Saúde, agilidade e sabor: indústria de alimentos avança com o uso de castanhas e nozes em seus produtos

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A indústria de alimentos nunca usou tantas castanhas e nozes no preparo dos seus produtos. Uma opção que já estimula e tende a estimular ainda mais a produção desses itens no Brasil. Para debater o tema, foi realizado painel sobre o assunto, na  tarde desta segunda-feira (29/08), no V Encontro Brasileiro e I Encontro Latino Americano de Nozes e Castanhas. O evento foi realizado na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), na capital paulista.

No caso da fabricante de pães Wickbold, os chamados nuts entram principalmente em linhas como aquelas 100% integrais, que levam ingredientes como castanha de caju, do Pará e até noz pecan. “Queremos oferecer produtos saborosos, mas que tragam algum benefício para os consumidores”, explicou a gerente de Suprimentos da empresa, Márcia Lopes.

A castanha de caju é, entre os nuts, o item mais usado pela Wickbold. A empresa tem seis unidades fabris no Brasil, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Para acompanhar o fornecimento de matéria-prima, a fabricante tem um projeto com comunidades extrativistas na Amazônia, batizado de Projeto Xingu. A ideia é negociar diretamente com esses fornecedores, que também passam a conhecer o trabalho de fabricação dos pães. “Queremos fazer esse trabalho de base com a cadeia produtiva, ajudar essa cadeia a prosperar”.

Para o moderador do debate, o diretor da Tradal Adrian Franciscono, a experiência da WickBold mostra que até empresas tradicionais conseguem evoluir propondo novos produtos a partir das castanhas. “Com um pouco de imaginação a gente consegue apresentar novidades”, afirmou.

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O debate com representantes da indústria de alimentos: ser criativo com castanhas e nozes. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Ao natural

Também consumidora das castanhas e nozes em seus produtos, a Mãe Terra, de 1979, se denomina a primeira empresa de produtos naturais do Brasil, com uma linha com 120 itens. “Trabalhamos num mercado que cresce 40% ao ano no país”, disse Marcela Scavone, gerente de Suprimentos da Mãe Terra. “Não usamos conservantes, aromas e corantes artificiais, mesmo sendo uma indústria”.

Segundo Marcela, o desafio é produzir alimentos para pronto consumo que sejam 100% naturais, com biscoitos e salgados feitos com alimentos orgânicos. E os mixes de nuts e frutas secas, por exemplo. “Não estamos falando de ser ou não natureba, mas de um negócio mesmo”, afirmou. “Espero muito que esse encontro na Fiesp cresça a cada ano”.

Saudável e rápido

Representante da Mintel, empresa de pesquisa de mercado, Naira Sato apontou tendências para a indústria de alimentos que envolvem os nuts.

Segundo ela, tudo passa pelo conceito de vida conveniente e agilidade, mas sem deixar de valorizar o fator saúde. “Cerca de 38% dos brasileiros dizem que cozinhar toma muito tempo”, explicou. “Por isso é interessante investir nos chamados ‘atalhos da cozinha’, como kits que permitem fazer refeições a partir de itens pré-prontos, deixando a preparação mais rápida”, disse. “No caso das castanhas e nozes,  pode ser usado um mix de salada com nuts, por exemplo”.

Também ganham força os lanches ou snacks para usar uma expressão do inglês. “São opções para comer em trânsito, de consumo fácil e rápido. Melhor ainda se trouxerem sensação de saciedade e forem saudáveis”, disse Naira. “Mais uma vez, a noção de velocidade aliada à saúde”.

Segundo ela, 83% dos consumidores brasileiros acham que vale a pena gastar mais com alimentos saudáveis. “Os fabricantes estão trabalhando para entregar produtos menos artificiais”, explicou. “A indústria precisa apresentar soluções”.

E por falar em soluções, de acordo com o vice-presidente do Ciesp e diretor de Nozes e Castanhas do Departamento de Agronegócio da Fiesp (Deagro), José Eduardo Camargo, a federação estuda fechar parcerias com órgãos internacionais para ações de estímulo à produção dos nuts no Brasil e na América do Sul.