Workshop de comércio eletrônico encerra agenda da missão da Fiesp e do Ciesp em Shanghai

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp, de Shanghai

A comitiva de 120 empresários da Fiesp e do Ciesp na China encerrou nesta sexta-feira (9 de novembro) sua agenda de atividades em Shanghai. Após uma intensa manhã de visitas técnicas, a delegação brasileira participou de um workshop sobre e-commerce realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Após a abertura do encontro, com a presença do diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Harry Chiang, e do vice-presidente da CNA, Gedeão Silveira, especialistas falaram de suas experiências envolvendo plataformas digitais de comércio e serviços na China.

De acordo com o sócio da Kung Fu Data James Fron, uma das primeiras impressões que se tem sobre a China é de um país das maravilhas. No entanto, ele chamou a atenção dos empresários brasileiros para um ambiente regulatório complicado, em que as empresas locais levam muitas vantagens em relação aos estrangeiros que tentam seu lugar ao sol. Além disso, segundo Fron, “o mercado quer o melhor e muda o tempo todo. É importante ter um bom contato local para um acompanhamento dessas mudanças”.

Mark Ray, diretor da Sovereign China, disse que a economia chinesa atual está baseada em plataformas online, um dos motivos do grande sucesso do grupo Alibaba. Na visão dele, os consumidores chineses buscam não apenas bons produtos, mas experiências inovadoras. Nesse sentido, o co-fundador da WalktheChat Thomas Graziani detalhou como a geração mais jovem na China utiliza o aplicativo WeChat de forma intensa, seja para enviar mensagens, fazer compras ou galerias com seus produtos favoritos.

O vice-presidente da única afiliada do Alibaba para produtos refrigerados, a Ex-Fresh, Ifeng Wan falou sobre os avanços em inovação e câmaras frias no novo varejo de alimentos frescos. “Dentro da China estamos em cinco cidades e buscamos constantemente soluções logísticas que garantam a qualidade do produto em todo processo”, defendeu. Wan mostrou também o mapeamento da origem das produções que entrega. Atualmente, o grupo possui 300 armazéns de estoque para distribuição dentro do país.

Na sequência, os participantes puderam conhecer o trabalho de gestão da cadeia de fornecimento do comércio eletrônico na Win-Xhain. O gerente sênior de contas John Liu contou como o sistema de entrega da empresa está habituado a funcionar com diferentes estratégias e horários.

Finalmente, o diretor de comércio eletrônico da Jumore, JC Liu, tratou das vendas na plataforma online para o setor de commodities e ofereceu seus serviços em nível internacional para resolver problemas e superar os desafios para entrada e conquista do mercado consumidor chinês.

delegação brasileira participou de um workshop sobre e-commerce realizado em parceria com a Apex-Brasil e a CNA. Foto: Fiesp/Divulgação

Delegação brasileira em workshop sobre e-commerce realizado em parceria com a Apex-Brasil e a CNA. Foto: Fiesp/Divulgação

Empresários da Comitiva da Fiesp e do Ciesp à China visitam zona franca de Shanghai

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp, em Shangai

Para conhecer os processos de armazenamento e distribuição dos produtos estrangeiros em Shanghai, a comitiva empresarial da Fiesp e do Ciesp à China visitou, nesta sexta-feira (09/11), a chamada District Free Zone, a zona franca de Shanghai.

A área, administrada por uma empresa estatal chinesa, funciona como um grande galpão de estoque de produtos oferecidos por fabricantes estrangeiros que desejam vender seus produtos para o país da Grande Muralha.

Para participar da Free Zone, o empresário brasileiro pode contatar diretamente a equipe da empresa pública ou os distribuidores locais.

O sócio da importadora e exportadora Brascase, Daniel Lippelt, frisou que o processo de pagamento das taxas nessa zona franca facilita o fluxo de caixa das empresas, já que os impostos são pagos à medida que os produtos são vendidos pelo estabelecimento. O custo diário do aluguel da zona franca de Shanghai é de 1,80 RMB por metro cúbico, passando para 3 RMB no verão.

Na mesma região, a delegação brasileira conheceu ainda as instalações do supermercado DIG, que, após o término da China Internacional Import Expo (CIIE), no próximo dia 11, abrigará uma exposição permanente dos produtos das empresas expositoras.

O coordenador de consultoria e trading Luan de Camargo mora na China e considerou positiva a chance de a comitiva empresarial passar por esse centro. “A ideia de conferir pessoalmente os conceitos de comércio usados pelos chineses foi nota dez”, afirmou. Segundo ele, os empresários brasileiros precisam agora assegurar que o conhecimento conquistado na visita faça parte de um trabalho de longo prazo.


Comitiva da Fiesp e do Ciesp à China realiza visitas técnicas ao Cityshop, 6+365, Hema e Starbucks

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp, em Shanghai

Em seu primeiro dia de agenda técnica em Shanghai, a comitiva empresarial da Fiesp e do Ciesp à China conheceu importantes instalações de redes de supermercados chineses nesta quinta-feira (8 de novembro).

A primeira parada do grupo foi a Cityshop, uma das maiores redes regionais de supermercados especializado sem alimentos gourmet do mundo. Da consultoria Cost Saving, Felipe Teixeira atentou para a prioridade que a rede ainda dá para qualidade e a produção chinesa. “Nos indicaram parcerias com os contatos locais, os distribuidores deles. Do Brasil por lá, por enquanto, só café”, explicou.

Em seguida, os empresários puderam conhecer o Centro de Exposição 6+365. O centro comercial do grupo Orient Internacional, o maior de Shanghai, indica distribuidores para quem deseja fazer negócios na China. A ideia do 6+365 é manter uma plataforma online permanente de produtos. Os produtos oferecidos na China Internacional Import Expo deste ano, por exemplo, terão espaço lá até junho de 2019. O gerente de comércio global da Uno Mundo, Marcos Manozzo, não se identifica com o modelo de negócio, mas considerou que para empresas que querem uma porta de entrada rápida para China, a plataforma pode ser uma solução.

No Hema Supermarket, do conglomerado Alibaba, os empresários conheceram uma extensa estrutura de negócios comandada apenas por um aplicativo. O consumidor abre sua conta e pode fazer compras pelo celular que serão entregues em até 30 minutos em áreas de até 3 km das lojas da rede. O pagamento pode ser feito por QR code e, em algumas lojas, por reconhecimento facial, descontado diretamente da conta do cliente. A loja abriga ainda frutos do mar vivos para compra e preparo na hora para consumo no local, uma preferência dos chineses. Alguns produtos frescos também possuem validade de apenas um dia, sendo descartados após esse período. Na comparação com outros supermercados, a diferença é variada, o grupo não busca uma concorrência por preço no mercado chinês.

A última visita passou pela loja conceito da cafeteria americana Starbucks em Shanghai, uma das de maior destaque no mundo.

Integrantes da missão da Fiesp e do Ciesp à Ciie no Centro de Exposição 6+365. Foto: Mayara Baggio/Fiesp

Integrantes da missão da Fiesp e do Ciesp à Ciie no Centro de Exposição 6+365. Foto: Divulgação/Fiesp

Empresários da missão da Fiesp e do Ciesp à China comemoram resultados

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp, de Shanghai

 O dia começou cedo nesta terça-feira (6 de novembro) para os participantes da missão empresarial prospectiva da Fiesp e do Ciesp à China. Durante o segundo dia da feira China Internacional Import Expo (CIIE), os empresários se reuniram com pelo menos sete compradores chineses, em reuniões de cerca de 30 minutos cada, em uma rodada de negócios promovida pelo Bank of China.

Na ocasião, o 2° vice-presidente da Fiesp e do Ciesp e chefe da missão da federação à China, José Ricardo Roriz, abriu uma cerimônia com autoridades de diversos países parceiros e que contou com presença do presidente do Bank of China, Chen Siqing. Também estavam presentes o vice primeiro-ministro e ministro da Economia de Luxemburgo, Étienne Schneider, a vice-ministra do Desenvolvimento Econômico da Itália, Michele Gerado, e o vice-ministro de Desenvolvimento de Pequenas Empresas da África do Sul, Cassel Mathale.

O 2º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, José Ricardo Roriz, em sua apresentação. Foto: Mayara Baggio/Fiesp

O 2º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, José Ricardo Roriz, em sua apresentação. Foto: Mayara Baggio/Fiesp

Para o diretor comercial da empresa Erva Mate 81, Ederli Shier, a rodada de negócios rendeu importantes contatos com companhias chinesas de chá, com propostas de compra e venda de produtos e marcação de visitas às fábricas locais. “Achei fantástico, era exatamente o tipo de oportunidade e relacionamento que estávamos esperando”, disse o empresário de Guarapuava, no Paraná.

Já o paulista Carlos Rebello, da fabricante de alimentos Saúdelicia, ficou impressionado pelo volume das demandas questionadas pelos chineses. “Falamos em números muito altos para exportação e potenciais parcerias no Brasil e na China”, afirmou o diretor.

Da carioca Água Teresópolis, o sócio-diretor Claudio Mendes contou que teve contato com donos supermercados locais bem preparados tecnicamente e bastante interessados pela água brasileira. “A Fiesp tem ajudado com um excelente trabalho de organização, além de nos apresentar um importante mix de conhecimento sobre a China que facilita o processo de negociação com os compradores chineses”, disse.

Foro Brasil-China 

No mesmo dia, em uma intensa troca de informações sobre o dia a dia do mercado consumidor da China, a delegação da Fiesp e do Ciesp participou de um almoço de relacionamento com um grupo de empresários brasileiros baseados em Shanghai que se reuniram desde 2006 formando o Foro Brasil-China. Em um restaurante brasileiro, o presidente do grupo, Henry Osvald, detalhou casos de sucesso, além de compartilhar dados de crescimento das cidades chinesas e seus avanços nos últimos anos. O Foro representa atualmente 60 empresas que produzem ou têm negócios no mercado chinês.

Rodada de negócios na feira chinesa CIEE com a participação da missão da Fiesp e do Ciesp. Foto? Mayara Baggio/Fiesp

Rodada de negócios na feira chinesa CIIE com a participação da missão da Fiesp e do Ciesp. Foto: Mayara Baggio/Fiesp


Na CIIE, empresários brasileiros participam de rodada de negócios com compradores de Hunan

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp, de Shanghai
Os 120 empresários que compõem a comitiva da Fiesp e do Ciesp à China Internacional Import Expo (CIIE) participaram nesta quarta-feira (7 de novembro) de uma nova rodada de negócios.Em encontro organizado pelos próprios compradores, as empresas brasileiras puderam exibir seus produtos e conhecer melhor as necessidades do governo da província de Hunan, a oitava economia chinesa.

Para o 2° vice-presidente e chefe da missão da Fiesp à China, José Ricardo Roriz, a feira de importação está sendo essencial para compensar a distância física entre os dois países.”Tenho certeza que os empresários brasileiros voltarão ao Brasil com uma outra visão sobre o potencial de comércio que a China representa para São Paulo e para o Brasil”, afirmou.

Roriz assinalou ainda que a parceria com a província chinesa, localizada na região Norte do país, deve perdurar por um longo prazo. Ele usou como exemplo a alta tecnologia para o setor de transportes de Hunan como uma importante parceria para o desenvolvimento de grandes projetos que o Brasil necessita.

Encontro da missão da Fiesp com o governo da província de Hunan. Foto: Mayara Baggio/Fiesp

Encontro da missão da Fiesp com o governo da província de Hunan. Foto: Mayara Baggio/Fiesp

Em Shanghai, seminário preparatório dá dicas de acesso ao mercado chinês

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp, de Shanghai

Um dia antes da abertura oficial da China Internacional Import Expo (CIIE 2018), na última segunda-feira (5 de novembro) em Shanghai, a comitiva de empresários da Fiesp e do Ciesp participou de um novo seminário preparatório com dicas de acesso à segunda maior economia do mundo.

Durante o encontro, aberto pelo 2°vice-presidente das entidades e chefe da missão à China, José Ricardo Roriz e mediado pelo diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Harry Chiang, o embaixador do Brasil na China, Marcos Caramuru de Paiva, contou como a feira de importação proposta pelo governo chinês tende a apresentar aos estrangeiros os novos consumidores chineses, que cada vez mais buscam produtos saudáveis e originais.

“Os jovens de 20 e 30 anos já cresceram internacionalizados, vão ao exterior uma ou duas vezes ao ano e mudam de preferências rapidamente. Eles querem produtos variados e interessantes”, explicou o embaixador.

Os empresários puderam conhecer ainda a experiência do vice-gerente regional da Dezan Shira & Associates, Riccardo Benussi, especializado em assessorar empresas da América do Norte e do Sul com investimentos na China, incluindo instalação de escritórios e registro de marcas, estratégia importante para as empresas que desejam fazer parte do mercado chinês.

David Chau, diretor da companhia logística Cohesion, detalhou fases do crescimento do transporte marítimo na cidade de Shanghai, cenário que ele acompanha desde os anos 90. Chau tratou de temas como regras para aprovação de rótulos, produtos e certificações. Nesse sentido, a professora e pesquisadora da Shanghai University of Internacional Business and Economics Zhang Juan mostrou como a zona de livre comércio de Shanghai tem buscado constantemente soluções inovadoras para as políticas comerciais da região.

Na sequência, houve uma apresentação sobre a estrutura e cobertura do Bank of China para os empresários estrangeiros

O economista da Hong Kong Trade Development Council em Shanghai (HKTDC) Louis Chan, por sua vez, trouxe o destino de Hong Kong com o mais uma opção de investimento aos empresários brasileiros. “Somos uma cidade que recepciona 65 milhões de turistas por ano, 44 milhões só da China. Um país forte em alimentos como o Brasil seria um fornecedor bem-vindo para nossa rede de 14.000 restaurantes”, afirmou.

Para tratar da área de e-commerce na China, a delegação acompanhou a experiência da representante da agência de marketing digital Web2Asia, Renata Thiébaul, e da executiva da Tmall Global, do grupo Alibaba, Victoria Stive.

Seminário em Shanghai prepara empresários da missão da Fiesp e do Ciesp para negociar com a China. Foto: Mayara Baggio/FIesp

Seminário em Shanghai prepara empresários da missão da Fiesp e do Ciesp para negociar com a China. Foto: Mayara Baggio/FIesp

Com ministros Aloysio Nunes, Marcos Jorge e Maggi, missão prospectiva da Fiesp inicia atividades em Shanghai

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp, de Shanghai

Na manhã deste domingo (4 de novembro) os 120 participantes da missão prospectiva de negócios da Fiesp à China Internacional Import Expo (CIIE) deram início a suas atividades em Shanghai.

Durante um encontro de alinhamento e boas-vindas realizado no hotel oficial da delegação brasileira na cidade chinesa, os empresários receberam o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Marcos Jorge, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi.

Na avaliação do chefe da delegação empresarial e 2º vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz, o grande objetivo dessa missão é colocar as pequenas e médias empresas brasileiras na lista de compras do mercado chinês, o maior do mundo. “Algumas empresas não projetavam exportações e após intensa preparação estão aqui. Trata-se de uma importante mudança cultural sobre a importância de desenvolver novos mercados”, afirmou.

Além disso, Roriz frisou a importância do engajamento industrial para a economia do país. “Quanto você agrega valor aos produtos, você cria empregos de qualidade. Quanto mais sofisticada for a nossa exportação, com produtos elaborados e manufaturados, maior será nossa contribuição para a balança comercial brasileira”, completou.

Do Itamaraty, o ministro Aloysio Nunes falou da extraordinária mudança pela qual a China passou nos últimos anos, tornando-se um mercado exigente e sofisticado, e de como o Brasil está presente na economia chinesa por meio dos acordos e grupos internacionais. “A China é hoje um parceiro incontornável que não pode ser afastado ou subestimado. Só no ano passado foram US$ 20 bilhões em negócios, e nos primeiros nove meses deste ano já ultrapassamos essa marca”, detalhou. Na visão do ministro, a visita da delegação brasileira mostra apetite de exposição, de encontrar pessoas, prospectar mercados e agregar valor aos produtos nacionais, a receita para uma nova inserção internacional, que ele chamou de mais ampla e competitiva.

O ministro Blairo Maggi, por sua vez, considerou encantador estar na China. Para ele, apesar do regime diferente, a mentalidade chinesa de desenvolvimento ajuda a compreender como devemos planejar o futuro. “Até 2030, o aumento de renda é praticamente estático em todo o mundo, menos na China. As perspectivas são de que o mercado chinês compre 50 milhões de suínos nos próximos anos, por exemplo. Mais do que o total produzido pelo Brasil atualmente”, disse.

Já Marcos Jorge falou da China como permanente parceiro estratégico do Brasil, mesmo durante momentos de tensão comercial. O responsável pelo MDIC observou ainda um recente aumento da disposição do empresariado brasileiro por um movimento de expansão de mercado, também na área de serviços.

Na visão do embaixador do Brasil na China, Marcos Caramuru de Paiva, o diálogo diplomático brasileiro com a China é positivo. “Com essa feira, para além das questões políticas, a China mostra uma disposição de cooperação em relação ao mundo, esperando dos países parceiros uma ampliação do volume de negócios. Fiquei particularmente satisfeito em ver como Brasil reagiu a esse chamado, com uma delegação dessa dimensão e real interesse em negócios”, afirmou.

Para o embaixador e presidente da Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe, o Brasil tem complementariedades evidentes com a China, com posições semelhantes e coordenadas sobre diferentes temas da política internacional. “A China é distante, diferente e complicada, a língua não é fácil, mas já conquistou a posição de maior mercado consolidado do mundo e daqui 12 anos, 2030, terá o dobro do tamanho”, frisou. Jaguaribe apontou ainda que, apesar de sua dimensão e estrutura poderosa, a China tem um futuro previsível de demandas muito pesadas em áreas como agricultura, energia e minérios, nas quais o Brasil é forte.

Finalmente, o vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Gedeão Silveira Pereira, chamou a atenção da delegação da Fiesp para o crescente consumo que a China agrega anualmente, o volume de um país como a Argentina. “Viemos com uma postura inovadora, para além da soja, na tentativa de criar mercado para os setores de frutas e lácteo”, defendeu.

Reunião no primeiro dia de atividades da missão prospectiva da Fiesp a Shanghai. Foto: Mayara Baggio/Fiesp

Reunião no primeiro dia de atividades da missão prospectiva da Fiesp a Shanghai. Foto: Mayara Baggio/Fiesp

Na Fiesp, StartSe e Alibaba participam de workshop para missão à China

Agência Indusnet Fiesp

Os empresários com o passaporte carimbado para a missão prospectiva da Fiesp à China International Import Expo (CIIE 2018) participaram na tarde desta terça-feira (23 de outubro) de um novo workshop de preparação, em São Paulo. Organizado pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, o encontro contou com apresentações de empresas como StartSe e Alibaba, além de especialistas técnicos do Senai-SP. 

Na visão do sócio da StartSe Ricardo Geromel, já é um consenso mundial que a China e os Estados Unidos estão na vanguarda da inovação tecnológica. Segundo ele, é essencial a compreensão dos grandes números chineses por parte dos empresários brasileiros, para além de discussões superficiais sobre o país. “Para termos uma ideia, o número de unicórnios, como são chamadas as empresas de capital fechado que valem mais de US$ 1 bilhão, é de 160 na China, ante duas companhias deste tipo no Brasil”, explicou.

A executiva do Alibaba Victoria Stive, por sua vez, mostrou o desenvolvimento e os produtos do grupo chinês que revolucionou o setor logístico global, bastante conhecido no Brasil pelo e-commerce AliExpress. Por meio da plataforma Tmall, Victoria apresentou como pequenos e médios produtores e fabricantes podem vender seus produtos pela internet para todo o mundo.

Da coordenação de Relacionamento com a Indústria do Senai-SP, Guilherme Dias falou sobre as questões logísticas fundamentais de exportação para a China. Ele considerou como principais etapas para a adaptação de empresas brasileiras no exterior: design, itens regulatórios, embalagem e logística. “Trabalhamos a internacionalização de marcas levando em consideração sete linhas de atendimento e conscientização, como por exemplo a produção para mercado nacional e estrangeiro, a gestão da cadeia de fornecimento e o planejamento integrado da produção”, disse.

Sobre a importância do design dos produtos brasileiros no mercado chinês, Camila Tomás do Senai-SP ressaltou as diferenças culturais e de linguagem entre o Oriente e o Ocidente. Já a especialista em tecnologia gráfica também do Senai-SP Giselen Wittmann frisou a importância da embalagem como um meio de conter, proteger, identificar e vender o produto. Ela apontou como requisitos básicos para embalagens a atenção com risco à saúde humana, em relação a composição do alimento e alteração do gosto, odor ou textura, além das boas práticas de cada setor.

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Encontro fez parte da programação da Fiesp para a feira China International Import Expo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Fiesp, Ciesp e Apex-Brasil promovem seminário preparatório para missão à China

Cristina Carvalho, Isabela Barros e Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Em mais uma etapa preparatória para as missões empresariais que a Fiesp, o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) farão à China International Import Expo, em novembro, um seminário reuniu especialistas e empresários nesta segunda-feira (15 de outubro), na sede da federação e do centro, em São Paulo.

O diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp e do Ciesp, Thomaz Zanotto, abriu os trabalhos do dia com boas-vindas às empresas que se preparam para participar de um dos maiores eventos de comércio exterior do mundo, muitas delas em sua primeira experiência com o gigante chinês. “A China entrou em uma nova fase que supera os milhões trabalhadores que saíram da área rural para o mercado de trabalho; os chineses contam agora com milhões de novos consumidores”, assinalou Zanotto, acompanhado pelo diretor do Derex Harry Chiang. A delegação da Fiesp que vai à Shanghai é formada por 120 empresários de 70 empresas.

O evento contou com a participação do futuro embaixador do Brasil na China e atual subsecretário-geral para América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, Paulo Estivallet. Para ele, a CIIE 2018 marca um importante ponto de inflexão da China e representa uma oportunidade única para a indústria brasileira. “A China é um parceiro de primeira grandeza para o Brasil, e o setor privado tem um papel insubstituível na composição de uma política comercial entre os países”, defendeu.

Durante a abertura do encontro, o embaixador e presidente da Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe, frisou que só no ano passado os chineses importaram US$ 1,84 trilhão, e no primeiro semestre deste ano, mais de US$ 1 trilhão. “Esse ritmo prevê um crescimento de quase 20% de importação em um momento em que quase todas as economias do G20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, diminuíram suas importações por razões diversas, inclusive medidas protecionistas”, detalhou.

Da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Pedro Pereira, falou sobre como acessar o mercado chinês, enquanto o chefe da divisão de Defesa Agropecuária no Estado de São Paulo do Ministério da Agricultura, Esequiel Liuson, tratou dos temas sanitários e fitossanitários exigidos pela China. Já o representante da Tozzini Freire Advogados, Reinaldo Ma, detalhou aspectos legais de propriedade intelectual na entrada do mercado chinês.

Os participantes acompanharam também apresentações da 24×7 Digital, sobre o comércio eletrônico na China, da Secretaria de Comércio e Serviços do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), da Apex-Brasil, do Centro Brasileiro de Design, da Blue Focus Internacional e da KPMG.

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Chiang, Jaguaribe, Zanotto, Estivallet e Márcia Nejaim durante o evento Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Serviços para empresários brasileiros na China

Existem serviços específicos que podem ajudar as empresas brasileiras a ganhar espaço lá fora. No início da tarde, foi organizado um painel sobre o tema. Um debate que teve a participação, entre outras personalidades, do representante da superintendência do Banco do Brasil, Cristiano Costa. A instituição tem uma unidade específica para ajudar os clientes com o comércio no exterior.

No Brasil, o banco tem 65 mil pontos de atendimento e a maior rede de agências, com 21,9% do mercado. Ao todo, conforme Costa, são mais de 66 milhões de clientes e 97 mil funcionários. “Estamos presentes em 17 países espalhados pelas três Américas, Europa e Ásia”, disse. Uma rede de apoio que envolve 900 pessoas dedicadas ao mercado internacional, 17 unidades de atendimento na área, 43 plataformas de negócios e 109 gerentes especializados.

Entre os serviços disponíveis estão operações de importação e exportação de câmbio, Proex Financeiro, que é na verdade o Programa do Governo Federal de Apoio às Exportações Brasileiras de Bens e Serviços. “Ajudamos as empresas a diversificarem mercados, no recebimento à vista de vendas a prazo, com juros mais baixos, sem tributos nas operações”. Estão disponíveis ainda, de acordo com Costa, linhas de financiamento à importação, cartas de crédito como modalidade de pagamento internacional, consultoria.

“O BB Xangai é o único banco latino-americano com operações na China”, disse.  “Temos conhecimento do mercado local e seus costumes, disponibilizamos um espaço de negócios para empresas brasileiras naquele país”, explicou “Nossos funcionários falam chinês, português e inglês”, afirmou. “Fiquem à vontade para usar o nosso espaço para fazer reuniões em Xangai”, ofereceu Costa aos empresários que vão participar da missão em novembro.

Zhang Guanghua, presidente do Bank of China no Brasil, terceiro maior banco do mundo, foi outro convidado do painel. Ele contou que a instituição chinesa tem mais de cem anos. De origem imperial, em 1912 tornou-se o Banco da China e hoje conta com 1,6 mil agências em 55 países. “Fechamos o último trimestre com mais de US$ 3 trilhões em recursos”, disse. “Além de banco comercial, somos também um banco de investimentos, seguros, leasing”, detalhou. As operações do Bank of China no Brasil começaram em 2009, sendo essa a primeira atuação da instituição financeira na América do Sul. “Temos duas agências no Brasil, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro”, contou.

Zhang Xin, chefe do escritório CCPIT Brasil, espécie de conselho chinês para promoção comercial, reforçou o convite para que os brasileiros vendam para a nação da grande muralha. “Temos quatro escritórios na América Latina, sendo um deles em São Paulo”, disse. “A China é realmente um bom lugar para fazer negócios”.

De acordo com Xin, os trade shows são oportunidades boas de conhecer produtos e fazer contatos, ter acesso às práticas e tecnologias. “Convidamos todos a participarem das nossas feiras de importação”, afirmou. “Incentivamos as empresas chinesas a virem participar de trade shows no Brasil também”. O chefe do CCPIT Brasil colocou o conselho às ordens dos empreendedores nacionais. “Podem nos procurar”, garantiu.

Skaf recebe futuro embaixador do Brasil na China na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, recebeu, na manhã desta segunda-feira (15/10), em encontro na sede da federação, em São Paulo, o futuro embaixador do Brasil na China e atual Subsecretário-geral para América Latina e Caribe do Ministérios das Relações Exteriores, Paulo Estivallet.

Estiveram presentes no encontro ainda o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), embaixador Roberto Jaguaribe, e o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto.

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Skaf em encontro com Estivallet nesta segunda-feira (15/10): oportunidades. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

No Dia Nacional da China, conheça cinco destinos para fazer negócios com a segunda maior economia do mundo

Agência Indusnet Fiesp, com informações da Apex-Brasil

A maior economia exportadora do mundo comemora nesta segunda-feira (1º de outubro) o Dia Nacional da China, feriado que marca a fundação da República Popular do país e a primeira vez que a bandeira local foi hasteada. Faltando pouco mais de mês para a missão empresarial que a Fiesp promove à China International Import Expo (CIIE) com 70 empresas brasileiras, em Shanghai, selecionamos as cinco cidades mais atrativas para fazer negócios no país.


Guangzhou

Com população de 109 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1,2 trilhão, de acordo com dados de 2016, a província de Guangdong abriga a quinta cidade mais competitiva da China, sua capital Guangzhou. Com 13,5 milhões de cidadãos, figura como um dos principais centros nacionais de comércio, distribuição e logística e comporta o quarto maior porto de contêineres do território chinês, características que a tornaram o maior PIB da província e o terceiro maior da China, com forte influência do setor de serviços. Em 2015, o polo industrial representava apenas 29% do PIB da cidade, mas ainda uma fatia significativa da riqueza local, com destaque para as indústrias de automóveis (inclusive japoneses como Toyota, Honda e Nissan), eletrônicos (Panasonic, Sony, Ericsson) e petroquímicos.

Shenzen

Também da província de Guangdong, Shenzen é conhecida como um importante centro de inovação e tecnologia chinês, eleito o mais competitivo em 2016 e com o PIB per capita mais alto da província. A população de 11,4 milhões de pessoas compõe um dos centros nacionais de comércio, distribuição e logística do país, com o segundo porto da China em movimentação de contêineres. É sede de importantes instituições financeiras nacionais como o China Merchants Bank e o Ping An Insurance, enquanto o polo industrial, 39% do PIB, é sustentado pelas áreas de Telecomunicações, Computadores e Eletrônica, com marcas como ZTE e Huawei.

Chongqing

Um dos quatro municípios diretamente ligados ao governo central chinês, Chongqing registrou crescimento de 10,7% nos três primeiros trimestres de 2016, quatro pontos percentuais acima na média nacional. Mesmo com 30% de seu território composto por áreas rurais, a cidade soma 30 milhões de habitantes, com 60,9% da população concentrada na área urbana. O desenvolvimento da cidade criada em 1997 representou um grande avanço para a expansão econômica das regiões central e ocidental da China. Até 2020, são esperados investimentos significativos no setor de infraestrutura.

Wuhan

Capital da província de Hubei, o município de Wuhan abriga 10,6 milhões de pessoas. A cidade conta com um dos portos fluviais mais importantes da China, além de cruzamentos das artérias de tráfego norte-sul e leste-oeste (quatro troncos ferroviários e seis vias rápidas nacionais). Base da indústria tradicional do país, os setores mais pujantes fabricam automóveis, equipamentos siderúrgicos, eletrônicos, petroquímicos, materiais de construção, biofármacos, têxteis e vestuário. A cidade ainda é sede da terceira maior produtora de ferro e aço da China, a Wuhan Iron and Steel Group.

Shanghai

Um dos quatro municípios autônomos da China, Shanghai somava PIB de US$ 411 bilhões e uma população de 25 milhões de habitantes em 2016. Principal porto de contêineres da China e o mais movimentado do mundo, a cidade foi a primeira zona piloto de livre-comércio do país e é sede de grandes siderúrgicas como Grupo Baosteel e Fosun Group, além de atrair importantes produtores de etileno, plásticos, microcomputadores e equipamentos e informação e comunicação.

Clique aqui para ouvir comentários de José Ricardo Roriz, presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, sobre a China.

Fiesp realiza primeira ação de preparação para a China International Import Expo (CIIE) 2018

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Empresários com malas prontas para embarcar para a principal feira de negócios do ano, a China International Import Expo (CIIE), participaram na manhã desta quarta-feira (29 de agosto) do seminário “Go Asia: destino China”, a primeira ação de preparação da Fiesp para a missão empresarial, que ocorrerá entre os dias 2 e 11 novembro, em Xangai. 

Na avaliação do presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, José Ricardo Roriz, o encontro serviu como importante termômetro para quantificar e qualificar a já consolidada parceria entre Brasil e China. “Hoje, 60% da pauta de exportação do Brasil para a China é de oleaginosas e minério de ferro, ou seja, produtos primários, enquanto as importações da China são principalmente de máquinas e equipamentos ou manufaturados, por mérito até dos chineses, que têm a indústria como seu carro-chefe, sua mola propulsora de crescimento”, afirmou. Roriz frisou que a feira é uma grande oportunidade de melhorar a qualidade das exportações brasileiras para aquele país, o que também é de interesse dos chineses, além de conhecer mais da logística local e de sua cultura empresarial.

Segundo o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), Thomaz Zanotto, a China tem sido ponto de atenção para a federação. “O mercado chinês está na linha de frente dos locais do mundo onde teremos grande crescimento nos próximos 12 anos”, afirmou. De acordo com ele, até 2030, as áreas de maior crescimento e avanço da renda estarão todas no leste asiático, com destaque para a China, ao passo que Coreia e Japão já representam economias estabilizadas. Zanotto lembrou ainda que nos últimos 30 anos a China fez o maior processo de urbanização da história da humanidade, com mais de 600 milhões de pessoas saindo da subsistência para viver nas cidades, algo em torno de um Brasil a cada dez anos.

“Temos um mundo e a Ásia, principalmente, em uma transição gigantesca que merece atenção dos empresários. Os brasileiros têm que buscar essa fatia de mercado”, defendeu o diretor do Derex Harry Chiang. Para ele, a feira de importação comandada pelo presidente Xi Jinping é um dos maiores eventos do comércio exterior do mundo.

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Imagem relacionada a matéria - Id: 1544441886China deve importar US$ 10 trilhões nos próximos cinco anos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O conselheiro econômico e comercial do Consulado Geral da China em São Paulo, Yu Yong, frisou que esse é o primeiro evento da China focado em importação, algo raro naquela economia. “A feira demonstra a responsabilidade que a China pretende desempenhar nesse contexto de globalização e mais risco de protecionismo comercial”, completou. Yong detalhou a complexidade da lógica chinesa e seus grandes números em todos os setores. Para ele, os chineses têm confiança em um crescimento relativamente alto para a economia nos próximos anos, por isso o interesse também em produtos de maior valor agregado. “Atualmente, a China é o maior importador mundial, parceira de 120 países e nos próximos 15 anos deve importar US$ 24 trilhões em bens”, apontou o conselheiro.

Presidente do Bank of China no Brasil, Zhang Guanghua contou que a China se destaca nos dias de hoje não apenas pela grandeza de seus números populacionais, conhecida nos anos 60 e 70, mas por conta do forte avanço do poder de compra real dos chineses, uma alta de quase cinco vezes nas últimas duas décadas. “Em consumo, a China figura como segundo maior mercado do mundo. Nos anos 2000, nossa classe média era bastante concentrada nas quatro maiores cidades do país e representava 4% da população, no entanto, até 2016 esse número passou para 68%, com estimativas de 75% até 2022”, explicou o executivo. 

Da província de Hunan, Guo Jing Liang apresentou as oportunidades de negócios de sua região. Localizada no centro da China, a 10º província do país foi a primeira a fechar acordos com empresas brasileiras. “Desde que o país implementou a política de reforma e abertura comercial, Hunan tem tido um ótimo desempenho, com um PIB [Produto Interno Bruto] de US$ 490 bilhões em 2016, o 9º do país”, contou.

Finalmente, a analista de Negócios Internacionais da gerência China da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Patrícia Steffen, mostrou oportunidades para empresas brasileiras segundo levantamentos realizados pela agência. “Em 2000, a população rural chinesa era muito maior do que a urbana, mas com a industrialização, em 2012, a população urbana já havia superado a população rural no país”, afirmou. Patrícia garantiu que o governo brasileiro vem trabalhando para diversificar a pauta de exportação, hoje concentrada em pouco mais de cinco produtos principais. 

Como parte do esforço conjunto do sistema Fiesp de incentivo e atendimento aos empresários interessados em fazer comércio com a China, o gerente de Inovação e Tecnologia do Senai-SP, Osvaldo Lahoz Maia, mostrou aos participantes as atuais estruturas das escolas de aprendizagem industrial em todo o Estado. Maia destacou aos empresários especialidades das escolas como etanol, logística e alimentos.

‘Temos que focar na China e nos Estados Unidos’, diz conselheiro em reunião na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

De olho no presente, mas com foco nas possibilidades do futuro, foi realizada, na manhã desta segunda-feira (18/06), a reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp. Na pauta, “as oportunidades e desafios para o Brasil: políticas comerciais e reforma tributária do governo Trump e a ascensão da China”.

O encontro foi mediado pelo presidente do conselho, Ruy Martins Altenfelder Silva e teve a participação do presidente em exercício da federação, José Ricardo Roriz Coelho. Também esteve presente o terceiro vice-presidente da casa, Rafael Cervone Netto. Já os palestrantes convidados foram o conselheiro do Consea e professor na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, Marcos Troyo, e o também conselheiro do Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos (Conjur) Antonio Carlos Rodrigues do Amaral.

“Em março, uma pesquisa de investimento apontava para um crescimento do PIB de 2% este ano”, afirmou Roriz Coelho. “Agora, estamos em 1,5% de estimativa de crescimento”, destacou ao afirmar a importância de debater a economia brasileira e seus rumos.

Primeiro palestrante a se apresentar, Marcos Troyjo começou afirmando que, se extraterrestres chegassem na Fiesp a fim de saber o que de mais relevante acontece no mundo hoje, deveriam ser informados de três pontos em especial.

“Em primeiro lugar a chamada “desglobalização”, que tem como um dos motores a eleição do Donald Trump para a maior economia e potência militar do mundo, os Estados Unidos”, disse. “O segundo ponto é a emergência da China como força econômica e mundial, o que vai representar uma virada na economia internacional nos próximos anos”, explicou.

O terceiro ponto a relatar aos eventuais visitantes do espaço, conforme Troyjo, é o advento da indústria 4.0 na Alemanha, com “uma nova maneira de ver a economia”. “Estamos falando de empresas de tecnologia, que trabalham alinhadas com esse propósito”, disse.

Segundo o professor, a eleição de Trump representou um rompimento na política que vinha sendo observada nos Estados Unidos desde os anos 1940. “Agora, do ponto de vista econômico, temos o chamado trumponomics”, afirmou.

Na prática, isso significa que existe um processo de realinhamento econômico do mundo em curso, o que inclui, tendências como a transformação dos Estados Unidos em um “low cost country” com alta eficiência, um ambiente onde é possível produzir a preços muito baixos. “Para isso, é preciso promover competitividade tributária”, explicou. “Estamos passando agora por guerra tributária com impactos globais”.

Um segundo ponto da trumponomics é o renascimento do investimento em infraestrutura. “Vai ficar mais difícil oferecer pacotes de investimento em infraestrutura para estrangeiros”, disse. “Isso porque o segundo tempo do governo Trump vai ser focado exatamente nessa área”.

China 2.0

O tema da chamada China 2.0, tecnológica e pronta para assumir uma posição de liderança mundial, foi destacado por Troyjo. “Durante muito tempo os chineses administraram a sua moeda artificialmente desvalorizada e mantiveram o custo baixo da mão de obra”, disse. “Essa é a China 1.0, que já não é mais a mesma”, afirmou. “Agora o país direcionou parte importante de seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento, se transformando numa grande receptora de patentes, a segunda maior do mundo”.

E isso pode ser bom para o Brasil. “A ascensão chinesa está promovendo no país um desinteresse em manter atividades de menor valor agregado, que agora estão migrando para o Vietnã e a Índia, por exemplo”, disse.  “Com isso, a economia indiana vem crescendo mais do que a China nos últimos dois anos”.

Mesmo diante desse cenário, o professor destacou que “nenhum dos candidatos a presidente do país tem projeto específico para China, o maior investidor direto no Brasil”. “Não conseguimos nem fazer reforma tributária”.

Tem que bater na porta

Em sua apresentação, Antonio Carlos Rodrigues do Amaral lembrou que em 1978 os Estados Unidos reconheceram a China como um governo legítimo, “recebendo massivos investimentos internacionais na década de 1980”. “Em dezembro de 2001, a China ingressou na OMC”, disse.

Hoje, conforme Amaral, as políticas de Donald Trump “deixam todos perplexos”. ”Ele escolheu a China como adversária principal”.

Diante da disputa, o Brasil pode e deve adotar uma postura mais ativa em busca de oportunidades. “Os Estados Unidos não vão comprar bife da China e vice-versa”, afirmou.  “A China é o nosso maior parceiro comercial, comprou US$ 50 bilhões de dólares do Brasil e vendeu US$ 28 bilhões no ano passado”, disse. “A diferença está na pauta de exportações, vendemos minério de ferro e soja para a China enquanto, para os Estados Unidos, vendemos mais industrializados”.

Assim, é preciso “pensar em uma política para a China”. “Parte substancial dos investimentos desse país são energéticos, uma boa oportunidade para nós”, disse. “Temos que ter uma agenda pé no chão, pragmática, focar na China e nos Estados Unidos”, afirmou. “Ter negociações comerciais com o estabelecimento de metas e uma boa coordenação entre os entes governamentais”.

E tudo isso com a “revisão do ambiente regulatório e das questões tributárias”.

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A reunião do Consea: foco nas oportunidades abertas pela concorrência entre a China e os Estados Unidos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Seminário destaca oportunidades de negócios com a província chinesa de Hunan na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Hora de fortalecer as parcerias com a China. Para debater as oportunidades que o país da Grande Muralha oferece, foi realizado, na manhã desta quarta-feira (29/11), o seminário Oportunidades de Negócios com a Província de Hunan. Organizado pelo Departamento de  Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, o evento reuniu empresários e representantes do governo da província chinesa.

Na mesa de abertura do encontro, o vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da federação, José Ricardo Roriz Coelho, destacou a importância desse contato.

“Parabenizo a equipe do Derex pela organização desse evento, que vai discutir como se faz negócio com a China, destacar como nós podemos organizar as relações comerciais com esse país”, disse Roriz Coelho. “É extremamente oportuna essa discussão”.

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O seminário realizado na manhã desta quarta-feira (29/11) na Fiesp: aprender a fazer negócios com a China

Cinco maiores bancos da China apresentam oportunidades de financiamento na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Em uma iniciativa inédita de reunir os cinco maiores bancos da China no Brasil, o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) realizou nesta terça-feira (7 de novembro) um seminário para apresentar aos empresários brasileiros opções chinesas de financiamento empresarial.

Em parceria com o Ciesp e apoio do Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT), do Consulado Geral da China em São Paulo e da Associação das Empresas Chinesas no Brasil (Abec), os participantes do encontro puderam conhecer oportunidades de financiamento e negócios do Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), do China Construction Bank (CCB), do Agricultural Bank of China (ABC), do Bank of China, do Bank of Communications (Bocom) e da seguradora Sinosure.

Na visão do diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, a presença do setor financeiro chinês na Fiesp tem um significado especial pois representa uma oportunidade de alavancar a competitividade da indústria brasileira por meio de novos investimentos.

Para o diretor do Derex Harry Chiang, o Brasil e a China são parceiros naturais em produtos de diversos segmentos. “O comércio entre os dois países tem crescido muito rápido, pelo tamanho do mercado chinês e pela velocidade da implementação de projetos no país”, disse.

Chiang falou ainda que a Fiesp espera que empresas brasileiras de médio e pequeno porte também tenham acesso ao mercado chinês, que nos próximos cinco anos deverá importar pelo menos US$ 10 trilhões.

Da Abec e presidente do Bank of China, Zhang Guanghua explicou que mais de 200 empresas chinesas já atuam no mercado brasileiro de forma intensa. “É importante que ocorram mais encontros e trocas de ideias que facilitem o comércio bilateral entre as economias e a operação dessas companhias no Brasil”, sugeriu.

O vice-presidente executivo do CCB Brasil, Paulo Celso Del Ciampo, por sua vez, falou da formação da diretoria do banco no país, formada por três chineses e quatro brasileiros. Em 2016, as operações de crédito da instituição foram de US$ 9 bilhões, US$ 7,3 bilhões em crédito comercial. As linhas de negócio da casa incluem um banco comercial de moeda estrangeira, que atua fortemente em crédito de financiamento para importação e exportação, cartas de crédito, garantias internacionais e empréstimos externos. Em reais, as operações se concentram em leasing, finanças, cobranças e cartão de crédito corporativo. Na área de investimentos, a carteira é formada por operações como hedge, mercados futuros, swap e câmbio. No varejo, o foco são os consignados, financiamento de veículos, crédito pessoal e cartão de crédito.

Ciampo explicou também que o ICBC possui US$ 3 trilhões em ativos, US$ 2,2 trilhões em depósitos, US$ 225 bilhões em patrimônio líquido e US$ 33 bilhões de lucro líquido. Na China, o banco múltiplo tem 15 mil agências, presença em todos os continentes do mundo e produtos como financiamento de crédito corporativo, trade finance, financiamento para infraestrutura e clearing, para a compensação dos serviços financeiros. No varejo, eles também realizam serviços como financiamento imobiliário e de crédito ao consumidor, gestão de fortunas, securitização, operações de câmbio, metais preciosos, derivativos e gestão de grandes investidores.

O diretor executivo do Bank of Communications (BOCOM), Cassio Von Gal, detalhou uma presença global também relevante, principalmente na área corporativa e de alta renda. A carteira de crédito expandida da instituição soma R$ 3,5 bilhões, dividida entre clientes de médio e grande porte. Em setembro deste ano, o patrimônio líquido do banco ficou próximo dos R$ 570 milhões.

O representante do escritório de representação do ABC, Zheng Feng, lembrou ainda que apesar do nome da instituição remeter ao segmento agrícola, o ABC realiza diversos serviços destinados a outros setores. Feng citou operações na área comercial, de investimento, crédito, financiamento e investimento e de crédito imobiliário.

Segundo o representante da Sinosure, Zhang Zhi, a instituição financeira deverá atuar como uma importante porta de entrada e parceira das estratégias de mitigação de risco e cooperação de crédito para os negócios brasileiros, principalmente de exportação.

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Representantes dos maiores bancos da China durante reunião na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Na Fiesp, presidente da Câmara Brasil-China critica juros altos

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Charles Andrew Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), participou de reunião do Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp (Consic) nesta terça-feira (8 de agosto). José Carlos de Oliveira Lima, presidente do Consic, conduziu o evento, que teve também apresentação do projeto GMT, um supertelescópio no Chile que busca a participação de indústrias paulistas em sua construção.

Tang criticou os juros altos e os obstáculos ao crescimento econômico brasileiro. “Os juros brasileiros não são civilizados”, afirmou. Tang elogiou a aprovação da reforma trabalhista e disse que se forem também realizadas a da Previdência e a fiscal estarão cortadas as amarras que impedem o crescimento do Brasil.

Na avaliação do presidente da CCIBC, “o empresário brasileiro é um herói nacional. Apanha de todo lado para ter o direito de gerar empregos”. Em sua opinião, se não houver uma verdadeira política industrial o país não vai crescer. “Não podemos continuar sucateando a indústria”, defendeu. É preciso dar condições aos empresários para competir, disse.

Comparou o desenvolvimento do Brasil e da China, afirmando que a diferença de visões de prioridades econômicas entre os países permitiu à China sair de um quinto para nove vezes o tamanho da economia brasileira.

Por que a China cresceu tanto, e o Brasil não, se era muito mais rico? Seu país é um dos mais capitalistas do mundo, disse. Saiu da ideologia de Mao Tsé Tung para o pragmatismo de Deng Xiaoping, com a China fazendo tudo para crescer. No Brasil, a prioridade, em sua avaliação, nunca foi a prosperidade – sempre foi a estabilidade monetária. O Brasil, afirmou, continua persistindo no erro de quebrar periodicamente as empresas ao praticar juros altos. “Nunca permitimos no Brasil o crescimento. Cada vez que se ensaia um crescimento as taxas de juros são aumentadas, em nome da estabilidade monetária.”

O Brasil é muito fácil de mudar, disse. Dos 7 países em que morou, o Brasil tem o povo mais patriota e disciplinado, capaz de fazer sacrifícios em nome do sonho de um país melhor. Falta basicamente um plano econômico voltado ao crescimento, afirmou. A China, explicou, teve uma visão econômica.

Investimentos

A China, destacou Tang, já investiu muito no Brasil. As empresas gostam de começar aqui em projetos não muito grandes e depois ampliam os investimentos, explicou. Nos últimos 2 anos e meio, a China State Grid e a China Three Gorges, do setor de energia, investiram mais de R$ 20 bilhões. No petróleo, a Sinopec já investiu US$ 15 bilhões em ativos brasileiros. “Não é só num ramo de atividade, como energia. E há mais 6 gigantes desse setor vindo para o Brasil.” Vai vir muito mais investimento para energia, afirmou. E para ferrovias também.

Segundo Tang, a China é único país que reúne a disponibilidade financeira com a disposição de investir no risco Brasi. Há uma visão de longo prazo no país, e isso é uma grande chance para o Brasil. A vinda de mais investimentos, que vai acontecer, dará alento a construtoras e empreiteiras, disse.

As empresas e os empregos são patrimônio da sociedade, e não somente de seus proprietários, defendeu. “Na China, mais de 100.000 dirigentes estão presos por corrupção, mas nenhuma empresa foi fechada por isso.”

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Reunião do Consic com a participação de Charles Tang, da CCIBC, e de representantes do projeto do megatelescópio GMT. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Essa diferente visão permitiu à China sair de um quinto para nove vezes o tamanho da economia brasileira. A China investe ao redor do mundo para ter lucro e expandir suas multinacionais e também para ter acesso aos produtos de que precisa para seu crescimento estratégico e garantir a segurança alimentar de sua população. E há também certa disputa geopolítica internacional. “O quintal norte-americano, América Latina e Caribe, está plantando um jardim chinês”, afirmou. E na África o investimento chinês em infraestrutura deu esperança ao continente, disse. Também investe porque tem excesso de capacidade em quase tudo. Ou fecha fábricas ou exporta – e ganha.

Sua visão nos negócios é de ganha-ganha. Cria infraestrutura enquanto vende seus produtos. Há, afirmou, uma transformação da liderança e da governança global. A China ganha papel de liderança, em parte por seu protagonismo e em parte pela retração dos EUA. O país tem a visão de que a prosperidade de seus parceiros trará prosperidade também à China.

Nenhum empresário, nenhum executivo graduado pode se dar ao luxo de não saber tudo que a China oferece, disse. E o melhor lugar para saber o que há é a Feira de Cantão, afirmou. Lembrou feira organizada pela Fiesp para lá, em 2005, que permitiu o fechamento de negócios lucrativos.

Oliveira Lima explicou a Tang a estrutura e funcionamento do Consic e disse que foi brilhante a palestra do presidente da CCIBC. Ressaltou que em 2005 o grupo resolveu apresentar uma forma de desenvolvimento do país ao futuro presidente, para isso contratando a Fundação Getúlio Vargas, para discutir o fomento do setor de construção e infraestrutura, com o objetivo de melhorar o IDH do Brasil, com investimentos em habitação e saneamento, o que resultou no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Depois foi feito outro projeto, o Minha Casa Minha Vida, por entender que a habitação leva ao desenvolvimento em geral.

Perguntou no que erramos. Tang disse que é a visão econômica errada. Enquanto persistirmos nessa visão de matar o crescimento com juros altos, o problema vai persistir, afirmou.

Competitividade

Manuel Carlos Rossitto, integrante do Consic, listou avanços do grupo Competitividade na Indústria da Construção, que coordena. Destacou a importância da participação dos conselheiros na definição de palestrantes para as reuniões do Consic.

Explicou que depois das reuniões mensais, é feita uma síntese do currículo do palestrante, com fotos do palestrante e do evento, divulgação do evento nos sites da Fiesp e resumo das palestras evidenciando seu teor, separando o que é político do que é técnico setorial.

Rossitto comentou a palestra da reunião anterior, feita pelo senador da Itália Fausto Longo, sobre efeitos da operação anticorrupção Mãos Limpas. Frisou seu impacto na indústria da construção e defendeu a discussão do setor de construção no Brasil para que aqui a retomada da atividade seja segura.

Também ressaltou a importância da interação com universidades.

Carlos Eduardo Auricchio, vice-presidente do Consic e diretor titular do Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Deconcic), anunciou prioridade de seu departamento nas ações de curto prazo, para a retomada do investimento em obras. Disse também que depois de seis meses consecutivos de queda, houve recuperação nas vendas de agregados em julho.

Segundo Auricchio, o Observatório da Construção, da Fiesp, gerenciado pelo Deconcic, vai lançar o hotsite Guia da Edificação Segura, com informações para conscientizar a sociedade sobre a importância do tema. Também destacou o novo marco regulatório da mineração, instituído por meio de três medidas provisórias.

Megaobra no Chile

“Oportunidades para a Indústria Brasileira na Construção do Maior Telescópio do Mundo” foi o tema da palestra do professor José Octavio Armani Paschoal. O GMT (Telescópio Gigante de Magalhães) será o primeiro de seu tipo, o de telescópios extremamente grandes. Terá altíssima resolução e será construído por um consórcio, com a participação do Brasil. Pela primeira vez a construção será feita em concreto armado, em vez de aço. Espera-se que seja criado um consórcio brasileiro para participar da construção, que, afirmou, representa um desafio gigantesco. A cúpula rotativa terá 60 metros de altura.

Sua construção, no deserto do Atacama, no Chile, a 2.500 metros de altitude, custará US$ 1 bilhão. Deverá estar concluído em 2024. A indústria brasileira vai fornecer instrumentos para o GMT.

João Steiner, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, coordenador do Projeto GMT Fapesp e integrante do Board do GMT, explicou que após consulta à Nasa ficou estabelecido que do ponto de vista de custo/benefício seria melhor fazer a estrutura em concreto armado em vez de aço. Não há projeto detalhado nem se sabe seu custo, mas se quer saber se a indústria paulista encara o desafio.

Oliveira Lima propôs que integrantes do Consic dos diferentes segmentos se reúnam para discutir como participar do projeto do GMT.

Também integraram a mesa principal da reunião do Consic Claudio Semprine, diretor de Novos Negócios de Furnas, Renato José Giusti e Carlos Alberto Orlando, vice-presidentes do Consic. Alexandre Martins Cordeiro, superintendente executivo da Superintendência de Grandes Empresas da Construção Civil da Caixa, também compareceu ao evento.

O desafio das máquinas conectadas na era da indústria 4.0

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Os rumos da indústria 4.0 estiveram no centro dos debates da reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário (Comtextil) da Fiesp, realizada na tarde desta terça-feira (20/06), na sede da federação. O encontro foi coordenado pelo diretor titular do Comtextil, Elias Miguel Haddad.

Da produção artesanal ao chão de fábrica, o assessor técnico do Senai-SP Clecios Vinicius Batista e Silva mostrou como o advento da tecnologia fez mudar tudo. Do conceito que pregava “eu posso entregar qualquer carro desde que seja preto” à noção atual de customização em massa, com o máximo de individualização dos produtos. Ideias envolvidas também no conceito de indústria 4.0, com a integração dos sistemas de produção pela internet.

“Assim, 4.0 é um conjunto de tecnologias que alinha as áreas de automação, controle e informática na produção em série, com a customização em massa sem a perda da competitividade dos preços”, explicou Silva.

Para tanto, conforme Silva, a chamada Internet das coisas (IOT) e o uso de sistemas cyber-físicos são essenciais.

Entre os exemplos práticos da indústria 4.0, a feira Fispal, a principal de alimentos do país, a ser realizada ainda em junho de 2017, terá uma ala inteira dedicada ao assunto.

O assunto é alvo permanente de estudos na unidade do Senai-SP dedicada à indústria têxtil, no Brás, na capital paulista. E lembrou que a nova unidade da rede em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, foi totalmente pensada para atender as demandas dos empresários nesse sentido.

“É possível fazer essas mudanças de forma escalonada, gradual”, disse Silva. “O grande desafio técnico não é comprar a máquina A ou B, mas fazer com que os dois equipamentos conversem”.

Como definiu Haddad, trata-se de “um futuro presente”.

Quatro megatendências

O debate a respeito do que está por vir continuou com a apresentação de quatro tendências para a indústria “que não podem ser ignoradas” pela diretora da consultoria Lectra, Adriana Papavero. A Lectra trabalha com o desenvolvimento de soluções e tecnologia para as empresas de vestuário, automotivas e de móveis, tendo sede na França e presença em 110 países.

A primeira dessas tendências envolve o peso dos chamados millennials para a economia. Está se falando aqui de todos os nascidos entre os anos 1980 e 2000, num total de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo ou 35% da população brasileira e 30% da chinesa. “Por que temos que prestar atenção aos millennials? Porque eles são a maior geração de trabalhadores da história”, explicou. “Em 15 anos, eles vão representar 75% da mão de obra no mercado de trabalho”.

De acordo com Adriana, trata-se de um grupo de consumidores conectados e impacientes, interessados mais no compartilhamento que na aquisição de bens em si.

Outro item valorizado por esse grupo é a customização: “40% são atraídos por produtos assim, querem se sentir únicos”. “As empresas precisam contar a história das marcas, investir no chamado ‘storytellling’”.

Segundo Adriana, mais importante do que o ter é a vivência, a experiência. “Nesse grupo, 75% preferem gastar dinheiro com uma experiência muito desejada do que com a compra de bens materiais”, disse.

A segunda tendência envolve a digitalização. E isso, de acordo com Adriana, passa por quatro pontos: o fator nuvem, guardar informações ali; a mobilidade dos smartphones; a internet das coisas, conectando pessoas com máquinas, e a inteligência artificial a unir todos os esses pontos, permitindo a economia de recursos e a autonomia dos sistemas.

A terceira tendência é a quarta revolução industrial, justamente a indústria 4.0.

A quarta? O fator China, as mudanças pelas quais passa o país da Grande Muralha, principalmente no que se refere ao consumo interno. “As marcas precisam mudar a sua relação com os clientes, os chineses são fieis às marcas”, disse.

Conforme a diretora da Lectra, o e-commerce é forte entre os chineses, representando 51% das vendas do comércio local. “Isso tem impactos no mundo todo”.

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Reunião do Comtextil da Fiesp, com apresentações sobre o futuro da indústria. Foto: DIvulgação/Fiesp


Chineses participam de reunião na Fiesp e buscam novos negócios no Brasil

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

O Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp recebeu, na manhã desta terça-feira (09/05), a visita da delegação chinesa do Conselho Para Promoção da Cooperação Sul-Sul. A comitiva, formada por 31 representantes de pelo menos 20 companhias chinesas, busca no Brasil novas oportunidades de investimento e desenvolvimento de projetos, com destaque para a área de infraestrutura (minas e energia, recursos naturais e hidrelétricas), além dos segmentos de comércio e tecnologia.

Na avaliação do diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, o Brasil passa atualmente por importantes mudanças, que deverão resultar em um país muito melhor para se investir e fazer negócios. “A inflação que havia no Brasil em anos recentes, que fugia do controle, já está dentro da meta especificada pelo governo brasileiro”, explicou.

“O governo atual também promoveu um teto de gastos do orçamento e olha agora para a reforma tributária, das leis trabalhistas e da previdência, com forte peso sobre os gastos federais”, completou Zanotto.

Para o presidente do conselho chinês, Lyu Xinhua, o Brasil apresenta condições excelentes para investimentos, mas ainda precisa aperfeiçoar sua economia e setores como o de infraestrutura. “Não há outro país no mundo, que não a China, que possa fazer com capacidade, velocidade e qualidade o que o Brasil precisa”, defendeu.

“Nós (China) construímos empresas de alto desempenho e queremos liderar a quinta revolução industrial”, afirmou Xinhua, em referência àquela que seria a  próxima fase de desenvolvimento da indústria em todo o mundo.

Atualmente, a China possui cerca de US$ 300 bilhões para aportes no exterior e figura como principal parceiro comercial do país. A comitiva liderada por Xinhua também visitou a Argentina e o Chile.

Também participaram do encontro o diretor responsável pelos assuntos relacionados à China no Derex, Harry Chiang, o diretor adjunto da área de Logística e Transportes do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Luís Felipe Pinheiro, a assessora especial para Assuntos Internacionais do Governo do Estado de São Paulo, Ana Paula Fava, e o analista de investimentos da Investe SP, Thiago Messena.

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A reunião dos chineses com representantes do Derex: referência em indústria. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Ásia é fronteira promissora para o agronegócio brasileiro

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil deve mirar a Ásia, que hoje responde por mais de 50% da demanda do agronegócio brasileiro; a China sozinha representa mais de 25%. Com esses números robustos, é preciso coligar os setores produtivos em duplo esforço de ampliação de acesso aos mercados internacionais e de mudança da imagem da agricultura brasileira. A afirmação partiu de Roberto Jaguaribe, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), como expositor do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, que se reuniu nesta segunda-feira, 5/12, cujo tema central foi a imagem e a comunicação do agronegócio.

Para Jaguaribe, a Apex-Brasil encontra-se hoje no “local correto” por ter saído do contexto do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e estar abrigada no âmbito do Itamaraty.  Em sua avaliação, a Agência ganha positivamente com a experiência do Ministério de Relações Exteriores em promoção comercial. Corrige-se, portanto, a dissociação que existia permitindo à Apex a penetração necessária. “Agora, haverá sinergia de capacidade de acesso aos mercados e inteligência comercial com papel importante de apoio às negociações comerciais”, avaliou.

Com grande peso em termos comerciais com o Brasil, a China é mercado complexo a ser melhor compreendido. A Apex criou um núcleo específico voltado à China que, apesar de grande economia mundial, não é autossustentável em algumas áreas, carregando demandas claras quanto à alimentação e energia, por exemplo, onde o Brasil pode contribuir efetivamente. “Os chineses são competitivos, cuja produção agrícola é a maior do mundo, mais do que o dobro da segunda colocada, que é a Índia. Mas a China faz opções estratégicas e valoriza a agregação de valor e a consequente geração de empregos”, segundo o presidente da Apex. Portanto, “o Brasil deverá fazer um esforço concentrado para penetrar esse mercado com bens de valor agregado, o que envolverá a internacionalização de empresas brasileiras dentro da China, o que já vem ocorrendo, uma tendência inclusive para o setor agroindustrial”. O movimento oposto já é real: a China está cada vez mais presente no Brasil por meio das subsidiárias adquiridas.

Imagem a ser trabalhada

Com o reposicionamento da Apex, o Brasil necessita trabalhar sua imagem no exterior. Apesar de sua produção competitiva – fruto de esforço de modelo de negócio e de pesquisa nos últimos 40 anos – ainda predomina uma imagem negativa, embora essa imagem seja completamente equivocada na avaliação de Jaguaribe. “A área plantada cresceu cerca de 20%, menos do que a produção de grãos com crescimento registrado de quase seis vezes nos últimos 40 anos. Em termos líquidos, o Brasil não está em processo de devastação, mas requer vigilância permanente. A preservação da mata nativa é superior a 60%; a devastação da Amazônia foi estancada, apesar de os números desse ano não serem bons.

Como inverter essa imagem? Especialmente na Europa, onde ocorrem os debates sobre sustentabilidade e será possível desmontar esse discurso, segundo indicou o expositor da Apex. A favor, o fato de o Brasil ser o maior produtor de sustentabilidade do mundo e ter um Código Florestal ambicioso: “temos quase 200 milhões de hectares de pasto que podem ser convertidos em grãos e agricultura”, afirmou. Nesse sentido, Jaguaribe sinalizou que está em andamento acordo comercial do Mercosul com União Europeia com o alinhamento do Brasil e da Argentina. “O Brasil está preparado para oferecer muito na área industrial”, finalizou.

Opinião concordante tem Marcos Sawaya Jank, consultor internacional de agronegócio e VP da assessoria corporativa da BRF Ásia-Pacífico. “O governo está alinhadíssimo, diferente do que ocorria no governo anterior, mas é preciso organizar o setor privado”, disse, reforçando que é preciso mudar a geografia da representação, ou seja, o Brasil é exportador de commodities e não player.

Ao avaliar que hoje existe o reconhecimento do agronegócio pela sociedade brasileira, inclusive por ser central na balança comercial, Jank elencou os cinco desafios internacionais a serem enfrentados: competitividade (o que envolve custos e infraestrutura); acesso a mercados; valor adicionado; melhoria de imagem (comunicação institucional e sustentabilidade) e internacionalização, pois “nossa presença lá fora é muito tímida e somos defensivos no debate”. Segundo informou, a soja entra sem dificuldade na China, mas o milho e a carne encontram barreiras.

Jank frisou a necessidade de se trabalhar temas transversais: segurança alimentar; qualidade e sanidade do alimento; sustentabilidade; energia renovável; modelos de produção, produtividade e coordenação de cadeias de suprimento.

Para mudança desse cenário atual, o estabelecimento de uma narrativa baseada em dados e fatos sólidos com base científica e a customização de conteúdos para diferentes temas e países com a construção de sites de alta qualidade com informações, apostando-se na síntese curta e didática, além de participar regularmente de eventos-chave.

Por exemplo, nos Estados Unidos quem decide sobre o agronegócio, além dos políticos, são as multinacionais, os grupos organizados e as coalizões. Na Ásia, além do governo, os grupos familiares e as etnias dominantes, ou seja, são cenários bem diversos. Essas ações devem ser complementadas por ações de Relações Governamentais (GR) e Relações Públicas (PR) no exterior.

Na mesa de discussões, também esteve presente o CEO da agência publicitária Lew’Lara/TBWA, Luiz Lara. Para ele, a comunicação deve alavancar a categoria de produtos e serviços e “deve-se criar marcas no mercado interno, mas também marcas globais”. Como iniciativas, citou a campanha de valorização do agronegócio por parte do TV Globo, a criação da Academia da Carne Friboi. “Na ausência de imagem, alguém impõe uma imagem a você; é o que acontece com o Brasil”, avaliou o publicitário. Em sua análise, o agro está no mundo conectado. O Brasil foi o primeiro a ratificar o Acordo de Paris, entre os países em desenvolvimento, e esse fato é muito relevante e precisa ser comunicado. O expositor frisou a necessidade de se construir estratégia de comunicação permanente.

Feira na França

Também na reunião do Cosag, o Cônsul Geral da França em São Paulo, Brieuc Pont, apresentou a experiência com o Salão Internacional da Agricultura (SIA) de Paris, além da Competição Agrícola (CGA) que há 50 anos fortalece a imagem setorial no país. Os números do Salão são robustos: de 600 a 700 mil visitantes, o que representa 1% da população francesa com grande impacto comercial e midiático. A SIA será realizada em fins de fevereiro e início de março de 2017.

Segundo Pont, hoje, mais de 900 empresas francesas estão presentes no Brasil, com mais de 100 filiais nos setores da agropecuária, da indústria agroalimentar, dos insumos e dos equipamentos, empregando 500 mil brasileiros.

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Reunião do Cosag, da Fiesp, que teve como tema central imagem e comunicação do agronegócio. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Diretor do Derex será moderador de painel sobre os EUA e a China no 35º Encontro Nacional de Comércio Exterior

Agência Indusnet Fiesp 

O diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, será moderador, nesta quarta-feira (23/11), do painel “Estados Unidos e China: Mercados Especiais, Atenção Prioritária”, do 35º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), no Rio de Janeiro.

Para Zanotto, a discussão envolverá as perspectivas de mercados dos Estados Unidos e da China, devendo ser um dos mais importantes do evento. “Estamos em um momento em que vozes protecionistas se levantam, mas o Brasil colocou o comércio exterior na centralidade de sua recuperação econômica”, afirmou. “O comércio global, pela segunda vez desde 2007, está crescendo 1,6%, abaixo dos 2% da economia mundial”, disse.

O painel será composto por Marcos Caramuru, embaixador do Brasil na China, e Sergio Amaral, embaixador do Brasil nos Estados Unidos. “Eles são os dois melhores e mais experientes diplomatas brasileiros”, destacou Zanotto. “Amaral foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no Governo Fernando Henrique Cardoso, além de presidente do Conselho Empresarial Brasil-China”, disse. “Caramuru foi cônsul-geral em Xangai e, durante um período, atuou como empresário. Ele montou uma consultoria que prestava serviços a empresas brasileiras interessadas em operar na China, mora em Xangai há bastante tempo. É competente, conhece a economia chinesa e as dificuldades de empreender naquele país”, afirmou Zanotto.

Carlos Geraldo Langoni, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-presidente do Banco Central, também estará no painel.

Representando a Fiesp, Zanotto também receberá o Prêmio Destaque do Comércio Exterior 2016, na categoria “Apoio à Exportação”, em reconhecimento às empresas e instituições que se destacaram na área em 2015.

O Enaex é promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e será realizado nos dias 23 e 24 de novembro, no Centro de Convenções Sul América, no Rio de Janeiro. O tema do evento esse ano será “Exportar para Crescer”. Serão dois dias de workshops, painéis e discussões sobre os principais temas ligados ao comércio exterior brasileiro.

Para saber mais sobre o encontro, só clicar aqui.