‘A Madrinha Embriagada’ tem maior número de indicações ao Prêmio Bibi Ferreira

Agência Indusnet Fiesp 

Na segunda edição do mais importante prêmio do teatro musical brasileiro, o Bibi Ferreira, o espetáculo “A Madrinha Embriagada” recebeu 10 indicações. É o musical que concorre no maior número de categorias.

Cena de “A Madrinha Embriagada”: peças leves e femininas, que lembram lingerie. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Sara Sarres concorre ao prêmio de melhor atriz pela interpretação de Jane Valadão em “A Madrinha Embriagada. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“A Madrinha Embriagada” foi indicada aos prêmios de melhor musical, melhor atriz (Sara Sarres), melhor ator (Ivan Parente), melhor atriz coadjuvante (Kiara Sasso), melhor direção (Miguel Falabella), melhor coreografia (Kátia Barros), melhor direção musical (Carlos Bauzys), melhor figurino (Fause Haten), melhor desenho de som (Gabriel D’Angelo) e melhor versão (Miguel Falabella).

Produzido pela Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) e pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), “A Madrinha Embriagada” ficou em cartaz por 11 meses, no Teatro do Sesi São Paulo, com a distribuição gratuita de cerca de 150 mil ingressos (saiba mais no infográfico sobre o espetáculo).

As indicações divulgadas são para a escolha do júri. Os indicados a melhor musical – voto popular serão divulgados no dia 15 de agosto. O prêmio será entregue no dia 13 de outubro, em uma cerimônia que terá Chico Buarque como homenageado.

Mais informações no site do Prêmio Bibi Ferreira.

Entrevista: Carlos Bauzys e a missão de formar atores completos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Após uma rigorosa seleção com mais de 800 candidatos, 64 artistas ingressaram, em março de 2014, no Curso de Formação em Teatro Musical do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), o primeiro do gênero no país. No início de março, começaram as aulas, os exercícios, os trabalhos em grupo, os acertos e erros. Ao final da jornada de três anos de estudos e práticas, o ator em musical formado pelo Sesi-SP pode se considerar completo, inclusive com noções de piano, garante o coordenador de música do projeto, o maestro Carlos Bauzys.

Para ele, o aluno pode, inclusive, superar os colegas de profissão que já estão no mercado, mesmo tendo essas pessoas, segundo ele, “excelência no que fazem”. Isso porque a formação planejada e proposta pelos professores e idealizadores do projeto garantem uma infraestrutura pouco vista no Brasil.

Bauzys: excelência na formação dos alunos no curso do Sesi-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Bauzys: excelência na formação dos alunos no curso do Sesi-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Na entrevista a seguir, o maestro fala sobre os maiores desafios a serem vivenciados pelos alunos e sobre como foi a montagem do curso.

Que tipo de técnicas e conceitos o aluno vai aprender nas disciplinas que envolvem teoria musical e percussão corporal? Os estudantes vão ser iniciados em algum instrumento?

Carlos Bauzys– A nossa aula de teoria musical será intimamente ligada com a aula de percussão corporal. Por que? Acho importante o aluno experimentar na prática e no corpo o que ele irá aprender na teoria e vice-versa. Isso fará com que ele “incorpore” muito mais todos os conhecimentos aprendidos. Sendo assim, todos o conteúdo da teoria musical, que inclui ritmo, melodia, leitura de partitura, intervalos musicais, escalas e etc, o aprendiz terá a oportunidade de experimentar na prática, através do seu corpo, já que o corpo humano é um excelente e completo instrumento musical.

Para que tal interdisciplinaridade ser conquistada, temos especialistas conhecedores de ambas as matérias, que em suas aulas específicas estarão sempre fazendo a ponte com a outra disciplina. Fora isso, dentro do conteúdo de teoria, está previsto também o conhecimento básico do instrumento piano. Isso servirá para que ele tenha meios para estudar suas próprias linhas vocais em algum instrumento com notas de alturas definidas.

Na sua opinião, qual aspecto da música deverá ser o mais desafiador para os alunos aprenderem e colocarem em prática?

Carlos Bauzys – A prática de cantar com perfeição em pequenos grupos vocais a cappella eu acredito ser a mais desafiadora. Na aula de canto coral, o alunos irão aprender a cantar em grupos. Irão trabalhar a afinação precisa, a manter sua linha vocal em uma música com vários divises, a timbrar com os colegas, a trabalhar dinâmicas em grupo e etc. Tudo isso será feito primeiramente em grupos grandes – onde você canta dentro de um naipe que faz a mesma coisa que você – depois em grupos menores, até que enfim, em grupos pequenos, onde cada pessoa terá um divise de voz independente que ela terá que segurar sozinha, e com perfeição! Isso será feito com acompanhamento de piano e depois, a cappella (ou seja, sem acompanhamento instrumental nenhum).

Manter a sua própria linha vocal individual em uma música a cappella com várias divises, preocupado ainda com sua afinação precisa, timbre, dinâmica e mais, com uma movimentação cênica! Acredito que esse será realmente um dos principais desafios da parte musical do curso. E, vale dizer, essa é uma situação muito frequente em peças de teatro musical. Para se realizar com perfeição, requer-se um árduo treino e bastante experiência.

Qual será o nível de formação dos alunos? Na sua opinião, eles estarão muito acima da média da categoria no país?

Carlos Bauzys – Acredito que daremos todas as condições para que isso seja uma realidade. Afinal, trata-se do primeiro curso técnico do Brasil para tal fim. É claro que já existem no mercado muitas pessoas com excelência no que fazem. São aquelas que correram atrás da própria formação, em diversas fontes diferentes, e que adquiriram muita experiência ao longo de vários trabalhos dentro do gênero. Mas se os alunos desse curso tiverem a mesma dedicação que essas pessoas aplicaram no passado, acredito que sim, elas poderão ir ainda mais longe, pois terão ao seu dispor uma formação mais completa em todas as áreas e uma infraestrutura incrível que o Sesi-SP está oferecendo.

‘A Madrinha Embriagada’ pode fazer com que mercado de teatro musical no Brasil cresça, diz maestro do espetáculo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Regente, compositor e educador musical, Carlos Bauzys é o responsável por preparar o coro, os solistas e a orquestra do espetáculo “A Madrinha Embriagada”, uma adaptação do musical da Broadway, “The Drowsy Chaperone”, montada por iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).  A novidade: neste espetáculo, os treze músicos que compõem a orquestra vão ficar suspensos. Eles são parte do cenário.

Segundo Bauzys, a ideia de construir um mezanino para a orquestra em pleno cenário vai além da estética e é fruto da intenção de recrutar um novo público para o teatro musical no Brasil.

Bauzys: ideia de construir um mezanino para a orquestra vai além da estética. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Bauzys: ideia de construir um mezanino para a orquestra vai além da estética. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

“A ideia é mostrar que tem uma orquestra tocando, já que as pessoas tendem a achar que é um playback”, diz o maestro. “A música ao vivo faz toda a diferença, deixa o espetáculo mais vivo, mais teatral”, explica.

Geralmente, a orquestra, o pulso de qualquer teatro musical, se abriga em um fosso, uma área construída entre a plateia e o palco, abaixo do nível da plataforma. Quanto mais longe o assento do palco, menor a visibilidade dos músicos e do maestro.

A ideia de deixar a orquestra suspensa sobre os atores em cena cumpriu a missão didática de aproximar o musical de um novo público, mas também resolveu um problema de espaço. “Quando o teatro não tem fosso, a gente tem de dar outro jeito. Ou fica no palco, ou nos cantos da plateia, ou no mezanino. Neste caso, foi feito um mezanino”, conta Bauzys.

Enquanto os atores contracenam e cantam, luzes coloridas refletem a silhueta dos músicos e dos seus instrumentos em dois mezaninos separados. Sem luz, as estruturas são apenas a continuação de um papel de parede azul claro das paredes do cenário, um apartamento no centro de São Paulo nos anos 1920.

Os músicos de "A Madrinha Embriagada": no palco, como parte do cenário. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Os músicos de "A Madrinha Embriagada": no palco, como parte do cenário. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

“É toda uma engenharia para a coisa funcionar ali”, conta o diretor musical do espetáculo. “Para os músicos da esquerda ouvirem os da direita eles precisam estar com fone, os músicos da direita têm uma TV para acompanhar a regência, que fica no mezanino esquerdo do palco”, explica Bauzys.

Responsável por guiar os músicos, a maestrina acompanha cena por cena em outro aparelho de TV. O musical é transmitido por uma câmera instalada atrás da plateia.

Para Bauzys, a exibição da orquestra, a simplicidade didática do espetáculo e a vontade dos artistas em promover o teatro musical em cada cena pode contribuir para mudar a cena artística nacional na área. “Esse espetáculo foi um acerto no sentido de formação de público porque é um musical que fala de musicais. E se dirige a todo o tipo de público, é bem resolvido”, afirma o maestro.

“A Madrinha Embriagada” faz parte do Projeto Teatro Musical, do Sesi-SP, que deve capacitar novos atores com um curso de formação de três anos, descobrindo talentos por meio de oficinas de vivência na área e contribuindo para motivar a formação de um público para o gênero.