Crise política é analisada em reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem da Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A análise do cenário político e econômico do Brasil foi tema da reunião desta quinta-feira (8 de junho) do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem da Fiesp (Copagrem).

Guilherme Moreira, gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp (Depecon) explicou que usualmente a recuperação econômica começa alguns meses após a retomada de confiança por parte dos empresários. O Brasil tinha apresentado esse aumento de confiança, mas veio nova crise política, atrapalhando o processo.

Fernando Schüler, cientista político e professor do Insper convidado para falar sobre o cenário político no Brasil, disse que vivemos uma crise dentro de uma crise. Ela teve impacto relativamente moderado, por várias razões, explicou. “Estava precificado que o governo Temer seria impopular”, afirmou, mas se esperava que tocasse reformas.

A mais importante e genial mudança, na opinião de Schüler, foi a PEC do teto de gastos. Mas isso, disse, só funciona com a reforma da Previdência. Ela é impopular, mas o governo vem mostrando que tem base no congresso, mesmo depois da crise.

Segundo Schüler, caso seja absolvido no TSE, o novo desafio para o governo estará no STF, mas para o processo correr será preciso de aprovação da Câmara, que sem algum fato muito forte aparecer, tende a não permitir.

O primeiro cenário, de absolvição no TSE, é relativamente favorável, na opinião de Schüler, com alguma luz no fim do túnel.

Há cerca de 100 deputados sem posição clara em relação à reforma da Previdência. Para atrair seu voto, o governo está abrindo seus cofres para emendas parlamentares, que ajudam os deputados a manter sua máquina eleitoral, já de olho em 2018. O governo está jogando pesado e imagina que conseguirá votar a reforma em cerca de 45 dias.

O presidente, segundo Schüler, sabe articular, tem moeda de troca, mantém a base. E o “mercado” político não tem interesse real em sua saída. O PSDB, por exemplo, tem dois candidatos possíveis saindo de São Paulo. Os tucanos paulistas não querem o possível surgimento de outro nome do PSDB, como o de Tasso Jereissati, caso Temer seja derrubado. Nem o PT se empenha muito, na análise de Schüler, pelo fora, Temer.

O outro cenário, de cassação da chapa pelo TSE, é de uma agonia lenta. Temer já deu mostras de que não vai facilitar sua saída. Há recursos possíveis. E falta uma alternativa, o que pesa na política.

Nesse caso, Schüler não vê o presidente articulando uma base com votos suficientes para a aprovação da reforma da Previdência. O presidente eleito indiretamente assumiria perto do início de 2018 e tenderia a fazer um governo de pacificação, deixando a votação da reforma para a legislatura seguinte.

Um impasse que precisa ser discutido é o financiamento para a campanha de 2018. E isso no meio da reforma da Previdência. Schüler defende que não se faça a transição de maneira muito açodada em relação ao sistema eleitoral.

Logística

Na reunião, Luiz Gornstein criticou o funcionamento dos Correios, cujos problemas afetam a indústria gráfica. Levi Ceregato, diretor titular do Copagrem, definiu que se tente uma reunião com a direção da empresa para discutir a situação.

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Reunião do Copagrem com a participação de Fernando Schüler em análise do cenário político. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Copagrem discute desafios do setor de papel, gráfica e embalagem e analisa cenário brasileiro

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A reunião mensal do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem da Fiesp (Copagrem), realizada na manhã desta segunda-feira, 13/6, na sede da entidade, reuniu representantes do setor para discutir o cenário econômico atual e suas consequências para as empresas ligadas às atividades gráficas.

O coordenador do comitê, Fabio Arruda Mortara, abriu o encontro falando sobre a reunião que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, fez com o presidente interino Michel Temer, na última quarta-feira, 8/6, em Brasília. “Foi um momento muito importante, por isso é necessário transmitir que todos vocês foram representados”, explicou. “[Demos] um voto de confiança que o governo precisava nesse momento em que está sendo tão atacado.”

Na sequência, o diretor executivo da Total Express, Vito Chiarella, fez uma apresentação sobre os serviços e história da empresa e também exibiu dados do setor.  “O mercado de publicações teve queda de 6% no faturamento nos últimos anos, e para este ano vemos uma queda ainda mais desafiadora”, lamenta. “Do ponto de vista financeiro estamos sofrendo bastante.”

Também presente na reunião mensal, o diretor executivo da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Mansur Bassit, divulgou um vídeo sobre a 24ª Bienal do Livro que acontece de 26 de agosto a 4 de setembro no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Ele falou sobre a importância e o esforço que tem sido feito para que a feira deixe de ser totalmente B2C e aborde também o mercado B2B.

Já o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, discursou sobre o cenário de comércio internacional e as mudanças do atual governo na forma de lidar e gerenciar a política de comércio exterior brasileiro. Sobre o novo ministro de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Marcos Pereira, ele afirmou se tratar de uma personalidade “hábil, inteligente e com um discurso ideológico contrário ao do Partido dos Trabalhadores (PT)”.  Zanotto afirmou ainda que o câmbio é o principal e grande problema atual. “Há o câmbio, e o todo o resto. Temos que levar a mensagem de que o câmbio é vital para ajudar a resolver todos os outros problemas.”

Por fim, o cientista político e professor do Insper Fernando Schuler traçou um panorama preciso sobre o cenário atual da política brasileiro. De maneira categórica afirmou que “o governo não está em crise. O país está em crise, mas o governo não”.  Segundo Schuler, Temer conta a seu favor com a boa relação com os congressistas, o que favorece a implementação de medidas no governo transitório. “Fazia tempo que não víamos no Brasil um presidente com a maioria no Senado, e ele tem.”

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Reunião plenária do Copagrem, da Fiesp, em 13 de junho, com a participação do professor do Insper Fernando Schuler. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Em mensagem no Dia da Indústria, Skaf destaca união que permitiu mudar cenário político

Agência Indusnet Fiesp

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Em vídeo gravado em homenagem ao Dia da Indústria de 2016 (25/5), o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, afirmou que a união de todos deu força suficiente para contribuir de forma significativa para a mudança do cenário político brasileiro. “Agora precisamos nos concentrar na economia”, afirmou Skaf. “Na retomada do crescimento, fortalecendo nossas empresas, gerando empregos e riqueza no Brasil.”

Skaf disse que são boas, para o longo prazo, as medidas na área econômica anunciadas pelo novo governo, com destaque para o limite do crescimento do gasto público. “Estamos aguardando as medidas de curto prazo”, disse. O governo, defendeu Skaf, “tem que cortar seus gastos, seus desperdícios, eliminar a corrupção, buscar receitas” que não envolvam aumento de impostos. “Se houver qualquer tentativa de aumento de impostos, o pato vai para a rua”, declarou. “Não vamos mais pagar o pato, e para isso precisamos continuar muito unidos, para dar apoio ao governo para acertar, mas também para evitar que haja qualquer aumento de imposto.”