Fiesp quer estimular vendas para a China, diz vice-presidente da entidade em reunião sobre a feira Chimport

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Em vez de apenas importar produtos da China, o Brasil precisa vender mais para o gigante asiático, de acordo com o vice-presidente e coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Elias Miguel Haddad.

“Queremos vender para a China”, resumiu Haddad em reunião realizada nesta terça-feira (13/06) na sede da entidade, convocada para apresentar a feira Chimport na cidade.

“A Fiesp quer estimular as vendas para termos superávit nas nossas relações comerciais e não para sermos invadidos por produtos da China e dos países asiáticos”, explicou.

Haddad: mais estímulo às exportações para a China. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Haddad: Fiesp quer mais estímulo às exportações do Brasil para a China. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A feira Chimport, programada para o período entre os dias 26 e 28 de setembro em Guangzou, tem por objetivo estimular as exportações de empresas do mundo inteiro para a terra da Grande Muralha.

A palestra “A Chimport e suas possibilidades de negócios para a indústria nacional” foi apresentada pelo CEO da ChinaInvest, Thomaz Machado. A empresa representa a feira chinesa no Brasil. “A China foi responsável por 16% das trocas comerciais brasileiras em 2012, é o nosso principal parceiro comercial”, afirmou Machado. “Temos que conhecer o mercado chinês, saber quem é quem e fazer tentativas de vendas. Precisamos conhecer os nomes dos nossos possíveis clientes”, disse. “Há muito desconhecimento dos dois lados.”

Machado destacou a intenção do governo chinês de abrir o mercado para a entrada de produtos importados. Isso porque os chineses são grandes consumidores de artigos feitos em todas as partes do mundo em suas viagens ao exterior. “O governo prefere que esses cidadãos comprem importados na China e deixem os impostos por essas compras dentro do país”, explicou. Assim, conforme o CEO da ChinaInvest, será possível ver, na etiqueta de muitos produtos, nos próximos anos, a expressão “Made for China”, ou feito para a China.

Bolachas portuguesas

De acordo com o CEO da ChinaInvest, a classe média e média alta na China é formada por 460 milhões de pessoas, para uma população total de 1,3 bilhão de habitantes. “Não é preciso vender para todo o país”, explicou. “Na China, muitas vezes, em algumas províncias se tem uma população de consumidores do tamanho do Brasil”.

Machado, da ChinaInvest: governo chinês quer mais importados no país. Foto:  Helcio Nagamine/Fiesp

Machado, da ChinaInvest: governo chinês quer mais importados no país. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Entre as nações que já conseguem bons resultados com o mercado chinês está Portugal. Na pauta de exportações lusitanas destinadas ao gigante asiático estão itens como azeite e até bolachas doces “do tipo Maria”. “Uma única empresa portuguesa tem 30% da sua produção de bolachas voltada para a China”, disse Machado. “Foram 50 milhões de bolachas vendidas para lá em dois anos. A China faz questão de importar alguns produtos, até por questões sanitárias.”

Plataforma de negócios

Segundo Machado, a Chimport é uma evento voltado para a importação, ou seja, para atrair importadores para a China. Nos dois primeiros dias de feira, circularão pelo Pazhou International Trade Expo Hall apenas representantes, importadores, investidores e distribuidores do país asiático, com abertura para o público em geral somente no terceiro dia. “Vamos criar uma plataforma de informação dizendo quem é quem no mercado chinês e expondo os produtos das empresas brasileiras para os chineses”, disse o executivo da ChinaInvest.

No caso da Chimport, são particularmente bem-vindas indústrias dos setores de alimentos, bebidas, agronegócio, moda, casa, construção, tecnologia e saúde.

Aos interessados, Machado lembra que, acima de tudo, é preciso investir em relacionamentos para vender para a China. “Toda negociação lá é fechada à mesa”, explicou. “Os chineses perguntam sobre características pessoais e família, por exemplo.”

Outra dica importante: nunca dispense a ajuda de um bom tradutor. “Certa vez, achando que já tinha mandarim fluente, decidi fazer uma apresentação sem o intermédio da minha tradutora”, contou Machado. “Em dado momento, em vez de dizer ‘eu gostaria de perguntar a vocês’, acabei falando ‘eu gostaria de beijar você’ por uma sutileza na pronúncia”, lembrou.