Iniciativas Sustentáveis: AES Eletropaulo – Aquecimento solar para a periferia

Por Karen Pegorari Silveira

A demanda por energias renováveis cresceu rapidamente em todo o mundo em função das pressões ambientais. No Brasil, a captação de energia solar é uma excelente opção, já que as características geográficas – sol praticamente o ano todo – privilegiam essa alternativa, por isso o sistema de aquecimento solar tem sido uma das opções mais procuradas para residências e empresas em todo o país.

Pensando nisso, a AES Eletropaulo, maior distribuidora de energia elétrica em consumo e faturamento da América Latina, criou um projeto que instala aquecedores solares em bairros de baixa renda, o que ajuda esses consumidores a economizar até 50% de energia elétrica e ainda mudar hábitos em favor do meio ambiente.

Inicialmente as moradias dos conjuntos habitacionais da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) nos bairros Cidade Tiradentes, Guaianazes e Itaquera, região leste da capital paulista, foram as escolhidas e já alcançaram a economia de até 35%.

A concessionária assumiu a instalação de todos os equipamentos e nenhum valor foi repassado aos moradores. Juntamente aos síndicos dos prédios, foi elaborado um cronograma para a instalação dos equipamentos, que se iniciou em janeiro de 2012 e, até agora, mais de 20 mil moradores foram beneficiados. Todos foram orientados pela AES para utilização dos equipamentos de forma correta, ressaltando as dicas de segurança.

Para complementar a ação, os chuveiros convencionais também foram trocados por um equipamento híbrido, que funciona junto ao sistema de aquecimento solar. Em dias de menos calor, o chuveiro é automaticamente transferido ao modo elétrico, com baixa potência, para garantir a água quente. A vantagem desse modelo é um alarme que avisa sobre o tempo no banho, solicitado pelos próprios moradores para que economizem ainda mais energia.

O projeto da AES contou com um investimento total de R$ 25 milhões e tem o objetivo de economizar até 50% do consumo de energia elétrica dessas residências. Segundo o gerente de novos mercados, José Cavaretti, a iniciativa não só contribui com a redução dos gastos desses consumidores, como também proporciona mais discernimento. “Muitos consumidores ganharam uma nova consciência ambiental e passaram a ter atitudes mais responsáveis; para nossa surpresa o alarme no chuveiro com tempo de 8 a 10 minutos de banho foi muito bem aceito”, relata o profissional.

A partir desse ano, a empresa fará uma avaliação completa para medir os resultados do projeto e, de acordo com as necessidades, farão as modificações necessárias para torná-lo mais eficiente e ampliá-lo.

A AES Eletropaulo atua na região metropolitana de São Paulo, distribuindo energia elétrica para 24 municípios paulistas em uma área total de 4.526 km², atendendo 6,7 milhões de unidades consumidoras e aproximadamente 20,1 milhões de clientes.

VEJA OUTRAS INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS 

Segurança contra invasões e burocracia são principais entraves para obras habitacionais

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Invasões de terrenos destinados a obras de habitação, problemas com burocracia e intepretação da lei são os principais desafios para a construção civil no país, sobretudo para os projetos habitacionais, avaliou o diretor presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU), José Milton Dallari Soares. Segundo ele, a demanda para habitação só no estado de São Paulo passa de 1,3 milhão de unidades.

Ele participou da reunião do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na ocasião, os diretores do Deconcic discutiram a criação do Grupo de Trabalho Responsabilidades do Investimento Público.

“Na questão das invasões, eu não vejo hoje nenhuma área na Grande São Paulo que não será invadida. Então nós precisamos, juntamente com o setor privado da construção, achar um caminho onde os senhores possam trabalhar tranquilamente no que diz respeito à segurança. Falta esse item”, sugeriu Soares.

 Soares: soluções pensadas com a indústria da construção. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Soares: soluções pensadas com a indústria da construção. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O novo grupo de trabalho do Deconcic deve se debruçar sobre as necessidades de planejamento, obstáculos aos projetos e às obras de construção como burocracia, licença ambiental, agentes de controle e demais interferências.

“A intenção do grupo é ouvir a cadeia, fazer reuniões com especialistas de cada área para tentar desenhar um horizonte para o setor”, explicou o diretor titular adjunto do departamento Manuel Carlos de Lima Rossitto.

Na avaliação de Soares, que foi convidado para integrar o novo grupo de trabalho, o setor da construção precisa se unir para eliminar as burocracias.

“Temos hoje uma dificuldade de regularização fundiária, você tem, por exemplo, cartórios em todos os municípios de São Paulo praticamente, mas a legislação depende da interpretação de cada oficial maior”, alertou o representante da CDHU. “Às vezes eu tenho uma interpretação da mesma lei em Campinas diferente daquela que foi feita em Piracicaba ou em Ribeirão Preto”, esclareceu.

Dois anos para aprovação

Além das dificuldades da interpretação, os processos burocráticos também causam grandes transtornos não só para os donos das obras, mas também para a população, defendeu Soares. Segundo ele, um projeto que foi compartilhado pela CDHU e pela Cohab demorou ao menos dois anos para ser aprovado.

Rossitto (com o microfone): novo grupo de trabalho sobre Responsabilidades do Investimento Público. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Rossitto (com o microfone): novo grupo de trabalho sobre Responsabilidade com o Investimento. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“É importante detalhar por meio desse grupo de trabalho um pouco mais essa questão porque a demanda é grande. Hoje temos 1,3 milhão de unidades habitacionais faltantes no estado de São Paulo. Temos que encontrar construção industrializada para valer”, reiterou Soares.