‘Queria fazer algo ligado à educação e que realmente ajudasse a mudar o mundo’, diz o criador do site Duolingo em reunião na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Convidado da reunião ordinária do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na noite desta terça-feira (27/08), o empreendedor Luis von Ahn deixou como principal lição de sua trajetória profissional a noção de que é possível ir longe a partir do trabalho baseado na capacidade de aprendizado e superação. Foi assim com o site Duolingo, de ensino gratuito de idiomas, criado por ele há três anos. O encontro foi coordenado por Pierre Tamer Ziade Jr, diretor titular-adjunto do CJE.

Aos 34 anos, Luis já reuniu mais de 6 milhões de usuários no Duolingo em todo o mundo. Detalhe: foi ele também o inventor do chamado “captcha”, de reconhecimento de palavras antes da publicação na internet, ferramenta anti-spam que impede que computadores façam volume de acessos na internet a partir da digitação de palavras.

“Sou professor e queria fazer algo ligado à educação e que realmente ajudasse a mudar o mundo”, explicou Luis. “Nasci na Guatemala, um país muito pobre, e isso me deixou ainda mais consciente em relação ao assunto”.

Luis Von Ahn na reunião do CJE: foco na educação e no aproveitamento das atividades de ensino e tradução na internet. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Luis Von Ahn na reunião do CJE: foco na educação e no aproveitamento do ensino. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Dessa forma, além da vontade de trabalhar com educação, o Duolingo nasceu da concepção de que seria possível gerar valor a partir da atividade humana. Assim, o site oferece ensino gratuito ao mesmo tempo em que os estudantes de idiomas fazem traduções de conteúdos na internet. “Como se numa academia de ginástica as pessoas pudessem gerar energia enquanto se exercitam”, disse.

Segundo Luis, o objetivo sempre foi oferecer “o melhor curso de línguas possível na internet e sem custo”. “O aprendizado de idiomas é uma demanda da internet e o serviço de tradução também”, explicou. “O que nós fizemos foi unir as duas coisas: enquanto as pessoas aprendem, traduzem o que ainda não foi traduzido na rede”.

O empreendedor afirmou também que as traduções são adequadas ao nível de aprendizado de cada um, das frases mais básicas, para quem está começando, às mais elaboradas. “Não se faz tradução o tempo todo no Duolingo, é preciso falar também”, disse.

Para ele, o sistema reproduz métodos de outras épocas e até hoje válidos de aprendizado, como a relação aprendiz-mestre que se tinha nas padarias e açougues de antigamente. “Se alguém queria aprender um ofício, ia até esses locais conversar com quem faz”, afirmou.

Aquilo que o computador não faz

Sobre o “captcha”, sua outra invenção não menos conhecida, Luis disse “ser muito orgulhoso” desse trabalho. “Mesmo que muita gente não goste de digitar as palavras”, brincou. “O sistema estabelece algo que só o cérebro humano pode resolver, que o computador não faz”, disse. “É um projeto bem sucedido”.