Fiesp criará centro de estudos sobre a China

Elcio Cabral, Agência Indusnet Fiesp

Da esq. p/ dir.: Tasso Jereissati, Benjamin Steinbruch, Paulo Skaf, João Guilherme Sabino Ometto, Luis Eulalio de Bueno Vidigal Filho e Celso Amorim, durante a reunião do Conselho Estratégico da Fiesp

 

 

A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) decidiu criar um Centro de Estudos sobre a China, que irá aprofundar os entendimentos sobre as relações comerciais com o país asiático e propor agendas positivas para o setor produtivo e governo. O tema dominou a primeira reunião do ano do Conselho Estratégico da entidade, nesta quarta-feira (16).

“Nós temos que conhecer profundamente essa questão. Existem oportunidades, desafios e riscos. Mas, até agora, as discussões estão pouco ordenadas. Vamos definir uma estratégia para lidar com a China”, afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp

O grupo será estruturado na Fiesp, que já estuda a questão China há tempo, e contará com representantes de vários setores e também do governo. “Convidaremos de imediato o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) a participarem dessas discussões”, adiantou Skaf.

Antes mesmo da implantação do Centro de Estudos, a Fiesp reunirá aspectos discutidos pelo Conselho Estratégico para dar subsídios ao governo na viagem da presidente Dilma Rousseff à China, prevista para abril. No encontro desta quarta, representantes do Conselho ressaltaram que a China é um país que deve ser estudado de forma isolada, em razão do caráter extremamente peculiar de suas relações comerciais.

Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores

Skaf chamou atenção para o modo de atuação dos asiáticos. “O que interessa a eles é comprar matéria-prima do Brasil e nos vender manufaturados”, pontuou. “Estamos sob ataque e temos que nos defender. Os chineses não estão errados, mas o Brasil precisa pensar em seus interesses”, acrescentou.

Novos membros

Cinco novos membros do Conselho Estratégico da Fiesp tomaram posse nesta quarta: Tasso Jereissati, ex-governador do Ceará; Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores; Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central; Adib Jatene, ex-ministro da Saúde e Marcos de Queiroz Galvão, do grupo Queiroz Galvão. Meirelles foi a única ausência, em razão de compromissos em Brasília.

Tasso Jereissati, ex-governador do Ceará

“Sinto-me muito honrado em fazer parte do Conselho. Acho que [o grupo] é bastante interessante e revela o pluralismo da Fiesp, que é o órgão mais importante do setor industrial brasileiro”, declarou Amorim.

Tasso Jereissati afirmou que acha importante trazer um pouco da experiência no parlamento para o grupo: “Hoje falta um projeto para o Brasil, e esse Conselho tem condições de discutir uma grande estratégia para o nosso País.”