Fiesp e centrais sindicais sugerem ao governo medidas urgentes para a geração de empregos

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

Com o pedido de “Emprego para 13 milhões de brasileiros” feito nesta terça-feira (12 de setembro) na forma de anúncio publicado nos principais jornais do país, a Fiesp, cinco centrais sindicais, entidades que representam 2 milhões de empresas, além de representantes de vários setores produtivos, entregaram, pela manhã, ao presidente Michel Temer, em Brasília, documento com propostas de medidas emergenciais visando à retomada da economia e à geração de empregos.

“O que nos une aqui hoje é o emprego, a necessidade de resolver o problema dos 13 milhões de desempregados, porque não há nada pior para um país do que o desemprego”, disse o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, na abertura da reunião com o presidente Temer e vários de seus ministros. Segundo Skaf, o objetivo não é discutir soluções para todos os problemas por que o país passa, mas, sim, elencar alguns pontos que podem ajudar a economia a se recuperar de forma mais rápida.  É uma pauta de curto prazo, definiu Skaf. Emergencial.

Skaf  lembrou que muitas das sugestões levadas até o presidente Temer são pontos comentados sempre, mas nem por isso não importantes, pois precisam ser resolvidos, ressaltando que a solução para muitos deles está na simplicidade. Destacou a questão do crédito. “O BNDES recebe todo ano R$ 80 bilhões de repasse, e esse dinheiro não está sendo aplicado num momento em que precisamos de recursos. O banco deveria aplicar o máximo, mas tem essa dificuldade. O BNDES é um banco de atacado, e se não houver boa vontade dos agentes financeiros fica tudo engessado, quando as empresas, principalmente as médias, precisam de crédito nesse momento”, disse.

O presidente da Fiesp também citou o parcelamento dos débitos fiscais, lembrando as centenas de empresas endividadas no rastro da crise econômica do país. Uma empresa estar endividada não é coisa do outro mundo, disse, emendando que para sobreviver no entanto ela precisa de Refis. Skaf criticou o fato de o governo apresentar uma proposta para resolver o problema das empresas nessa situação e o relator, outra. “Queremos o meio-termo”, disse, salientando que na proposta do governo a empresa teria de arcar com encargos de 15% de honorários de sucumbência. “Alguém acha correto pagar 15%?, questionou o presidente da Fiesp.

A retomada das obras públicas inacabadas também foi incluída nas propostas entregues ao governo. Skaf falou dos milhares de obras paradas, verdadeiros esqueletos da construção civil, que, enquanto se deterioram, tiram a oportunidade de emprego de brasileiros. “Bastava tocar as obras que já existem”, disse, reforçando que muitas não dependem só do governo federal, mas destacando que o apoio do governo é fundamental para que sejam destravadas. “Hoje, aqui, não há divergência, há, sim, total convergência, nossa pauta é de convergência em prol dos milhões de pessoas que querem trabalhar, que precisam trabalhar e portanto buscamos a união da indústria, das centrais sindicais ”, destacou  Skaf.

Paulinho da Força Sindical lembrou que a pauta de sugestões é resultado de discussões com o setor patronal para que se tenha uma pauta única, de forma a tirar o país da atual situação. “O Brasil vem encontrando seu caminho, mas é preciso mais”, disse. “Passamos pela maior crise econômica, uma crise sem precedentes, em especial nos últimos dois anos, que deixou milhares desempregados, lojas fechadas e empresas quebradas”, completou. Assim como o presidente da Fiesp, Paulinho citou o problema do crédito.

“Lá atrás havia mais facilidade de se tomar crédito, as pessoas compravam a prazo, trocavam seus carros, e é preciso retomar isso.” Não esqueceu dos juros, dizendo que o governo precisa reduzir mais as taxas. Chamou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, presente ao encontro com Temer, a intervir no que considera juros absurdos cobrados nos cartões de crédito e no cheque especial, falando que é preciso “enquadrar o sistema financeiro”. Também pediu que o governo reveja o Reintegra, o regime que devolve valores tributários às empresas exportadoras, e o programa para a modernização de frotas para dinamizar o setor automotivo.

O ex-ministro da Agricultura e professor da FGV Roberto Rodrigues, membro do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp, lembrou o excelente resultado do agronegócio, com safras recordes e exportações em alta, ressaltando no entanto que tudo isso é possível graças às indústrias e setores do mundo urbano, onde são produzidas máquinas e equipamentos do agronegócio, assim como onde estão as empresas que compram a produção, ratificando com isso a importância das sugestões levadas ao governo para a retomada da economia e geração de empregos. E pediu que o governo “não mate a galinha dos ovos de ouro” com tributos excessivos.

Skaf discursa em reunião de entidades representantes de empresas e centrais sindicais com o presidente Michel Temer. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Ratificaram o pedido de mais emprego, crédito mais barato e retomada das obras paradas na construção civil os presidentes da Nova Central, José Calixto, da Central dos Trabalhadores do Brasil, Adilson Araújo, da União Geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah, e da Central Nacional dos Sindicatos Brasileiros, Antônio Neto, ao lado do presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil,  Fernando Pimentel, e de Francisco Balestrin, presidente  do Conselho de Administração da Associação Nacional de Hospitais Privado. “Este é um momento histórico, e a indústria está preparada para a retomada do crescimento, mas precisamos de uma agenda de desburocratização”, ressaltou Fernando Pimentel, da Abit.

Adilson Araújo, da Central dos Trabalhadores do Brasil, lembrou, por meio da matemática, o impacto do desemprego. “Hoje, são cerca de 14 milhões de desempregados, e se considerarmos que cada um desses que estão fora do mercado formal tem sob sua responsabilidade mais três pessoas teremos 53 milhões de brasileiros que não recebem nenhum salário”, disse.

Após receber o documento do grupo, o presidente Michel Temer falou da ideia de criar uma comissão para analisar as propostas apresentadas, sugerindo a possibilidade de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o do Senado, Eunicio Oliveira, indicarem, cada um, um interlocutor para avaliar as propostas em conjunto com o setor industrial e as centrais sindicais.

Ao final, durante entrevista coletiva, o presidente da Fiesp e do Ciesp fez questão de ressaltar que a agenda apresentada ali hoje é econômica, com o objetivo de tratar o problema do desemprego. “Queremos que o governo tome providências urgentes, queremos dar oportunidade de emprego a todos os brasileiros, dar oportunidade do empreendedorismo, não apenas para os que estão fora do mercado, mas aos milhares de jovens que entram no mercado de trabalho todos os anos”, disse Skaf.

Skaf vai com empresários e trabalhadores levar a Temer propostas para acelerar a retomada do crescimento

Agência Indusnet Fiesp

O presidente Michel Temer vai receber no Palácio do Planalto dia 12 de setembro, às 11h30, um grupo de representantes de empresas e trabalhadores para ouvir propostas e curto prazo para aproveitar os sinais positivos da economia brasileira e acelerar o processo de retomada do crescimento. O anúncio da reunião com Temer foi feito por Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, depois de um almoço nesta terça-feira (22 de agosto) com representantes de centrais sindicais e empresários.

Skaf destacou a união demonstrada no encontro em relação à necessidade de retomada do crescimento, com a consequente recuperação do emprego, fortalecimento das empresas e retomada da arrecadação para os governos –sem aumentos de impostos. “Buscamos pontos convergentes, que poderiam no curto prazo ajudar o país a retomar o crescimento”, afirmou Skaf, dando como exemplos o destravamento do crédito e a retomada das obras paradas, o que aceleraria a cadeia da construção civil, grande empregadora. E o seguro-desemprego, atualmente pago durante 5 meses, poderia ser estendido a 7 meses, “para dar um fôlego um pouco maior, pensando nas pessoas”.

“Fizemos uma ligação ao presidente da República, que nos atendeu e marcou uma reunião onde todos nós, centrais sindicais, entidades representativas da agricultura, da indústria, do comércio, dos serviços, grandes empresas, médios setores – enfim, um grupo altamente representativo – levaremos essas sugestões.”

A economia brasileira está dando sinais positivos, disse o presidente da Fiesp e do Ciesp. “É hora de jogar um catalisador nisso, acelerar esse processo de retomada do crescimento e combater o desemprego. Temos que aproveitar essas faíscas para criar um incêndio positivo, de crescimento, de geração de empregos.”

“Estávamos como brasileiros em volta de uma mesa para pensar o Brasil, pensar o que fazer para o Brasil retomar o crescimento, o emprego, a geração de riquezas e em como dar oportunidades para milhões de jovens que entram no mercado de trabalho todos os anos e para os que estão desempregados.”

Em entrevista coletiva após o almoço, no prédio da Fiesp, Skaf voltou a criticar a discussão da troca do indexador para empréstimos do BNDES da TJLP para a TLP. “É inoportuno”, disse. “Há outras prioridades, e isso não está na agenda brasileira. Precisamos estimular investimentos, e essa mudança sinaliza aumento do custo de investimento.”

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Almoço na Fiesp que reuniu empresários e dirigentes de centrais sindicais. Foto: Ayrton VIgnola/Fiesp

Empresários e sindicatos criam comitê de ação permanente contra aumento de impostos

Lúcia Rodrigues, Agência Indusnet Fiesp,

O presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de SP, Paulo Skaf se reuniu nesta segunda-feira (9/3), na sede da Fiesp com os representantes das cinco maiores centrais sindicais.

No encontro que reuniu lideranças empresariais de diversos setores e representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), foi aprovada a criação do Comitê de Ação Permanente contra aumento de imposto.

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Entre as lideranças empresariais estavam o presidente da Anfavea, Luiz Moan e o vice-presidente do IDV, Flávio Rocha,  além dos membros do Conselho Superior Estratégico da Fiesp, Henrique Meirelles e Nelson Jobim.  Pelo lado das Centrais, os presidentes da CGTB, Ubiraci Dantas, da Força Sindical, Miguel Torres, da CUT, Paulo Cayres, da CTB, Adilson Araújo, e os secretários da UGT,  Canindé Pegado e Igor Thiago, da CSB e Fábio Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo.

Fiesp e centrais sindicais votam criação de comitê de ação permanente. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Os líderes foram unanimes contra a mudança no projeto de desoneração da folha de pagamento, a Medida Provisória 669, devolvido pelo Senado, na semana passada, ao Governo e que agora pode passar a ser um projeto de lei.

“A partir de agora, todos nós juntos vamos cerrar fileiras contra medidas como a da desoneração da folha de pagamento, além de medidas que alteram as regras do auxílio doença”, enfatizou Skaf.

Ele defendeu também a suspensão das Medidas Provisórias 664 e 665. E que elas sejam transformadas em Projeto de Lei para serem amplamente discutidas no Congresso. As MPs 664 e 665 foram enviadas pelo governo federal no fim do ano passado As propostas já estão em vigor desde o último dia 28 de fevereiro e devem ser analisadas em breve pelo Congresso Nacional para que virem lei definitiva. Caso contrário, perderão a validade.

Skaf esclareceu que a reunião é a favor do Brasil. “Não é contra ninguém, contra governo nenhum, a favor de governo nenhum, nem ligado a partido nenhum, uma coisa totalmente apolítica e apartidária e tem foco realmente nesse momento que preocupa todo o país.”

Além disso foram aprovados pelo comitê, três itens iniciais para a pauta de discussões entre trabalhadores e empregadores. São eles: menos juros, menos impostos e menos gastos públicos. “Queremos ver do governo, e isso vale para todos os governos, redução de cargos comissionados, ministérios e secretarias”, afirmou o presidente da Fiesp.

Skaf disse ainda que a luta é por menos juros, menos impostos e menos gastos públicos. “Se precisar fazer ajuste fiscal, que faça reduzindo gastos e não criando novas receitas com aumento de impostos”, enfatiza.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres disse que o encontro entre empresários e sindicalistas promove a união de ações para o bem do Brasil e não contra ninguém. “O estágio em que estamos vivendo hoje é o paciente que está na UTI e o oxigênio está acabando e ninguém está vendo chegar a reposição daquele oxigênio.”

“Hoje tivemos um ganho muito importante aqui, que é a união de todos os trabalhadores e de todos os empresários pelo desenvolvimento do Brasil”, concluiu o presidente da CGTB, Ubiraci Dantas.

Mudanças nos benefícios

No dia 30 de dezembro a Presidente da República editou as Medidas Provisórias nº 664 e 665, que, entre outros assuntos, determinam novas regras para acesso a benefícios previdenciários como, por exemplo, Abono Salarial, Seguro Desemprego e Auxílio Doença.

Em relação ao abono salarial, antes quem trabalhava um mês durante o ano – e recebia até dois salários mínimos – tinha direito a um salário mínimo como abono. Agora há carência de seis meses de trabalho ininterruptos e o pagamento passa a ser proporcional ao tempo trabalhado;

No caso do seguro-desemprego,  antes a carência era de seis meses de trabalho. Agora, a carência passa a ser de 18 meses na primeira solicitação, 12 meses na segunda e seis meses a partir da terceira.

O benefício auxílio-doença era de 91% do salário do segurado, limitado ao teto do INSS. Além disso, as empresas arcavam com o custo de 15 dias de salário antes do INSS. Com a nova regra, o teto é a média das últimas 12 contribuições e as empresas arcam com o custo de 30 dias de salário antes do INSS.

Centrais sindicais discutem na Fiesp ações contra invasão de importados, juros e câmbio

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O setor produtivo nacional enfrenta um descaso por parte do governo no que diz respeito a medidas para recuperar a indústria castigada pelas importações predatórias, analisou nesta quinta-feira (26) o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical, e Paulo Skaf, presidente da Fiesp, durante encontro na sede da entidade

A avaliação do dirigente foi feita após encontro com líderes sindicais, na sede da entidade, para debater estratégias contra a forte entrada de mercadoria importada e a consequente perda de renda do trabalhador brasileiro.

Skaf recebeu presidentes de centrais sindicais, entre eles Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical, e Ricardo Patah, da União Geral dos Trabalhadores.

“O que é unanimidade, aqui, é que o governo federal tem um descaso com os setores produtivos brasileiros. O setor produtivo [trabalhadores e empresários] está de mãos dadas para chamar atenção do governo para a produção deste país”, disse Paulo Skaf a jornalistas ao final da reunião com sindicalistas.

Ele ainda informou que um comitê técnico, formado por representantes das centrais sindicais e da Fiesp, deve se reunir nesta segunda-feira (30) para debater as “orientações discutidas hoje”. O grupo volta a se encontrar com Skaf no dia 6 de fevereiro, para definir que tipo de manifestação será feita.

“O que está definido é que realmente todos nós estamos muito preocupados com essa situação. No dia 6 deve ser definido o que vamos fazer para que o governo comece a ouvir”, acrescentou o presidente da Fiesp.

O deputado Paulinho da Força também expressou sua preocupação com a situação econômica do país e classificou a penetração de importados no mercado nacional como “extremamente grave” para a indústria.

“A impressão que nós temos é que o governo está importando a crise para o Brasil. Já tem empresa demitindo, já tem setores com dificuldades, essa questão da importação praticamente está quebrando parte da indústria brasileira”, disse o deputado. “Ficou claro nessa conversa de hoje que nós estamos de acordo com o diagnóstico: a importação é uma coisa vergonhosa e desenfreada.”

Ele negou rumores de greve e disse que a ideia é fazer manifestações que contribuam para uma proposta de recuperação do setor produtivo. “Não sei nem de onde tiraram essa ideia de greve.”

Fase difícil
Somente em dezembro, o setor produtivo paulista fechou 35 mil postos de trabalho, uma queda de 1,36% em comparação com novembro, na série sem ajuste sazonal, segundo pesquisa da Fiesp divulgada em janeiro deste ano.

A principal cauda da quebra da indústria se deve ao robusto consumo de bens importados, que entraram com força no país ao longo de 2011 graças à desvalorização cambial.

No terceiro trimestre de 2011, a participação de produtos importados no consumo brasileiro chegou a um patamar de 23,4%, indicando a persistente falta de fôlego da indústria para escoar sua produção no mercado local. No mesmo período de 2010, o nível dos importados no consumo doméstico era de 22,7%.