‘Vivemos a insegurança da informação’, afirma especialista em seminário na Fiesp

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp 

Por sua complexidade, a segurança de dados na internet, é um problema sério, tanto no Brasil e no mundo, avaliou o presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), embaixador Rubens Barbosa, durante a abertura do seminário “Cibersegurança no Brasil: o impacto na confidencialidade e reputação das corporações”, na manhã desta terça-feira (10/12), na sede da entidade. Na ocasião também estava presente o diretor do Departamento de Segurança (Deseg) da entidade – organizador do evento -, Cassio Vecchiaitti.

Embaixador Rubens Barbosa. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para Rubens Barbosa, essa deve ser uma preocupação das empresas no mundo globalizado. “Com a internacionalização do Brasil há a necessidade das empresas de focarem nesse segmento para melhorarem os mecanismos de defesa”, afirmou.

Segundo o embaixador, apesar de ser relativamente novo, o tema é de extrema importância e ganhou mais relevância após a divulgação da espionagem sofrida pelo governo e empresas brasileiras, como a Petrobras. “Essa questão dos ataques cibernéticos é um dos principais riscos das nossas empresas. As pequenas e médias talvez ainda não tenham essa consciência, mas é importante saber que todas as organizações são vulneráreis”, disse.

“Os tempos mudaram, os desafios aumentam e as técnicas se sofisticam”, alertou Rubens Barbosa.

Ressaltando a seriedade e importância do tema, o diretor-geral do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações do Gabinete de Segurança Institucional, Raphael Mandarino, afirmou que “a segurança da informação deve andar junto com a segurança nacional em todos os lugares do mundo”.

Ele citou o caso de Edward Snowden – em que o ex-analista de inteligência norte-americano tornou público os detalhes de várias programas altamente confidenciais de vigilância eletrônica dos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido  –  e advertiu que não existe uma visão muito clara sobre o que está acontecendo. “Não conhecemos muito bem sobre o que estamos falando, nem o Brasil e nem ninguém”.

Mandarino destacou a posição da China como um modelo a ser seguido: “não adianta fazer uma reunião de governo. Precisamos das empresas e da universidade”.

Seminário Cibersegurança no Brasil: o impacto na confidencialidade e reputação das corporações”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ponto de vista legal

O advogado especialista em direito digital e em novas tecnologias, Rony Vainzof, afirmou, durante o Seminário, que, atualmente, se vive uma “insegurança da informação”, dado que cada vez mais há os ataques cibernéticos. “Nosso papel, como estudiosos da área, é analisar a situação do ponto de vista da territorialidade e como fazer a soberania de cada Estado nesse cenário. A grande questão é atual é como tratar essas questões de espionagem”, afirmou.

O advogado destacou que, apesar de não ter legislação específica, o Brasil é conhecido como um país de ‘direito positivado’, onde se há lei para tudo. “O Brasil é o país onde mais se tem decisões judiciais nesse âmbito, no mundo inteiro. Os magistrados vêm conseguindo aplicar as legislações existentes nesse tipo de conduta, porém, em algumas situações, falta respaldo jurídico”, explicou.