Brasil tem oportunidade e desafio ante mudança de modelo de desenvolvimento da China, diz especialista

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

André Soares, coordenador dos projetos de pesquisa e análise do CEBC, fala sobre a conjuntura econômica chinesa. Foto: Everton Amaro

André Soares, coordenador dos projetos de pesquisa e análise do CEBC, fala sobre a conjuntura econômica chinesa. Foto: Everton Amaro

O modelo de desenvolvimento econômico da China, com base em afrouxamentos monetários e em aumento de crédito para investimento e para sustentar o mercado imobiliário, funcionou nos últimos 20 anos, mas não é sustentável.

A afirmação é do coordenador dos projetos de pesquisa e análise do Conselho Empresarial Brasil China (CEBC), André Soares, ao falar sobre a conjuntura econômica chinesa durante o seminário “A Competitividade Industrial Chinesa no Século XXI”, realizado na manhã desta terça-feira (04/09) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na avaliação de Soares, a mudança de modelo do país asiático significa oportunidades, mas também desafios para o Brasil na relação com o mercado chinês. “Se você parar e olhar o que foi a relação Brasil-China nos últimos anos, foi uma relação em que nos ajustamos muito bem às necessidades e às demandas chinesas”, salientou Soares. “O que a gente vive [agora] é um momento de mudança do modelo de desenvolvimento deles, que vai abrir novas oportunidades e também desafios para essa relação”, apontou.

Desaceleração Chinesa

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Bruno Maia Cavalcanti, da Área de Análise Econômica do Derex: nas últimas três décadas, China nunca cresceu abaixo da meta fixada para o ano

Especialistas estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) da China deve crescer entre 7,5% e 8%, ante expansão de dois dígitos que o gigante asiático apresentou nos últimos anos. Apesar da queda no crescimento, o país ainda vai acrescer quase 15% ao PIB mundial.

Ao fazer uma apresentação sobre estagnação econômica chinesa, o coordenador da Área de Análise Econômica do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Bruno Maia Cavalcante, indagou: “Essa desaceleração da China é persistente ou é conjuntural e vai ser revertida nos anos seguintes?”

André Soares disse que, apesar desse movimento de desaceleração, nas últimas três décadas a China nunca cresceu abaixo da meta fixada para o ano. “Se você prestar atenção nessas revisões, se elas se mantiverem em 7,5% nos próximos anos, você verá que nos próximos 10 anos a China vai adicionar no PIB do mundo 14% a mais do que adicionou nos últimos 10 anos”, concluiu o especialista do CEBC.