Participação da iniciativa privada na Copa é de R$ 3,8 bi do total de R$ 25,5 bilhões

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544835161

Bernasconi: investimento maior nos projetos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O que deu para fazer em termos de obras para a Copa do Mundo está feito e, agora, são arranjos finais, o que significa finalizações apressadas, custos superiores ao estimado e qualidade inferior, treinamento insuficiente de pessoal e legado inferior ao esperado. Essa foi a avaliação do engenheiro José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco), sobre os preparativos do evento.

Ele participou na manhã desta terça-feira (25/02) da primeira reunião do ano do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo ele, do custo total da Copa, de  R$ 25,5 bilhões, apenas R$ 3,8 bilhões correspondem à iniciativa privada.

“Todos devem se lembrar que se falava que a Copa do Mundo seria feita só com iniciativa privada e pouco investimento público”, afirmou Bernasconi. “Na verdade, a iniciativa privada entra com R$ 3,8 bilhões e o restante é público, é do Governo Federal e dos governos locais”, completou.

Na análise de Bernasconi, o país precisa aderir à cultura de entrega de um projeto de engenharia completo antes mesmo da licitação para determinada obra. “Ou o Brasil aprende a licitar as obras com o projeto completo de engenharia ou não adianta se queixar. Isso porque o projeto representa o genoma do produto. Ou investem tempo nos projetos ou não se queixem dos resultados”, alertou durante reunião do Cosema.

Capacitação Superior e Planejamento

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544835161

Philippi: capacitação e cultura de planejamento. Foto:Fiesp/Helcio Nagamine.

A reunião do Cosema foi conduzida por Walter Lazzarini, presidente do conselho, e também contou com a participação de Arlindo Philippi Junior, professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e membro do conselho superior da Coordenação de Aperfeiçoamento e Pessoal de Nível Superior (Capes).

“Temos no Brasil condições efetivas de poder melhorar sensivelmente a capacitação de recursos humanos ao mesmo tempo em que há possibilidades, a partir dessa capacitação, de ampliar o quadro de pesquisas. Essas pesquisas precisam chegar aos setores empresariais”, afirmou Phillipi.

O professor também explicou que a capacitação de pessoas com nível superior pode refletir diretamente em questões ainda delicadas no Brasil, como a cultura do planejamento.

“Algumas das questões que trago a vocês têm reflexos reais em futuros planejamentos no país, uma vez que nós normalmente não somos muito dados ao planejamento”, afirmou.