Entrevista: perspectivas e competitividade na indústria

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Por Karen Pegorari Silveira

No mês em que é comemorado o Dia da Indústria, conversarmos com o presidente da mineradora Rio Tinto e especialista em mentoria para CEO’s da Consultoria CEOlab, para entender as perspectivas para as indústrias ainda este ano e como melhorar a competitividade durante este período de instabilidade econômica, que vive o Brasil. 

Veja na íntegra a entrevista:

Atualmente o cenário econômico brasileiro se coloca como desafiador para o setor industrial. Diante disso, como deve ser o novo posicionamento da indústria pensando em projeções para os próximos 5 ou 10 anos?

Ronaldo Ramos – A indústria brasileira deve e precisa se modernizar, tanto na dimensão de produtividade e aprimoramento de suas práticas, quanto na dimensão do preparo de seus quadros para a internacionalização. Precisamos deixar de reivindicar apoio aqui ou ali e de depender de extemporaneidades para uma sobrevivência próxima da mediocridade. É de natureza do empresário brasileiro esperar que o governo facilite por meio de medidas protecionistas a falta ou mesmo perda de produtividade causada pela insistência em procurar por ajuda profissional técnica e de se internacionalizar, buscar novos mercados, inovações e profissionalismo. A confusão entre patrimônio da empresa e da família, e a dificuldade de se cercar de bons profissionais alegando que “não querem ser roubados” é frequentemente ouvida como justificativa para a manutenção de força de trabalho menos capacitada. O empresário brasileiro, quando não está de certa forma envolvido com os sistemas de corrupção enraizados na nossa cultura, continua a pensar individualmente e de forma colonialista.

Se não nos modernizarmos, tanto em termos de cultura de performance (que inclui meritocracia, objetivos claros, estratégias bem pensadas e responsabilidade social, financeira e jurídica) quanto em conformidade (ou compliance como muitos falam, a capacidade de seguir regras, trabalhar com transparência e clareza de propósitos e objetivos estratégicos), estamos fadados a ocupar posições de lanterna no mundo globalizado.

Quando pensamos em Sustentabilidade como fator crítico de sucesso e percepção dos investidores, como este elemento deve ser encarado pelas altas lideranças industrias?

Ronaldo Ramos – Investir em sustentabilidade é investir na longevidade dos negócios, manter a licença da sociedade para continuar a operar e mais do que isso, economizar e melhorar os resultados financeiros e junto aos stakeholders. Fazer a coisa certa da maneira correta dá lucro e gera retorno ao acionista e à sociedade como um todo. Nas empresas onde a sustentabilidade já é valor e se encontra permeada nos processos produtivos, nota-se uma evolução constante tanto de economia de custos quanto de engajamento da força de trabalho e na melhoria contínua dos processos em busca da excelência.

Sabemos que um dos pontos de virada está na inovação para competividade. Em sua opinião como isso pode ser materializado na indústria e mercado brasileiro?

Ronaldo Ramos – Devemos iniciar por uma profunda transformação cultural na gestão das empresas familiares principalmente, e na capacitação do enorme contingente de empreendedores que cresce a cada dia. A inovação, na maioria dos casos, não é obtida por saltos ou por invenções mirabolantes, mas pelo esforço diário e contínuo em busca daexcelência operacional e da procura por diversidades, transdisciplinaridade e multiculturalidade nos negócios.

Que mensagem o senhor deixa para o industrial neste mês em que comemoramos o Dia da Indústria?

Ronaldo Ramos – A mensagem mais simples que procuro sempre manter em mente é de que se continuarmos a fazer tudo sempre igual não podemos esperar resultados diferentes. Investir em educação, cultura e comportamento de conformidade é a única maneira de sobreviver.