Empresas brasileiras investirão mais de US$ 7 bilhões no Peru

Mariane Corazza, de Lima, Peru, para Agência Indusnet Fiesp

Mais de 100 empresários brasileiros participaram na sexta-feira (11), na capital Lima, da criação do Conselho Empresarial Brasil-Peru (CEBP), que tem como objetivo ampliar a relação de negócios entre as duas nações.

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Paulo Skaf fala sobre aportes das empresas brasileiras no Peru Foto: Kênia Hernades


Durante a cerimônia, que aconteceu no encerramento do Seminário “Interoceânica: uma nova integração entre Brasil e Peru”, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, ao lado dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Alan García, ressaltou as diversas missões empresariais feitas entre os dois países nos últimos anos.

As relações entre Peru e a Fiesp se iniciaram em 2006, com a visita do presidente peruano e de 250 empresas daquele país à entidade. De lá para cá, a corrente de comércio saiu de US$ 2,3 bilhões para US$ 3,3 bilhões, o que representou um aumento de 43,4%.

Ao mesmo tempo, os investimentos brasileiros naquele país saltaram de US$ 30 milhões, há dois anos, para entrar na casa dos bilhões de dólares neste ano. “Os aportes das empresas brasileiras no Peru vão passar de US$ 7 bilhões, de 2008 a 2012, e vão representar a geração de mais de 30 mil empregos”, afirmou Skaf.

Questionado por jornalistas brasileiros se a opção dos empresários de investir no Peru não tira empregos de nosso próprio país, o presidente da Fiesp reiterou: “Nós não investimos no Peru por caridade, mas porque é um bom negócio tanto para nós quanto para a região, e que gera empregos para ambos os lados”, disse.

O líder empresarial reforçou, ainda, que tudo isso faz parte do processo de internacionalização das empresas brasileiras e da liderança do Brasil na América do Sul, que vem acontecendo de forma integradora e não predatória.

Os números foram anunciados durante a primeira reunião do Conselho que, do lado do Brasil, é presidido pela Fiesp e conta com os seguintes grupos: Ambev, Braskem, OAS, CSN, Embraer, Andrade Gutierrez, Gerdau, Queiroz Galvão, Odebrecht, Petrobras, TAM, Vale e Votorantim Metais.

Pelo Peru, a presidência é do empresário Mario Brescia Caferatta e participam: Cámara Binacional de Comercio Integración Perú-Brasil (Capebras), SiderPeru, Grupo Brescia, Buenaventura, Graña y Montero, Petrobras Perú, Tacama e Grupo Brasil.

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Alan García, presidente do Peru. Foto: Kênia Hernandes

Entre a comitiva de empresários brasileiros na primeira reunião do Conselho Empresarial Brasil-Peru, que contou com presidentes de grandes companhias com negócios no Peru, como Roger Agnelli (Vale), José Sérgio Gabrielli (Petrobras) e Marcelo Odebrecht (Odebrecht), a palavra de ordem era integração.

E para que ela ocorra de forma efetiva, o consenso foi de que os dois países terão que se esforçar na busca por soluções conjuntas para transporte, saneamento e energia, por exemplo.

Para o próximo ano, a grande expectativa é pela finalização da estrada Interoceânica que liga os dois países e que deve ficar pronta ao final de 2010. Outro pleito, defendido por muitos executivos, é incentivar a entrada do Peru no Mercosul.

Neste sentido, o CEBP quer se firmar como um espaço de trabalho permanente pela integracão das duas economias. “O grupo é um reflexo da complementaridade de nossas economias e reafirma a importância de manter e incrementar estes vínculos para gerar mais riqueza aos dois povos”, concluiu Skaf.

Alan García também demonstrou apoio ao Conselho e aproveitou o evento para anunciar que em 2010 vai construir a Interoceânica do Centro, que ligará o porto de Callao até Pucallpa e depois à cidade brasileira Cruzeiro do Sul. A próxima reunião do Conselho ficou marcada para 9 de abril de 2010, em São Paulo.

Acesse aqui o Guia para Negócios e Investimento Brasil-Peru 2009/2010, elaborado em parceria pela Câmara Binacional de Comércio e Integración Peru-Brasil, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Ernest & Young.

Missão da Fiesp leva mais de 80 empresários ao Peru

Agência Indusnet Fiesp

Nesta sexta-feira (11), o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, chefiará comitiva com cerca de oitenta empresários brasileiros, em Missão Empresarial ao Peru, a pedido do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em encontro com Lula e o presidente peruano, Alan García, Skaf retomará a discussão iniciada com o chefe peruano, que há um ano participou de missão empresarial na Fiesp, sobre a necessidade de reconstruir os instrumentos de integração continental, como o Pacto Andino e o Mercosul.

Além disso, Skaf quer fortalecer a presença de companhias brasileiras em terras peruanas, principalmente as dos setores de siderurgia, cimentos e fertilizantes. “As empresas brasileiras podem ampliar de forma significativa seus investimentos no País vizinho, que ficará ainda mais perto com o corredor interoceânico”, argumenta.

As relações entre Peru e a Fiesp se iniciaram em 2006, com a visita do presidente peruano e de 250 empresas daquele país à entidade. De lá para cá, foram realizados seminários, encontros e rodadas de negócios.

As ações de aproximação entre a entidade e o país de Alan Garcia já mostram alguns resultados. Desde 2006, a corrente de comércio saiu de US$ 2,3 bilhões para US$ 3,3 bilhões, o que representou um aumento de 43,4%.

Por que Peru?

País com economia em franca expansão, crescendo a taxas superiores a 6% ao ano e apresentando um volume de importações de quase US$ 30 bilhões em 2008, o Peru revela-se uma excelente oportunidade de negócios para exportadores brasileiros. O Brasil é o terceiro fornecedor de produtos para o mercado peruano e o sexto maior destino das exportações daquele país.

Somente de janeiro a setembro de 2009, as exportações brasileiras para o Peru cresceram cerca de 40%. A participação na missão empresarial a esse mercado promissor poderá significar novos e bons negócios às empresas participantes.

São oportunidades nas áreas de agronegócios, automobilístico, consultoria/engenharia, construção civil, infraestrutura, logística, mineração, produtos de segurança e defesa, telecomunicações, têxteis, turismo e serviços, para a interconexão entre Peru e Brasil.

Hoje a exportação brasileira para o Peru é mais concentrada em produtos industriais: veículos (17,2%), máquinas e aparelhos mecânicos (14,3%), combustíveis (13,6%) e máquinas e materiais elétricos (9,2%). Já nas importações brasileiras predominam cobre, pedras e metais preciosos e minérios, que, juntos, totalizam quase dois terços dos produtos comercializados.

Conselho Empresarial Brasil-Peru

Durante a manhã da sexta-feira (11), será criado o Conselho Empresarial Brasil-Peru (CEBP), que tem como objetivo estabelecer um espaço para debate, formação e implantação de políticas para impulsionar os negócios entre os dois países.

Do lado brasileiro, o Conselho será formado pela Fiesp e por um grupo de empresários de diversos setores. Pelo Peru, sete empresários de diversos setores integram o bloco: Mario Brescia Caferatta, Miguel Vega Alvear, Raúl Barrios Orbegoso, Roque Benavides Ganoza, José Graña Miro Quesada, Pedro Grijalba Vásquez, José Antonio Olaechea Alvarez Calderón.

A ideia do novo fórum é tratar de diversos temas que afetam diretamente o ambiente de negócios entre os países vizinhos e propor soluções práticas. Dentre as discussões para a primeira reunião do Conselho, está a busca por formas de aprofundamento do acordo comercial Brasil-Peru e da implantação da Convenção para evitar a bitributação e prevenir a evasão fiscal em relação ao Imposto sobre a Renda, ratificada em agosto deste ano.