Fiesp recebe bem a nova legislação cambial e sugere mudanças

Dirigentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Banco Central do Brasil (BC) reuniram-se na última sexta-feira (16) para analisar as novas medidas cambiais anunciadas no mês passado pela instituição financeira e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

De acordo com a Fiesp, as novas mudanças impostas pelo BC foram recebidas com entusiasmo pelo setor produtivo. A resolução 3.844 simplificou 60 atos normativos que regulamentam as operações com dólar e eliminou outros 320 que estavam defasados e inoperantes.

Entre as mudanças, o Tesouro Nacional está autorizado a comprar dólares para pagar compromissos de divida externa que vencem em até dois anos. Essa manobra permite que o Tesouro atue na variação cambial.

Estabilidade

No entanto, mesmo com a boa receptividade da Fiesp, o diretor de Comércio Exterior da entidade, Roberto Giannetti da Fonseca, sugeriu outras mudanças a fim de garantir a estabilidade necessária para proteger a indústria brasileira. Giannetti sugere que as reservas brasileiras em dólar deveriam ser de 20% do Produto Interno Bruto (PIB), ante os atuais 15%.

“O Brasil tem ampliado suas reservas de forma considerável, mas quando comparado aos seus parceiros dos Brics, China e Rússia, que possuem reservas de 50% e 40% do PIB”, disse Giannetti.

O diretor da Fiesp enfatiza que o acúmulo de reservas poderia ser melhor alcançado e sem ônus para o BC se a taxa básica de juros (Selic) estivesse em patamares mais competitivos. “Se baixar a taxa de juros, o custo de manter reserva não é tão grande. É possível acumular mais e valorizar a competitividade do País”, explicou.

O dirigente ainda ressaltou a criação de uma conta em moeda estrangeira no Brasil. De acordo com Giannetti, a medida valeria para operadoras de comércio exterior e investidores financeiros.

Para o chefe da gerência de Normatização de Câmbio e Capitais do Banco Central, Geraldo Magela, caso houvesse uma redução significativa dos juros, a sociedade brasileira perderia o poder de compra. “Com uma alta redução dos juros, a inflação poderia pressionar a economia e o poder de compra seria prejudicado”, replicou Magela.

O dirigente do Banco Central admitiu que realmente ainda há muito o que ser feito para frear a valorização do câmbio, mas ressaltou que as recentes mudanças na legislação cambial já sinalizam a preocupação da entidade financeira.

“Não conseguimos atender a todas as demandas do setor privado, mesmo que legitima, mas estamos fazendo o possível. É preciso esperar, não podemos passar por cima da legislação”, concluiu Magela.