Sesi-SP entrega oficialmente nove cães-guia para pessoas com deficiência visual

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Os cães-guia Friend Forever, Ozzy, Ivvy, Ion, Frontier, Eliot, Ilka, Hillary e Emma foram oficialmente entregues para seus donos em evento nesta quarta-feira (16/04), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A ação marcou a primeira entrega do Projeto Cão Guia do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), projeto que conta com parceria do Instituto Íris.

Os cães que passam a guiar seus novos donos. Objetivo é dar qualidade de vida para as pessoas com deficiência visual, de acordo com presidente da Fiesp e do Sesi-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Sesi-SP, Paulo Skaf, o Projeto Cão Guia Sesi-SP existe para que mais agentes da sociedade sigam o caminho da inclusão social do deficiente visual.

“Nosso objetivo é dar qualidade de vida para as pessoas com deficiência visual. Nosso objetivo foi cumprido”, disse o presidente ao lado dos cães e de seus novos donos.

O investimento total no programa pioneiro do Sesi-SP foi de dois milhões de reais, segundo Skaf. “É uma entrega importante e significativa, que representa 10% da oferta atual de cães”, analisou o presidente.

Projeto vencedor

Para o diretor de Esportes e Qualidade de Vida do Sesi-SP, Alexandre Pflug, o projeto, iniciado há dois anos e meio, nasceu vencedor. “É um projeto que muda a vida de todas as pessoas envolvidas. Outro objetivo do nosso projeto é o de conscientizar a sociedade para a importância desses animais”, afirmou.

Até poderem auxiliar os deficientes físicos nas tarefas diárias, os cães passam por três fases. A primeira, que dura em torno de oito meses, é a fase de socialização com as famílias acolhedoras. Depois disso, a fase de treinamento, com duração de quatro meses. A última etapa, a de instrução, dura um mês e, depois disso, o cachorro é entregue para o convívio com seus novos donos.

Dóceis e de fácil aprendizado, cães das raças Labrador e Golden Retriever são os mais indicados. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Os cães mais indicados para participar do Projeto Cão Guia Sesi-SP são da raça Labrador e Golden Retriever, que dóceis e de fácil aprendizado.

Marcelo Panico, presidente do Instituto Íris, ressaltou os benefícios que os animais trazem aos deficientes visuais. “É um fator de segurança para nós. Além disso, o cão-guia inclui o deficiente visual na sociedade”, afirmou.

Foram quatro anos de espera até Mellina Hernandes Reis, de 30 anos, receber a cadela Hilary para ajudá-la no dia-a-dia. “Ela é uma companhia e me dá uma independência que não tinha antes”, contou.

Para o dono da labrador Emma, Ricardo Pedroso, de 38 anos, o projeto do Sesi-SP quebra paradigmas. “É uma alegria participar desse projeto, pois muda nosso convívio diário e nos dá independência”.

São Paulo está acima da média nacional na inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Apesar de dificuldades em algumas regiões, o estado de São Paulo supera a média nacional no cumprimento da Lei de Cotas 8213/91, que determina um percentual entre 2% e 5% do quadro de funcionários nas empresas com mais de 100 funcionários preenchidos por pessoas com deficiência. A média de cumprimento no estado de São Paulo é de quase 50%, enquanto a faixa nacional está em 26%.

“É importante que se busque oportunidades iguais para as pessoas. O trabalho é fundamental, a autoestima das pessoas também está no seu trabalho”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Skaf (à esquerda) e Dias: ações para incluir ainda mais trabalhadores na indústria. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Skaf (à esquerda) e Dias: ações para incluir ainda mais trabalhadores na indústria. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Segundo Skaf, a maior dificuldade em relação à inserção de pessoas com deficiência está em determinadas regiões. “Você não tem pessoas com deficiência em número suficiente em certas regiões para cumprir a lei. Então, estamos buscando caminhos de como resolver situações como essas”, completou.

Ele acredita que o esforço maior deve ser na identificação das dificuldades e no compartilhamento das experiências entre os estados.

“Sabendo qual é o problema a gente busca solução. Devemos passar as experiências que temos em São Paulo aos outros estados, os quais também devem ter dificuldades parecidas”, afirmou Skaf após participar de ato que marca o avanço da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho ao longo dos 22 anos da Lei de Cotas.

O ministro do Trabalho e do Emprego, Manoel Dias, também participou do ato na sede da Fiesp e afirmou que a participação da federação no cumprimento da lei é “fundamental”.

“São as indústrias que absorvem essas pessoas com deficiência. Na medida em que a Fiesp, com a importância que ela tem na economia brasileira, é parceira, ela vai induzir muitos industriais a se incorporarem a essa grande luta”, afirmou Dias.


Atletas paraolímpicos 

Também à frente do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), Skaf lembrou de outras iniciativas que a entidade lidera em prol da inclusão social de pessoas com deficiência.

“A parceria da Fiesp não se inicia nesse encontro. Temos 100 atletas paraolímpicos, dos quais 35 são da seleção brasileira”, disse Skaf, ao mencionar o projeto “Sou Capaz, que orienta as empresas sobre assuntos legais, jurídicos e institucionais relacionados a pessoas com deficiência. E estimula a capacitação profissional para diversos setores industriais.

Ele ainda o citou o programa “Cão Guia”, do Sesi-SP, que a partir de outubro vai dar início à entrega de 16 cães guia para pessoas com deficiência visual. “Dezesseis cães para uma média de 60 no Brasil já é um avanço”.

Durante evento, a Fiesp lançou a cartilha “Inclusão Social e Profissional”,  material compilado pela Fiesp, Ciesp, Sesi-SP e Senai-SP sobre valorização da capacidade de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Presidente e vice-presidente do Instituto Iris prestigiam exposição do Sesi-SP com fotos feitas por deficientes visuais

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp 

A mostra fotográfica Olhar a toda prova, sobre os atletas do Sesi-SP,  em exposição no Centro Cultura Fiesp – Ruth Cardoso, recebeu uma vista especial na tarde desta quarta-feira (24/04): o presidente e a vice-presidente do Instituto Responsabilidade e Investimento Social (Iris), Marcelo Panico e Ersea Alves, ambos deficientes visuais e membros do projeto Cão Guia, iniciativa que conta com o apoio do Sesi-SP.

Da esquerda para a direita: O presidente e a vice-presidente do Iris, Marcelo Panico e Ersea Alves; o fotógrafo deficiente visual, Marco Óton; e o curador da mostra, João Kulcsár. Foto: Talita Camargo/Fiesp

Acompanhados do curador da mostra, João Kulcsár, e do fotógrafo de algumas das obras expostas, Marco Óton, que também é deficiente visual, eles vieram celebrar o Dia Mundial do Cão Guia, comemorado em 25 de abril e, ao visitarem a exposição, encantaram-se com as obras com acessibilidade aos deficientes visuais. “Achei sensacional a audiodescrição. É fantástico. E as imagens em alto-relevo, perceptíveis ao tato, são muito interessantes. Todos os museus de São Paulo deveriam ter uma situação como esta”, afirmou Panico ao parabenizar o Ses-SP e à Fiesp pela iniciativa.

Marcelo Panico, presidente do Iris. Foto: Talita Camargo/Fiesp

Ersea conta que já enxergou um dia e pôde conhecer a fotografia, que se tornou uma paixão. “Achei a iniciativa do Sesi-SP maravilhosa. Termos a áudio-descrição é como se estivéssemos vendo as fotos mesmo. A Fiesp está de parabéns”, elogiou a vice-presidente.

A mostra conta com nove fotos perceptíveis pelo tato, com legendas em braile e audiodescrição, feitas por seis fotógrafos com deficiência visual que são alunos de Kulcsár, que há cinco anos ensina a deficientes visuais a arte de fotografar. “Tanto deficientes visuais como todos que tiverem interesse podem explorar diferentes sentidos nas visitas guiadas. Os visitantes são convidados a perceber a exposição pelo tato e audição, e quem quiser pode vendar os olhos”, explica o curador.

Para Panico, essa exposição é fundamental para conscientização da sociedade. “A pessoa cega tem muito mais do que perda visual, perde no profissional e na maneira de enxergar algumas situações, e a fotografia é um fator muito interessante de incluir as pessoas na sociedade”.

Clique aqui para saber mais sobre a exposição.

Começa a segunda fase do projeto Cão-Guia do Sesi-SP

Daniela Morisson, Agência Indusnet Fiesp

As famílias acolhedoras do Projeto Cão-Guia, realizado pelo Sesi-SP, participaram de um encontro animado no último sábado (21) no Sesi de Cotia. A reunião marca o início da segunda fase do projeto, quando os animais retornam ao canil e centro de treinamento localizado em Embu das Artes.

A professora Sílvia Helena Marchi, que passou os últimos meses com a fêmea Fiona, disse que a importância da causa supera a dor da saudade. “Ela vai fazer muita falta, mas nossa missão foi cumprida. Espero devolvê-la melhor e com um comportamento adequado para a sociedade”.

Famílias acolhedoras do Projeto Cão-Guia se reúnem no Sesi Cotia

Das famílias participantes, 19 delas vão ter que se despedir dos animais a partir do mês que vem. “Os cães vão passar por uma fase de adaptação e em seguida começaremos o treinamento básico com os adestradores para dar continuidade ao trabalho”, informou Sandra Buncana, diretora técnica do Instituto Meus Olhos têm 4 Patas, parceira do projeto.

Os voluntários também vão receber acompanhamento profissional. “Nós montamos uma equipe multidisciplinar com apoio psicológico para ajudar essas famílias a exercitarem o desapego”, disse a gerente da Divisão de Saúde do Sesi-SP, Romi Barreto. “É o mínimo que podemos fazer por essas pessoas tão especiais que nos ajudaram a viabilizar o projeto”, concluiu.

A expectativa é de que os animais comecem a ser entregues aos deficientes visuais previamente selecionados em outubro deste ano.

Projeto Cão-Guia do Sesi-SP ganha novos canais na Internet

Dulce Moraes, Agência Indusnet

Projeto Cão-Guia do Sesi-SP comemora os seus seis primeiros meses de existência com nova página e blog na internet. Com novo visual, o website www.sesisp.org.br/caoguia aposta em mais informação e carisma para atrair adeptos a essa iniciativa pioneira no Brasil.

Hotsite traz todas as informações e novidades do Projeto

Além de formar 32 cães-guias, que serão doados a trabalhadores da indústria com deficiência visual, o Projeto está desenvolvendo uma metodologia nacional exclusiva para instrução de cães-guia.

A entidade também pretende transferir essa tecnologia social a outras iniciativas e entidades que queiram ajudar a ampliar a oferta desse recurso no País. Atualmente, há menos de 100 cães-guias treinados, a maioria deles adquiridos no exterior.

O website é ilustrado por fotos dos filhotes do próprio Projeto. Na página Fique Sabendo são disponibilizadas publicações, legislações e sites de escolas de cães-guia no mundo, além das respostas às principais perguntas sobre o Projeto. Na página Notícias o público também pode acompanhar as reportagens recentes sobre o tema, divulgadas na mídia.

Os interessados em apoiar a causa podem conhecer todas as formas de ajuda, ou sugerir outras, na página Participe e Divulgue. As novidades do projeto e do site serão divulgadas continuamente pelas redes sociais, na página do Projeto no Facebook e pelo Twitter.


A EXPERIÊNCIA DE UM CACHORRO

Uma das estrelas no novo site é o blog do cão labrador Feijão. De forma bem humorada, o fictício personagem canino narra o cotidiano de um cão-guia em treinamento, com episódios inspirados em fatos reais, narrados pelas famílias que acolheram os filhotes do Projeto.

São situações que mostram a evolução do cachorro em suas fases de formação e as dificuldades enfrentadas por ele, e por sua família adotiva, devido ao desconhecimento da sociedade sobre a importância dos cães-guias na mobilidade autônoma e segura dos deficientes visuais.