Crise favorece posicionamento de longo prazo, diz especialista em fusões e aquisições durante reunião do Comtextil

Agência Indusnet Fiesp

A reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário da Fiesp (Comtextil) desta terça-feira (20/10) teve a participação de Carlos Parizotto, sócio fundador da Cypress, empresa que desde 2004 atua em operações de fusões e aquisições, captações no mercado de capitais e operações estruturadas para grandes e médias empresas. Parizotto se disse satisfeito por ter sido convidado a falar sobre uma agenda positiva, enfoque adotado pelo Comtextil.

Há, disse o especialista, oportunidades de negócios durante a atual crise – que tem, em sua opinião, uma diferença importante em relação a crises anteriores, que é a existência de liquidez no mercado. “O dinheiro não sumiu; está por aí, esperando para ser alocado”, disse. E o momento é de investir. “Quem fica parado perde oportunidades”, afirmou, lembrando que há empresas que começaram a se movimentar há 18 meses.

Fontes tradicionais, como os bancos, têm menor oferta de crédito, mas Parizotto lembrou que há outros meios de financiamento. Entre eles, family offices, investidores com capital próprio que conhecem o mercado brasileiro e estão dispostos a entrar em novos negócios.

Parizotto listou seis formas de conseguir recursos para promover o crescimento das empresas. O primeiro é a captação em fundos de private equity, que têm como característica o período relativamente curto em que se dispõem a ficar na empresa. Exigem melhorias na governança corporativa e aumento dos controles financeiros, mas a hora, considera o consultor, é favorável. “Definitivamente, é um bom momento para negociar com fundos de private equity.”

A venda parcial para um sócio estratégico é outra opção. Também a venda total pode ser considerada. Captação de dívida é a quarta modalidade listada por Parizotto. E muitos empresários têm considerável patrimônio imobiliário, que pode ser empregado nas operações industrias. Por último, apesar da recente tendência de baixa, há as aberturas de capital (IPOs).

Parizotto alerta que é preciso fazer a lição de casa antes. Para começar, o empresário deve se perguntar qual é seu interesse em permanecer no negócio. Sabendo isso, pensar no ritmo desejado de crescimento. Daí, decidir se vai fazer isso com capital próprio ou com novos sócios. O primeiro passo para o acionista, diz Parizotto, é saber se consegue compartilhar o controle da empresa.

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Reunião do Comtextil da Fiesp, com a participação de Carlos Parizotto, que falou sobre oportunidades na crise. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Respondendo a uma pergunta de Marcelo Villin Prado, coordenador adjunto do Comtextil, Parizotto disse que para uma empresa se preparar para a captação de recursos, ajuda muito ter conhecimento gerencial. É muito comum, disse, haver numa empresa linhas de produtos ou canais deficitários. Até uma simples planilha, explicou, ajuda no processo. “O básico é ter controle”, disse o consultor. E na hora de conversar com possíveis investidores, é muito importante ser convincente, mostrando que conhece e confia no negócio. Muitos investidores, afirmou, olham mais para o empresário que para o plano de negócios.

Para Elias Miguel Haddad, coordenador do Comtextil, a participação de Parizotto foi positiva. “Apresentou alternativas de crescimento”, disse, que talvez escapassem aos empresários.

Também compuseram a mesa do Comtextil Ramiro Sanchez Palma, Paulo Roberto Linberger dos Anjos e Ronald Moris Masijah. Alon Dayan, membro do Comtextil, deu seu testemunho sobre as vantagens de localizar os sócios certos. E deixou como dica procurar os concorrentes, em busca de sinergia.