Integração física sul-americana é tema do encerramento do 7º Encontro de Logística

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Na cerimônia de encerramento do 7º Encontro de Logística e Transportes, o destaque ficou com a apresentação do programa de integração física da América do Sul, agenda da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Industrias do Estado de São Paulo (Fiesp), disse que é preciso construir e sair do imobilismo. “O primeiro passo para a integração é despirmo-nos de um certo ‘paulistacentrismo’ ou ‘Brasilcentrismo’ e aceitarmos nossos vizinhos.”

A embaixadora Maria Celina de Azevedo Rodrigues mostrou-se bastante preocupada com as políticas individualistas que atrasam a política integração: “Precisamos pensar a legislação brasileira com um olhar para fora.” E provocou: “Falta-nos infraestrutura política e empresarial, pois um não funciona sem o outro”.

Segundo Maria Celina, o governo deve criar marcos regulatórios, mas precisa da colaboração da iniciativa privada. Para ela, as empresas devem exigir que essa integração seja uma política de Estado e não de governo, a fim de firmar o caráter permanente.

A embaixadora disse ainda que, para que as obras de integração saiam do papel, é necessário mais do que financiamento governamental e da iniciativa privada – é necessário planejamento. Para tanto, segundo Maria Celina, é preciso aprender com o modelo da União Europeia para criação de locuções internacionais. “Temos que ter interesses em comum. Não há mais espaço para olharmos apenas para o nosso quintal. Devemos enxergar além das nossas fronteiras.”

Integração é viável

Chefe da Coordenação-Geral de Assuntos Econômicos da América Latina e do Caribe do Ministério das Relações Exteriores, o ministro João Mendes Pereira afirmou que, pela primeira vez, há uma viabilidade real de concretizar o projeto de integração física da América do Sul.

Segundo Mendes Pereira, agora há interesse efetivo da iniciativa privada em colaborar. “Isso não é mais apenas um voluntarismo governamental. É importante lembrar que todos têm a ganhar com a integração, e não apenas o Brasil.”

A apresentação mostrou ainda que o momento para integração da América do Sul é oportuno, pois a economia da região tem estado em constante crescimento. O principal objetivo da Unasul é ter uma unidade política solidificada e criar o conceito de nações-irmãs.

“Melhor que ser um país de 200 milhões de habitantes, é ser uma região de 400 milhões de habitantes”, finalizou o diretor da Fiesp, Carlos Calvacanti.