Fiesp e Sorbonne apresentam mostra gratuita de cinema franco-brasileiro

Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Universidade de Sorbonne reuniram nove filmes clássicos, da França e do Brasil, que tratam da temática urbana em três tempos da sétima arte: Cinema Mudo, Moderno e Contemporâneo, na mostra inédita A Cidade no Cinema. A seleção traça um panorama histórico e cultural de ambos os países. A programação gratuita acontece nesta primeira semana de junho, de segunda-feira (02/06) a quinta-feira (05/06), no Espaço Mezanino do Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, na Avenida Paulista.

Foram convidadas para apresentar e comentar os títulos, as professoras de cinema Cecília Mello (Universidade de São Paulo), Carolin Overhoff (Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e a francesa responsável pela disciplina de Estética do Cinema da Sorbonne, Céline Scémama, docente também nas matérias de Plásticas do Espetáculo, Música, Musicologia e Estética e Ciências da Arte.

O debate entre as três mestres encerra a mostra na quinta-feira (05/06) e acontece das 14h às 17h. As inscrições devem ser realizadas via internet, no endereço http://zip.net/bnnwpS. As vagas são limitadas.

A ação é parte do programa Cátedra Globalização e Mundo Emergente Fiesp-Sorbonne, uma parceria institucional que visa estreitar os vínculos entre França e Brasil e ampliar a divulgação da cultura de ambos os países.

Sinopses dos filmes

“São Paulo, Sinfonia da Metrópole” – Documentário que retrata a cidade de São Paulo no final da década de vinte. Para a realização do filme os diretores Rodolfo Lustig e Adalberto Kemeny inspiraram-se na ideia de “Berlim: sinfonia da metrópole” (1927) (Berlin: Die Sinfonie der Großstadt – 1927), documentário dirigido pelo alemão Walter Ruttmann. O filme é mudo, mas não por isso deixa de transmitir sua mensagem. A sequência de imagens vai tecendo uma narrativa de culto à modernidade que acaba de chegar, ou que se quer ver presente. São Paulo é exposta como sendo uma cidade moderna, comparada a muitas outras metrópoles norte-americanas ou europeias, muito embora as imagens mostrem somente aquilo que interessa à construção da ideia de que a cidade já faz parte do “progresso”.

“A Propos de Nice” (A Propósito de Nice) – A reputação de Jean Vigo como um prodígio do cinema resta em menos de 200 minutos de filme. Nesta sua primeira experiência, um documentário de 22 minutos, podemos perceber imediatamente a energia e aptidão de uma grande talento. Mas “À Propósito de Nice” é muito mais que uma peça rara biográfica, é um dos últimos filmes a sair era fértil do cinema avant-garde francês e permanece como um dos melhores exemplos para ilustrar a combinação de instintos formais e sociais da época.

“Le Jour se leve” (Trágico Amanhecer) – François (Jean Gabin) é um trabalhador de uma fábrica, alguém bem comum que acabou assassinando um homem em seu próprio apartamento. Apavorado com o que acabou de fazer, François permanece entocado no local do crime enquanto a polícia e curiosos cercam o local e tentam fazê-lo descer. Em flashbacks que se juntam ao presente, a história anterior ao assassinato vai sendo revelada, assim como a identidade do morto, um homem que era amoral e manipulador.

“L’Amour existe” (O Amor existe): Aubervilliers, Pantin, Courbevoie, Nanterre… uma viagem pelos subúrbios parisienses no fim dos anos 50. A degradação da paisagem, o fracasso e a devastação provocados pela urbanização, a condição de vida dos trabalhadores e dos imigrantes a dois passos da avenida Champs-Elysées.

“Alphaville” – A cidade de Alphaville é comandada pelo computador Alpha 60, que aboliu os sentimentos em seus habitantes. Lemmy Caution (Eddie Constantine) é um agente enviado ao local, com a missão de encontrar o professor von Braun, criador de Alpha 60. Seu objetivo é convence-lo a destruir máquina. No percurso Natacha (Anna Karina), a filha do professor, lhe ajuda como guia.

“São Paulo Sociedade Anônima” – Em São Paulo, entre 1957 e 1961, é mostrada a trajetória de Carlos (Walmor Chagas), que pertence à classe média. Guiando-se pelas chances imediatas que lhe são dadas pela sociedade, ele ingressa numa grande empresa. Depois aceita um cargo numa fábrica de auto-peças, da qual torna-se gerente. A certa altura se vê na pele de um chefe de família, que trabalha muito, ganha bem, mas vive insatisfeito. Sem projeto de vida ou perspectivas de se opor à condição que rejeita, só lhe resta fugir.

“Ma 6T va crack-er” (Gangues da minha cidade) – Meaux, periferia de Paris. Na cidade, vivem uma vida de marginais. Arco, Malik e Moustapha têm 16 anos e poucas perspectivas de futuro. Djeff, J. M., Pete e Hamouda têm entre 20 e 26 ans e já sofrem há muito tempo com o desemprego. Sob o pano de fundo do rap, ao longo de rixas (entre eles mesmos ou contra a polícia), de planos amorosos e de roubos ao supermercado da esquina, a vida cotidiana de uma juventude desiludida.

“O Invasor” – Estevão, Ivan e Gilberto são companheiros desde os tempos de faculdade. Além disto, são sócios em uma construtora de sucesso há mais de 15 anos. O relacionamento entre eles sempre foi muito bom, até que um desentendimento na condução dos negócios faz com que eles entrem em choque, com Estevão, sócio majoritário, ameaçando deixar o negócio. Acuados, Ivan e Gilberto decidem então contratar Anísio (Paulo Miklos), um matador de aluguel, para assassinar Estevão e poderem conduzir a construtora do modo como bem entendem.

“A Dama do Cine Shanghai” – Em uma noite úmida de verão, o corretor de imóveis Lucas (Antônio Fagundes) entra em um velho cinema de São Paulo. Dentro da sala ele conhece Suzana (Maitê Proença), uma mulher muito parecida com a que está no filme em exibição. Sedutora e misteriosa, ela é casada com Desdino (Paulo Villaça) e renega as tentativas de Lucas em conquistá-la. Quando é injustamente acusado de assassinato, Lucas passa a buscar o verdadeiro autor do crime. Só que quanto mais investiga mais as pistas apontam para Suzana e Desdino.
Programação

02/06 – 18h às 22h

Sinfonia das Cidades: Cinema Mudo

“São Paulo, Sinfonia da Metrópole” (Kemeny/Lustig, 1929) – 90’

“A Propos de Nice” (Vigo, 1930) – 58’

“A Idade Clássica: Cinema Falado”

“Le Jour se leve” (Carné, 1939) – 93’

 

03/06 – 18h às 22h

Cinema Moderno

“L’Amour existe” (Pialat, 1961) – 21’

“Alphaville” (Jean-Luc Godard, 1965) – 99’

“São Paulo Sociedade Anônima” (Luís Sérgio Person, 1965) – 107’

 

04/06 – 13h30 às 18h30

IV – Cinema Contemporâneo

“Ma 6T va crack-er” (Richet, 1996) – 105’

“O Invasor” (Beto Brant, 2001) – 97’

“A Dama do Cine Shanghai” (Guilherme de Almeida Prado, 1987) – 115’

 

05/06 – 14h às 17h

Mesa Redonda

Céline Scémama – Université Paris I – Panthéon-Sorbonne

Cecília Mello – Universidade de São Paulo

Carolin Overhoff Ferreira – Universidade Federal de São Paulo

 

Serviço:

Mostra de Cinema Franco-Brasileiro

Filmes: “São Paulo, Sinfonia da Metrópole”, “A Propos de Nice”, “Le Jour se leve”, “L’Amour existe”, “Alphaville”, “São Paulo Sociedade Anônima”, “Ma 6T va crack-er”, “O Invasor”, “A Dama do Cine Shanghai”

Local: Espaço Mezanino do Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.
Datas: de 2 a 5 de junho de 2014.
Entrada: Franca.
Capacidade: 60 lugares.
As inscrições devem ser feitas via internet, no endereço http://zip.net/bnnwpS