mais alto do que o mesmo período do ano passado. Além disso, registrou 1,9 p.p. mais alto que o último recorde, 13,1%.

A grande diferença entre a alta de 56% no consumo aparente do setor e o aumento de 138% nas importações explicam este resultado.

Apenas dois setores apresentaram queda do CI na comparação com o 2º trimestre de 2009, com destaque o setor de máquinas e equipamentos de uso na extração mineral e construção, que fechou o 2º trimestre deste ano com um CI de 32,5%, o que representa recuo de 9,2 p.p.

Com queda mínima de 0,9 p.p., o setor de produtos de madeira também teve recuo no CI, saindo de 3,0% para 2,1%.

Dos 33 setores analisados, em quase todos se observa que as importações cresceram mais que o consumo interno – exceção aos mesmos dois setores com queda no CI destacados acima.

No setor de produtos têxteis, por exemplo, enquanto o consumo aparente teve alta de 18,2%, as importações cresceram 60,8%, resultando alta de 4,6 p.p. do coeficiente de importação e atingindo 17,2%.

No setor de produtos químicos, enquanto o consumo aparente expandiu 19,0%, as importações cresceram 40,7%, com alta de 4,3 p.p. do CI. Também no setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, o consumo aparente cresceu 25,8%, contra a alta de 56,7% das importações e fraco aumento de 13,8% na produção industrial.

Do lado dos Coeficientes de Exportações, o estudo destaca para a alta de 9,2 p.p. no setor de indústrias extrativas. O CE atingiu de 69,9% neste trimestre, indicando que o setor é o mais internacionalizado dentre todos.

A segunda maior alta do CE aparece no setor de couros e artigos de couro, o segundo mais internacionalizado, que exportou 66,7% de produção neste trimestre, uma elevação de 7,5 p.p.

Outra importante alta, apesar de ainda não recuperar níveis pré-crise, é a do setor de automóveis, caminhões e ônibus, que apresentou elevação de 1,8 p.p. no CE, atingindo 12,6% neste trimestre.

“A disparidade entre o ritmo de crescimento do consumo interno e a forte alta das importações acende o alerta para o impacto desse cenário no produto nacional. Isto é, além do fato de as exportações não retomarem os níveis pré-crise, a produção nacional passa a sofrer crescente concorrência generalizada com os produtos importados”, completa Giannetti.

Participação dos importados no consumo do País diminui após cinco anos de alta, diz Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou, nesta terça-feira (2), estudo que indica que a participação de produtos importados no País interrompeu um ciclo de cinco anos consecutivos de crescimento e recuou em 2009 para 19,2%, 1.7 ponto percentual menor ante os 20,9% do ano anterior. Já o total produzido pela indústria para exportação caiu de 21,2% para 20,2%, na mesma base de comparação.

Em contrapartida, as exportações vêm apresentando sucessivas quedas. O Coeficiente de Exportação C.E. (participação na produção da indústria) do último trimestre de 2009 registrou um arrefecimento de 0.5 p.p. e fechou em 19,8%, ante os 21,3% do terceiro trimestre.No fechamento do quarto trimestre do ano passado, por sua vez, o Coeficiente de Importação C.I. (participação dos importados no consumo aparente) cresceu 0.5 p.p., fechando o período em 19,5%, ante os 19% do trimestre anterior.

“Essa tendência de aumento das importações, influenciada pela valorização cambial, tira a competitividade das exportações e deixa o País muito mais vulnerável ao mercado externo”, avaliou o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.

Para o diretor da entidade, a forma que o Banco Central trabalha o câmbio só beneficia o capital especulativo e não traduz com fidelidade as necessidades da economia do Brasil. “O Banco Central joga cartas com o baralho aberto, não há blefe […] Ele (BC) precisa jogar com mais habilidade, principalmente com os especulativos”, completou.


Exportações
Segundo a Fiesp, a queda do C.E. só não foi maior por causa dos setores relacionados aos recursos naturais, que demandam forte oferta chinesa. A indústria extrativa, por exemplo, teve 67,3% de sua receita voltada às exportações, contra os 61,8% em 2008, ou alta de 5.6 p.p., ocupando o primeiro lugar no ranking dos setores que mais apresentaram elevação.
Já os setores intensivos em tecnologia reduziram seu C.E.. A Fiesp sublinha o setor de aeronaves, ferrovia e embarcações, que fechou 2009 com o C.E de 24,1% – queda de 15.5 p.p. em relação a 2008, de 39,3%.O estudo da Fiesp também destacou a participação do setor de celulose e papel, que ampliou o C.E. de 26,4% para 29,5%.

O setor de veículos e autopeças também sofreu forte redução do C.E.. As exportações representavam 15,8% em 2008 e passaram para 10% em 2009. Outro setor que jogou para baixo o C.E. foi o de máquinas e equipamentos, cujo coeficiente estava em 23,9% em 2008 e passou para 17,6% em 2009.


Importações

Os Coeficientes de Importação (C.I.), apesar da tendência de alta, apresentaram queda generalizada, mas menos acentuada em relação às exportações. A indústria extrativa ampliou seu C.I. de 56,6% em 2008 para 59,9% em 2009.
A maior queda foi no setor de aeronaves, ferrovias e embarcações, de 8.8 p.p.. O estudo revela que os importados respondiam por 32,4% em 2008 e passaram a representar 23,6% do total do consumo aparente em 2009.O setor de máquinas e aparelhos elétricos foi o segundo com maior aumento e registrou alta de 2.3 p.p. em relação ao ano anterior. As importações representavam 24,8% do consumo interno do setor e passaram a responder por 27,1%.

No entanto, a Fiesp ressalta que em um ano de forte retração na demanda mundial, como foi o ano de 2009, o mercado doméstico desempenhou importante papel, na medida em que absorveu a produção do setor causando inclusive alta de produção.

Outra importante queda foi a de equipamentos médico-hospitalares de 5,9 p.p., setor onde a penetração dos importados era a maior entre todos os setores até 2008, com 64,6% – posto perdido para a indústria extrativa.

As máquinas e equipamentos, devido a queda dos investimentos em 2009, também mostraram queda no C.I. em 2009, de 3,0 p.p.. Entretanto, segundo a Fiesp, ainda continua sendo o segundo maior C.I. da série deste setor, com 34,1%.

A Fiesp ressalta que, mesmo com a queda de alguns setores, o C.I. passou a ser maior do que o C.E. – ou mesmo muito próximo – em alguns setores relevantes da economia.

O C.I. de veículos e autopeças, por exemplo, apesar da pequena queda de 0,4 p.p. na comparação de 2009 com 2008, superou o C.E. pela primeira vez desde o início da série. A participação das exportações na receita de venda desta indústria foi de apenas 10%, contra 13,5% da representatividade dos importados no consumo interno.

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