‘Que Monstro Te Mordeu?’ vai ajudar as crianças, diz protagonista da série

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Quem a vê na pele de Lali, a personagem principal de “Que Monstro Te Mordeu?”, pode pensar que ela se trata de uma menina de uns 13 ou 14 anos. Mas ela já passou da casa dos 20 anos. Nascida em 1992, a atriz Daphne Bozaski desfruta da visibilidade de quem aparece diariamente na série infantil lançada em novembro pela TV Cultura, com direção geral de Cao Hamburguer – a realização tem apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

Daphne Bozaski no evento de lançamento da série, no Teatro do Sesi-SP. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Em “Que Monstro Te Mordeu?”, logo no primeiro dos 50 episódios gravados, a personagem dessa paulista criada no Paraná sai de um desenho num papel e se materializa em um ser meio humano, meio monstro, que faz amizade com um sofá rosa (chamado Luísa), uma bola de chiclete (Dedé), uma lata de lixo (Gorgo) e um cientista maluco que tem cabeça de olho e boca de livro (Dr. Z).

Lali, segundo a atriz, representa a essência de sua infância. “Ela é um pouquinho do que todo mundo passa, dessa curiosidade, de descobrir as coisas, os mistérios. Qualquer pessoa se identifica com ela. Como ela é mordida por vários monstros, ela transita muito. Ela é muito bonitinha. Eu vejo na TV e às vezes digo: ‘não acredito que fiz isso’.”

Daphne: “Que Monstro Te Mordeu?” não subestima as crianças. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ela diz identificar-se com as brincadeiras e o jeito de brincar da personagem. “A Lali tem muito da Daphne. Essa leveza de ficar criando sozinha, de se deixar levar por todos os sentimentos. Esse lado da brincadeira, de ser curiosa, tem muito da Daphne”, revela a moça, que começou a fazer teatro em Curitiba em 2004 e voltou para a capital paulista aos 17 para tentar a carreira.

Para ela, um dos diferenciais de “Que Monstro…” é a abordagem de sentimentos e de emoções com as quais os pequenos lidam na vida, sem subestimar a inteligência deles. “O Cao queria que fosse uma coisa educativa, mas não fosse tão fofinha. Os monstros arrotam”, exemplifica.

“É legal não se travar para as nossas emoções”, prossegue Daphne. “A série vai ajudar as crianças. A Lali tem essa função de fazer essa associação, de a criança se ver naquele mundo. A gente está num mundo totalmente tecnológico, em que é tudo para fora. Vamos fazer algo para dentro.”

Dois dias antes de conversar com a reportagem, Daphne aparecera na primeira página da edição dominical do jornal Folha de S. Paulo. Ela diz que ainda não é tão reconhecida nas ruas, mas fica feliz com o reconhecimento que começa a chegar. “As pessoas estão gostando muito, recebo mensagens no Facebook e meus priminhos ligam e dizem que estão gostando.”

Daphne: "A gente está num mundo totalmente tecnológico, em que é tudo para fora. Vamos fazer algo para dentro.” Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ela diz ter noção da responsabilidade de ser protagonista de uma série feita pelos mesmos produtores do sucesso “Castelo Rá-Tim-Bum” (1994), que também envolveu TV Cultura, Sesi-SP e o diretor Cao Hamburguer.

“Eu assistia quando era criança, adorava”, admite.  “É muito maior do que se pensa quando está gravando.”

A série, diz Daphne, chega em boa hora, particularmente em um momento de poucas produções brasileiras para o público infantil. “Estava precisando de uma coisa de qualidade. As crianças estão ficando adultas muito cedo. Eu brinquei até os 14 anos e hoje, com 12, as crianças estão mocinhas”, analisa a atriz, que também pode ser vista em outro programa dedicado a esse público, o “Experimentos extraordinários”, no Cartoon Network.

Para Daphne, é significativo estar envolvida em um projeto da TV Cultura novamente apoiado do Sesi-SP – a instituição investiu R$ 14 milhões na produção e fez ainda a consultoria pedagógica. “O Sesi-SP é super reconhecido”, exclama. “Traz de todas as faixas e todas as classes. Fazer a segunda série [da TV Cultura para esse público] que tem apoio do Sesi-SP ajuda a atingir o objetivo.”

A série

“Que Monstro Te Mordeu?” vai ao ar de segunda a sexta, às 11h30 e 19h30 na TV Cultura, e às 13h30 e 20h30 na TV Rá Tim Bum!. Foram realizados 50 episódios para a televisão, com 30 minutos cada, e 50 episódios mais curtos para a internet, com duração de um a três minutos.

‘Xingu’ e ‘Eu receberia…’ são os grandes vencedores do Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema

Ariett Gouveia, Isabela Barros e Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Em uma noite de festa para o cinema brasileiro, foram divulgados nesta terça-feira (11/06), no Centro Cultural Fiesp, os nomes dos melhores filmes nas 13 categorias do IX Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema.

Cao Hamburger: prêmios de melhor diretor e melhor filme por 'Xingu'. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Os grandes vencedores foram os filmes “Xingu”, que recebeu prêmios em três categorias: longa-metragem de ficção, direção (Cao Hamburger) e trilha sonora, e “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, também com tripla premiação: atriz (Camila Pitanga), ator coadjuvante (Zé Carlos Machado) e fotografia (Lula Araújo).

Concorreram ao prêmio 126 produções nacionais – 83 longas e 43 curtas. A cerimônia de premiação, conduzida pelo apresentador, escritor e jornalista Cadão Volpato, foi marcada ainda pela gratidão e pelos elogios à iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

Em Paris, onde acompanha a defesa da candidatura de São Paulo como cidade sede da Expo 2020, o presidente da Fiesp e do Sesi-SP, Paulo Skaf, gravou um vídeo explicando por que as instituições ampliaram o alcance do evento – até a oitava edição,  restrito a produções estaduais. “O cinema nacional é do tamanho do Brasil”, afirmou. “Queremos facilitar o acesso do público aos filmes e ajudar a formar plateias”, disse. “Os meus parabéns aos premiados.”

O evento contou com a presença de personalidades do cinema e da televisão como os atores Caco Ciocler, Murilo Rosa, Felipe Camargo, Irandhir Santos e Silvia Buarque, além dos diretores Cao Hamburger e Beto Brant.

Muito emocionada por ter levado o prêmio de melhor atriz coadjuvante por seu trabalho em “Gonzaga, de pai para filho”, Silvia Buarque dedicou a conquista ao diretor do filme, Breno Silveira, ao marido, o ator Chico Diaz, e à mãe, a atriz Marieta Severo. “Estou super nervosa e super grata. Essa é a primeira que vez que eu ganho um prêmio”, afirmou.

Irandhir Santos: melhor ator por seu papel em 'Febre do Rato'. Foto: Julia Moraes

Irandhir Santos: melhor ator por seu papel em 'Febre do Rato'. Foto: Julia Moraes

Melhor ator por seu papel em “Febre do rato”, Irandhir Santos destacou Cláudio Assis e Hilton Lacerda, respectivamente diretor e roteirista do filme, em seu discurso de agradecimento. “Estou feliz da vida. Foi incrível fazer esse filme com o Cláudio”, disse.

O ganhador na categoria melhor diretor, Cao Hamburger comemorou ainda a escolha de “Xingu” como melhor filme. “Muito significativo e importante para o cinema brasileiro o prêmio ser dado pela Fiesp e pelo Sesi-SP nesta casa, porque, quem sabe, um dia a gente vire uma indústria de verdade. O reconhecimento da Fiesp e do Sesi-SP é muito importante. Ganhar o prêmio é o de menos. O importante é fazer parte dessa comunidade. Tenho só agradecimentos à cabeça aberta da Fiesp”, disse em meio a cumprimentos do também cineasta André Sturm, presidente em exercício do Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo (Siaesp).

“Esses três irmãos, os Villas-Bôas, são personagens muito complexos, profundos e interessantes. E a vida deles, como diria o Darcy Ribeiro, foram vidas que a natureza vai demorar mais de um século, um milênio, para criar outras. Assim que eu tive o contato com vida deles, em me apaixonei e tive que fazer [o filme], mesmo com todas as dificuldades”, explicou Hamburger. “Foi um mergulho coletivo na vida dos irmãos Villas Boas e nesse universo dos índios brasileiros que é muito apaixonante”.

Além dos prêmios, a cerimônia teve uma homenagem ao sociólogo e fundador do Espaço Itaú de Cinema, Cinearte e Cinespaço, Adhemar Oliveira, um dos principais responsáveis por diversificar a exibição de filmes no eixo São Paulo-Rio de Janeiro. “Estou nessa estrada há 30 anos. Essa é a minha primeira homenagem”, disse Oliveira. “Dedico esse reconhecimento aos cineastas e artistas, aos trabalhadores do cinema e à minha mulher, Patrícia, que se arriscou comigo nesse caminho”, completou.

A programação contou ainda com show da banda Del Rey, destaque na cena cultural por seu repertório em homenagem a Erasmo e Roberto Carlos. Entre as canções tocadas para a plateia do Prêmio, clássicos como “Detalhes” e “Eu te darei o céu”, entre outros.

O IX Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema é uma iniciativa da Fiesp, do Sesi-SP e Siaesp.

O objetivo é incentivar a produção cinematográfica nacional, divulgar o cinema brasileiro, facilitar o acesso público às produções de filmes nacionais e formar novas plateias. O projeto tem curadoria de André Sturm.

Conheça a lista de profissionais e filmes premiados:

Filme longa-metragem ficção: ‘Xingu’

Filme longa-metragem documentário: ‘Tropicália’

Diretor: Cao Hamburger (‘Xingu’)

Ator: Irandhir Santos (‘Febre do rato’)

Atriz: Camila Pitanga (‘Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios’)

Roteiro: Afonso Poyart (‘Dois Coelhos’)

Ator Coadjuvante: Zé Carlos Machado ‘(Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios’)

Atriz Coadjuvante: Silvia Buarque (‘Gonzaga, de pai para filho’)

Direção de Arte: Daniel Flaksman (‘Corações sujos’)

Fotografia: Lula Araújo (‘Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios’)

Trilha Sonora: Beto Villares (‘Xingu’)

Montagem: Helgi Thor e David Davidson (‘Área Q’)

Curta-metragem: ‘A Noite dos Palhaços Mudos’