Como acelerar o desenvolvimento sustentável?

Confira as apresentações realizadas no dia 28/09, no evento: Como acelerar o desenvolvimento sustentável?

O cenário bioeconômico suecoSr. Dusan Raicevic, Gerente, Vera Park

Estratégia nacional do Brasil para perceber a diminuição dos gases de efeito estufa, Sr. Marcelo Cupolo, Gerente Territorial, Associação Brasileira de Biogás e Biometano

Extrações de biogás de resíduos sólidos – uma fonte sustentável e renovável de energia para combater a emissão de gases de efeito estufa, Prof. Torleif Bramryd, Lund University

Transporte municipal sustentável usando combustíveis renováveis. Efeitos no clima, infraestrutura e serviços de ecossistema, Prof. Michael Johansson, Lund University

“Going gas” – ônibus a biogás como uma alternativa para as cidades, Sr. Silvio Munhoz, Diretor, Scania

‘Setor industrial quer usar menos água’, destaca coordenador da CNI em seminário na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Taí uma questão que diz respeito a todos. Tanto que motivou um debate sobre os Desafios do Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos, realizado na tarde desta terça-feira (21/03), na sede da Fiesp, em São Paulo, durante o seminário “Mudança do clima e segurança hídrica: reflexos e impactos para a sociedade”.

Coordenador da Rede de Recursos Hídricos na Confederação Nacional da Indústria (CNI), Percy Soares Neto, destacou que o setor tem uma atuação na área em todos os estados, num “debate contínuo sobre as políticas hídricas do país”. “O setor industrial quer colaborar com essas políticas e, ao mesmo tempo, ser mais eficiente e usar menos água, usando fontes alternativas de abastecimento”, disse.

Segundo Neto, a CNI criou uma “agenda positiva para a água”.

Consultora sênior de Risco Socioambiental do Santander, Silvia Chicarino falou sobre como o recurso é tratado no banco. “Fazemos uma análise do quanto a água impactaria o nosso negócio, uma agência não funciona sem água”, disse. “Avaliamos as nossas operações e fazemos a gestão de risco socioambiental em nossa carteira de crédito”.

Bióloga de formação, Silvia disse que o Santander quer entender como os seus clientes lidam com os riscos a que estão expostos, incluindo o socioambiental.

O mais atingido

Secretária adjunta da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, Monica Ferreira do Amaral Porto destacou que a água talvez seja o recurso mais facilmente atingido por problemas climáticos.

“Uma política de gestão de recursos hídricos se apoia em dois pilares: o da cooperação e o da articulação”, disse.

Segundo Monica, é muito difícil tomar decisões sobre incertezas. “É enorme o desafio da gestão de recursos hídricos hoje”, afirmou.  “Abriu-se um leque totalmente novo diante do risco de desabastecimento em 2014 e 2015”.

Também representante do poder público, o secretário de Estado do Meio Ambiente de São Paulo, Ricardo Salles, lembrou que a questão ambiental “envolve aspectos intangíveis”. “É difícil avançar numa discussão sem decidir que valor maior será preservado, mas temos um corpo técnico qualificado para isso”.

O debate sobre o gerenciamento de recursos hídricos, realizado nesta terça-feira (21/03). Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

De acordo com Salles, é responsabilidade do administrador público decidir em prol do interesse coletivo.

Ele citou ainda o Projeto Nascentes, reconhecido nos Estados Unidos como uma das mais inovadoras iniciativas de reflorestamento do mundo. “Passamos da meta e hoje temos 4.960 hectares em restauração no presente momento no estado”, afirmou. “O governador também pediu a criação de novas unidades de conservação e segurança hídrica”.

O debate foi moderado pelo vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Departamento de Meio Ambiente da federação, Nelson Pereira dos Reis.

 

 

 

O preço da emissão de carbono em debate em seminário na Fiesp

Isabela Barros e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Que instrumentos econômicos aplicar para mudar a política do clima no Brasil? A questão esteve no centro das discussões de uma mesa redonda do seminário Mudança do clima e segurança hídrica: reflexos e impactos para a sociedade, realizado nesta terça-feira (21/03), na sede da Fiesp, em São Paulo.

A discussão foi moderada pelo brigadeiro Aprígio Eduardo de Moura Azevedo, diretor executivo de Projetos da Fiesp, e pelo pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, Luiz Gylvan Meira Filho.

Jailson de Andrade, da Seped, Secretaria do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, lembrou a recente aprovação da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2016/2022 para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. A premissa é a necessidade de uma revolução no ensino brasileiro.

A ENCTI tem temas estratégicos, incluindo água, alimentos e energia, que são vistos de forma integrada.  A partir do conceito de aumento de produção de alimentos e energia, com redução do consumo de água e insumos, são desenvolvidas ações setoriais.

Em relação ao clima estão em desenvolvimento sistemas como o Sirene, de registro nacional de emissões. Há também o Cemaden, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Nacionais, em São Paulo. Também a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas.

E há as Opções de Mitigação de Emissões de Gases de efeito-estufa em setores-chave do Brasil.

O principal desafio, disse Andrade, é a harmonização das políticas climática, energética, econômica, social e ambiental. “O Brasil precisa crescer, alcançar o desenvolvimento econômico e social sustentável”, disse.

Já Gylvan Meira destacou a importância da precificação para fazer com que o combate à mudança do clima, à redução das emissões, não afete a economia. “É necessário montar os sistemas econômicos para que o eventual ônus seja repartido por todos que se beneficiam dele, em vez de deixa-lo recair somente sobre um setor”, explicou.

Um bem livre

“Quando estudei Economia, lembro de ter lido, num livro, que a água era um ‘bem livre’”, disse a presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Única), Elizabeth Farina. “Esse cenário mudou muito e precisamos ter cuidado para não pensar a questão de forma isolada”.

Segundo Elizabeth, é preciso avaliar com cuidado o custo de implantação de cada um dos instrumentos.

Nessa linha, o diretor do Departamento de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Adriano Santhiago de Oliveira, apontou a busca de financiamentos inovadores para a busca de mudanças no clima. E citou fundos como o da Amazônia e o Nacional do Meio Ambiente.

Mercado ativo

Segundo a presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhaes, o Brasil precisa plantar 12 milhões de hectares de florestas genuínas mais 5 milhões como integração com a lavoura e a agropecuária. “Precisamos ter em mente a geração de recursos se as condições econômicas não forem suficientes para estimular o uso de energias renováveis”.

Para ela, o país precisa investir em energia de biomassa e plantar eucalipto. “Precisamos estimular a demanda por esses produtos, o mercado precisa estar ativo nesse sentido”.

O debate sobre instrumentos econômicos para implantar uma política de clima no Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

E isso num contexto em que os pequenos produtores sejam remunerados “pelos serviços ambientais que vão prestar à sociedade, como melhorar o solo e absorver carbono”.

Ainda sobre carbono, Aloísio Melo, coordenador geral de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Ministério da Fazenda, lembrou que a “descarbonização é um sinal de desenvolvimento”.  “Temos que fazer uma análise dos impactos”, afirmou. “A regulação embute custos e eles podem ser tão expressivos que anulam seus efeitos”.

Por isso o ministério estaria tentando cuidar dessas questões “de forma aberta e dialogada”.

Secretária executiva do Comitê Brasileiro do Pacto Global, Beatriz Martins Carneiro destacou o preço de US$ 100 pela tonelada de carbono. “A precificação é um caminho sem volta”.

Lição de casa

Demétrio Florentino de Toledo Filho, coordenação de Energia e Desenvolvimento Sustentável do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, disse que a pasta trabalha com questão há mais de duas décadas. “O que podemos controlar é se emissão vai ser mais ou menos ordenada e se os custos serão ou não proibitivos”, explicou.

Segundo ele, o foco deve estar na tecnologia de baixo carbono e na eficiência energética. “Temos uma lição de casa a fazer”, destacou. “Hoje sabemos que a água e a energia têm um preço, a emissão de carbono também tem que ter”.

>> Ouça boletim sobre a precificação do carbono

‘A Amazônia tem soluções para os problemas do mundo’, explica cientista em reunião na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de agir rapidamente para reduzir os riscos futuros. E de pensar no desenvolvimento baseado na sustentabilidade. Com esse foco, foi realizada, na manhã desta sexta-feira (21/10), na sede da Fiesp, na capital paulista, a reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da federação. O debate ficou por conta da “Revolução Bioindustrial para a Amazônia”, com a participação do cientista Carlos Nobre, professor de pós-graduação do Inpe, e de Juan Carlos Castilla-Rubio, empreendedor e engenheiro bioquímico. Participaram do encontro personalidades como o presidente do Conic, Rodrigo Costa da Rocha Loures.

Segundo Nobre, as mudanças climáticas estão se desenvolvendo em ritmo mais acelerado do que esperava a ciência. “Na minha infância, os meses mais quentes do ano eram janeiro e fevereiro. Agora, outubro e novembro já são muito quentes”, disse. “Isso afeta tudo: do cotidiano das pessoas à produção agrícola. Temos que reduzir o risco futuro, as emissões de carbono na atmosfera”.

Nesse sentido, o Brasil teria sido “audacioso” no Acordo de Paris, que é um tratado das Nações Unidas sobre as mudanças do clima, com medidas de redução da emissão de dióxido de carbono a partir de 2020. O acordo foi negociado em Paris, na França, e aprovado em 2015. “Estabelecemos ter, em 2030, emissões equivalentes a 2012, o que significa praticamente não ter emissões novas”, afirmou. “No Brasil, 70% das emissões vêm ainda, de forma direta ou indireta, da agricultura, como as queimadas na Amazônia e no cerrado”.

Tudo isso quer dizer que “o Brasil tem que acordar”. “Estamos perdendo essa corrida para a Índia, por exemplo”, explicou. “Lá, a meta é ter 100 giga watts de energia solar gerados em 2022.  Aqui, o objetivo é chegar a 1 giga watt em 2024”, disse. “E olhe que somos o país com o maior potencial de uso de energia renovável do planeta”.

Diante disso, é preciso ter “foco no desenvolvimento sob a vertente da sustentabilidade”. “Viajando bastante pela Amazônia nos últimos 40 anos, percebi que há muita pobreza na região: o desenvolvimento não trouxe ganhos sócio-econômicos”.

Entre as mudanças nesse cenário estão o trabalho feito com a castanha do Pará, que antes “mantinha os extrativistas em regime praticamente de escravidão” e hoje já tem iniciativas empreendedoras que fazem a diferença. “Outro exemplo bom é o do açaí, fruta tradicional da Amazônia que era consumida em pequena escala e que nos últimos 15 anos virou um produto de consumo mundial”, afirmou. “Recentemente, vi quatro produtos derivados do açaí numa mesma prateleira numa farmácia em Washington, nos Estados Unidos”, disse. “Não foi a indústria brasileira que fez essa transformação, mas originalmente uma empresa da Califórnia. De qualquer modo, isso beneficia o Brasil. O açaí é uma indústria que deixa US$ 1,8 bilhão por ano na Amazônia”.

Nobre, ao microfone: "Temos que reduzir o risco futuro, as emissões de carbono". Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Por essas e outras, conforme Nobre, é preciso pensar num plano de “inovação de ruptura, que envolva novos modelos”. “Temos que pensar num modelo de desenvolvimento de ruptura na Amazônia, centrado em inovação tecnológica”.

Saída pelo empreendedorismo

Assim, a revolução que fará a diferença, para Castilla-Rubio, envolve uma grande mudança “empreendedora”. “A Amazônia tem recursos biológicos de grande valor para o mundo”, disse. “Precisamos descobrir como usa-los da melhor forma, com ganhos para todos e de modo que a floresta continue em pé. É uma revolução que não pode esperar mais para começar”.

Que não pode mais esperar e que tem como desafio barrar o “processo de ‘savanização’ da Amazônia”. “Temos uma previsão de aquecimento na área de quatro graus, com um grau já registrado, além de danos à Bacia Amazônica”.

De acordo com Castilla-Rubio, o Brasil fez seu dever de casa nos últimos anos, reduzindo em 80% a deflorestação da Amazônia em seu lado. “Temos que pensar numa terceira via de desenvolvimento econômico que seja inclusiva e que mantenha a Amazônia viva”, explicou. “Um modelo que possa criar uma nova economia”.

Por nova economia, entenda-se aproveitar oportunidades como o desenvolvimento de algoritmos para a criação de veículos autônomos inspirados no sistema de comunicação entre as formigas a partir dos feromônios. “É como se fosse uma rede sem fio”, disse Castilla-Rubio. “A Amazônia tem soluções para os problemas do mundo”.

 

 

 

 

 

 

Congresso Ecogerma destaca estratégia da indústria para minimizar impactos da crise hídrica

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

“A indústria está fazendo sua parte para enfrentar a crise hídrica”, afirmou Anicia Pio, gerente do Departamento de Meio Ambiente (DAM) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta quarta-feira (30/9), durante o primeiro dia do Congresso Ecogerma, realizado pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, com o apoio da entidade.

Segundo Anicia, quando se questiona sobre as mudanças do clima e o que está acontecendo com o planeta, é fundamental enxergar mais que o efeito estufa. “Temos que ter um olhar diferenciado para o problema de seca, principalmente no Estado de São Paulo, que registrou a maior média histórica”, enfatizou.

Para ela, o momento é de focar nos efeitos que as temperaturas elevadas têm provocado no dia a dia da indústria e nas adaptações que devem ser seguidas à risca. “É preciso ter em mente que precisamos estar preparados para o futuro. Afinal, a realidade é que ainda estamos operando no volume morto, mesmo começando uma primavera chuvosa”, lembrou.

Anicia apresentou as restrições legais aplicadas às indústrias na região de Campinas e bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. “Fizemos acordos com as indústrias para que todas trabalhassem sem ter que parar, mas tomando todas as providências para redução do consumo de água. Estamos aprendendo com a crise de forma a minimizar o impacto”.

Vale lembrar que o atual parque industrial das duas regiões, compreende mais de 56 mil estabelecimentos, gera 1,9 milhões de empregos diretos e representa cerca de 50% do PIB industrial.

Estratégias de atuação

“A indústria precisa fazer a lição de casa”, reforçou. Mesmo trabalhando com redução de consumo de água, o setor tem um grande desafio pela frente, tendo em vista o cenário ambiental do momento e previsões futuras.

Anicia disse que é muito importante continuar sensibilizando os colaboradores para atingir o objetivo. Sem um plano estratégico, alertou a gerente de Meio Ambiente, há os seguintes pontos negativos: aumento de custos operacionais; impactos na cadeia produtiva; redução na produção e/ou turnos; impactos econômicos e sociais.

Com a lição de casa bem feita é possível sentir os resultados positivos. “Com a economia de água, também tivemos redução no consumo de energia, reduzimos os efluentes, melhoramos a gestão ambiental. Além disso, as indústrias de Piracicaba (interior de São Paulo) tiveram uma redução de 50% do consumo”.

Com o objetivo de ajudar o setor nesta empreitada, foi distribuído um total de 1,5 milhão de cartelas, cada uma com quatro redutores de vazão desenvolvidos por alunos do Senai para toda a indústria. “Também estamos oferecendo cartilhas sobre como gerenciar a escassez de água”, concluiu.

Água e energia

O Congresso, que termina nesta quinta-feira (1º de outubro), tem como foco os temas de água e a energia. Em relação ao primeiro tema, estão sendo debatidos a atual crise hídrica e seus desdobramentos, a gestão de perdas e as redes inteligentes, além da estratégia da indústria no enfrentamento da crise hídrica e o impacto do clima nos recursos hídricos. Além disso, também ocorrerá a entrega do Prêmio von Martius de Sustentabilidade.

Na área de energia, destaque para eficiência energética, bem como o futuro do setor a fim de garantir um mercado seguro e estável ao investidor e a consumidor. Outros temas centrais são o potencial da energia de biomassa e do biogás no Brasil.

Recurso estratégico

A Alemanha é o país que mais investe em pesquisa e tecnologia voltada ao meio ambiente, enfatizou o vice-presidente executivo do grupo Bosch América Latina e presidente da Câmara Brasil-Alemanha, Wolfram Anders, na abertura do Congresso Ecogerma. Ele frisou que seu país possui vários acordos no campo da sustentabilidade, inclusive com o Brasil, nação com a qual se estabeleceu forte cooperação nos últimos 20 anos. A chanceler Ângela Merkel, em encontro recente com a presidente Dilma Roussef, celebrou acordos relativos a energias renováveis e proteção da Amazônia. Ainda na abertura do evento, o cônsul-geral da República Federal da Alemanha em São Paulo, Axel Seidler, lembrou que a atua crise hídrica guarda relação com a mudança climática e lembrou que a água é estratégica para o futuro, inclusive para a manutenção da paz.

Ao tratar da crise hídrica, o diretor de meio ambiente da Fiesp, Ricardo Esper, lembrou que a falta de água afeta a população de modo geral, mas quem mais sofre são os de baixa renda que contam com poucos recursos.

Congresso Ecogerma, realizado pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, com apoio da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

No painel sobre crise hídrica – realidade e seus reflexos, Carlos Alberto Azzoni, professor da FEA-USP, tratou da transposição entre bacias e reforçou que o Brasil é exportador virtual de água em diversos produtos, especialmente soja. “Deve-se levar em conta esta água transportada”, disse, e exemplificou com o encadeamento da borracha e do petróleo no setor automobilístico. Em estudos com base nos números do IBGE e da FIPE, São Paulo exportaria indiretamente 4,4 trilhões de litros de água e importaria quase 8 trilhões de outros estados do País. Por isso, ele reforçou a necessidade de levar em conta a criação de cenários de demanda futura com impacto nas economias regionais. “Há uma transposição de água”, alertou, avaliando que, no futuro, haverá, sim, adaptação em função da mudança do clima, pois se hoje há dificuldades localizadas no sistema Jundiaí, Piracicaba e Atibainha, o quadro só tende a piorar.

Alerta ignorado

Desde 1999 já se sabia sobre os problemas relativos à crise hídrica, a luz amarela acendeu entre setembro e outubro de 2013, mas a forma de o governo disponibilizar informações foi deficiente, criticou Samuel Roiphe Barreto, coordenador do Movimento Água para São Paulo do The Nature Conservancy (TNC). A redução de pressão é um rodízio de água não decretado oficialmente e atinge os municípios de maneira desigual, avaliou o painelista. “A quantidade de água nos reservatórios é bem menor do que há um ano e bem menor do que há três. Demorou para o governo tomar medidas. Se o sistema entrar em colapso será questão de segurança nacional”, criticou, lembrando também que é mais barato cuidar dos mananciais do que dar tratamento à água poluída.

O Congresso Ecogerma, que se realiza desde 2009, contemplou este ano temas como a essencialidade da água, a crise hídrica e o uso adequado dos recursos hídricos, além de eficiência energética.

Durante o evento também foram conhecidos os agraciados com o Prêmio von Martius de Sustentabilidade, reconhecendo e premiando cases na área de natureza, tecnologia e humanidade.

Debate intersetorial com MCTI aborda mitigação de gases de efeito estufa

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Em julho, na Fiesp, foi realizada oficina de capacitação sobre opções de mitigação de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em setores-chave do Brasil com especialistas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Tratou-se de metodologia para “Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono” e “Construção de Cenários de Baixo Carbono” nos segmentos industrial e energético. O treinamento integrou as ações de projeto que mobiliza 11 ministérios com vistas ao esforço do país quanto à mudança climática e está sendo implementado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

A segunda etapa desta iniciativa foi a realização nesta quinta-feira, 27, do workshop “Tecnologias e processos inovadores no setor industrial”. O objetivo foi debater sobre a pesquisa e o desenvolvimento, em diferentes segmentos, sobre processos que direta ou indiretamente auxiliarão na redução de emissões de GEE nas próximas décadas. No encontro, participaram representantes dos setores de alimentos e bebidas, cerâmica, cimento, ferro-gusa e aço, ferroligas, metais não-ferrosos, mineração, papel e celulose, químico e petroquímico e têxtil, além de consultores.

Para Régis Rathmann, do MCTI, é necessário consenso quanto à tecnologia, no setor industrial, para a construção de cenários de baixo carbono a fim de estabelecer mecanismos de políticas públicas para a remoção de possíveis barreiras. O especialista explicou que está sendo utilizada uma visão conservadora nesses cenários em função do momento econômico que o país vive.

Workshop na Fiesp apresentou processos que auxiliarão na redução de emissões de GEE. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Rathmann frisou que já ocorreram rodadas de encontros com vários setores a fim de balizar as tecnologias já existentes e as futuras e as opções de mitigação. “Entre janeiro e março do ano que vem serão publicados os relatórios setoriais para que haja tempo de receber contribuições”, disse, e um dos pontos de atenção é o impacto na competitividade. Com a crise hídrica, a matriz energética pode sofrer intensificação do carbono, alertou o representante do MCTI.

As opções de mitigação auxiliam na identificação de seus respectivos potenciais e custos quantificados a fim de minimizar incertezas. “Muitos setores são produtores de energia e também dependentes”, avaliou. Rathmann detalhou os três componentes principais na construção de cenários:

1 – opções de mitigação identificadas e seus respectivos potenciais e custos quantificados para os períodos 2012-2035 e 2036-2050.

2 – análise integrada das diferentes opções de mitigação em estrutura de otimização integrada, considerando a não-aditividade das diferentes opções e outras considerações econômicas; e avaliação dos possíveis impactos dos custos de abatimento e diferentes políticas climáticas sobre a economia brasileira.

3 – capacitação de instituições, governo federal, estaduais e cidades-sede da Copa do Mundo 2014, bem como organizações da sociedade civil para implementação de ações de mitigação de emissões de GEE em setores-chave da economia.

A Fiesp – por meio de seu Comitê de Mudança do Clima – integra as Conferências Climáticas Mundiais desde 2009, quando da assinatura do Acordo de Copenhague. Naquele ano, foi reconhecido que o aumento da temperatura global não deve exceder 2º Celsius, até o final do século. A partir de então a Fiesp acompanha a delegação brasileira e a agenda internacional, participando das Conferências das Partes (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU) e divulgando o posicionamento da Fiesp. Na agenda nacional, a Federação faz parte dos fóruns governamentais e da sociedade civil, defendendo a competitividade brasileira na construção dessa nova economia de baixo carbono. Outra iniciativa é a divulgação do tema para as pequenas e micro empresas. O Comitê de Mudança do Clima da Fiesp participará da COP21, em Paris, no final deste ano.

Clique aqui para ler carta enviada ao Ministério das Relações Exteriores por João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp e Coordenador do Comitê de Mudança do Clima da entidade, para apresentar as diretrizes que a Fiesp entende serem necessárias ao balizamento dos compromissos que o Brasil assumirá na COP21.

Ministra do Meio Ambiente fala sobre proposta do Brasil para COP21 alinhada com posição da Fiesp

Graciliano Toni e Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, participou nesta terça-feira (29/7) de reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) e do Comitê de Mudança do Clima da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A ministra elogiou o trabalho da Casa em relação a propostas para a Conferência das Partes do Clima (COP21), a ser realizada em Paris de 30 de novembro a 11 de dezembro, e explicou o andamento da preparação brasileira para a reunião.

Izabella Teixeira fez um relato sobre consulta informal feita em Paris a ministros do meio ambiente, na preparação para a COP21. Segundo a ministra, a atuação da França tem ajudado no avanço das negociações. Até dezembro, o país fará reuniões informais “para diminuir os atritos” em relação ao documento simplificado elaborado para a COP21 e divulgado na sexta-feira passada (24/7). Ele contém diretrizes políticas. Os países precisam detalhar seu compromisso com as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (iNDCs), que devem ser reveladas em Paris.

No caso do Brasil, as iNDCs precisam avançar além do que já foi conquistado, disse a ministra, que lembrou que nenhum outro país no mundo reduziu tanto suas emissões de carbono. O nosso ativo florestal, resultante do combate ao desmatamento até 2014 (mais de 650 milhões de toneladas de CO2 equivalente), deve ser creditado como contribuição nacional à redução das emissões globais.

Ela destacou também a posição única do Brasil na capacidade de atingir o equilíbrio entre energia de fontes fósseis e não fósseis. “O Brasil é o único país do mundo em condição de ter matriz 50/50”, afirmou.

Walter Lazzarini, presidente do Cosema, considera muito importante que as decisões tomadas na COP21 sejam legalmente vinculantes, ou seja, que cada país tenha o compromisso de estabelecer suas metas por meio de leis que possam ser cumpridas.

Lazzarini destaca também as chamadas responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Todos os países do mundo, independentemente de seu tamanho, emissões de gases de efeito estufa e outros aspectos, têm responsabilidades e precisam cumpri-las, mas elas são diferenciadas porque países que já se desenvolveram, consumindo combustível fóssil e emitindo grande volume de gases de efeito estufa, devem ter responsabilidade maior. Não pode ser aplicado o mesmo rigor para países ainda em desenvolvimento, explica Lazzarini.

Posições alinhadas

A posição brasileira para a Conferência das Partes em Paris está alinhada aos interesses da indústria. A opinião de Nelson Pereira dos Reis – diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) e integrante do Comitê de Mudança do Clima da Fiesp – se pauta na interlocução estabelecida com o governo, que incentiva o setor produtivo a apresentar suas demandas ao Ministério do Meio Ambiente para que elas sejam integradas ao debate internacional. “Há uma sensibilidade não só no MMA, mas também no Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI) e no Ministério de Relações Exteriores (MRE). Nós temos um longo caminho a percorrer para se chegar a uma economia de baixo carbono, o que é irreversível”, avaliou.

Reis sinaliza, no entanto, que esse percurso deve ser estruturado para que não haja perda de competitividade. Assim, é fundamental assegurar o financiamento para o acesso à tecnologia a fim de promover as mudanças necessárias.

Em compensação, um fator essencial à indústria, no âmbito das discussões da COP21, é a precificação do carbono. A ministra se absteve de comentar este tema em profundidade, ainda em fase de debate no Ministério da Fazenda. Para Reis, em diálogo com a ministra, a indústria deixou bem claro que não aceita que o modelo que está sendo construído comporte cobrança de taxa.

Expectativa para Paris

Segundo Reis, no balanço geral, a expectativa é que o futuro acordo seja positivo, o que está sendo esperado por todos. Assim, os compromissos brasileiros a serem apresentados devem ter boa receptividade.

A ministra também se mostrou otimista. Disse que vê os Estados Unidos mais engajados do que nunca, na busca por um acordo, apesar das grandes dificuldades para conseguir no Congresso norte-americano a aprovação de um acordo legalmente vinculante.

Izabella Teixeira mencionou como pontos de forte discussão o custo da adoção dos pontos de um possível acordo do clima e os meios de implementação, na forma de transferência de tecnologia. E há um grande gargalo, o do arranjo de financiamentos do Fundo Verde, que prevê aporte de US$ 100 bilhões por ano até 2020, mas que conta hoje com apenas US$ 10 bilhões por ano. Os países defendem diferentes formas para assegurar os recursos para pagar a conta de um acordo do clima.

Um modo de resolver os diversos pontos não amarrados, segundo a ministra, é a ideia de convidar chefes de Estado para a abertura da COP21, com seu peso político, e deixar a discussão técnica para o secretariado da Conferência.

Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) e do Comitê de Mudança do Clima da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Vantagem competitiva

Izabela Teixeira defendeu durante a reunião que o Brasil use a seu favor a proteção ambiental. “É uma vantagem que temos”, disse. “O Ministério das Relações Exteriores começa a prestar atenção nisso.” A ministra lembrou que o Brasil é campeão de biodiversidade no planeta, “quer mantê-la e vai mantê-la”. Na opinião da ministra, isto “vai ser tema quente”.

Ela falou sobre prós e contras do chamado “protecionismo verde”, a apropriação do tema pela agenda comercial, de tecnologia e de financiamento. Como ponto positivo citou a redução do custo do dinheiro. Em contrapartida, disse, surgem questionamentos sobre políticas nacionais de clima.

Para Isabella Teixeira, as discussões em torno do novo acordo não integram apenas uma agenda de desenvolvimento sustentável, e não se circunscreve somente ao seu Ministério, mas trata-se de uma geopolítica do desenvolvimento.

A ministra também enfatizou as possibilidades de negócios decorrentes de um acordo do clima e elogiou o setor privado, que “se movimenta com robustez”.

Elementos para o novo acordo de mudança do clima – Posicionamento da Fiesp (COP21)

  1. 1.   Contribuições nacionalmente determinadas (iNDCs) que o Brasil pretende adotar

As iNDCs brasileiras devem refletir um determinado volume de redução de emissões para o conjunto da economia brasileira (economy wide), levando em conta a capacidade nacional e pautada pelo princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Deve ser preservado um formato flexível de contribuição nos moldes da proposta de enfoque de diferenciação concêntrica, apresentada pelo Brasil em outubro de 2014 e durante a COP-20.

A proposta brasileira de iNDCs deve contemplar ações de adaptação à mudança do clima, além de mitigação, e outras ações que preparem o País para enfrentar eventos meteorológicos extremos.

  1. 2.   Ações de mitigação e o perfil da matriz energética brasileira

O reconhecimento de ações antecipadas de mitigação (early actions), realizadas no período entre 2010 e 2020, bem como a grande participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira, deve pautar a atuação do Brasil na negociação do novo acordo.

As ações oriundas do combate ao desmatamento até 2014 resultaram em redução de emissões de mais de 650 milhões de toneladas de CO2eq. Esse ativo florestal deve ser contabilizado como contribuição do Brasil à redução das emissões globais.

Da mesma forma, é imprescindível que as ações de restauração decorrentes do Novo Código Florestal, que promoverão o incremento no sequestro de carbono, sejam consideradas na composição das iNDCs brasileiras.

  1. 3.   Mecanismos de mercado de carbono no novo acordo

É fundamental que o acordo estabeleça mecanismos de flexibilização de mercado como forma de promover a redução de emissões custo-efetivas, independentemente do seu formato.

É relevante que as iNDCs brasileiras explicitem que se poderá recorrer a mecanismos de mercado para incentivar e promover reduções de emissão e sumidouros de carbono.

A criação de taxas sobre a emissão de carbono é inaceitável e incompatível com mecanismos de mercado, qualquer que seja o grau de ambição e o formato do acordo.

  1. 4.   Transferência de tecnologia e financiamento

O novo acordo deverá conter mecanismos, em especial de financiamento, que promovam a transferência e o desenvolvimento de novas tecnologias entre países desenvolvidos e em desenvolvimento para fomentar a redução de emissões. No contexto do novo acordo, devem ser reforçados os programas de cooperação Sul-Sul.

O aporte de recursos financeiros internacionais oriundos do Green Climate Fund (ou de outras fontes) e novas tecnologias são essenciais para que o Brasil possa se adaptar à mudança do clima e enfrentar eventos meteorológicos extremos.

  1. 5.   Ações unilaterais, bilaterais e barreiras ao comércio

Ações unilaterais de mitigação, adaptação, tecnologia, capacitação e financiamento não devem resultar em restrições arbitrárias e injustificadas ao comércio. O novo acordo deve ter cláusula expressa que coíba barreiras ao comércio decorrentes de eventuais medidas adotadas com vistas à sua implementação.

 

Mudança do Clima: novo Acordo em Paris trará impactos para a indústria

João Guilherme Sabino Ometto – vice-presidente e coordenador do Comitê de Mudança do Clima da Fiesp

A Mudança do Clima afeta todos os países, desenvolvidos, emergentes e subdesenvolvidos, e o tema destaca-se cada vez mais com a proximidade da 21ª Conferência das Partes (COP21), no final deste ano, na França, quando haverá esforço conjunto para atingir a meta de limitar a menos de dois graus Celsius o aquecimento global até o final deste século.

Relevante, o encontro em Paris será mais um marco na linha do tempo das discussões globais, como o foram a Rio92, a assinatura do Protocolo de Quioto, em 1997, e o encontro de Copenhague, em 2009, inserindo a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) na agenda prioritária de diversos países. Há grande expectativa em função da assinatura do novo Acordo a ser assumido e o que ele representará para garantir a sustentabilidade do planeta e seus ecossistemas.

O Brasil é partícipe ativo desse encontro, em 2015, e das negociações globais com reflexos de impacto em âmbito nacional. A aprovação da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), em 2009, e sua implementação ao longo dos anos, com base nos planos setoriais, bem como a aprovação de leis estaduais, refletem a relevância do tema para o País.

A questão climática igualmente integra a agenda da indústria e é um dos pontos fortes de atenção. Por isso a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) acompanha, de maneira construtiva com o governo brasileiro, o desenrolar das negociações a fim de compreender de qual forma as negociações multilaterais avançam com vistas a conter o aquecimento global.

O processo de definição das contribuições nacionalmente determinadas (iNDCs), que o Brasil deverá submeter à Convenção em 2015, deve trazer exigências para os diferentes setores, especialmente em relação a ações de mitigação e adaptação. Esses compromissos promoverão reflexos sobre a indústria e o agronegócio que movem economicamente o País e há questões implícitas e essenciais, como a garantia da segurança alimentar e a manutenção dos sistemas produtivos, por exemplo.

Na avaliação da Fiesp, houve contribuição decisiva da indústria para a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), ao longo dos anos, com o aprimoramento dos seus processos e a evolução das tecnologias. Assim, em momento tão sensível do cenário nacional, a preservação da competitividade deve ser central, sem prejuízo ao crescimento econômico e aos avanços sociais conquistados nas últimas décadas.

Por isso, a proposta brasileira a ser apresentada em Paris deve considerar por um lado os esforços já empreendidos no passado e, por outro, os mecanismos futuros, incluindo os voltados a financiamento e transferência e incremento de novas tecnologias entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Nesse contexto, devem ser reforçados os programas de cooperação Sul-Sul, ou seja, dar ênfase entre os países em desenvolvimento que compartilham desafios e experiências semelhantes quanto à redução das suas emissões.

O aporte de recursos financeiros internacionais oriundos do Fundo Verde (Green Climate Fund) e de outras fontes é avaliado como essencial pela indústria para que o Brasil possa se adaptar à mudança do clima e enfrentar eventos meteorológicos extremos. Este é um ponto forte.

Outro item crucial é o reconhecimento das ações antecipadas de mitigação (early actions), entre 2010 e 2020, e a expressiva participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira, auxiliares na pauta de discussão movida pelos programas de etanol, biodiesel, biocombustível e hidroeletricidade do País.

O nosso ativo florestal resultante do combate ao desmatamento até 2014 – mais de 650 milhões de CO2 equivalente – deve ser creditado como contribuição nacional à redução das emissões globais. Nesse mesmo sentido, entende-se como fundamental que as ações de restauração decorrentes do Novo Código Florestal, que promoverão o incremento no sequestro de carbono, sejam consideradas na composição das iNDCs brasileiras.

Diante da recente afirmação da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, de que o Brasil é quem mais reduz e tem comportamento de país desenvolvido frente ao clima e deverá, em curto espaço de tempo, definir o caminho para estabelecer os alicerces da economia de baixo carbono, é fundamental que o novo Acordo conte com mecanismos de flexibilização de mercado. A criação de taxas sobre a emissão de carbono é inaceitável e incompatível com mecanismos de mercado, qualquer que seja o grau de ambição e o formato do Acordo.

A Fiesp, que participa oficialmente das COPs desde 2009 e estará presente na COP21, concorda que a proposta brasileira estabeleça metodologia para quantificar e qualificar as responsabilidades anteriores de emissões de carbono, uma forma de preservar as nações mais vulneráveis às mudanças do clima.

Compreende-se igualmente que o novo Acordo deve ser legalmente vinculante e estar estruturado no princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, além da preservação de um formato flexível de contribuição nos moldes da proposta de enfoque de diferenciação concêntrica, apresentada pelo Brasil em outubro de 2014 e durante a COP-20, em Lima (Peru).

Ativa, a indústria pauta sua ação na participação cooperativa entendendo que a inércia não é solução válida para os setores produtivos que igualmente sofrerão com as consequências das mudanças do clima, bem como a sociedade como um todo. Essa é uma tarefa a ser abraçada por todos nós.

 

Estado de S. Paulo publica artigo de vice-presidente da Fiesp sobre clima

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comitê de Mudança do Clima da entidade, reflete sobre a necessidade de o Brasil apresentar contribuições ousadas e flexíveis quanto à redução de emissões, mas que sejam compatíveis com nossa realidade socioeconômica.

Clique aqui para ler o artigo.

Reunião do Contec/Fiesp aborda economia e mudanças climáticas

Agência Indusnet Fiesp,

Jacques Marcovitch, professor da FEA-USP

A 37ª reunião do Conselho Superior de Tecnologia e Competitividade (Contec) da Fiesp, realizada nesta sexta-feira (13), apresentou o estudo sobre Economia da Mudança do Clima no Brasil: Custos e Oportunidades, coordenado por Jacques Marcovitch, professor da FEA-USP.

Inspirado no Relatório Stern, do Reino Unido, que elaborou uma abrangente análise econômica do problema das mudanças climáticas em nível global, o material serviu como plano de fundo para avaliar se o país sul-americano será capaz de construir uma economia de baixa emissão de carbono na próxima década.

De acordo com Marcovitch, nos anos 40 uma corrente majoritária apostava que o Brasil era uma nação de vocação agrícola. Na década de 70, acreditava-se que exportar era a solução para o País. Hoje, no início do século 21, a preocupação é a economia do clima como parte dos negócios.

Quatro grandes temas compõem a gama de preocupações empresariais globais que lidam com as mudanças climáticas:

  • Eficiência energética;
  • Redução de desflorestamento e degradação;
  • Aplicação de tecnologia;
  • Financiamento da migração para a economia de baixo carbono.

O levantamento indica uma série de políticas públicas como produção de alimentos, saúde e inclusão social, energia, política territorial e uso do solo, ações regionais, financiamento e desenvolvimento, ciência e tecnologia e formação de recursos humanos. Estas recomendações decorrem do estudo no qual os custos estão devidamente apresentados.

O Brasil já é reconhecido como país de excelência mundial em certificação do processo de produção de bioenergéticos, em diversificação da matriz energética e na promoção de cogeração a partir da biomassa. “Somos observados, e o trabalho que as agências de pesquisa estão fazendo para elevar nossa competência nessa área é determinante para que nossa cadeia setorial seja toda competitiva”, ressaltou Jacques Marcovitch.


Base
Após a apresentação do documento, as questões ambientais e climáticas foram categoricamente apontadas pelo conselho como uma questão urgente a ser atrelada nos programas educacionais.

O docente da USP acredita que a revolução digital provocaria um impacto extraordinário sobre o perfil do professor e da sala de aula. Isto porque desafiaria os alunos a sair um pouco do espaço virtual e descobrir o conhecimento. “Tornar o ensino estimulante é essencial para disseminar a consciência ambiental e a melhor utilização dos recursos”, sinalizou Marcovitch.

Veja aqui

  •  a íntegra da palestra do professor Jacques Marcovitch.