Valor Econômico destaca pesquisa da Fiesp sobre perda de área de cana

Agência Indusnet Fiesp

O jornal Valor Econômico informou que, com o progressivo fim da queima da cana-de açúcar até 2017, o estado de São Paulo terá 110 municípios com áreas de mais de mil hectares que poderão ser ocupadas pela pecuária ou outras culturas agrícolas.

Espalhados pelo estado, esses municípios terão 256 mil hectares à disposição, ou 70% de toda a área que será aberta no território paulista por conta da universalização da colheita mecanizada (369 mil hectares no total, em 482 cidades).

A reportagem destaca que o maior potencial para novas atividades agropecuárias se concentra em 20 municípios, onde espaços maiores serão criados pela restrição ambiental – juntos, eles abrigam 95 mil hectares encravados em terrenos superiores a 12% de inclinação, impróprios para o plantio mecanizado.

O jornal ressalta que os números fazem parte de um estudo, baseado em imagens feitas por satélite, realizado pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica da Embrapa a pedido da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

>> Leia reportagem completa no site do Valor (sujeita a cadastro)

Impacto da mecanização da colheita da cana-de-açúcar

Estudo do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com o Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (GITE) da Embrapa, aponta o impacto e as oportunidades decorrentes do fim das queimadas na colheita de cana-de-açúcar, de acordo com o previsto pelo Protocolo Agroambiental.

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Impacto da mecanização da colheita da cana-de-açúcar

O Protocolo é um acordo voluntário firmado em 2007 entre o setor produtivo e o Governo do Estado de São Paulo, com a adesão da grande maioria das indústrias. Ele antecipou os prazos legais para o fim da prática das queimadas.

De acordo com o estabelecido, existem duas datas para o fim das queimadas: 2014, para as áreas mecanizáveis e 2017, para aquelas não mecanizáveis. É justamente esse último caso o objeto do presente estudo.


Para visualizar o estudo, ou fazer um download, acesse o menu ao lado
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Brasil cresce pouco porque modelo de 2005 a 2010 não existe mais

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Mendonça de Barros disse crer que China mantém pelo menos uma taxa de crescimento em 7% anuais e que, por isso, a demanda por alimentos vai continuar forte, o que beneficia o agronegócio brasileiro. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O crescimento da economia brasileira desacelerou porque está esgotado o modelo que deu base à forte expansão da atividade econômica entre 2005 e 2010. A análise é do economista e fundador da MB Associados, José Roberto Mendonça de Barros.

“O governo insiste em uma medicação para uma doença que mudou, o cenário é outro agora e nós não temos a China crescendo a 12%, não temos, e nem teremos, um crescimento acelerado da demanda interna porque o grande efeito da inclusão já passou e as famílias estão endividadas”, afirmou Mendonça de Barros nesta segunda-feira (02/06) ao participar de reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado São Paulo (Fiesp).

Segundo Mendonça de Barros, a consultoria MB Associados deve revisar para baixo sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2014. “Provavelmente o crescimento deve ficar abaixo de 1%”, disse ele no encontro que reuniu empresários e especialistas, sob a condução do presidente do Cosag, João de Almeida Sampaio Filho.

Por outro lado, o economista afirmou que está otimista com a retomada de crescimento da economia norte-americana. “Esse é o fenômeno mais importante porque vai puxar o crescimento global.”

Ele também mostrou otimismo com a demanda chinesa por alimentos, apesar de expectativas com PIB menos vigoroso, abaixo dos dígitos que a China chegou a apresentar.

“Acreditamos que a China segura os 7% [de PIB] e, sendo verdade, a demanda por alimentos vai continuar forte, o que nos beneficia.”

Ao reiterar a necessidade de revisão do modelo de crescimento do Brasil, Mendonça de Barros afirmou ainda que um dos maiores desafios para o país retomar sua rota de expansão é aumentar a taxa de investimento do PIB.

O economista explicou que “o modelo de consumo estimulou uma forte queda na poupança”. Adicionado a isso, a queda da taxa de investimento do PIB desde 2010 compromete o crescimento da economia brasileira.

“A taxa de investimento tem caído sistematicamente e quem não investe, não cresce”, alertou. No primeiro trimestre de 2014, a taxa de investimento referente ao PIB caiu para 17,7%, a mais baixa para primeiros trimestres do ano desde 2009.

Produção de soja

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André Pessoa, da Agroconsult: consultoria revisou para cima a estimativa de área plantada de soja. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ao apresentar perspectivas para a produção de soja do Brasil, durante a reunião do Cosag, o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessoa, afirmou que a consultoria revisou para cima a estimativa de área plantada da oleaginosa para a safra 2014/15.

“Estávamos trabalhando com 1,2 milhão de hectares, mas subimos para 1,5 milhão de hectares para o crescimento de área plantada”, disse Pessoa. “O grande contribuinte com mais de 90% da área acrescida esse ano será, mais uma vez, a conversão de áreas de pastagem em lavoura, especialmente nas regiões leste e norte do Mato Grosso, oeste de Tocantins, sul do Pará, e sul de Tocantins.”

A Agroconsult projeta uma safra de soja de mais de 94 milhões de toneladas em 2014/2015. Pessoa reiterou, no entanto, que se houvesse uma aceleração dos investimentos em infraestrutura, para escoamento de grãos por exemplo, os produtores do setor poderiam ganhar bem além do que ganham com os avanços da produtividade da safra.

“A grande oportunidade do agronegócio, mesmo no ambiente de redução de preços internacionais, reside na logística, ou seja, na aceleração do processo de investimento em logística, o que pode dar uma contribuição para o resultado de nossos produtores muito maior que a produtividade tem dado nos últimos anos”, explicou.

Cana

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Plínio Nastari, da Datagro: subsídio do governo aos preços da gasolina importada desestimula a produção de cana-de-açúcar e provoca endividamento de produtores. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, também participou da reunião do Cosag. Ele reiterou a necessidade de mudança na política, sobretudo nos subsídios favoráveis ao preço da gasolina, para que os produtores enfrentem o que ele classificou como “a pior crise” da cana-de-açúcar.

Segundo os cálculos da Datagro, o subsídio do governo aos preços da gasolina importada chegou a 19,52% em 28 de maio. Para Nastari, trata-se de “uma política distorciva à gasolina” que desestimula a produção de cana-de-açúcar e investimentos em novas tecnologias para o setor, além de provocar um endividamento de produtores que comercializam etanol abaixo do seu preço de oportunidade.

“O endividamento só na região Centro Sul estimamos em R$66,3 bilhões na safra 2013/14, o que representou 112% do faturamento”, informou Nastari.

A Datagro estima uma moagem de mais de 616 milhões de toneladas de cana na safra 2014/15, enquanto a região Centro-Sul do país deve ser responsável pela maior parte desse volume, 560 milhões de toneladas. A volume é inferior aos 574,6 milhões de toneladas projetado anteriormente pela consultoria para a região.

Técnicos da ANP esclarecem na Fiesp novas normas para cadastro de plantas de etanol

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Ometto, durante seminário da ANP

Vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Ometto, durante seminário da ANP. Foto: Everton Amaro

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sediou na manhã desta quarta-feira (19/09) uma reunião de trabalho entre técnicos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a fim de esclarecer quais são os próximos passos para atender à norma de regularização do setor de biocombustíveis prevista pela Resolução 26, sancionada pela ANP em 31 de agosto deste ano.

“Essa reunião é realmente para tirar dúvidas do novo sistema de cadastro de capacidade das empresas produtoras de etanol porque, para regular a comercialização, eles [ANP] precisam de dados da produção dessas empresas”, explicou João Guilherme Sabino Ometto, segundo vice-presidente da Fiesp.

A produção brasileira de etanol amarga uma estagnação, dada a crise que o setor enfrenta com usinas endividadas. Cenário este bem diferente do conferido em 2008, quando a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar atingiu 648,85 milhões de toneladas e projeções apontavam para um volume triplicado até 2020, graças à demanda pelo biocombustível com o crescimento da frota flex a partir de 2003.

Ometto considera que resoluções como as da ANP, que normatizam a produção, podem ajudar o setor a se recuperar da crise que, segundo ele, é estimulada, em parte, pelo controle do governo sobre os preços da gasolina, no qual “o etanol sai prejudicado”.

Resolução 26

Para Guilherme Shinohara, técnico da ANP, as normas previstas pelas Disposições Transitórias, no Artigo 19 da resolução, são, num primeiro momento, as mais importantes de serem cumpridas pelos produtores, já que dizem respeito ao cadastro de capacidade de produção das empresas do setor.

Segundo o documento, as plantas têm um prazo de 90 dias desde a data de publicação da Resolução para apresentar informações, como a capacidade máxima de produção e listagem dos tanques de armazenamento de etanol. Caso não apresentem, a usina pode ser “impedida de comercializar sua produção de etanol combustível”.

Clique aqui para saber mais sobre a Resolução 26.


Ajuste de preço não resolve problema; etanol precisa de política de longo prazo, afirma diretor do Itaú BBA

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Alexandre Figliolino, diretor comercial do Itaú BBA. Foto: Everton Amaro

Alexandre Figliolino, diretor comercial do Itaú BBA. Foto: Everton Amaro

Cerca de um terço das empresas do setor sucroalcooleiro está a situação financeira não saudável, enquanto os canaviais estão em recuperação, mas apresentam rendimentos abaixo da média histórica, avaliou nesta segunda-feira (03/09) o diretor comercial do Itaú BBA, Alexandre Figliolino, ao apresentar um panorama do segmento e falar sobre perspectivas para a produção de açúcar e álcool, durante reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Não dá para continuar nessa situação. Hoje, a sociedade brasileira está perdendo, o setor está perdendo. A gente já teve no primeiro semestre uma importação de 1,9 bilhão de litros de gasolina. Isso é renda que deixa de ser criada aqui, no Brasil, e vira despesa de divisas com importação enquanto poderíamos fazer combustível”, alertou Figliolino.

Segundo avaliação da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), até a primeira quinzena de agosto, foi produzido um total de 9,96 bilhões de litros de etanol da safra 2012/2013, ante 12 bilhões de litros produzidos em 2011/2012, o equivalente a uma queda de 17,5%.

“Ainda não conseguimos chegar a uma política para o etanol de longo de prazo. Não adianta dar reajuste e pronto. Como fica para frente? Precisa criar algo que se tenha segurança”, completou o diretor o executivo do Itaú BBA.

Preço ‘artificial’ da gasolina é entrave para crescimento do setor de etanol

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

A produção brasileira do etanol vive um momento crítico de desaceleração, afirmou Antonio de Padua Rodrigues, presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) no painel “Setor Sucroalcooleiro e a Regulação do Etanol”, realizado nesta terça-feira (07/08), durante o 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

E o principal motivo, segundo ele, é a política de preços do governo para a gasolina e o óleo diesel. Com a desoneração da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) – adotada pelo governo para evitar que o aumento dos preços pela Petrobras chegue aos consumidores –, caiu a demanda pelo etanol.

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Antonio de Pádua Rodrigues, presidente da Unica

“O mercado pede competitividade e uma política de preço de gasolina parametrizado no mercado internacional, que é o risco conhecido dos investidores”, disse Rodrigues, pedindo definição clara da participação do etanol na matriz de combustíveis brasileira e políticas de longo prazo para a retomada dos investimentos no setor.

De acordo com dados da Unica, 41 unidades produtoras encerraram suas operações no país desde o início de 2008 – 14 somente no ano de 2012 (entre janeiro e junho). Para sobreviver, a indústria de bens de capitais do setor tem recorrido à diversificação de negócios, à cogeração de energia e à compra de usinas de açúcar.

Rodrigues sugeriu melhorias na regulação, especialmente na definição prévia do nível de mistura de etanol anidro à gasolina. “Que em setembro de cada ano se defina claramente qual é o nível de mistura em cada safra. Não dá para mudar a regra do jogo no meio do caminho. Uma safra que começa com 25 [% de nível de mistura] deve terminar com 25 [%]; uma safra que começa com 20 [% de nível de mistura] deve terminar com 20 [%], não trazendo incerteza para o mercado.”

Especialistas

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Luiz Augusto Horta, professor da Unifei

O professor Luiz Augusto Horta, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), reiterou o quadro. Segundo ele, a perda da competitividade do etanol é determinada pela intervenção governamental na formação dos preços da gasolina. “Não há como defender isso”, declarou Horta.

O professor da Unifei alertou que a retomada da produção não se dá de imediato e que existe um prazo para a implantação de canaviais.

Depois de elogiar a “regulação de qualidade” da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Horta propôs um conjunto de medidas para desenvolver o setor: a revisão do marco tributário; uma possível lei para os biocombustíveis (“há uma cadeia produtiva que tem que ser levada em conta”); e a criação de mecanismos de previsibilidade (“para reduzir as incertezas”).

“O etanol é competitivo e sustentável”, finalizou, reforçando a importância de transparência nas regras.

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Plínio Nastari, da Datagro

Plinio Nastari, da consultoria Datagro, reforçou o coro, afirmando que o Brasil está indo na contramão ao privilegiar o uso de combustíveis fósseis. “Infelizmente, o Brasil está retrocedendo e o grande elemento é a política de preços – a gasolina, em particular”.

De acordo com o consultor, a economia histórica do país com a adoção do etanol, e o corte de combustíveis importados, chegou a US$ 266,2 bilhões, o que configura, segundo ele, como fator que deveria ser reconhecido para a formação da reserva de divisas anunciadas pelo governo – de US$ 373 bilhões.

Entre as propostas de melhorias, Nastari sugeriu o fim da tributação sobre operações no mercado futuro de etanol e a criação de mecanismos que induzam compradores e vendedores de firmar contratos com preço definido com base no mercado futuro. “Isso deve diminuir a sazonalidade entre safra e entressafra”, comentou. “Falta pouco para arrumar a casa. A ANP está indo na direção certa”, finalizou o presidente da consultoria Datagro.

ANP

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Tatiana Petricorena, da ANP

O painel teve a participação de Tatiana Petricorena, representando a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, que não pôde comparecer por preparar-se para sabatina no Senado Federal.

De acordo com Tatiana Petricorena, a ANP trabalha com diversos cenários para 2020. E os que apresentam curva mais significativa de crescimento do setor são as que vislumbram um crescimento do nível de mistura, começando em 20% no ano de 2012 e chegando a 50% em 2020. Os estudos consideram o crescimento de veículos flex, o que, segundo ela, permitem uma ampliação sustentável do mercado.

O debate teve a coordenação de Geraldo Coutinho, da Firjan.

‘Energia da cana-de-açúcar tem tudo a ver com economia sustentável’, afirma Alfred Szwarc

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

A chamada economia verde, na visão de Alfred Szwarc, consultor de emissões e tecnologia da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), é um sistema de valores, politicas, ações e praticas destinada a promover o desenvolvimento sustentável que requer mudança de paradigmas, reconhecimento das externalidades positivas pelos interessados, políticas públicas, inovação tecnológica e comunicação.

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Alfred Szwarc, consultor de emissões e tecnologia da Unica: 'Temos as principais formas de gerar energia alternativa'

“Temos as principais formas de gerar energia alternativa e sair de atuais dois EJ [exajoules] para 32 EJ em 2050”, antecipou em sua participação no painel “Energia no Contexto da Economia Sustentável”, um dos doze realizados na tarde de segunda-feira (06/08) no 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Szwarc citou a cana-de-açúcar como a fonte de energia mais interessante. “Do caldo da cana se extrai o etanol, butanol, diesel equivalente, querosene de aviação equivalente, entre outros”, listou, adicionando que do bagaço e da palha da planta é possível obter energia térmica a vapor e elétrica – mesmas fontes de energia que o caldo oferece.

O consultor da Unica acrescentou que o etanol tem tudo a ver com economia de baixo carbono. “Hoje temos aplicações comerciais no Brasil em carros, motos, ônibus (existem 60 em São Paulo andando com etanol), cerca de 300 aviões agrícolas e sistemas de geração, tudo movido a etanol”, detalhou, adicionando que atualmente as usinas são o que classifica de “biorefinarias”.

Saúde

Desde 2003, as emissões evitadas de CO2 no Brasil com uso de etanol em veículos conhecidos como “flex” (movidos por dois ou mais tipos de combustível) são estimadas em cerca de 160 milhões de toneladas.

“A substituição da gasolina pelo etanol fez cair 50% dos atendimentos de saúde por problemas respiratórios e mortalidade infantil”, destacou, ao incluir que o consumidor está atento às formas de energia utilizadas nos produtos que adquire.

“Enquanto não mudarmos a perspectiva de pensamento na mudança de paradigmas, não chegaremos a uma evolução que possamos chamar de economia mais sustentável”, finalizou.

Energia renovável: veja o resumo dos debates no Humanidade 2012

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Políticas públicas que estimulem a produção de energia sustentável e a diversificação das matrizes energéticas foram os temas abordados durante o painel “Energias para um Novo Mundo”, do seminário “Lideranças Empresariais”, promovido as Federações  das Indústrias do Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro (Fiesp e Firjan), nesta quarta-feira (20/06), no  Humanidade 2012 – iniciativa das duas entidades com a Fundação Roberto Marinho, em paralelo à Rio+20.

Moderado por Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Carlos Mariani Bittencourt, vice-presidente do Sistema Firjan, o evento teve a participação de Adriano Pires (diretor geral do Centro Brasileiro de Infraestrutura-CBIE), Luís Pescarmona (presidente da IMPSA), Paulo Stark (CEO Brasil da Siemens), Eduardo Leão (diretor-executivo da União da Indústria de Cana de Açúcar-Unica) e Marcelo Soares (presidente e CEO da GE Energy América Latina).

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Diretor-titular do Deinfra da Fiesp, Carlos Cavalcanti: 'Brasil precisa investir na produção de energias complementares'


Veja o resumo do evento:

 Carlos Cavalcanti (Fiesp/Deinfra) – O diretor-titular do Deinfra lembrou que 66% das emissão mundiais dos gases do efeito estufa (GEE) são resultantes da produção de energia. Na avaliação de Cavalcanti, o Brasil em breve se tornará uma das grandes matrizes energéticas, mas, para isso, o país precisa investir na produção de fontes de energias complementares, como a eólica e bioletricidade. “A América do Sul, a África e a Ásia possuem vastos potenciais hídricos não utilizados, que devem ser a base da expansão de seus sistemas elétricos. Temos que encarar este desafio”, afirmou.

Adriano Pires (CBIE) – O diretor geral da CBIE criticou as construções de hidroelétricas na Amazônia e disse que o país precisa investir na diversificação das matrizes energéticas. “O Brasil tem tudo para se tornar uma liderança mundial no setor de energia limpa. Para isso, precisamos de políticas públicas adequadas”, analisou.

Pires também reprovou o valor da tarifa energética brasileira, considerada uma das mais caras do mundo. “O governo precisa criar política pública que façam com que a população usufrua desse recurso. Não é possível que um país com reservas de energia limpa abundante tenha uma das tarifações mais caras do mundo”, argumentou.

Paulo Stark (Siemens) – O CEO da Siemens Brasil destacou os investimentos da empresa na produção de energia elétrica por meio da biomassa. “Precisamos aproveitar uma situação absolutamente singular que está acontecendo no mundo. O Brasil é um país de vanguarda na produção de energia limpa e precisamos tirar um bom proveito disto”, afirmou.

Marcelo Soares (GE) – O presidente e CEO da Energy América Latina destacou os investimentos da indústria na produção de energia eólica e solar. De acordo com o executivo, o país precisa desenvolver ações efetivas para atrair investimentos do setor industrial. “A busca por eficiência na fabricação dos equipamentos vai tornar o mercado um pouco mais competitivo e mais atrativo para o setor industrial. O governo já adotou algumas medidas, mas não foram suficientes. Precisamos baixar os custos”.

Luís Pescarmona (IMPSA) – Durante sua explanação, o presidente da IMPSA defendeu a abertura do mercado de energia limpa brasileiro. “Com a crise internacional, o Brasil tem uma oportunidade única de atrair investimentos para o setor de energia limpa. O maior mercado está aqui e capacidade técnica e financeira para custear estes projetos também”, disse.

Eduardo Leão (Unica): Segundo o diretor-executivo da Unica, o setor sucroenergético brasileiro gera uma receita de US$ 50 bilhões/ano e oferece mais de um milhão de empregos aos trabalhadores de 20% dos municípios brasileiros. “A cana-de-açúcar tem capacidade de trazer o desenvolvimento regional, econômico e social para o interior do país”, afirmou o executivo, que criticou a criação de políticas de incentivo, adotadas pelo governo, para uso da gasolina. “O preço administrado pelo governo não foi alterado nos últimos seis anos. Além disso, o preço do imposto da gasolina é reduzido. O governo precisa criar medidas para oferecer mais competitividade para os combustíveis limpos e renováveis”, apontou Leão.

Humanidade 2012

O Humanidade 2012 é uma iniciativa é resultado de uma realização conjunta da Fiesp, Sistema Firjan, Fundação Roberto Marinho, Sesi-Rio, Sesi-SP, Senai-Rio, Senai-SP, com patrocínio da Prefeitura do Rio, do Sebrae e da Caixa Econômica Federal. O evento acontece no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, até 22 de junho, paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O objetivo é realçar o importante papel que o Brasil exerce hoje como um dos líderes globais no debate sobre o desenvolvimento sustentável.


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Acompanhe a cobertura da Rio+20 no site da Fiesp

Unica não descarta possibilidade de recorrer à OMC contra o ILUC

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank, disse nesta terça-feira (26) que poderá solicitar um contencioso no Painel de Solução de Controvérsia, da Organização Mundial do Comércio (OMC), contra aqueles países que utilizam o modelo de Mudanças Indiretas no Uso do Solo (ILUC, na sigla em inglês), para barrar a produção do etanol.

Marcos Jank destacou que o País foi o primeiro a adotar medidas para conter o desmatamento, que hoje é zero, ao contrário da Europa que, segundo ele, ainda está muito atrasada em comparação ao Brasil.

O imbróglio comercial começou há três anos, quando países, principalmente a União Europeia e Estados Unidos, começaram a questionar que a produção do biocombustível brasileiro estaria deslocando a produção de alimentos e utilizando áreas da região amazônica para a pecuária.

O presidente da Unica afirmou que a possibilidade de um painel na OMC não está descartada, mas esclareceu que essa será a última tentativa. “Vamos até o fim dessa briga […] Qualquer processo de contencioso é caro e demorado, por isso deixaremos essa alternativa em última instância”, explicou o Jank, durante evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que discutiu os biocombustíveis e as mudanças climáticas.

De acordo com Jank, no meio dessas implicações há algo que não faz sentido, pois, segundo ele, já está provado que o Brasil não cultiva cana-de-açúcar em áreas da Amazônia e nem se utiliza de remanejamentos nocivos.

Barreiras ao etanol

“No momento em que o mundo discute formas de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, alguns países ainda criam barreiras ao etanol que, comprovadamente, emite 89% menos gases de efeito estufa, em comparação à gasolina”, salientou.

Questionado sobre a possibilidade de o ILUC ser uma medida protecionista disfarçada para frear a avanço do etanol, Jank respondeu que ainda não acredita nesta possibilidade, mas não descartou a ideia deste modelo virar uma barreira não tarifária.

O etanol sofre diversas barreiras para entrar em outros países. Para entrar nos Estados Unidos, o produto brasileiro sofre uma tarifa de importação de US$ 0,54 por galão. Por lá, o etanol é produzido à base do milho, altamente defendido pela base agrícola no Congresso norte-americano. Já na União Europeia a tarifa é de 0,19 de euros por litro.

Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a tarifa cobrada pelos Estados Unidos é usada como protecionismo – manobra condenada no comércio internacional –, a fim de preservar a produção do milho norte-americano.

“Numa clara demonstração de descaso, os deputados norte-americanos usam essa absurda tarifa como forma de protecionismo para promover seu produto em detrimento do etanol brasileiro. Isso, sem falar que o nosso produto é reconhecido por eles como mais limpo ambientalmente”, concluiu Skaf.

“Brasil está redescobrindo o valor da cana”, afirma o vice-presidente da Cogen

Agência Indusnet Fiesp

O crescimento de 200% da biomassa na geração de energia no Estado de São Paulo está ampliando o valor da cana.

A constatação foi apresentada nesta quarta-feira (12), durante o seminário Redução do Consumo Energético e Utilização de Energias Renováveis: Situação Atual e Perspectivas.

O evento foi realizado pelo Sindicato da Indústria de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar do Estado de São Paulo (Sindratar-SP), com apoio do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp.

De acordo com Carlos Silvestrin, o Brasil está “sujando” sua matriz energética por falta de planejamento. Atualmente, ela é composta por 3.485 MWe hídrica, 10.228 MWe térmica e 1.250 MWe bioeletricidade.

Segundo Silvestrin, o leilão das novas usinas termelétricas baixou de 79% para 71% o uso de energia hidrelétrica. “Por outro lado, tivemos um aumento de 340% de uso do óleo combustível. Precisamos de fontes complementares de energia, e não de fontes alternativas. E estas virão da agroenergia”, enfatizou.

Ele informou que no ano passado a produção de cana registrou 562 milhões de toneladas, e para 2020, é possível projetar 1.038 milhões de toneladas. “Com este valor poderemos produzir a mesma que quantidade da energia gerada hoje em Itaipu”, comparou.

Entretanto, para isso seriam necessários investimentos da ordem de 40 bilhões de dólares. “A indústria nacional tem condições de atender a esta demanda e o Brasil tem uma área de 25 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas”, complementou o executivo.


Reflexão

Na abertura do seminário, o presidente do Sindratar-SP e diretor do DMA, José Medela, lembrou que o evento é destinado a pensar o meio ambiente e o futuro. “Temos nos pautado com a preocupação em todos os setores da economia e estamos comprometidos com o futuro do País e da humanidade”, refletiu.

O diretor do DMA, Marco Antonio Barbieri, acrescentou que a Fiesp tem provocado questionamentos em busca de soluções de sustentabilidade. “As questões ambientais são sempre complexas, pois envolvem a sociedade de maneira sensível”, pontuou.

O seminário contou também com a participação dos seguintes profissionais: Ennio Peres da Silva, do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp; Marcelo de Andrade Romero, vice-diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP; Lauro Fiúza Júnior, presidente do grupo Servtec; Alessandro da Silva, coordenador da Bitzer do Brasil; Ricardo Suppion, da Tour & Andersson; e Celso Simões Alexandre, da Trox do Brasil.