Brasil perde R$ 4,5 bilhões por ano com furtos e fraudes de energia elétrica

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Marcos Bragatto, superintendente de regulação dos serviços comerciais da Aneel. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O combate às perdas técnicas foi um dos temas discutidos na manhã desta quarta-feira (21/05) na Semana da Infraestrutura (L.E.T.S) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), evento no Hotel Unique, em São Paulo.

De acordo com o superintendente de regulação dos serviços comerciais da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Marcos Bragatto, o principal foco das perdas no setor está no âmbito comercial, com perdas técnicas e não técnicas. As primeiras se concentram no transporte de tensão e na medição. “Já as não técnicas envolvem erros de medição e furtos e fraudes de energia”, explicou. “Em um país com dimensões continentais, é natural que tenhamos perdas.”

Nesse contexto, 5% da energia injetada na rede de transmissão é para suprir as fraudes no sistema. “Todos os anos, perdemos R$ 4,5 bilhões com esses desvios”, afirmou Bragatto.

Segundo o representante da Aneel, as dificuldades de combate às fraudes estão principalmente no fato de que, “em alguns locais, nem a polícia entra, como as empresas de energia vão entrar?”.

Como forma de tentar solucionar o problema são adotadas medidas como as caixas de medição blindadas, recursos que eventualmente são burlados. “Tudo isso tem impacto nas tarifas”, disse Bragatto. “Enquanto uns furtam, outros pagam por esses hábitos, mas há limites, a Aneel não repassa tudo para os consumidores. São custos que vão para os investidores”.

Blindagem de cabos  

O combate às perdas técnicas foi um dos temas debatidos no terceiro dia do L.E.T.S, na manhã desta quarta-feira (21/05), no Hotel Unique, em São Paulo. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Ainda sobre o impacto nas tarifas, Carlos Barioni, executivo da Daimon Energia, de desenvolvimento de projetos para o setor, reforçou que os valores reais de perdas técnicas não são totalmente repassados às tarifas. “Na média, as perdas não técnicas representam 38% do total”, disse. Segundo Barioni, o percentual pode chegar a 60% em algumas empresas.

As perdas não técnicas são menores no Centro-Oeste, com 16% do total. “Apenas com as perdas não técnicas reconhecidas nas tarifas seria possível suprir toda a carga regular da região Norte do país”, explicou Barioni.

Para combater o problema, o executivo sugeriu ações como a identificação de áreas críticas, o uso de novas tecnologias, como a medição nos postes e a blindagem de cabos, a formação de equipes de combate especializadas e a realização de campanhas educativas nesse sentido, entre outras.

Na Light

Paulo Roberto Pinto, presidente da Light. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O presidente da Light, do Rio de Janeiro, Paulo Roberto Pinto, classificou as perdas coo  “um problema crônico” para a empresa. “O mercado informal da Light chega a 6% ao ano”, disse. “O balanço de perdas da Light é o consumo do Espírito Santo. Daí a magnitude do que são as nossas perdas não técnicas”.

A empresa atende 92 municípios do Rio de Janeiro, o que representa 34% do total, com 4,1 milhão de consumidores. “Em alguns bairros do Rio de Janeiro, há quem venda o projeto de construção das casas já com os gatos”, afirmou. “Precisamos trazer a informalidade para o ambiente da formalidade, um trabalho de complexidade enorme”.

Parte dessa “complexidade”, segundo Pinto, está na presença dos chamados milicianos e do narcotráfico nas comunidades mais pobres, agentes que “vendem” gatos para a população. “Em Rio das Pedras, por exemplo, perdemos 70% da energia que disponibilizamos, justamente pela atuação dos milicianos”.

Entre as ações criadas para tentar aliviar o problema, redes blindadas e sistemas de medição centralizados e eletrônicos. Isso além de uma parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)no Rio de Janeiro para acompanhar a questão em áreas específicas, a partir do trabalho de empresas ligadas ao sistema Simples de recolhimento de impostos. “Trabalhamos com empresas pequenas, de no máximo cinco funcionários, com proposta de remuneração a partir do trabalho desenvolvido.”

De acordo com Pinto, o combate às perdas deve ser encarado segundo a mesma lógica do varejo. “É preciso inovar sempre”, disse.

Participou do debate ainda o gerente regional de vendas da TE Connectivity, Marcos Albuquerque.

L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico.

O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets