4º Workshop Diálogos de Financiamentos Climáticos

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Acesse as apresentações dos palestrantes que participaram do 4º Workshop Diálogos de Financiamentos Climáticos.

O evento organizado pela Rede Brasil do Pacto Global com apoio da Fiesp teve como objetivo facilitar o acesso de empresas e organizações aos recursos financeiros e linhas de créditos voltado às mudanças climáticas.




Apresentações – MUDANÇA DO CLIMA E SEGURANÇA HÍDRICA: REFLEXOS E IMPACTOS PARA A SOCIEDADE


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Confira abaixo as apresentações realizadas durante o seminário “Mudança do Clima e Segurança Hídrica” que ocorreu na Fiesp no dia 21/03/2017.


Lançamento do Estudo FIESP “Mudança do Clima : Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira”

Palestrante: Angelo Costa Gurgel 


Lançamento do Estudo FGV – “Simulação de Sistema de Comércio de Emissões

Palestrante: Mariana Nicoleti – Fundação Getúlio Vargas


Estratégia e Instrumentos Econômicos Aplicados à Política de Mudança do Clima do Brasil

Palestrante: Jailson de Andrade – Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento – SEPED/MCTIC


Painel I – “Adaptação às Mudanças do Clima e a Segurança Hídrica”


Palestrante: Alexandre Gross – Coordenador de projetos do Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da FGV-EAESP

Palestrante: Alexei Macorin Vivan – Diretor Presidente da ABCE

Palestrante: Mário Leopoldo de Pino Neto – Gerente de Sustentabilidade da Braskem


Painel II – “Desafios do Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos”


Palestrante: Barbara Dunin – Assessora da Rede Brasil do Pacto Global – CBPG


CLIQUE AQUI e veja as fotos do evento.

O preço da emissão de carbono em debate em seminário na Fiesp

Isabela Barros e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Que instrumentos econômicos aplicar para mudar a política do clima no Brasil? A questão esteve no centro das discussões de uma mesa redonda do seminário Mudança do clima e segurança hídrica: reflexos e impactos para a sociedade, realizado nesta terça-feira (21/03), na sede da Fiesp, em São Paulo.

A discussão foi moderada pelo brigadeiro Aprígio Eduardo de Moura Azevedo, diretor executivo de Projetos da Fiesp, e pelo pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, Luiz Gylvan Meira Filho.

Jailson de Andrade, da Seped, Secretaria do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, lembrou a recente aprovação da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2016/2022 para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. A premissa é a necessidade de uma revolução no ensino brasileiro.

A ENCTI tem temas estratégicos, incluindo água, alimentos e energia, que são vistos de forma integrada.  A partir do conceito de aumento de produção de alimentos e energia, com redução do consumo de água e insumos, são desenvolvidas ações setoriais.

Em relação ao clima estão em desenvolvimento sistemas como o Sirene, de registro nacional de emissões. Há também o Cemaden, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Nacionais, em São Paulo. Também a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas.

E há as Opções de Mitigação de Emissões de Gases de efeito-estufa em setores-chave do Brasil.

O principal desafio, disse Andrade, é a harmonização das políticas climática, energética, econômica, social e ambiental. “O Brasil precisa crescer, alcançar o desenvolvimento econômico e social sustentável”, disse.

Já Gylvan Meira destacou a importância da precificação para fazer com que o combate à mudança do clima, à redução das emissões, não afete a economia. “É necessário montar os sistemas econômicos para que o eventual ônus seja repartido por todos que se beneficiam dele, em vez de deixa-lo recair somente sobre um setor”, explicou.

Um bem livre

“Quando estudei Economia, lembro de ter lido, num livro, que a água era um ‘bem livre’”, disse a presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Única), Elizabeth Farina. “Esse cenário mudou muito e precisamos ter cuidado para não pensar a questão de forma isolada”.

Segundo Elizabeth, é preciso avaliar com cuidado o custo de implantação de cada um dos instrumentos.

Nessa linha, o diretor do Departamento de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Adriano Santhiago de Oliveira, apontou a busca de financiamentos inovadores para a busca de mudanças no clima. E citou fundos como o da Amazônia e o Nacional do Meio Ambiente.

Mercado ativo

Segundo a presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhaes, o Brasil precisa plantar 12 milhões de hectares de florestas genuínas mais 5 milhões como integração com a lavoura e a agropecuária. “Precisamos ter em mente a geração de recursos se as condições econômicas não forem suficientes para estimular o uso de energias renováveis”.

Para ela, o país precisa investir em energia de biomassa e plantar eucalipto. “Precisamos estimular a demanda por esses produtos, o mercado precisa estar ativo nesse sentido”.

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O debate sobre instrumentos econômicos para implantar uma política de clima no Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


E isso num contexto em que os pequenos produtores sejam remunerados “pelos serviços ambientais que vão prestar à sociedade, como melhorar o solo e absorver carbono”.

Ainda sobre carbono, Aloísio Melo, coordenador geral de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Ministério da Fazenda, lembrou que a “descarbonização é um sinal de desenvolvimento”.  “Temos que fazer uma análise dos impactos”, afirmou. “A regulação embute custos e eles podem ser tão expressivos que anulam seus efeitos”.

Por isso o ministério estaria tentando cuidar dessas questões “de forma aberta e dialogada”.

Secretária executiva do Comitê Brasileiro do Pacto Global, Beatriz Martins Carneiro destacou o preço de US$ 100 pela tonelada de carbono. “A precificação é um caminho sem volta”.

Lição de casa

Demétrio Florentino de Toledo Filho, coordenação de Energia e Desenvolvimento Sustentável do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, disse que a pasta trabalha com questão há mais de duas décadas. “O que podemos controlar é se emissão vai ser mais ou menos ordenada e se os custos serão ou não proibitivos”, explicou.

Segundo ele, o foco deve estar na tecnologia de baixo carbono e na eficiência energética. “Temos uma lição de casa a fazer”, destacou. “Hoje sabemos que a água e a energia têm um preço, a emissão de carbono também tem que ter”.

>> Ouça boletim sobre a precificação do carbono

‘A Amazônia tem soluções para os problemas do mundo’, explica cientista em reunião na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de agir rapidamente para reduzir os riscos futuros. E de pensar no desenvolvimento baseado na sustentabilidade. Com esse foco, foi realizada, na manhã desta sexta-feira (21/10), na sede da Fiesp, na capital paulista, a reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da federação. O debate ficou por conta da “Revolução Bioindustrial para a Amazônia”, com a participação do cientista Carlos Nobre, professor de pós-graduação do Inpe, e de Juan Carlos Castilla-Rubio, empreendedor e engenheiro bioquímico. Participaram do encontro personalidades como o presidente do Conic, Rodrigo Costa da Rocha Loures.

Segundo Nobre, as mudanças climáticas estão se desenvolvendo em ritmo mais acelerado do que esperava a ciência. “Na minha infância, os meses mais quentes do ano eram janeiro e fevereiro. Agora, outubro e novembro já são muito quentes”, disse. “Isso afeta tudo: do cotidiano das pessoas à produção agrícola. Temos que reduzir o risco futuro, as emissões de carbono na atmosfera”.

Nesse sentido, o Brasil teria sido “audacioso” no Acordo de Paris, que é um tratado das Nações Unidas sobre as mudanças do clima, com medidas de redução da emissão de dióxido de carbono a partir de 2020. O acordo foi negociado em Paris, na França, e aprovado em 2015. “Estabelecemos ter, em 2030, emissões equivalentes a 2012, o que significa praticamente não ter emissões novas”, afirmou. “No Brasil, 70% das emissões vêm ainda, de forma direta ou indireta, da agricultura, como as queimadas na Amazônia e no cerrado”.

Tudo isso quer dizer que “o Brasil tem que acordar”. “Estamos perdendo essa corrida para a Índia, por exemplo”, explicou. “Lá, a meta é ter 100 giga watts de energia solar gerados em 2022.  Aqui, o objetivo é chegar a 1 giga watt em 2024”, disse. “E olhe que somos o país com o maior potencial de uso de energia renovável do planeta”.

Diante disso, é preciso ter “foco no desenvolvimento sob a vertente da sustentabilidade”. “Viajando bastante pela Amazônia nos últimos 40 anos, percebi que há muita pobreza na região: o desenvolvimento não trouxe ganhos sócio-econômicos”.

Entre as mudanças nesse cenário estão o trabalho feito com a castanha do Pará, que antes “mantinha os extrativistas em regime praticamente de escravidão” e hoje já tem iniciativas empreendedoras que fazem a diferença. “Outro exemplo bom é o do açaí, fruta tradicional da Amazônia que era consumida em pequena escala e que nos últimos 15 anos virou um produto de consumo mundial”, afirmou. “Recentemente, vi quatro produtos derivados do açaí numa mesma prateleira numa farmácia em Washington, nos Estados Unidos”, disse. “Não foi a indústria brasileira que fez essa transformação, mas originalmente uma empresa da Califórnia. De qualquer modo, isso beneficia o Brasil. O açaí é uma indústria que deixa US$ 1,8 bilhão por ano na Amazônia”.

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Nobre, ao microfone: "Temos que reduzir o risco futuro, as emissões de carbono". Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Por essas e outras, conforme Nobre, é preciso pensar num plano de “inovação de ruptura, que envolva novos modelos”. “Temos que pensar num modelo de desenvolvimento de ruptura na Amazônia, centrado em inovação tecnológica”.

Saída pelo empreendedorismo

Assim, a revolução que fará a diferença, para Castilla-Rubio, envolve uma grande mudança “empreendedora”. “A Amazônia tem recursos biológicos de grande valor para o mundo”, disse. “Precisamos descobrir como usa-los da melhor forma, com ganhos para todos e de modo que a floresta continue em pé. É uma revolução que não pode esperar mais para começar”.

Que não pode mais esperar e que tem como desafio barrar o “processo de ‘savanização’ da Amazônia”. “Temos uma previsão de aquecimento na área de quatro graus, com um grau já registrado, além de danos à Bacia Amazônica”.

De acordo com Castilla-Rubio, o Brasil fez seu dever de casa nos últimos anos, reduzindo em 80% a deflorestação da Amazônia em seu lado. “Temos que pensar numa terceira via de desenvolvimento econômico que seja inclusiva e que mantenha a Amazônia viva”, explicou. “Um modelo que possa criar uma nova economia”.

Por nova economia, entenda-se aproveitar oportunidades como o desenvolvimento de algoritmos para a criação de veículos autônomos inspirados no sistema de comunicação entre as formigas a partir dos feromônios. “É como se fosse uma rede sem fio”, disse Castilla-Rubio. “A Amazônia tem soluções para os problemas do mundo”.


 



 


Acordo de Paris: nova revolução industrial passa pela menor emissão de carbono

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O debate sobre o Acordo de Paris, que prevê ações para a redução das emissões de carbono, encerrou a 18ª Semana do Meio Ambiente, realizada desde a terça-feira (07/06), na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), em São Paulo. Participaram do workshop a presidente da Indústria Brasileira de Árvores (IBA), Elizabeth de Carvalhaes, o ambientalista Fábio Feldman, o engenheiro e professor da USP Luis Gylvan Meira Filho e o diplomata Everton Lucero.

O Acordo de Paris foi estabelecido na 21ª Conferência das Partes (COP21), em Paris, em 2015, com o objetivo de dar uma resposta global às mudanças no clima, principalmente no que se refere ao aumento da temperatura. A iniciativa foi aprovada por 195 países e visa reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa.

“Temos aqui na Fiesp um comitê interno de mudanças do clima”, explicou Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente da federação e diretor titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da federação. “O Acordo de Paris estabelece que os países signatários possuem a mesma responsabilidade sobre a emissão de carbono”, disse. “Uma responsabilidade vinculada às capacidades nacionais nesse momento de tomada de decisões”.

Moderador do debate, o diretor executivo de Projetos da Fiesp e tenente brigadeiro do Ar Aprígio de Moura Azevedo, destacou que o tema “entrou de forma definitiva na agenda”. “O mundo passou a dar atenção à mudança do clima”.

Segundo Meira Filho, as implicações da assinatura do Acordo de Paris é que são importantes. “Vamos precisar de mudanças mais profundas do que aquelas a que estamos acostumados”, afirmou. “Temos que reduzir em mais de 70% as emissões de dióxido de carbono, é necessário que a indústria se prepare”.

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O workshop sobre o Acordo de Paris que encerrou a 18ª Semana do Meio Ambiente da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para Feldman, a mudança na discussão representada pelo Acordo de Paris traz o desafio de colocar na agenda de cada país uma nova governança de clima. “Nem sempre esse foi um tema prioritário no Brasil”, disse. “Precisamos pensar em como isso vai repercutir aqui, em como estabelecer políticas públicas nesse sentido”.

O envolvimento nesse sentido, para viabilizar uma “nova revolução industrial”, deve incluir o “presidente da república” e esferas como o “Itamaraty e ministérios variados, como o de Ciência e Tecnologia”, entre outros. “Que modelo de governança nós vamos ter para cumprir as nossas metas, para viabilizar essa nova revolução industrial feita com baixa emissão de carbono?”, questionou.

Uma única árvore

A implementação imediata do Código Florestal no Brasil também foi citada no workshop. “Isso é fundamental para o cumprimento das metas no Acordo de Paris”, disse Elizabeth. “O Código trata da agricultura, da energia”, afirmou. “É o maior benefício para essa nação dentro do que foi estabelecido pela Conferência do Clima, o Código seria um reforço importante para a recuperação de áreas”.

Conforme Elizabeth, a indústria precisa de políticas de longo prazo para se preparar para esse cenário novo, de novos mercados. “Precisamos migrar todos para esse conceito de indústria sustentável, que só vai se desenvolver se houver demanda”, explicou. “O consumidor tem que querer consumir dessa forma, dizer que não paga por aquilo que pode atrapalhar o meio ambiente”.

Entre as formas de chegar lá, ela citou opções como o investimento em nanotecnologia, que é aquela que trabalha em escala manométrica, produzindo dispositivos com as dimensões de átomos ou moléculas, entre outras opções. “Acredita-se que uma árvore pode oferecer ao homem mais de 5 mil usos pelo simples fato de existir”, disse. “Esse é um desafio maior do que reduzir em dois graus celsius a temperatura no planeta”.

Nessa linha de preparação, Lucero destacou que o momento é de “facilitação” para a implementação das medidas que vão garantir o cumprimento do Acordo de Paris, em 2020. “Muitos aspectos do acordo ainda precisam ser regulamentados”.

Entre os destaques do Acordo, Lucero citou o artigo 6º, que prevê “mecanismos de mercado, de desenvolvimento sustentável”. “Isso envolve definir regras, modalidades de crescimento dos países”, afirmou.

Para isso, “regras de transparência são relevantes para a implantação de mecanismos de mercado”. “Precisamos de uma conjunção de esforços, ouvir representantes dos governos e da sociedade civil”.