Consumidores da nova classe média gostam da simplicidade aliada ao luxo, afirmou professor da FIA/USP

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

O crescimento da participação da chamada nova classe C no mercado de consumo já não é mais uma novidade. Muitos empreendedores, no entanto, perdem boas oportunidades de venda por não conhecer perfil e desejos deste consumidor em potencial.

O alerta é do professor da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP), Edson Barbero, um dos painelistas convidados do seminário A Indústria e Necessidade de Conhecer o Seu Mercado, evento realizado nesta quinta-feira (17/10) pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Professor Edson Barbero, da FIA/USP. Foto: Everton Amaro


A nova classe média representa no Brasil 53% da população economicamente ativa, segundo Barbero, que atribuiu parte do amadurecimento da classe C à economia estável dos últimos dez anos e ao aumento da renda desta população – provenientes de oferta de crédito, programas de transferência de renda e do aumento dos níveis educacionais.

O público, destacou o professor da FIA/USP, tornou-se um público cada vez mais exigente com o que escolhem, mas ainda assim consciente na hora de gastar.

“Conheça este consumidor. Coloque-se no contexto deste indivíduo, seja próximo dele. As marcas hoje não vendem produtos, vendem espaços ocupados na mente. Então essa proximidade é necessária”, orientou Barbero.

Além disso, segundo o palestrante, entre os atributos mais valorizados pela nova classe média, estão itens como atendimento personalizado, variedade, qualidade dos produtos e preço acessível. “É uma classe que está comprando coisas que até outrora eram um sonho. Este público, que por sinal é bastante exigente, cobra das empresas simplicidade e luxo. Eles gostam de lugares bonitos com preços acessíveis”, afirmou Barbero.

No final da sua explanação, Barbero lembrou que a nova classe média responde por 90 bilhões de consumo por ano. E para falar com esse público, a linguagem tem que ser direta e objetiva, enfatizando os benefícios e vantagens do produto.  “O consumidor da classe C está se educando e nós precisamos seguir esta onda, de maneira ética, sem exploração, verificando que isto é importante para o desenvolvimento do país.