Roriz: Brasil vem tendo avanços no apoio às startups, mas é importante minimizar riscos

Agência Indusnet Fiesp

Impossibilitado de participar do seminário “Estratégias para a Inovação e Empreendedorismo”, realizado nesta terça-feira (07/10), o diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz Coelho, enviou uma mensagem para a ocasião. O texto foi lido pelo diretor secretário da entidade, Mario Frugiuele.

Na mensagem, Roriz destaca que para Fiesp é gratificante realizar essa discussão sobre as startups. “Pois elas simbolizam o que existe de mais moderno na economia mundial.”

Roriz Coelho fez a abertura do evento na Fiesp nesta quinta-feira (05/12). Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Roriz Coelho: projeto de lei do Senado, que prevê isenção por quatro anos dos impostos federais das startups, pode ser um divisor de águas. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O discurso foi centrado na falta de capital para a inovação. “No Brasil, o acesso ao mercado de capitais ainda é muito restrito para a maioria das empresas”, observou, citando cálculos do Centro de Estudos do Mercado de Capitais do IBMEC [Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais], em que 43% dos investimentos privados no Brasil são financiados com recursos próprios dos empresários – poupanças e lucros retidos.

“Nos Estados Unidos, impossível não citá-lo quando o assunto é capital de risco, os investimentos de Private Equity e Venture Capital se tornaram um dos principais responsáveis por alavancar negócios que atualmente representam as empresas de maior valor no mercado mundial. Google, Apple, Microsoft, eBay, e Amazon são exemplos desses investimentos.”

De acordo com Roriz, não por acaso, 48% das novas empresas fecham suas portas em três anos por falta de recursos de natureza financeira e gerencial, segundo dados de pesquisa divulgada em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ele ressalta que números mostram que existe uma grande oportunidade para que os investimentos na modalidade de capital de risco desenvolvam seu potencial de geração de emprego e renda na economia brasileira.

“Estudo realizado pela Associação Nacional de Venture Capital dos Estados Unidos (2009) observou que no período de 1970 a 2008, em média, para cada US$ 1 investido em Venture Capital, US$ 6,3 em receita foram gerados nas empresas investidas. Nossa expectativa é de que resultados semelhantes passem a acontecer no Brasil.”

Em seguida, a mensagem de Roriz menciona os programas de apoio pelo governo federal às empresas inovadoras como o Startup Brasil, sob a gestão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em que a meta é investir R$ 40 milhões para acelerar 150 startups de software e serviços de Tecnologia da Informação até o fim de 2014.

A mensagem assinala ainda que a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também têm contribuído para o fortalecimento das pequenas empresas inovadoras. “Até novembro de 2012, a incubadora de Fundos Inovar da Finep realizou 13 chamadas públicas, aprovou investimentos em 27 fundos e consolidou uma carteira composta por 100 companhias. Por sua vez, o BNDES está operando os fundos de capital semente Criatec II, que tem disponível R$ 186 milhões, quase o dobro da primeira versão, e o Criatec III, que terá no mínimo R$ 200 milhões.”

Segundo Roriz, o Projeto de Lei do Senado número 321 de 2012, do senador José Agripino, pode ser um divisor de águas. “Prevê isenção por quatro anos dos impostos federais das startups, período de maior fragilidade dessas empresas, e também considera um incentivo adicional de mais um ano de desconto de 50% em todos os impostos componentes do Simples.”

Na opinião do diretor da Fiesp, é notório que estão acontecendo avanços no apoio às startups. “Mas é importante não esquecer o problema das garantias. Se a empresa tem um nível de risco maior, vai precisar ter garantias que minimizem este risco, o que na maioria das vezes não acontece”, pondera Roriz.

Uma solução, sugere ele, é estudar a possibilidade de ampliar o uso dos fundos garantidores do BNDES, do Banco do Brasil e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

“O Brasil tem feito a sua parte ao fortalecer o financiamento a essas empresas, semelhante ao que vem sendo feito em outros países, e, com isso, esperamos que resultados promissores sejam alcançados no longo prazo, como por exemplo maior nível de agregação de valor a nossa economia”, conclui o diretor titular do Decomtec/Fiesp.