Três criações do Senai-SP são selecionadas para a Bienal Brasileira de Design 2015

Isabela Barros

As criações dos designers do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) têm tudo para fazer sucesso na próxima edição da Bienal Brasileira de Design 2015, a ser realizada entre os dias 15 de maio e 12 de julho em Florianópolis, Santa Catarina. Para o evento, foram selecionados três produtos desenvolvidos na instituição a partir das demandas de empresas: um tabuleiro de jogos em libras e braile, um dispositivo para a coleta de tecidos moles do corpo para biopsia e um pedal para acionamento mecânico de válvula de descarga sanitária.

Colorido e formado por uma maleta e duas réguas de conteúdo, sendo uma em braile e a outra com as letras do alfabeto apresentadas em libras, braile, alfabeto português e o chamado sign writing (sistema de escrita das línguas gestuais), o brinquedo pode ser usado por pessoas com ou sem deficiência. “Não portadores de deficiência podem interagir com quem não consegue ver ou ouvir, por exemplo, jogar junto”, explica a designer de produto do Senai-SP Fernanda Moreira, responsável pela criação do tabuleiro com o técnico em plásticos Herbert Soares da Silva.

O tabuleiro de jogos acessível a portadores de deficiência: para brincar junto. Foto: Divulgação

 

Segundo Fernanda, a maleta que armazena nos jogos foi pensada para ser transportada do modo mais simples possível. “A bolsa é fechada de modo funcional: a régua de conteúdo que apoia as peças internamente ainda serve de alça”, diz.

E isso não é tudo. “O mais importante é a chance de as pessoas aprenderem brincando”, afirma.

Como um gatilho

Batizado de Carbogun, o dispositivo para a coleta de tecidos moles para biopsia desenvolvido no Senai-SP permite que os médicos ou profissionais de saúde retirem o que precisam do corpo dos pacientes usando apenas uma das mãos e não as duas, como nos equipamentos tradicionais do tipo. “Os dispositivos atuais são de acionamento 100% mecânico, exigem força e o apoio das duas mãos”, explica o designer Guilherme Rodrigues de Carvalho, responsável pela criação do objeto.

Assim, com estrutura similar a de um gatilho de arma, o produto reduz em 60% a força empregada para a sua operação. “A precisão também é maior”, diz Carvalho.

O Carbogun: mais precisão e menos força para o uso por médicos e profissionais da saúde. Foto: Divulgação

 

Outro diferencial, de acordo com o designer, é a possibilidade de encaixe de agulhas variadas. “Atualmente, cada dispositivo aceita apenas um tipo de agulha”, afirma.

Entre as biopsias que podem ser feitas com o Carbogun estão procedimentos de análise de nódulos nos seios, rins, intestinos e quaisquer outras avaliações de tecidos internos.

Usando apenas o pé

Na mesma linha de praticidade obtida a partir do design, o terceiro objeto selecionado para a Bienal em Florianópolis foi o pedal para acionamento mecânico de válvula de descarga sanitária.

Daquelas ideias que parecem óbvias depois de serem inventadas, o pedal permite que seja dada a descarga sem o uso das mãos, apenas com o pé, melhorando a higiene no banheiro. “Criamos uma peça simples, com linhas dinâmicas”, explica o designer responsável pelo produto, Aloisio Paccola.

Outro cuidado foi o uso de poucos componentes. “Juntamos várias partes numa só, simplificando o funcionamento”, diz Paccola.

O pedal para dar a descarga sanitária: mais higiene nos banheiros. Foto: Divulgação

 

Os três objetos criados pelos designers do Senai-SP foram feitos sob encomenda de empresas com o intuito de lançar esses itens no mercado.

Por hora, o jogo, o carbogun e o pedal poderão ser vistos, entre 15 de maio e 12 de julho, da Bienal Brasileira de Design 2015, em Florianópolis. O evento será realizado no Museu de Arte de Santa Catarina e no Centro Integrado de Cultura.