‘A cidade inteligente é feita de processos interligados’, diz diretora do Ministério da Ciência na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Que venha a inclusão digital e o maior uso da tecnologia nas cidades brasileiras. Os dois temas estiveram no centro das discussões do Workshop Infraestrutura Telecomunicações Cidades Inteligentes, realizado na manhã desta terça-feira (20/09), na Fiesp.

Diretora do Departamento de Infraestrutura para Inclusão Digital do Ministério da Ciência Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), Eloá Jane Fernandes Mateus explicou como funciona o programa Cidades Digitais, do Governo Federal.

A iniciativa é baseada em três pontos: implantação de infraestrutura de redes de fibra ótica nos municípios, formação na área para agentes municipais e para a população e oferta de aplicativos em áreas como saúde e gestão. “Queremos dar base para que as cidades se tornem digitais”, explicou.

A região Nordeste será a mais contemplada com as ações do projeto, que terá abrangência nacional e está em fase de implantação.

Agora, segundo Eloá, o foco está no estímulo às cidades inteligentes. “A cidade inteligente é a evolução da cidade digital, no sentido de agregar serviços à população”, disse.

Assim, conforme o Decreto 8776, de 11 de maio de 2016, foi lançado o programa Brasil Inteligente, com uma série de ações voltadas para as áreas de comunicações e tecnologia. “Para o exercício de 2016, 172 municípios concretizaram suas propostas para participar do programa”, afirmou. “A cidade inteligente é feita de processos interligados”.

CCO da Tacira, empresa que ajuda as cidades a se tornarem inteligentes, Kátia Galvane explicou que o grupo oferece projetos integrados na área. “É preciso ter critérios técnicos bem definidos, pensar nas melhores práticas para a troca de informações”, disse. “Por isso temos tanto foco em áreas como educação e saúde nos municípios”.

No que se refere à saúde, Kátia destacou a importância de ter sistemas eficientes de identificação de usuários antes mesmo de pensar em serviços como os prontuários e sistemas de agendamento eletrônico. “Mas o conceito de inteligência é amplo e muito focado também em educação e segurança nas cidades”.

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O workshop sobre cidades inteligentes: tecnologia que traz mais qualidade de vida. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


A empresa tem projetos na área em municípios como Águas de São Pedro, Itatiba e Limeira, no interior paulista.

Cada vez mais

Diretor de IoT da Ericsson do Brasil, Alberto Rodrigues explicou que a criação de cidades inteligentes é, cada vez mais, uma demanda dos cidadãos. “Nos próximos 15 anos, teremos 26 bilhões de coisas conectadas”, disse.

E mais: “70% da população mundial viverá em cidades em 2050, 76% desses moradores querem sensores em locais públicos para rastrear e evitar tráfego, 70% querem comparar a utilização de energia com seus vizinhos”, explicou Rodrigues. “Cidades inteligentes são aquelas com uma qualidade de vida superior, obtida de modo sustentável por meio do uso inteligente da tecnologia”.

De acordo com Rodrigues, os pilares dessas cidades são resiliência, sustentabilidade, eficiência, competitividade e segurança. “Em um país com 10 milhões de habitantes, para cada minuto economizado no tempo de salvamento de alguém pelos serviços de resgate, a economia pode chegar a 70 milhões de euros por ano em custos com atendimento e hospital”, disse. “Essa economia de tempo no resgate pode ser feita com o suporte da tecnologia, facilitando o acesso a quem precisa de ajuda, por exemplo”.

Prontuário eletrônico

E por falar em ajuda, o gerente executivo da Prodesp, que é a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, João Gilberto Pinheiro, destacou o trabalho de Inteligência feito nos hospitais públicos do estado.

Com o Projeto S4SP – Saúde para São Paulo, em parceria com a Fundação Zerbini. “Fizemos uma parceria em que a Fundação Zerbini e a Prodesp trabalharam juntas para a implantação de um novo sistema de gestão nos hospitais do estado”, disse Pinheiro. “Agora agora temos o registro eletrônico de saúde, prontuários eletrônicos e assim por diante”, disse. “Fazemos controle de materiais e medicamentos e integramos o sistema com outros de gestão na área de saúde”.

Segundo Pinheiro, a meta é ter 48 unidades interligadas ao sistema em 2018. “Já registramos 1,2 milhão de consultas ambulatoriais, 2,7 milhões de pronto atendimentos e 5,9 milhões de pacientes cadastrados”, disse. “Os gestores têm acesso a tudo por meio de um aplicativo”.

Representante da área de desenvolvimento de Negócios para a América Latina da Cisco System, Renato da Silveira Pazotto lembrou que a tecnologia da Informação tem impacto no desenvolvimento das cidades, que já entram num círculo virtuoso de transformação em centros de desenvolvimento. “Para isso é preciso investir em processos, ter visão de longo prazo”, afirmou. “Ter plataformas de serviços disponíveis para os cidadãos”.

Ainda na seara de benefícios, o diretor do SindiTelebrasil, Francisco Carlos, lembrou que na Europa já existem 328 cidades consideradas inteligentes. E que, para que um município chegue a se esse patamar, é preciso primeiro ter presença digital, depois sistemas eletrônicos de gestão do governo, cidadãos que de fato tenham acesso a serviços digitais e infraestrutura de cidade inteligente.

No Brasil, segundo Carlos, os investimentos nos próximos dez anos na consolidação das cidades inteligentes estão estimados em R$ 1,3 bilhão no cenário atual e em R$ 4,3 bilhões num cenário “com redução de barreiras”. “Temos uma carga tributária alta que impacta a conectividade e vivemos um cenário macroeconômico pouco favorável”, disse. “Hoje há 100 milhões de objetos conectados no Brasil. Removendo barreiras, chegaremos a 200 milhões em 2025”.