Artigo: O setor têxtil e o compromisso com a Responsabilidade Social

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foto: MARCELO SOUBHIA/AG/FOTOSITE

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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* Por Rafael Cervone Netto

Antes de iniciar a leitura deste artigo, sugiro uma breve reflexão para observar o ambiente a seu redor e perceber o quanto a indústria têxtil e de vestuário está presente em nossas vidas. Muito além das nossas roupas, os nossos produtos revestem móveis, protegem-nos do sol, estão em nossos calçados. Para além das fronteiras de nossa visão, percebemos que materiais têxteis estão presentes nos meios de transporte, nas edificações, no agronegócio e em muitos outros processos industriais. Se expandirmos ainda mais nossa observação, é possível notar que, não importa o tamanho de uma cidade, sempre haverá algum negócio relacionado ao setor, seja uma oficina de costura ou uma pequena loja de bairro. Seria difícil imaginar um mundo em que não houvesse produtos têxteis a nosso dispor para criarmos as mais variadas soluções e atendermos a diversas necessidades essenciais.

É por isso que nos orgulhamos tanto de representar um setor que conta com mais de 33 mil empresas em todo o território nacional e emprega, direta e indiretamente, cerca de 6 milhões de pessoas, é o quarto maior parque industrial do mundo e abriga a maior cadeia produtiva integrada do hemisfério ocidental. Tamanha capilaridade só demonstra a importância do setor em termos de empregabilidade, bem-estar social e responsabilidade ambiental.

Diante destas ordens de grandeza e de outros números conhecidos, torna-se evidente a importância do compromisso do setor com o desenvolvimento sustentável, norteado pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e por nossa Visão de Futuro para 2030. É preciso muito engajamento para tornar a agenda positiva uma realidade presente em todas as regiões do país – e vontade de mudar para melhor é o que não falta.

Com o propósito de fazer com que a responsabilidade social seja cada vez mais presente na atuação das empresas, a Abit vem trabalhando em uma série de iniciativas para discussão e disseminação de melhores práticas. Nos últimos 5 anos, nota-se um aumento relevante na percepção de conceitos mais amplos de sustentabilidade por parte das empresas, assim como o interesse destinado a projetos e iniciativas que contemplam melhorias nas relações de trabalho e com o entorno, mesmo nossas empresas concorrendo, frequentemente e de maneira desleal, com países que não respeitam conceitos básicos de sustentabilidade e de trabalho decente. Algumas dessas iniciativas, são:

Condições de trabalho

É esperada a correta conduta de uma empresa em relação a tópicos relacionados a direitos trabalhistas, procedimentos contra a discriminação (por motivos de gênero, idade, nacionalidade, etnia, orientação sexual, origem social) abusos, assédios (moral e sexual) e permissão de livre associação. Todas as empresas do setor devem estar atentas às condições de trabalho que oferecem a seus funcionários.

Trabalho forçado ou análogo ao escravo

O combate ao trabalho forçado ou análogo ao escravo é realizado por meio do monitoramento das relações de trabalho internas e em fornecedores. Devem existir ferramentas capazes de detectar jornadas exaustivas (em que o trabalhador é submetido a esforço excessivo ou sobrecarga de trabalho que acarreta danos à sua saúde ou risco de vida), trabalho forçado (manter a pessoa no serviço por meio de fraudes, isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas), servidão por dívida (fazer o trabalhador contrair ilegalmente um débito e prendê-lo a ele) e contratação de trabalho estrangeiro irregular. Este tema é de estrema relevância, principalmente no segmento de confecção, uma vez que as empresas estão pulverizadas pelo território nacional, o que dificulta a fiscalização pelo poder público.

Trabalho infantil

O combate ao trabalho infantil parte do monitoramento das relações internas de trabalho, assim como dos fornecedores. Empresas de qualquer setor devem atender à legislação brasileira, que determina a proibição de contratação de menores de 16 anos, salvo na condição de contratos de aprendizagem.

Responsabilidade Social

Ações e projetos voluntários, internos e externos, devem gerar impactos sociais positivos. Programas de capacitação e desenvolvimento, estímulo à promoção de exercícios físicos, doações de produtos e recursos financeiros para organizações da sociedade e mobilização do trabalho voluntário são exemplos destas ações. O engajamento de todas as empresas do setor é essencial para a garantia do bem-estar coletivo.

Comunidade

Considera-se essencial o mapeamento e o monitoramento dos impactos da empresa em seu entorno, uma vez que ruídos e odor, por exemplo, podem afetar a vida nas comunidades vizinhas, além de representar riscos para a imagem da empresa. O tema do trabalho decente é prioritário para a Abit, por questões de dignidade humana e econômicas, principalmente em relação ao setor de vestuário, visto que é intensivo em mão de obra.

Conferências Anuais da Organização Internacional do Trabalho

A sensibilidade do setor de vestuário em relação a condições de trabalho é evidenciada em espaços de enorme relevância sobre o tema, como as Conferências Anuais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que teve como principal tema, em 2014, o Trabalho Forçado e, em 2016, as Cadeias Globais de Valor. Ainda em 2014, a OIT organizou um Fórum de Diálogo Global sobre salários e tempo de trabalho nos setores de têxteis, vestuário, couro e calçados.

A Abit teve a oportunidade de participar desses encontros e reforçar que, em um setor intensivo em mão de obra, no qual há grande concorrência e os produtos são cada vez mais globais, é fundamental que as condições sociais, trabalhistas e ambientais de produção respeitem um patamar mínimo internacional, considerando o nível de desenvolvimento de cada país.

Manufatura Avançada ou 4.0

A indústria e o varejo de produtos têxteis e confeccionados estão passando por grandes mudanças, e é sabido que a competitividade das empresas dependerá de novos padrões de produção, assim como novas relações de trabalho e comercialização ao longo da cadeia de valor. Entre outros benefícios, estratégias de sustentabilidade proporcionarão processos mais eficientes, redução de custos, diferenciação no mercado e relacionamentos mais sólidos e de longo prazo entre empresas de diferentes elos da cadeia. Isto é, o potencial da sustentabilidade como impulsionadora da competitividade é incontestável.

A indústria têxtil e de confecção já deu início a um grande salto qualitativo em direção às categorias de maior emprego de ciência e tecnologia, capacitando-se para desenvolver sistemas cyberfísicos, Internet das Coisas e dos Serviços, e automação modular em suas linhas fabris, inserindo-se no novo universo da manufatura avançada e da economia digital.

A diversidade de produtos com tecnologias vestíveis e o emprego de biotecnologias e materiais inovadores criarão demandas por têxteis inteligentes e funcionais, aumentando exponencialmente a diversidade e a intensidade tecnológica de fios, tecidos e roupas, exigidos para atender às novas necessidades de consumo, para as quais devem convergir cadeias produtivas economicamente viáveis, socialmente justas, politicamente corretas e ambientalmente sustentáveis, agregando valores ao planeta e à sociedade.

Entretanto, este enorme esforço de nada adiantará se não nos valermos de toda esta tecnologia para valorizar e alçar a um novo patamar aquele que é, certamente e de longe, o nosso maior patrimônio : o ser-humano – aquele que faz e continuará fazendo toda a diferença para o sucesso e o futuro da nossa humanidade. Que tenhamos a consciência e a sensibilidade de sempre valorizá-lo e agradecê-lo por todas as nossas conquistas!

*Rafael Cervone Netto é 3º vice-presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP), engenheiro têxtil, membro do ITMF -International Textiles Manufactures Federation, membro do CONEX – Conselho de Comercio Exterior (MDIC), que assessora o Comitê Executivo de Gestão do Conselho de Ministros da CAMEX, presidente emérito do Conselho de Administração, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção – ABIT.

Comitê do setor têxtil da Fiesp discute agenda para acelerar crescimento

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O Mapa Estratégico da Indústria: 2018-2022 foi o tema da apresentação feita nesta terça-feira (24 de abril) durante reunião do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário da Fiesp (Comtextil) por Rafael Cervone Netto, 3º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, e por Haroldo da Silva, chefe do Departamento de Economia da Abit.

“Precisamos de uma espécie de plano real da nossa competitividade”, disse Silva, que mostrou a perda de posições do país no ranking de competitividade.

Sem as ações recomendadas pelo Mapa, o Brasil levaria 50 anos para chegar a US$ 30.000 de PIB per capita, contra 24 anos com Mapa, que indica crescimento do PIB de 4% ao ano (contra 2% no cenário sem Mapa). Para atingir os US$ 50.000 de renda per capita dos EUA, seriam 85 anos sem Mapa e 38 com.

O estímulo à indústria pode corrigir um desvio de rumo do país. “Estamos deixando o Brasil se desindustrializar com PIB muito menor do que tinham outros países quando passaram por esse processo. E os outros setores não respondem”, explicou Cervone.

Vários temas são considerados no Mapa, como segurança jurídica, educação, indústria 4.0, recursos naturais e meio ambiente, corrupção, que afasta investimentos e impede que as indústrias sejam competitivas.

Desburocratização passou a ser um dos temas, porque lembrou Silva muitas empresas têm departamentos jurídicos maiores que os de vendas, por conta das obrigações acessórias.

As cinco prioridades do estudo são:

Sustentabilidade fiscal: Previdência e gastos (para que o governo não concorra por crédito escasso);

Ambiente de negócios: desburocratização;

Reforma tributária;

Governança e segurança jurídica;

Reindustrialização via produtividade e inovação

Em relação ao aumento da segurança jurídica, um dos pontos é a previsibilidade e qualidade das normas. Cervone destacou a existência em outros países de duas janelas anuais para adoção de normas. Também a previsibilidade em sua aplicação, e a redução da judicialização. Silva ressaltou que o Brasil perde continuamente posições no ranking de segurança jurídica.

Perspectivas para o setor

O setor têxtil em 2017 faturou R$ 144 bilhões e pagou R$ 16 bilhões em impostos e teve R$ 1,9 bilhão em investimentos. Para 2018 a previsão é 2% de crescimento no vestuário e de 4% na produção têxtil, com a criação de 16.000 empregos, em ano caracterizado pela alta velocidade de importação e pelo varejo andando de lado.

Pesquisa conjuntural da Abit mostra melhora no ambiente de negócios (março de 2018 comparado a março de 2017). Neste ano 49% (contra 38%) veem produção acima do nível esperado, e 54% (contra 42%), vendas acima do esperado. Apenas 4%, contra 14%, pretendem demitir. Para 36%, os investimentos devem ser acima do planejado (20%). Para 21% a inadimplência está acima do esperado (contra 39%). E 79% (contra 75%) indicaram intenção de inicia processo de exportação.

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Reunião do Comtextil com a participação de Rafael Cervone. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Projetos da Abit atacam 10 frentes de trabalho que podem impulsionar o setor. Um deles é a evolução da cadeia de valor, pela maximização do valor adicionado. Outro é a capacitação, para por meio de programas de qualificação melhorar habilidades e produtividade. Cervone destacou ações para auxiliar as indústrias na migração para a Indústria 4.0. Financiamento, matérias-primas, marketing, integração global também fazem parte das frentes. São temas com um projeto ou mais cada, explicou.

Tendo como objetivo chegar à indústria 4.0, há a passagem por por programas como o Brasil mais Produtivo, que podem ajudar muito na produtividade, com baixo custo. É um plano de futuro para a indústria têxtil, explicou Cervone, reforçando o elo mais fraco, que é a confecção.

Silva recomendou a leitura do livro A quarta revolução industrial, disponível para download no site da Abit.

Legislativo

Cervone e Silva também falaram sobre assuntos de interesse do setor em discussão no Congresso. CNI e Abit têm em sua pauta mínima da agenda legislativa a desconsideração da personalidade jurídica. O PLC em debate traz clareza ao tema e deve entrar em pauta esta semana.

No PL 6897 são estabelecidos requisitos objetivos para o embargo ou interdição de estabelecimentos.

Outro tema é a nova proposta de reforma tributária (PEC 31/2007). A PLS-C298/2011 reduz a excessiva fragilidade do contribuinte diante do Fisco e diminui a insegurança jurídica quanto a obrigações e direitos tributários, funcionando como uma espécie de Código de Defesa do Contribuinte.

Elias Miguel Haddad, diretor titular do Comtextil, destacou a importância da reforma tributária para o setor.

Cervone lembrou que o ambiente é hostil aos empreendedores no Brasil. Defendeu a simplificação e a melhora do ambiente de negócios.

Formação

Professora da Fatec há 31 anos, Maria Adelina falou na reunião do Comtextil sobre o desafio da formação de profissionais para a indústria têxtil. A captação de alunos na Fatec de Americana é dificultada pelos problemas do setor. Convidou os empresários do Comtextil a estimular funcionários a se inscrever no vestibular para o segundo semestre de 2018, cujas inscrições estão abertas até 8 de maio. www.vestibularfatec.com.br

A forma de se comunicar com os jovens é questão essencial para sua atração, afirmou Cervone.

L’Oreal e Metalúrgica Inca vencem 13ª edição do Prêmio de Conservação e Reúso de Água

Agência Indusnet Fiesp

A Procosa, fábrica da L’Oréal na cidade de São Paulo, venceu a 13ª edição do Prêmio de Conservação e Reúso de Água da Fiesp na categoria das indústrias de médio e grande porte. Entre as empresas de pequeno porte, a ganhadora foi a Metalúrgica Inca. A cerimônia de entrega do prêmio, no prédio da Fiesp, foi realizada nesta quarta-feira (28 de março).

O Prêmio de Conservação e Reúso de Água prestigia as indústrias que adotam boas práticas e projetos voltados à água. Em 2018, inscreveram-se 19 empresas na categoria  médio e grande porte e 6 entre as de micro e pequeno porte, totalizando 25 inscritos. Entre eles, representantes dos setores de perfumaria e cosméticos, químico e metalúrgico, entre outros. Todos os projetos são detalhados no site do prêmio.

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L’Oréal e Metalúrgica Inca vencem 13ª edição do Prêmio de Conservação e Reúdo de Água. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Desde 2006, já foram inscritos 261 projetos de 185 empresas participantes, com investimentos superiores a R$ 857 milhões e economia de água de 130.972.975 m³/ano, mais de. O reúso é feito por 82% das empresas participantes.

Nelson Pereira dos Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp (DMA), lembrou que o Prêmio foi instituído em 2002, quando ocorreu a primeira crise hídrica, como iniciativa de apoio às empresas.

Na categoria médio/grande porte o primeiro lugar coube à Procosa (L’Oréal), com o projeto Visão Fábrica Seca – uma abordagem para redução do consumo de água, em sua fábrica Procosa, na capital (SP). A L’Oréal está presente em mais de 130 países, é líder mundial em beleza e acumula mais de um século de experiência, estando presente no Brasil desde 1959. Ao longo de cinco anos, o investimento feito foi de cerca de R$ 980.000.

Como justificativa, segundo relatório da ONU, o Brasil está entre os países com maior estresse ambiental devido a mudanças nos fluxos naturais dos rios levando à degradação dos ecossistemas. Sem mudança, o mundo sofrerá déficit de 40% no abastecimento de água em 2030.

Nesse sentido, o intuito do projeto foi reduzir o impacto ambiental em suas atividades e o consumo de água na cadeia produtiva, tanto da rede pública quanto de mananciais superficiais e subterrâneos, além da redução do consumo específico de água e incremento do reúso.

O projeto foi colocado em prática na fábrica Procosa, unidade com mais de 44 mil m2 de área construída, voltada à fabricação de produtos cosméticos, como shampoos, condicionadores e maquiagem. Na planta, um dos maiores consumos de água se dava nas torres de resfriamento por condensação de água, as quais eram utilizadas para resfriamento dos compressores de água gelada. Foram substituídos por compressores com condensação a ar e alta eficiência energética.

Outro ponto de atenção foi o reúso de água de osmose. A água utilizada nos produtos passa por ultrafiltragem, e esse sistema descartava aproximadamente 40% da água neste ponto do processo e se passou a reaproveitar 100%, que se destina agora à distribuição em vasos sanitários. Também se montou mictório ecológico – que não utiliza água e que contém dispositivo que elimina odor. Outra ação foi a instalação de redutores de consumo na totalidade das torneiras dos banheiros da unidade.

Essas ações se complementaram com a instalação de hidrômetros online para detectar os principais consumidores e possíveis vazamentos na rede de distribuição. Também se alterou a sequência de produções, dispensando lavagens e sanitizações entre lotes de fabricação.

A fim de envolver os colaboradores e terceiros para desenvolver a cultura de sustentabilidade, em 2017 se colocou em operação a “Casa Verde”, na qual se pôde visualizar as boas práticas sustentáveis no ambiente familiar.

Os resultados obtidos são significativos: redução de 45% de litros/unidade produzida em 2017, comparada a 2005; redução de 88.000 m3, em 2017, em comparação a 2005, o que equivale a 35 piscinas olímpicas; e o reaproveitamento de 100% de água de osmose.

Esta foi a primeira vez que a L’Oréal Brasil se inscreveu no Prêmio de Conservação e Reúso da Fiesp e já sai como vencedora. De acordo com Thiago Ferreira de Aquino Ramos, gerente corporativo de saúde, segurança e meio ambiente da L’Oréal Brasil, o objetivo foi diminuir a pegada hídrica em suas operações, em função do compromisso com a conservação de água, redução de CO2 e redução da geração de resíduos. O resultado foi obtido por meio de um conjunto de ações realizadas nos últimos 13 anos. Segundo Ramos, o principal consumo hoje vem da lavagem de reatores, foram instaladas algumas tecnologias, e ajustes na forma do processo de fabricação dos produtos, levou à essa redução. As iniciativas do consumo doméstico (aeradores em torneiras e mictórios sem utilização de águas) também contribuíram para o resultado final. “Como a água é um insumo essencial na Procosa, o desafio é sempre reduzir o seu uso”, disse.

De acordo com Eduardo Pinheiro, coordenador de meio ambiente da planta de São Paulo, em 2019 será instalada nova estação de tratamento, também como apoio ao reúso, rumo ao projeto de transformação da Procosa em fábrica seca, ou seja, zerar o consumo de água (exceto a usada no tratamento diferenciado na produção e no consumo humano), contando-se com circuito fechado.

Menções Honrosas na categoria média/grande porte:

General Motors – Conservação e Reúso de Água – Complexo São Caetano (SP) – o projeto de água de reúso na GM foi repaginado em função da crise hídrica, em 2014 e, desse ano para cá, aumentaram-se os novos pontos de reúso, diminuindo o envio de efluente para despejo. A água de reúso é usada em sanitários, processos, lavagem de pisos, torres de resfriamento, resfriamento de bombas e sistemas de incêndio. Na produção de manufatura dos veículos são utilizados, em média, 550 milhões de litros de água por ano. Em 2017, em comparação com 2015, o consumo de água por unidade produzida foi reduzida em 40%. 24% de toda a água utilizada na planta é água de reúso. De 2014 a 2017, o aumento do consumo de água de reúso foi da ordem de 220%. Também foram substituídas torneiras e instalados redutores de vazão. A GM conquistou o certificado de Aterro Zero, sendo a primeira empresa em São Caetano do Sul a obter a marca de 100% de resíduos industriais gerados a partir do seu processo produtivo.

Companhia Brasileira de Alumínio (CBA, em Alumínio, SP) – Progressos no tratamento de água industrial e no uso de água no processo produtivo do alumínio para redução de captação de água nova – a produção de alumínio primário e seus produtos transformados necessitam de volumes expressivos de água e é essencial a redução da captação e do consumo. A redução da captação de água nova é meta estratégica da companhia, contemplada no Planejamento Estratégico para 2025, por meio de iniciativas individuais, em equipe e de empresas terceiras, mas especialmente por alterações na própria planta, incluindo melhoria na gestão. A partir do balanço hídrico, obteve-se eficiência da ordem de 85,8%, em 2017. Em relação à captação de água nova, em 2017 captou-se uma média de 160 m3/h, redução significativa, pois em 2015 era de 262 m3/h, redução de 39%, portanto. A utilização de água de reúso na planta, de 52,2%, em 2015, se elevou para 73%, em 2017. E estes índices foram obtidos apesar do aumento de produção verificado, que não teve impacto no consumo de água.

Raízen EnergiaReúso de águas na Raízen traz mais energia – na unidade Maracaí (Assis, SP), quebrou-se um paradigma com a utilização do condensado de cana-de-açúcar, resultante da primeira evaporação do caldo, como reposição nas caldeiras. Não só foram reduzidos os volumes de captação de água e de lançamento de efluentes, como também essas ações trouxeram adicionalmente ganhos energéticos no aproveitamento de correntes quentes. Na unidade Raízen Diamante (Jaú, SP) o destaque foi o reúso direto dos efluentes líquidos. As duas unidades reduziram a captação de água em mais de 540 milhões de litros, equivalente ao abastecimento anual de uma cidade de 9 mil habitantes. O volume dos efluentes foi reduzido em mais de 175 milhões de litros. O ganho energético com o reúso de águas quentes do processo nas caldeiras equivale a 2,5 milhões de kW em 2018/2018, suficientes para atender a demanda anual de 1.237 residências e 4.300 habitantes. Os resultados globais da Raízen levaram à redução de captação de água de quase 9 bilhões de litros em três anos, equivalente ao consumo anual de uma cidade de 143 mil habitantes. Esse volume equivale a 44 bilhões de copinhos de água, que, enfileirados, representa, 76 voltas no nosso planeta ou o volume de 3.500 piscinas olímpicas.

Avon – Projeto Renovare Aqua (SP) – O objetivo do processo foi buscar alternativas inovadoras a fim de reduzir a captação e consumo de água, através do reúso de efluentes provenientes da unidade de Interlagos e Comissão Interna de Conservação de Água. Entre as várias ações realizadas – instalação de medidores de vazão, campanhas de conscientização, estudo e reutilização da água de sanitização de processo e projeto de reúso de água em sanitários e sistemas industriais – foi obtido o seguinte resultado: a empresa reduziu 87.476 m3 de consumo de água, ou 23% desde 2013 a 2017. E atingiu a redução de 40% do consumo total de água desde 2005, antecipando sua obrigação de sustentabilidade, declarada no relatório anual Corporate Responsibility Report.

Na categoria pequeno porte a vencedora foi a Metalúrgica Inca – Economia de água no setor de injeção (Mococa, SP). Trata-se de uma empresa com foco voltado ao projeto, desenvolvimento, fabricação e comercialização de produtos estampados em aço; injetados em alumínio e zamac, sob pressão; acessórios injetados em plástico; e galvanização dos produtos. O objetivo do projeto foi economizar o volume de água potável utilizado no processo de Injeção com aquisição de novo equipamento. Com o novo sistema, economizou-se água potável – redução aproximada de 80% – e também energia elétrica. O payback previsto em até 15 anos se soma aos ganhos com produção e manutenção. A injetora de plástico adquirida requer menor volume de água potável em seu processo.

A Inca participa há dez anos do Prêmio de Conservação e Reúso de Água da Fiesp e neste período conquistou o primeiro lugar em três oportunidades, além de três menções honrosas, como enfatizou Riad Xavier Jauhar, diretor da empresa. Ele explicou que houve a substituição de uma máquina antiga de resfriamento do molde, pois a água era descartada por completo. Foi feita a aquisição de novo equipamento e também de um resfriador de água, e agora o processo se dá em circuito fechado, sem necessidade de descarte ou descontaminação. O investimento próximo de R$ 20.000,00, com payback de 8 anos, é relativamente baixo e demonstra que é possível buscar soluções funcionais e criativas, inclusive para pequenas empresas.

Menções Honrosas na categoria pequeno porte:

Eco Panplas Indústria e Comércio de Plásticos (Hortolândia, SP) – Uma solução sustentável para a reciclagem das embalagens plásticas contaminadas com óleo – O objetivo foi desenvolver um equipamento cujo sistema produtivo permita a reciclagem das embalagens de óleos, sem a utilização de água na descontaminação e sem geração de efluentes e resíduos. Com o desenvolvimento e uso de solvente ecológico em circuito fechado e contínuo, o óleo é separado das embalagens plásticas, permitindo a recuperação do óleo e do plástico, com escala de produção, e perda mínima do solvente, pois se trata de processo renovável e contínuo. Essa é uma solução para as embalagens de óleo lubrificante e óleo de cozinha (vegetal), que representam consumo anual, no Brasil, de 5 bilhões de litros, gerando 70 mil toneladas de plástico contaminado. Um litro de óleo lubrificante pode contaminar 1 milhão de litros de água. Um litro de óleo de cozinha contamina 25 mil litros de água. Essa tecnologia limpa tem alta capacidade de produção, 220 toneladas/mês, o equivalente a 4 milhões de garrafas processadas e 7,5 mil litros de óleo recuperados. Entre os ganhos, melhoria na gestão de riscos (zero risco e passivo ambiental) e resultados socioambientais e econômicos para a cadeia de plástico e logística reversa. O plástico moído, totalmente limpo, apresenta maior qualidade. Se antes se consumia 500 litros/dia com alto custo de tratamento, com reagentes e absorventes, cujo resultado era um plástico com óleo, após o projeto, eliminou-se a necessidade de água, não se gera efluentes e resíduos e recuperam-se todos os insumos, obtendo-se um produto ecológico.

Planeta Ecco produtos químicos – Redução do consumo de água em lavanderias através da implementação de sistema de reúso de baixo custo – o projeto voltado a lavanderias domésticas/industriais, a São Jorge e a Lavema. Os obstáculos a serem superados, especialmente pelas empresas de pequeno porte, é o custo elevado da instalação de sistemas de reúso, bem como a área a ser disponibilizada. O projeto provou que é possível implantar sistemas de baixo custo com recuperação mínima de 65-70% de todas as águas utilizadas nos processos de lavagem mecânica e manual, proporcionando redução média de 50% no gasto da água, abatidos os custos de tratamento químico. O retorno sobre o investimento é estimado em dois anos.