Primeira cidade brasileira a ter mapeamento de sua “pegada ecológica” foi Campo Grande

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Pegada Ecológica é uma metodologia adotada a fim de medir rastros que o ser humano deixa no Planeta Terra, decorrentes dos seus hábitos de consumo e o impacto sobre os recursos naturais. O cálculo, que já era feito em outros países, começa a ser estendido para as cidades.

“O conceito é discutido há doze anos”, alertou Michael Becker, coordenador do Programa Pantanal-Cerrado do WWF-Brasil, ao participar de evento que apresentou o case da cidade de Campo Grande (Mato Grosso do Sul), na Fiesp, nesta terça-feira (13).

Segundo a WWF, a média da “pegada ecológica” mundial atual é de 2,7 hectares globais por pessoa, enquanto a biocapacidade disponível para cada ser humano é de 1,8. O cálculo se dá mediante dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE (dados de 2008). Trata-se de uma tentativa de quantificar o que uma pessoa ou uma sociedade “usa”, em média, para se alimentar, morar, se locomover, consumir etc.

De acordo com informações de Helena Carrascosa, coordenadora de Biodiversidade e Recursos Naturais da Secretaria do Meio Ambiente do Estado, deverá ser estabelecida uma parceria para o mapeamento da “pegada” em São Paulo.

Para o diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, é importante a indústria debater temas desta dimensão, que envolvem também políticas públicas. “O agronegócio é muito presente em São Paulo, e produtividade significa também conservação”, disse.

Walter Lazarini, presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da federação, complementou a importância do evento em função da proximidade da Rio+20: “A defesa do meio ambiente é um desafio global”.

Campo Grande

No caso de Campo Grande, os 3,14 hectares obtidos podem ser traduzidos em 1,7 planeta. Em comparação com a média brasileira, registra uma pegada 8% maior que a média nacional de 2,9 hectares globais por pessoa. Pastagens, agricultura e florestas somam 75% da pegada.

O maior impacto vem da alimentação, com 45%, e destaque para o alto consumo de carne, 13% acima da média nacional. Campo Grande foi escolhida por abrigar boa parte do Pantanal e ter enorme riqueza ambiental, além de perfil semelhante a outras cidades brasileiras.

O trabalho foi realizado pelo WWF-Brasil em parceria com a Prefeitura da capital do Mato Grosso do Sul, Global Footprint Network (GFN), a empresa social Ecossistemas e a Universidade Anhanguera.

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