Especialistas explicam como funciona o seguro de crédito para a exportação

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

No último painel do “Seminário sobre financiamento à exportação brasileira”, realizado nesta terça-feira (02/12) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), representantes do setor mostraram como funciona o seguro de crédito privado à exportação e de que modo o serviço pode ser utilizado para garantir crédito e pagamento.

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Rogerio Vergara, representando a Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenaseg), e Marcelo Finardi, da Euler Hermes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


O superintendente comercial da seguradora Euler Hermes, convidou o público para discutir as necessidades e as dificuldades das empresas, além de apresentar propostas para um novo modelo de seguro. Comentou ainda sobre a possibilidade da Parceria Público-Privada (PPP) no seguro para a exportação.

“A seguradora entra com o risco de crédito e o governo com o risco político e extraordinário, nos países exóticos, onde vamos poder fazer uma apólice com a garantia dos dois riscos. E os bancos vão poder utilizar ou não essa garantia”, explicou.

“Sendo uma seguradora de primeira linha e tendo uma garantia do governo, os bancos poderão ter mais apetite e oferecer a antecipação de recebíveis.”

Apresentando o seguro como uma estratégia de negócio, Daniel Nobre, CEO da Crédito y Caución, afirmou que a seguradora permite que a empresa maximize suas vendas. “O seguro é uma ferramenta que o exportador pode contar para protegê-lo contra o risco de liquidez dos seus recebíveis.”

Nobre mostrou que a seguradora busca fortalecer as competências dos segurados em gestão de risco de crédito em todo o processo, desde a fase da decisão, passando pelo acompanhamento até a recuperação. Isso contribui para a proteção financeira da empresa.

Diretor executivo de garantias e crédito da Mapfre, Rogerio Vergara participou do painel representando a Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenaseg). Ele apresentou dados da exportação brasileira e questionou por que as empresas resistem à contratação de um seguro.

“O seguro de crédito à exportação não tem um grande desenvolvimento no mercado brasileiro. Existe pouca procura pelas empresas exportadoras, mesmo sendo um produto que tem uma série de serviços que ajuda a empresa no controle das suas exportações”, lamentou Vergara.


Encerramento

Para encerrar o seminário, o subsecretário de crédito e garantia às exportações do Ministério da Fazenda, Rodrigo Toledo Cabral Cota, concluiu as apresentações.

“O recurso de financiamento para exportação está disponível para os empresários. A grande dificuldade é a garantia. E o seguro de crédito é o que pode resolver isso”, disse Cota, para quem há poucas lacunas na questão do financiamento.

O embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda, agradeceu pela presença dos empresários.

“O objetivo do seminário não foi apenas apresentar os produtos disponíveis aos exportadores, mas também ter uma discussão mais ampla do papel das seguradoras e dos bancos e das necessidades de financiamento.

Em nome da Fiesp, Vladimir Guilhamat, diretor titular adjunto do Departamento de Relações Institucionais e Comércio Exterior (Derex) ressaltou que a casa está sempre aberta para encontros como esse.

“Temos que incentivar e mostrar alternativas para que as empresas brasileiras comecem a visualizar o mercado internacional, não só na parte de crédito, mas também de infraestrutura, facilitação, apoio e todos os mecanismos.”

>> Acesse as apresentações realizadas no “Seminário sobre financiamento à exportação brasileira”