Reserva de gás em São Francisco pode mudar o mercado de gás do Brasil, diz superintendente da Cemig

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Reservas de gás natural em terra, como a bacia de São Francisco, em Minas Gerais, têm potencial para mudar o mercado energético brasileiro, afirmou o superintendente de Gás da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Roberto Ferreira Borges.

Ele vai participar do 14º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em um painel sobre reservas não convencionais de gás.

“O tempo do não convencional caiu em nosso colo, no centro do Brasil, em uma bacia entre Brasília e Belo Horizonte. Então, é muito oportuno começar a pensar em não convencional”, afirmou Borges. “É uma bacia que tem potencial para mudar o mercado brasileiro de gás”.

O gás natural convencional e o não convencional são iguais – a diferença está no tipo de reservatório. A reserva convencional possui uma pressão natural; a não convencional precisa ser estimulada, em um tipo de extração mais complexa e mais cara, que provoca fraturas no reservatório.

“É uma produção mais cara, mas não absurdamente porque ela tem certa ordem de escala industrial”, disse Borges. “Se você fratura mais, você produz mais. É mais caro fraturar, mas você tem mais produção”, explicou.

Para o superintendente de gás da Cemig, melhor que falar em gás convencional ou não convencional é explorar a oportunidade de gás em terra, um modelo de produção que depende menos de investimentos em infraestrutura, por exemplo, e por estar localizado fora da Bacia de Campos, interioriza o consumo de gás no país.

As melhores perspectivas para exploração e produção de gás estão nas bacias de São Francisco (MG), Parnaíba (MA-PI) e Parecis (AM), apontam estudos.  Em abril deste ano, a Petra Energia fez duas descobertas de gás em terra em São Francisco.

“Fazendo pesquisa em terra você vai depender menos de gasodutos grandes. Se você descobre mais uma imensa bacia de gás em Campos, por exemplo, você não muda o mercado, é mais do mesmo, mas reservas como São Francisco têm uma chance de interiorizar o gás”, afirmou Borges.

Mudança de preço

Embora ainda não haja comprovação da capacidade de produção das reservas de gás no Brasil, a redução do preço para a indústria, principal consumidor, ainda não pode ser quantificada.

“A indústria se beneficia de maneira geral se houver uma oferta de gás mais consistente. Setores de cerâmica são mais sensíveis a preços, mas não significa que eles vão ter uma condição melhor de preço. Ainda falta conhecimento para isso”, alertou Borges. “Mudar o mercado também é questão de preço. Essas bacias têm uma possibilidade muito maior de fazer isso pela sua localização”, ponderou.

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