China e mudanças tributárias em debate na reunião do Comtextil

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

As possibilidades de venda para a China e as mudanças recentes na área tributária do setor foram os destaques da reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O evento, realizado nesta terça-feira (16/07), na sede da entidade, foi conduzido pelo vice-presidente da Fiesp Elias Haddad, que também é diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) e coordenador do Comtextil.

Para apresentar aos empresários as oportunidades de exportação para a China, foi convidado o CEO da ChinaInvest, Thomaz Machado. Segundo ele, depois se tornar o maior exportador do mundo, o país agora ser o maior importador. O que abre portas para os empreendedores brasileiros. “Não vendemos mais para a China por falta de conhecimento, porque não sabemos quem é quem”, disse.

Reunião do Comtextil realizada nesta terça-feira (16/07) na Fiesp. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Reunião plenária do Comtextil realizada nesta terça-feira (16/07), na Fiesp. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Especialista em comércio com o gigante asiático, Machado costuma perguntar aos empresários em suas palestras o nome de três empresas chinesas. “Geralmente, ninguém sabe dizer”, afirmou. “Como vamos vender para esse mercado se nem sabemos os nomes dos nossos clientes?”, questionou.

Machado: é preciso conhecer os potenciais clientes na China. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Machado: empresários brasileiros precisam conhecer seus potenciais clientes. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Para matar a curiosidade dos participantes da reunião do Comtextil, Machado citou algumas corporações do país mais populoso do mundo, como a Changhong, de televisores e ar-condicionados, a Legend, de eletrodomésticos, e a TCL, também de televisores.

Outra informação importante: de acordo com Machado, a taxa de consumo na China cresce ao ritmo de 15% ao ano. “Existe muita descrença nesse ponto: as empresas brasileiras não acreditam que podem vender para a China”, afirmou Haddad. “Temos que quebrar esse gelo”, disse.

Nesse sentido, Machado apresentou a participação na feira Chimport, a ser realizada entre os dias 26 e 28 de setembro na cidade chinesa de Guangzou, como oportunidade de começar a vender para a terra da Grande Muralha. A ChinaInvest representa o evento no Brasil. “Os visitantes da Chimport serão representantes, importadores, investidores e distribuidores no mercado chinês”, explicou Machado.

Entre os setores, estão na mira dos asiáticos principalmente empresas de alimentos, bebidas, agronegócio, construção, tecnologia e saúde.

Novidades no ICMS

Na segunda parte da reunião plenária do Comtextil, a consultora tributária Maria Concepción Cabredo apresentou aos participantes mudanças recentes na legislação, como a adoção da alíquota interestadual de 4% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “A medida tem como objetivo combater a guerra fiscal entre os portos brasileiros e entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2013”, disse.

Maria Concepción: novidades da legislação que afetam o setor têxtil. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Maria Concepción: novidades da legislação que afetam o setor têxtil. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Outra “novidade boa” apresentada por Maria Concepción foi o fim da obrigação de mencionar nas notas fiscais eletrônicas o valor pago na importação dos produtos. Isso desde 11 de junho de 2013.

A consultora ainda tirou dúvidas dos empresários participantes sobre diferentes pontos, como o que deve constar nas notas fiscais eletrônicas sempre que houver conteúdo importado nas mercadorias, por exemplo.

Fiesp quer estimular vendas para a China, diz vice-presidente da entidade em reunião sobre a feira Chimport

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Em vez de apenas importar produtos da China, o Brasil precisa vender mais para o gigante asiático, de acordo com o vice-presidente e coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Elias Miguel Haddad.

“Queremos vender para a China”, resumiu Haddad em reunião realizada nesta terça-feira (13/06) na sede da entidade, convocada para apresentar a feira Chimport na cidade.

“A Fiesp quer estimular as vendas para termos superávit nas nossas relações comerciais e não para sermos invadidos por produtos da China e dos países asiáticos”, explicou.

Haddad: mais estímulo às exportações para a China. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Haddad: Fiesp quer mais estímulo às exportações do Brasil para a China. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A feira Chimport, programada para o período entre os dias 26 e 28 de setembro em Guangzou, tem por objetivo estimular as exportações de empresas do mundo inteiro para a terra da Grande Muralha.

A palestra “A Chimport e suas possibilidades de negócios para a indústria nacional” foi apresentada pelo CEO da ChinaInvest, Thomaz Machado. A empresa representa a feira chinesa no Brasil. “A China foi responsável por 16% das trocas comerciais brasileiras em 2012, é o nosso principal parceiro comercial”, afirmou Machado. “Temos que conhecer o mercado chinês, saber quem é quem e fazer tentativas de vendas. Precisamos conhecer os nomes dos nossos possíveis clientes”, disse. “Há muito desconhecimento dos dois lados.”

Machado destacou a intenção do governo chinês de abrir o mercado para a entrada de produtos importados. Isso porque os chineses são grandes consumidores de artigos feitos em todas as partes do mundo em suas viagens ao exterior. “O governo prefere que esses cidadãos comprem importados na China e deixem os impostos por essas compras dentro do país”, explicou. Assim, conforme o CEO da ChinaInvest, será possível ver, na etiqueta de muitos produtos, nos próximos anos, a expressão “Made for China”, ou feito para a China.

Bolachas portuguesas

De acordo com o CEO da ChinaInvest, a classe média e média alta na China é formada por 460 milhões de pessoas, para uma população total de 1,3 bilhão de habitantes. “Não é preciso vender para todo o país”, explicou. “Na China, muitas vezes, em algumas províncias se tem uma população de consumidores do tamanho do Brasil”.

Machado, da ChinaInvest: governo chinês quer mais importados no país. Foto:  Helcio Nagamine/Fiesp

Machado, da ChinaInvest: governo chinês quer mais importados no país. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Entre as nações que já conseguem bons resultados com o mercado chinês está Portugal. Na pauta de exportações lusitanas destinadas ao gigante asiático estão itens como azeite e até bolachas doces “do tipo Maria”. “Uma única empresa portuguesa tem 30% da sua produção de bolachas voltada para a China”, disse Machado. “Foram 50 milhões de bolachas vendidas para lá em dois anos. A China faz questão de importar alguns produtos, até por questões sanitárias.”

Plataforma de negócios

Segundo Machado, a Chimport é uma evento voltado para a importação, ou seja, para atrair importadores para a China. Nos dois primeiros dias de feira, circularão pelo Pazhou International Trade Expo Hall apenas representantes, importadores, investidores e distribuidores do país asiático, com abertura para o público em geral somente no terceiro dia. “Vamos criar uma plataforma de informação dizendo quem é quem no mercado chinês e expondo os produtos das empresas brasileiras para os chineses”, disse o executivo da ChinaInvest.

No caso da Chimport, são particularmente bem-vindas indústrias dos setores de alimentos, bebidas, agronegócio, moda, casa, construção, tecnologia e saúde.

Aos interessados, Machado lembra que, acima de tudo, é preciso investir em relacionamentos para vender para a China. “Toda negociação lá é fechada à mesa”, explicou. “Os chineses perguntam sobre características pessoais e família, por exemplo.”

Outra dica importante: nunca dispense a ajuda de um bom tradutor. “Certa vez, achando que já tinha mandarim fluente, decidi fazer uma apresentação sem o intermédio da minha tradutora”, contou Machado. “Em dado momento, em vez de dizer ‘eu gostaria de perguntar a vocês’, acabei falando ‘eu gostaria de beijar você’ por uma sutileza na pronúncia”, lembrou.