A arquitetura da educação

Isabela Barros

O capacete de obras em cima da mesa não está ali à toa. Diretor de Obras do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), Carlos Cabana lidera uma equipe de 76 pessoas dedicadas a oferecer, nas duas instituições, uma arquitetura que ajude na oferta de um ensino de qualidade. Desses, 13 são arquitetos como ele.

“O projeto arquitetônico das escolas do Sesi-SP é aliado da boa qualidade do ensino na rede”, afirma Cabanas. “Procuramos ajudar trabalhando na construção de espaços amplos, de circulação agradável, bonitos e confortáveis”, explica.

Por isso a identidade visual das unidades tem características semelhantes, pensadas para que crianças e jovens com idades entre 6 e 17 anos não se cansem de permanecer nesses locais o dia todo, pelo sistema de ensino em tempo integral. “São ambientes leves, cheios de curvas, não criamos eixos pesados, por exemplo”, afirma o diretor de Obras. “Procuramos criar a partir do olhar dos alunos e o grande mérito dos nossos projetos é favorecer o aprendizado”.

Outros cuidados importantes se referem à acessibilidade, ao reúso da água e à disposição das salas de modo a obter a chamada ventilação cruzada, evitando o uso do ar-condicionado. “O conforto térmico é sempre um desafio, principalmente em cidades com temperatura externa cima dos 35 graus”, diz Cabanas. “Não podemos deixar o sol castigar as paredes”.

Escola do Sesi-SP em Franca: espaços abertos e integração. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Para arrematar, um certo jeitão de clube, com piscinas, quadras e muito verde, ajuda a reforçar a vontade de passar o dia na escola. “Os alunos têm que ter prazer em frequentar as nossas unidades”, explica.

Atento a esses detalhes, todas as semanas Cabanas viaja para acompanhar alguma obra ou pós-obra pelo estado. “A boa arquitetura facilita a manutenção, não podemos ter trincas nas paredes ou ver o solo afundar”, afirma.

Integração e visibilidade

Testemunha desse cuidado com as construções, o diretor da Escola Sesi-SP de Jundiaí, Jader Serni, destaca a visibilidade dentro das escolas como um ponto forte da arquitetura das unidades da rede. “Quem passa pelo corredor consegue ver tudo, não temos paredes, mas vidros nas salas”, diz. “A integração é total”.

O uso da luz natural é outra marca. “Assim evitamos aquele aspecto fechado e a escola fica mais alegre”, diz. “Os pais ficam deslumbrados”.

A unidade do Sesi-SP em Jundiaí: uso da luz natural é um destaque. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Diretora do Centro de Atividades (CAT) A.E. Carvalho, na Zona Leste da capital paulista, Silvia Helena Marchi destaca o fato de que os processos de ensino e aprendizagem precisam de um ambiente estruturado para serem bem sucedidos. “Os nossos ambientes são abertos e bem iluminados, os alunos podem circular por todos os espaços”, diz.

A convivência com a natureza, para ela, também ajuda a aumentar o prazer de estudar. “As nossas crianças parecem abelha no mel de tanto que se sentem bem na escola”.