Mauricio de Sousa: “Nunca quis ser maior, mais importante ou melhor que ninguém!”

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

“Sou do tempo em que o gibi era malvisto”, afirmou o cartunista e empresário brasileiro Mauricio de Sousa durante a reunião ordinária do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp (CJE) no dia 24 de novembro, na sede da entidade.

O cartunista foi convidado pela Fiesp para dividir sua história de sucesso em um encontro que rendeu muita inspiração aos participantes. Ele criou a “Turma da Mônica” e vários outros personagens de história em quadrinhos. É membro da Academia Paulista de Letras, ocupando a cadeira nº 24. É o mais famoso e premiado autor brasileiro de história em quadrinhos.

“Meu pai fazia gibi todos os dias para mim. Ele quem plantava as historinhas na minha cabeça. Já minha mãe me alfabetizou aos 3 anos e desde então não parei mais de ler”, relatou. Filho de poetas, passou parte de sua infância em Mogi das Cruzes, desenhando e rabiscando nos cadernos escolares.

Ele contou que ganhou o primeiro gibi (o Guri), todo amassado e faltando páginas, de um senhor no posto de gasolina. A partir daí achou que podia desenhar. “Nesta fase, tudo que fazia era muito primitivo. Fui evoluindo, fazendo cópias dos gibis que chegavam nas minhas mãos. Cresci e ainda na escola, resolvi que queria ser desenhista. Mas a leitura era o que me inspirava para criação de histórias com heróis.”

Aos 17 anos começou a procurar emprego em Mogi das Cruzes (SP). Desenvolveu várias técnicas e, então, resolveu ir para capital paulista para tentar trabalho no jornal Folha de S.Paulo. Ele procurou o editor de criação e mostrou seu material, mas saiu do encontro desmotivado.

“Ele disse que o desenho não era para mim e que não teria sucesso. Saí da sala desmotivado e, passando pela redação, um jornalista me chamou e viu o meu material. Disse que precisava melhorar minha apresentação e me ofereceu uma vaga para a extinta profissão de copidesque (corretor de textos).

Depois de muitos testes, foi contratado como repórter policial. “Me lembro que fui comprar uma capa e chapéu e me vesti como um personagem. Era hilário, mas era um jeito de minimizar minha timidez. Depois de um tempo as pessoas começaram a reconhecer meu trabalho.”

Em 1959, quando ainda trabalhava como repórter policial, criou seu primeiro personagem – o cãozinho Bidu. A partir de uma série de tiras em quadrinhos com “Bidu e Franjinha”, publicadas semanalmente na Folha da Manhã, Mauricio de Sousa iniciou sua carreira. Nos anos seguintes criou diversos personagens – Cebolinha, Piteco, Chico Bento, Penadinho, Horácio, Raposão, Astronauta etc. Em 1970, lançou a revista da “Mônica”, com tiragem de 200.000 exemplares, pela Editora Abril.


Imagem relacionada a matéria - Id: 1545207131

Mauricio de Sousa arrancou risos durante sua participação na reunião do CJE. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Propagando seu trabalho

Mauricio procurou aprender como montar um esquema de distribuição de histórias em quadrinhos. Quatro anos depois, já vendia para 400 jornais. “Foi aí que fiz uma campanha de nacionalização das histórias em quadrinhos e acabei sendo chamado de comunista. Entrei na lista negra de todos os jornais de São Paulo, inclusive a própria Folha de S.Paulo, que me mandou embora.”

Segundo ele, depois de um tempo, o jornal Tribuna da Imprensa (RJ) começou a comprar as tirinhas, e a Folha o convidou para voltar a trabalhar. “É claro que voltei muito orgulhoso”, brincou. E foram 29 anos nesta parceria.

O empresário criou um estúdio com 70 funcionários para ajudar a manter o esquema de publicações. “Foi muito difícil no começo ter de aceitar outros profissionais fazendo meus personagens. Cheguei a pegar nas mãos de muitos deles, para que o traço fosse o mais parecido possível.”

Ele explicou que se não fosse esta ação, seria esmagado pela concorrência estrangeira e certamente não teria evoluído com novos trabalhos. “De lá pra cá, nos atualizamos o tempo todo. Já somos mais 400 profissionais e ainda acredito que mais resultados positivos virão”, enfatizou.

Memórias

“Agora estou na fase de escrever minhas memórias. Tem tanta coisa para contar que provavelmente vocês vão entender minha vida em vários volumes.”

De acordo com Mauricio, apesar de todo o esforço para conquistar as coisas, nunca imaginou que daria errado. “Sempre acreditei que a minha história daria certo. Nunca quis ser maior, mais importante ou melhor que ninguém! Até porque sou bem baixinho”, finalizou, arrancando muitas risadas.