Uma prova de amor pela arquitetura

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

De longe, de perto, na abertura da novela das 21h da Rede Globo, “Amor à Vida”, o prédio da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) é um dos maiores símbolos do endereço mais famoso da maior metrópole brasileira. Mais que isso, para os arquitetos, é também uma prova de respeito da indústria pela arquitetura. E de amor pela cultura.

“O Ministério da Cultura reconheceu a arquitetura como cultura no Brasil somente em 2010”, explica o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em São Paulo e vice-presidente do IAB nacional José Armênio de Brito Cruz. “A indústria fez isso antes. A Fiesp sempre entendeu a arquitetura assim”.

O prédio da Fiesp: referência arquitetônica para a cidade e para o país. Foto: Julia Moraes/Fiesp

O prédio da Fiesp: uma referência arquitetônica para a cidade e para todo o país. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Para Brito Cruz, o “quartel general da indústria” na Paulista, projetado pelo escritório Rino Levi Associados, tem raízes na moderna arquitetura brasileira. “A principal característica é a estrutura metálica que reveste a fachada e dá unidade ao prédio”, diz. “Um desenho que tem origem nos cobogós, muito usados no país”.

Além de não se parecer com nenhum outro edifício paulista, o prédio da Fiesp, segundo o arquiteto, tem como mérito “não ser datado”. “É um prédio contemporâneo e que pode receber atualizações”, diz. “Não é datado, perdura.”

E isso para não falar da relação “muito bem definida” com São Paulo. “Ele é generoso com a cidade”, afirma Brito Cruz.

O diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, Valter Caldana, concorda com a avaliação. “A relação do prédio com a rua é muito bem projetada, tem acessos amplos”, diz. “E isso só ficou melhor depois da reforma no térreo feita pelo Paulo Mendes da Rocha em 1990.”

Caldana: . “A relação do prédio com a rua é muito bem projetada, tem acessos amplos”. Foto: Wilson Camargo

Caldana: . “A relação do prédio com a rua é muito bem projetada”. Foto: Wilson Camargo

Segundo Caldana, a sede da Fiesp tem como mérito ainda o fato de ter sido pensada à luz das preocupações com o meio ambiente, o que não era uma prática tão comum na época de sua fundação – a inclinação em direção ao topo, por exemplo, garante maior insolação do prédio. Mérito do escritório fundado e inspirado por Rino Levi (1901-1965).

“Rino Levi foi um precursor em cuidados como o uso da luz natural e o controle de iluminação e calor”, explica. “Sem dúvida foi um dos arquitetos mais brilhantes do mundo em seu tempo.”

Outra virtude apontada por Caldana é a capacidade de “despertar emoções”. “Mesmo quem não gosta não consegue ficar indiferente.”

Suporte multimídia

Integrante do time dos que gostam da obra, o coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes em São Paulo, Ênio Moro Jr diz que não só considera a construção “um dos grandes ícones arquitetônicos” da cidade como também é um frequentador das atividades do Centro Cultural Fiesp.

“A Avenida Paulista é um desfile de boa arquitetura: temos a Fiesp, o Masp [Museu de Arte de São Paulo], o Conjunto Nacional”, afirma. “Meu carinho especial pelo prédio da Fiesp é que, além da sua riqueza formal e do Centro Cultural Fiesp, o edifício é completamente contemporâneo”, diz.

Para exemplificar o que diz, Moro Jr cita as exposições de arte digital projetadas na fachada do local. “Ele funciona como um megasuporte multimídia”, explica. “Somente um prédio com tantas qualidades arquitetônicas poderia ainda estar tão atual.”

Leia mais 

>>Fiesp e Ciesp completam 34 anos no edifício-sede da Avenida Paulista 

>>Paulo Mendes da Rocha:  ‘O prédio da Fiesp é uma figura destacada, fruto da engenhosidade do Rino Levi’

>> Funcionários relembram mudança do prédio da Fiesp e do Ciesp