INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: SCHNEIDER ELETRIC

Proporcionar acesso à energia para que comunidades possam ser tornar mais conectadas, seguras, ambientalmente responsáveis e eficientes faz parte do propósito da empresa. 

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Por Raquel Corrêa Sajonc

Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis é uma das metas globais das Nações Unidas para promover o desenvolvimento sustentável até 2030. Neste movimento, está o grupo multinacional francês Schneider Eletric, especializado em produtos e serviços para distribuição elétrica, controle e automação industrial. A empresa se posiciona como uma especialista global em gestão de energia e automação e, segundo a Sustaintability and Innovation Manager da Schneider Electric para a América do Sul, Regina Magalhães, é intrínseco ao negócio tornar as cidades e comunidades mais sustentáveis. “Na Schneider Electric, temos como core business a sustentabilidade, sempre pensando no mundo que queremos construir para as próximas gerações. Ela fala que uma das prerrogativas é atuar além do discurso e de forma estruturada. “Nós buscamos trabalhar em ações e projetos com impactos reais e mensuráveis, isso inclui colaborar no desenvolvimento de cidades e comunidades para que elas possam ser mais conectadas, digitalizadas, seguras, ambientalmente responsáveis e eficiente”, relata.

Essas soluções permeiam diversos setores da economia, com impacto na vida de quem mora em áreas urbanas, periurbanas – que se localiza além dos subúrbios das cidades – e rurais.  Para populações de baixa renda e moradoras de regiões rurais e isoladas, a empresa conta com uma iniciativa específica, que é o Programa de Acesso à Energia. Hoje, praticamente 1,1 bilhão de pessoas – quase 1 em cada 5 pessoas no planeta – não têm acesso à energia. Um levantamento inédito da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), realizado este ano, mostrou que o Brasil ainda possui 1 milhão de residências sem luz, sobretudo nas áreas rurais.

 O Programa de Acesso à Energia da Schneider Eletric foi criado em 2009 com o nome de BipBop (Business, Innovation & People at the Base of the Pyramid), destinado a levar energia renovável, segura e confiável para áreas sem acesso ou com acesso precário, além de promover treinamento em competências relacionadas ao setor de energia para comunidades de baixa renda. Até 2025, a meta global da companhia é levar energia para 50 milhões de pessoas e treinar um milhão. Até o momento, a empresa atingiu 5 milhões de pessoas e treinou mais de 100 mil. Os números são expressivos, inclusive no Brasil, onde já foram treinadas mais de 30 mil pessoas. Regina comenta que o Programa ganhou força com a criação do departamento de Sustentabilidade no país, em 2011, e já no ano seguinte foi realizada a primeira eletrificação na Amazônia. De lá para cá, a empresa vem amadurecendo seus projetos e parcerias para eletrificação em comunidades isoladas, com o fortalecimento de competências locais. Para se ter uma ideia da evolução, este ano, a empresa apoiou a instalação de mais de 30 sistemas de energia solar em comunidades indígenas e extrativistas na região amazônica, beneficiando espaços de uso comunitário e atividades produtivas. Com isso, o Projeto manteve sete parcerias educacionais ativas em diferentes estados.

As metas de acesso à energia e de treinamento tem sido reportadas no Barômetro Planeta & Sociedade, ferramenta criada pela própria empresa para medir a evolução da companhia em suas principais metas de sustentabilidade, sendo que essas metas estão relacionadas aos indicadores de desempenho dos executivos, que podem ser bonificados com os seus resultados. E o Programa de Acesso à Energia tem alcançado, a cada ano, mais resultados e positivos impactos. É possível perceber que o êxito da iniciativa está ligado ao fato de que o desenvolvimento social e a promoção de energia limpa estão na estratégia da empresa, e não às margens de sua gestão. “Levar energia para quem não tem não se trata de um projeto social acessório, mas de um compromisso ético da organização e de um objetivo de negócio”, relata a Sustaintability and Innovation Manager da Schneider Electric para a América do Sul, Regina Magalhães.

Nos próximos anos, a companhia pretende investir em novas formas de promover este direito humano básico, que é o acesso à energia. Regina cita algumas ações que deverão ser realizadas, além daquelas que já estão em prática.  “Além de desenvolver projetos de maior impacto e replicáveis, queremos aperfeiçoar nossa metodologia de treinamento para comunidades isoladas, ampliar o apoio a empreendedores sociais e estimular iniciativas inovadoras que estejam conectadas a desafios da empresa e da sociedade”.

Para a Schneider Electric, o acesso à energia é só o começo de uma onda de transformações na educação, na saúde, na economia local, nas comunicações e em toda a organização social de uma comunidade. Ou seja, a empresa acredita que o acesso à energia facilita o acesso a outros direitos fundamentais, como um círculo virtuoso. “Diante de tamanho impacto, temos a responsabilidade de conduzir os projetos de forma estruturada, com respeito às características e potenciais locais. É um trabalho que demanda sensibilidade e uma boa dose de criatividade”, finaliza a gestora da área.

Sobre a empresa:

A Schneider Electric é especialista mundial em gestão de energia e automação, reúne conhecimentos e soluções para garantir aos seus clientes uma energia segura, confiável, eficaz, durável e conectada. Conta com 144.000 colaboradores em mais de 100 países, sendo 2.942 no Brasil, onde atua há 70 anos. Possui no país cinco fábricas, dois escritórios administrativos em São Paulo, um centro de distribuição em Cajamar e mais 7 mil pontos de vendas.

ENTREVISTA: Os principais desafios do Brasil para o desenvolvimento sustentável do meio urbano

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Por Raquel Corrêa Sajonc

Luciel Henrique de Oliveira é Doutor em Administração pela FGV, professor da PUC Minas/Poços de Caldas e do Mestrado na área de Sustentabilidade, no centro universitário UNIFAE, em São João da Boa Vista/SP.

O objetivo 11 para o Desenvolvimento Sustentável sugere que os países adotem ações que tornem as cidades e comunidades mais sustentáveis, com transportes de qualidade, ampliação de áreas verdes, acessibilidade, entre outras. Neste sentido, quais são os principais desafios do Brasil? E o que já vem sendo feito nas diferentes regiões do país para apoiar esta meta do ODS?

O objetivo 11 é um dos ODS mais ambiciosos na Agenda 2030, por relacionar desenvolvimento urbano, a necessidade de melhorar o ambiente urbano e a convivência nas cidades a fim de urbanizar assentamentos precários e favelas, e garantir melhores condições de vida para a população. Uma cidade sustentável implica considerar problemas que são inerentes à sua concepção, aos seus habitantes e ao seu ambiente. A representação das cidades – principalmente as maiores – está associada atualmente a uma imagem de desconforto, com concentração dos grandes males de nossos tempos: violência, exclusão, pobreza, poluição, marginalização, insegurança, estresse, desamparo, solidão, entre outros.

O Estatuto da Cidade (2001) criou instrumentos de desenvolvimento (como o plano diretor) e trouxe o desenvolvimento sustentável ao meio urbano, através da afirmação do direito às cidades sustentáveis, que considera a sustentabilidade urbana não de forma vaga, mas caracterizada em funções que a cidade deva garantir a seus habitantes. Assim, verifica-se uma situação em que os problemas se retroalimentam, num ciclo vicioso. A falta de moradia digna estimula a ocupação de áreas públicas, particulares e em áreas de risco; a falta de trabalho leva à informalidade e até mesmo à marginalidade; a ausência de opções de lazer não incentiva nem garante a cidadania; enfim, os sistemas públicos de transporte deficientes, aliados aos privilégios infra-estruturais acordados aos veículos particulares, conduzem, em muitos casos, ao caos de uma cidade.

Os principais problemas observados nas cidades atuais podem ser divididos em duas vertentes: a questão do acesso aos serviços públicos essenciais e as pressões sofridas pelo meio urbano, em detrimento de sua sustentabilidade. O acesso aos serviços públicos essenciais visa possibilitar uma melhor qualidade de vida a todos, e a redução da pegada ecológica das cidades. Isso ocorre a partir da instrumentalização das diretrizes e instrumentos que devem ser aplicados à política urbana como um todo. Moradia, asfalto, redes de água ou esgotamento sanitário, galerias pluviais, praças, parques, sinalização, zonas industriais, pontes, viadutos, novas avenidas etc., são vários os elementos infraestruturais que se apresentam como prováveis soluções para problemas urbanos.  Os elementos de pressão estão no setor público e privado e serão tratados mais à frente.

  • Principais desafios do Brasil para tornar as cidades mais sustentáveis:

Planejamento urbano, com elaboração e implantação de planos diretores adequados a realidade de cada município adoção de paradigmas adaptados para cada realidade urbana criar públicas, tanto em matéria de urbanismo como em matéria de ordenamento territorial. Neste ponto, são necessárias melhorias, uma vez que o plano diretor só é obrigatório para os municípios que tenham mais de 20 mil habitantes, que estejam em região metropolitana ou, ainda, onde haja a intenção de uso de instrumentos visando ao cumprimento da função social da propriedade urbana. Perde-se assim uma oportunidade, uma vez que os municípios de pequeno porte poderiam tornar-se, ainda que em consórcios, verdadeiros laboratórios de práticas desenvolvimento urbano sustentável.

  • O que já vem sendo feito nas diferentes regiões do país para apoiar esta meta do ODS:

Cidade sustentáveis atingem um equilíbrio de forma sistêmica nos aspectos social, econômico, político e ambiental. Desenvolvem boas ações nas áreas de governança, consumo sustentável, ação local para saúde, melhor mobilidade e menos tráfego, economia dinâmica e sustentável, educação para sustentabilidade, cultura para sustentabilidade, planejamento e desenho urbano, gestão local para sustentabilidade, equidade, justiça social e cultura de paz, e bens naturais comuns. As cidades sustentáveis adotam práticas que aliam a qualidade de vida da população, o desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente, reduzem os impactos ambientais relacionados ao consumo de matéria e energia e à geração de resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Embora não exista uma cidade que seja 100% sustentável, várias delas já praticam ações sustentáveis em diversas áreas, ainda que isoladas.

São exemplos de boas práticas:

  • Boas soluções urbanísticas adotadas em Curitiba;
  • Institucionalização da análise da pegada ecológica em Campo Grande;
  • Incentivo de uso bicicleta e a ampliação das ciclovias em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro;
  • Gestão integrada com formulação de planos estratégicos para o desenvolvimento sustentável, em Campinas. Além de consolidarem as bases para a conservação ambiental, essas ações, se articulam para o ordenamento territorial do município.
  • Preservação de áreas verdes, a arborização urbana e recuperação de áreas degradadas, utilizando as mudas de árvores nativas em João Pessoa;
  • Programa de orçamento participativo em Porto Alegre;
  • Projeto Banco Palmas de moeda social, em Fortaleza, no âmbito de economia dinâmica e sustentável;
  • Projeto Formação em Segurança Pública, Direitos Humanos e Cidadania, em Macapá;
  • Também em pequenas cidades existem bons exemplos, como a troca lixo reciclável por material escolar, em Ipameri (GO) e o projeto Projeto Florir Toledo (PR), que é um programa de fortalecimento comunitário, tendo como público-alvo adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
  • Organizações de catadores de materiais recicláveis, que promovem a coleta seletiva por meio de conscientização da população sobre a importância da reciclagem para a preservação ambiental, assim como a inclusão e o desenvolvimento social. Exemplos como este ocorrem em muitos municípios do país.

Entre as submetas do ODS 11 está a proposta de aumentar a urbanização inclusiva e sustentável, e os assentamentos humanos participativos e integrados. Na sua opinião, como o setor empresarial pode contribuir com esta meta?

O setor empresarial pode contribuir com esta meta alinhando-se aos governos locais para decidir investimentos e prioridades considerando critérios técnicos, procurando reduzir as pressões sofridas pelo meio urbano e tratando de interesses que envolvem a gestão urbana e a ocupação e o uso do solo. Verificam-se elementos de pressão cujas origens estão no setor privado (especulação imobiliária e lançamentos imobiliários que não se destinam populações de baixa renda), e também no setor público (ausência de planejamento territorial em nível macro e “periferização” das cidades, mantendo os fluxos populacionais em direção às zonas mais povoados).

Nem sempre critérios técnicos são levados em conta nos processos decisórios relativos à instalação desses equipamentos. Ao contrário, são comuns casos de necessidades criadas que, ao invés de responderem ao interesse público, respondem ao interesse do gestor que pretende promover sua imagem, ao do empreiteiro que necessita realizar uma obra ou, ainda, ao do especulador imobiliário. Várias das exigências mínimas em termos de oportunidade, conveniência, segurança, de resposta adequada às exigências ambientais (como estudos de impacto ambiental e de vizinhança) são ignoradas ou feitas pró forma pelo poder público, em nome de interesses particulares ou político-eleitoreiros.

Adotar áreas verdes no entorno das fábricas é suficiente para garantir ambientes públicos seguros, inclusivos, acessíveis e verdes? Como o setor empresarial pode se envolver mais nesta submeta do objetivo 11? Poderia citar alguns exemplos de boas práticas empresariais?

Adotar áreas verdes no entorno das fábricas é necessário, mas não suficiente. O objetivo 11.7 visa proporcionar o acesso universal a espaços públicos seguros, inclusivos, acessíveis e verdes, aos espaços públicos verdes, particularmente para as mulheres e crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência. O setor empresarial pode começar entendendo a diferença entre filantropia e responsabilidade social corporativa (RSC). Filantropia significa humanitarismo, é a atitude de ajudar o próximo, de fazer caridade, geralmente através de doações, como roupas, comida, dinheiro, medicamentos, etc. As ações filantrópicas encerram-se na doação. A RSC é um conjunto de ações que beneficiam a sociedade, levando em consideração a economia, educação, meio-ambiente, saúde, transporte, moradia, atividade locais, governo e ONGs. Implica em ações de médio e longo prazos, com acompanhamento, cobrança de resultados e prestação de contas. A empresa que investe em RSC torna-se co-responsável pelos resultados.

Isso pode ser feito com a adoção de práticas concretas de responsabilidade social, considerando em primeiro lugar as necessidades e o bem-estar de seus funcionários e familiares, bem como da comunidade no entorno da empresa. Num segundo momento, pode se envolver apoiando financeiramente projetos de inciativa de ONGs locais e regionais, com ações ambientais e sociais concretas (é o chamado investimento social privado).

Transportes mais seguros, acessíveis, com menor impacto ambiental, e a preço justo para todos, incluindo as pessoas em situação de vulnerabilidade, mulheres, crianças, pessoas com deficiência e idosos é uma das metas que precisam ser alcançadas até 2030. Como você vê o envolvimento do setor empresarial no alcance deste objetivo? Há exemplos que possam nos inspirar neste sentido?

O objetivo 11.2 visa proporcionar o acesso a sistemas de transporte seguros, acessíveis, sustentáveis e a preço acessível para todos, melhorando a segurança rodoviária por meio da expansão dos transportes públicos, com especial atenção para as necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade, mulheres, crianças, pessoas com deficiência e idosos. O envolvimento do setor empresarial no alcance deste objetivo ainda é tímido, tendendo a deixar estas ações para o governo. Porém existem muitas oportunidades de investimento nesta área.

Neste eixo estão desafios como reduzir a necessidade de utilização do transporte individual motorizado e promover meios de transportes coletivos acessíveis a todos, a preços módicos; aumentar a parcela de viagens realizadas em transportes públicos, a pé ou de bicicleta; desenvolver e manter uma boa infraestrutura para locomoção de pedestres e pessoas com deficiências, com calçadas e travessias adequadas; acelerar a transição para veículos menos poluentes; reduzir o impacto dos transportes sobre o ambiente e a saúde pública e desenvolver de forma participativa um plano de mobilidade urbana integrado e sustentável.

Como exemplos que possam nos inspirar pode-se citar:

  • A cidade de Tallinn, na Estônia, que implementou de um serviço de transporte público gratuito,envolvendo cerca de 426 mil pessoas e 480 veículos coletivos.
  • Paris, planejando-se para ser a primeira capital pós-carro do mundo, pretende abolir os carros individuais com motores à combustão. Até 2020 veículos a diesel serão proibidos de circular. A cidade vai passar por um longo processo de adaptação, a começar pelos estacionamentos: estacionar na cidade ficará mais caro e a meta é extinguir 150 mil vagas. Os estacionamentos nas ruas darão lugares a ciclovias. Táxis e ônibus autônomos e elétricos estarão disponíveis para a população. Além disso, vai investir pesado para ampliar a malha metroviária. O projeto vai construir 68 novas estações até as Olimpíadas e 2024.
  • Bogotá, na Colômbia – o sistema BRT TransMilenio, tem uma demanda superior a de muitos metrôs: no horário de pico, transporta até 45 mil passageiros por hora no sentido mais carregado. Se estas pessoas se deslocassem de automóvel no mesmo intervalo de tempo, seriam necessárias 25 faixas, o equivalente a uma via com 80 metros de largura. O BRT usa apenas duas faixas segregadas, ou seja, 7 metros da via.
  • O Rio de Janeiro, com o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que vai interligar os diversos tipos de transportes, como terminais rodoviários, aeroportos, estação de barcas, metrôs e trens. A expectativa é que permitirá a redução gradativa da quantidade de ônibus nas ruas e tornará o sistema de locomoção carioca mais inteligente, rápido e sustentável.

Finalmente, é necessário lembrar que que a cidade sustentável, da mesma forma que o desenvolvimento sustentável como um todo, depende de cada um de nós, que temos o direito ao meio ambiente. Gozar desse direito, assim como do direito de viver numa cidade sustentável, passa por ações proativas do poder público, mas passa também pela pro-atividade sociais em todos os seus segmentos. Assim, participar ativamente na gestão da cidade é lutar por viver com qualidade e dignidade.

Para entrar em contato com o professor, escreva – luciel@uol.com.br

ARTIGO: Mobilidade urbana para todos, o que você tem a ver com isto?

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor. 


Por Guilherme Bara*

Com a maior concentração de pessoas nos centros urbanos, as grandes cidades se tornam locais onde os recursos e a infraestrutura são bastante otimizados, uma vez que, por meio de estratégias de georreferenciamento conseguimos beneficiar um número maior de pessoas com equipamentos públicos e meios de transporte. As concentrações urbanas contribuem para o desenvolvimento sustentável em diversos aspectos, pois precisamos de menos recursos como quantidade de terra, estradas e equipamentos públicos para atender um número maior de pessoas.

Por outro lado, sabemos que em boa parte das cidades esta concentração acontece de forma desorganizada, onde as pessoas chegam antes da infraestrutura. Isto faz com que estejamos atrasados no desafio de criarmos um ambiente que acomode, com qualidade, os habitantes das grandes metrópoles. Um dos principais desafios para a construção deste ambiente é disponibilizarmos um sistema de mobilidade urbana que atenda às necessidades e desejos de uma população.

Linhas de Metrô, estações de trem, corredores de ônibus há algum tempo são temas presentes nesta discussão. Mais recentemente as ciclovias e ciclofaixas, as calçadas e o pedágio urbano foram incluídos no debate. Certamente, todos estes pontos são fundamentais para melhorarmos a mobilidade urbana para todos. Neste contexto se destaca o desafio de viabilizar a mobilidade também para as pessoas com deficiência.

Certamente, esta parcela da população que, segundo a ONU, representa mais de 10% dos moradores das grandes cidades se beneficia de todos estes avanços. Mas, é neste ponto, que ganha importância a responsabilidade de cada um de nós em contribuirmos para este processo. O nosso comportamento e as nossas atitudes impactam diretamente na qualidade da experiência de um cidadão com deficiência quando este se desloca pela cidade.

Pouco adianta termos estações de trem a cada quinhentos metros se alguém, sem precisar, estiver sentado na vaga reservada; será excelente termos todas as calçadas acessíveis, mas parte do benefício se perde se poucos oferecem ajuda para uma pessoa cega atravessar o cruzamento; muito dos esforços e investimentos para termos mais linhas com ônibus acessíveis são desperdiçados se há motoristas que ignoram o sinal dos cadeirantes.

Para termos uma cidade mais inclusiva, segura e sustentável, conforme definido no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 11, certamente precisamos investir em trilhos, ônibus, cimento e asfalto, mas só será efetiva, de fato, se tivermos uma cultura de respeito e atitudes inclusivas que são responsabilidade de cada um de nós.

*Guilherme Bara é gerente de Relacionamento e Diversidade da Fundação Espaço ECO®       

Brasil mostra seu protagonismo na questão ambiental

Agência Indusnet Fiesp

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Marcos Jank, presidente da Unica: "Temos três Belo Monte adormecidas nos canaviais"

Durante o evento Diálogo sobre Economia Verde e Cidades Sustentáveis: Rumo à Rio+20, realizado nesta terça-feira(21), na Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da entidade, relembrou o protagonismo brasileiro na questão ambiental em relação ao mundo: “A participação do Brasil nesta Conferência e em todos fóruns internacionais será a de contribuir com sua própria experiência.” Reis destacou que a tecnologia deve ser um ponto crucial para a sustentabilidade.

A desembargadora federal do Tribunal Regional da 3ª Região, Consuelo Yasuda Yoshida, enfatizou a importância da regulação para se estabelecer a sustentabilidade, por exemplo, com a eficiência energética. Ela também afirmou que a indústria tem papel fundamental nesse processo e pode contribuir na questão ambiental e social. “É importante que o setor legislativo não se flexilize ao ponto de se afetar o equilíbrio econômico e ambiental. Temos de combater tudo o que degrada o desenvolvimento humano, como trabalho escravo e desmatamento.”

Zoneamento estratégico

Diante do grande desenvolvimento do agronegócio brasileiro, Marcos Jank, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açucar (Unica), destacou a necessidade de se pensar estrategicamente a questão de zoneamento, como tem sido feito pelo setor sucroalcooleiro: “É preciso definir onde devem ficar cidade, floresta e agricultura”.

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Marcio Macedo Costa, do BNDES: "É preciso pensar a economia verde como uma trajetória de desenvolvimento e de forma estratégica"

Outra questão levantada por Jank é que devemos avançar em agroenergia. “Temos que sair das armadilhas das hidrelétricas, e há condições para isso. Temos três Belo Monte adormecidas nos canaviais, se pensarmos na produção de energia com a biomassa do bagaço da cana”, afirmou o presidente da Unica, relembrando que esse é um exemplo típico do imenso potencial que o Brasil dispõe e não está aproveitando, assim o como a energia eólica e solar.

Marcio Macedo Costa, chefe do departamento de Meio Ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), citou uma série de projetos sustentáveis pelo País apoiados pelo banco, inclusive de pequenos empresários e cooperativas. Para ele, que esteve presente na Eco 92 quando ainda era um jovem recém-formado, é preciso pensar a economia verde como uma trajetória de desenvolvimento e de forma estratégica.

Pensar no Brasil

Desenvolvimento sustentável não pode ser confundido com crescimento econômico a todo custo. Com esse ponto de vista, Laura Vicente Machado, diretora de produção e consumo sustentável da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), afirmou que, antes de se pensar no interesse de um setor ou outro, deveria se priorizar os interesses do País e da sociedade, dando como exemplo a questão do Código Florestal. “Se for aprovado o Código do jeito que está hoje, nossas metas não serão atingidas”.

Ela destacou ainda que a inovação, embora esteja sempre nos discursos sobre sustentabilidade, muitas vezes, tem sido ignorada na prática. Para a representante do MMA, a primeira coisa a se fazer é reduzir o desperdício. “Com essa atitude todos ganham. É preciso sermos corresponsáveis pela qualidade de recursos ambientais e humanos do País. Melhorar a qualidade das pessoas não só na questão do consumo, mas em se tornar pessoas melhores como um todo”, disse.

Exemplo de Cidades Sustentáveis são discutidos em evento na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

O secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura do Estado de São Paulo, Eduardo Jorge, foi um dos convidados do evento

Diálogo sobre Economia Verde e Cidades Sustentáveis: Rumo à Rio+20, e que apresentou uma série ações adotadas na cidade para melhoria da qualidade ambiental.

O secretário destacou que economia verde é o caminho do mundo tomou neste século 21 com o término do capitalismo versus socialismo, e pensar-se em erradicação da pobreza, um dos temas do debate, é um grande avanço. Ao contrário do que se acredita, os centros urbanos contribuem para proteção do meio ambiente nas regiões rurais e de florestas, por exemplo com o consumo da madeira legal ou certificada. Além disso, segundo o secretário, o Brasil está bem à frente de muitos países na questão de produção de energia com o agronegócio, e pode se destacar ainda mais com inovação.

Gestão

Outra grande contribuição que as cidades têm dado para minimizar o aquecimento global e promover a sustentabilidade é a gestão de seu lixo, da urbanização e do transporte. Eduardo Jorge relembrou que a cidade de São Paulo, em 2005, ao reconhecer o aquecimento global como um problema ambiental grave, passou a tomar uma série de ações efetivas. Entre as quais, a captação de metano nos aterros sanitários, que se tornou fonte de geração de energia elétrica para a população, e a substituição gradual do petróleo na frota de transporte coletivo. Atualmente, 9% da frota paulista está livre de petróleo (mais de mil ônibus).

O secretário também afirmou que uma das soluções para urbanização e para áreas de riscos nas cidades é o conceito de compactação e verticalização que, apesar de algumas críticas geradas em torno do tema, deve ser considerado.

Sobre esse tema, a arquiteta Carolina Bueno, do Escritório de Arquitetura Triptyque, pontuou a necessidade de pensar o que queremos para as nossas cidades nos anos futuros, em termos de patrimônio histórico e do próprio bem-estar da nossa população. “Temos que pensar no prazer de se morar.”