Diretor do MDIC defende carvão vegetal na redução de emissão de gases do efeito estufa

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Alexandre Comin, do MDIC, fala durante painel Planos Setoriais Nacionais.

Modernizar a produção de carvão vegetal para gerar energia eficiente em setores como o de siderurgia e transporte pode ser uma das principais frentes da indústria na redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, afirmou nesta terça-feira (7) o diretor do Departamento de Competitividade Industrial do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alexandre Comin.

“A indústria só não usa mais o carvão plantado porque não tem. Já foi maior a utilização no ano passado. O Brasil é o único país em que o carvão vegetal tem um peso significativo na matriz energética”, disse Comin em painel durante a XIII Semana Fiesp/Ciesp de Meio Ambiente.

O uso do carvão vegetal em usinas siderúrgicas causa menos impacto ao meio ambiente do que o do carvão mineral, o qual possui maior quantidade de enxofre e libera mais gases do efeito estufa. “Podemos pensar nisso para outros processos industriais também”, sugeriu o diretor.

O aumento da oferta deste recurso alternativo, no entanto, implica desmatar mais áreas florestais. Segundo levantamento do Centro Nacional de Referência em Biomassa, da Universidade de São Paulo (USP), somente no ano 2000, foram utilizados 26% da madeira em toras na produção de carvão vegetal. Considerando essa desvantagem, o diretor do MDIC afirmou que “vamos fazer mais reuniões técnicas para discutir essa formação.”

O uso de carvão vegetal continuou sendo altamente cotado durante a apresentação de Comin para combater também as emissões de gases pela indústria do transporte. “O setor de transportes já emite muito mais do que qualquer indústria, e vão aumentar muito mais. A principal resposta nossa é a questão da eficiência energética. Trocar combustível fóssil por gás natural, carvão vegetal plantado”, acrescentou ele ao projetar um aumento de 60¨% das emissões de gases por veículos automotores até 2020.