Iniciativas Sustentáveis: JBS – Controle de riscos para crescer

Por Karen Pegorari Silveira

Uma estimativa do Fórum Econômico Mundial aponta que o custo da corrupção equivale a US$ 2,6 trilhões por ano, o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Esse indicador revela o grande desafio que as organizações enfrentam para combater atividades ilegais.

Porém, com a Lei Anticorrupção aprovada recentemente, as empresas ganharam um reforço para obter ética nos negócios, uma vez que poderão investigar e punir os envolvidos nos casos em andamento. Isso exigirá mudanças na forma como as empresas se relacionam com seus funcionários, colaboradores ou fornecedores.

Outra mudança que chegou com a nova Lei foi a concessão de empréstimos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) às empresas exportadoras, que agora exige que as empresas adotem códigos de conduta, treinamentos e fiscalização de programas para combater a corrupção em todos os seus negócios e atividades.

Esta exigência levou muitas organizações, entre elas a JBS – detentora da marca Friboi, a criar uma diretoria de compliance. O departamento foi concebido com o objetivo de determinar a estrutura de processos para que as áreas possam ter melhor previsibilidade e segurança.

Marcel Fonseca, o novo diretor de compliance, explica que a empresa quer governança sem perder a agilidade e a simplicidade e que vão iniciar o trabalho com a conscientização de riscos, engajamento de liderança, mapeamento de riscos e prioridades dentro das áreas. “Com o crescimento da JBS nos últimos anos, o trabalho da diretoria de Compliance é essencial para que a empresa possa aprimorar e padronizar processos e conscientizar seus funcionários sobre riscos. O nosso desafio é atuar como parceiros das áreas e fortalecer os valores da companhia, baseados na ética e na integridade, além de fazer com que a JBS continue praticando os mais altos níveis de governança corporativa”, explica o executivo.

Para orientar o comportamento dos colaboradores e dos fornecedores dentro do ambiente de negócios, a JBS elaborou um Manual de Conduta Ética que aborda assuntos relacionados a violações, conflitos de interesse, contrato de terceiros, práticas empregatícias, recebimento de presentes, tomadas de decisões, práticas anticorrupção, entre outros temas sensíveis. Durante o ano de 2014 o documento esteve em fase de reformulação pela área jurídica da companhia para se adequar à Lei brasileira e aos atos que a regulamentaram. Uma nova versão do Manual de Ética tem previsão de lançamento para este ano ainda.

De acordo com o porta-voz da empresa, a JBS administra globalmente os fatores de risco que podem trazer impacto negativo a seu desempenho financeiro e, consequentemente, ao valor de suas ações. Esse gerenciamento é realizado pela Diretoria de Controle de Riscos (Risk Management), com o apoio da Comissão de Gestão de Riscos, empregando sistemas específicos e profissionais capacitados para sua mensuração, análise e gestão.

Sobre a JBS

A JBS é uma indústria brasileira de alimentos presente em mais de 20 países e dona de marcas reconhecidas como a Friboi, Seara e Swift. A empresa conta com 215 mil colaboradores em todo o mundo, exporta para mais de 150 países e atende mais de 300 mil clientes globais.

Questionamento do Japão sobre vaca louca no Brasil deve obedecer à lógica comercialmente correta, diz sócio da MB Agro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A postura do Japão após confirmação da presença do agente causador da doença da vaca louca em uma fêmea que morreu em dezembro de 2010 no Paraná é legítima, mas deve estar dentro de uma logica comercialmente correta. A afirmação é do sócio-diretor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros.

Alexandre Mendonça de Barros, sócio-diretor da MB Agro, durante reunião do Cosag/Fiesp

“É natural que surja um questionamento, mas também é muito fácil ser usado comercialmente esse tipo de problema”, alertou Barros, nesta segunda-feira (10/12), ao participar da reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp.

Após receber a notícia da confirmação de proteína contaminada com encefalopatia espongiforme bovina (EEB) – conhecida como mal da vaca louca –, o Japão proibiu no sábado (08/12) as importações de carne bovina brasileira. Segundo Ministério da Saúde japonês, essa é a primeira proibição de importações de carne bovina devido à doença desde dezembro de 2003.

Barros acredita, no entanto, que o incidente não deve afetar as exportações brasileiras. “Do ponto de vista do quadro de oferta mundial, a baixa oferta de carne vermelha dos Estados Unidos tem gerado preços muito altos e isso é uma pressão em todos os países do mundo”, explicou. “Não me parece que têm muitos outros países que possam fornecer carne de qualidade abaixo dos preços norte-americanos. Então, num momento de forte matéria-prima, cedo ou tarde [o mercado] acaba cedendo um pouco mais”, concluiu.

Segundo o especialista, o rebanho de bovinos norte-americano é o menor desde 1950 e, no próximo ano, os EUA devem contar com a menor oferta de bezerros desde 1942. “No caso da carne vermelha, há um desequilíbrio sem precedentes da pecuária norte-americana, sem nenhum exagero midiático”, afirmou. “Na medida em que a arroba nos EUA vai para US$ 80, ela sustenta preços altos no mundo todo.”

O executivo da MB Agro projeta para 2013 um cenário de preço elevado para proteína animal e para a ração, mas acredita que o Brasil deve enfrentar momentos melhores. “Tivemos esse fim de ano uma recessão muito grande da oferta de soja, chegando a preços absurdos, mas alguma acomodação de preços vai vir para o próximo ano, e isso tende a melhorar um pouco as margens do setor”, completou.

Governo mais agressivo

Na avaliação de Barros, o governo foi mais agressivo ao esclarecer para o mundo que a presença do agente causador de EEB foi um problema localizado e não um caso clássico. “A postura do Brasil normalmente é mais passiva”, salientou o sócio-diretor da MB Agro. “É alguma mutação e está longe de ser um fato generalizado”, concluiu.