“A credibilidade, o conteúdo e o respeito fazem um bom falante”, afirma Mara Behlau

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Para mostrar a importância da voz no nosso dia a dia, o Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), promove, nos dias 25 e 26 de abril, uma campanha educativa em comemoração ao Dia Mundial da Voz. A iniciativa busca conscientizar a população sobre a importância da voz, orientando sobre a identificação de sintomas, o diagnóstico precoce e o tratamento de alterações vocais.

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A diretora do Centro de Estudos da Voz, Mara Behlau, coordenou mesa-redonda no evento de abertura da Campanha da Voz do Sesi-SP. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

Na manhã desta quinta-feira (25/04), foi realizada uma mesa-redonda com o tema “A voz e o esporte”, coordenada por  Mara Behlau, diretora do Centro de Estudos da Voz (CEV).

A fonoaudióloga destacou os aspectos fundamentais da boa voz. “A credibilidade de quem fala, o conteúdo que eu tenho a oferecer e o respeito por quem me ouve que faz de alguém um bom falante”.

A voz dos ídolos do esporte

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José Montanaro Junior destaca a importância da voz para os atletas. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

José Montanaro Júnior, gestor do vôlei do Sesi-SP, foi um dos participantes do debate e contou sua experiência no uso da voz como atleta. “No nosso trabalho, a preparação física é fundamental e os hábitos de vida saudável são praticados diariamente. Nós, atletas, falamos com o corpo e transmitimos nossas emoções, nossas competências, por meio da expressão corporal.”

Montanaro destacou a importante da voz na vida de um atleta. “Para se comunicar com os companheiros de equipe, se for capitão do time é ainda mais importante, para lidar com o patrocinador, com a imprensa, com a torcida. Para tudo isso, precisamos usar a voz de forma objetiva, para que todos entendam exatamente o que você quer dizer”, exemplificou.

Medalhista olímpico em Los Angeles (1984), ele lembra que fez parte de um momento de transição do vôlei, representado por uma grande voz, o Luciano do Valle, que levou o vôlei para a televisão.  “Além de ter bons resultados na quadra, de representar bem o país, tínhamos a emoção que o Luciano do Valle transmitia com a voz. Isso transformou os jogadores em ídolos nacionais. E o ídolo precisa falar”.

O ex-atleta lembrou, ainda, as dificuldades que ele e outros colegas tinham por conta da timidez. “Alguns atletas ficavam tomando banho mais de uma hora para não ter que enfrentar uma entrevista. Quando a gente ganhava, era mais fácil, mas e quando perdia? O que a gente podia falar?”, recorda o gestor.

O treino da voz

Durante o evento, Glaucya Madazio, fonoaudióloga e professora do curso de especialização em voz do CEV, apresentou um media training, reunindo dicas para atletas e também profissionais de outras áreas lidarem com a imprensa.

“A comunicação é uma competência, portanto pode ser treinada”, afirmou a especialista, que usou como exemplo entrevistas do empresário Steve Jobs, no começo e no fim da sua carreira.

Segundo ela, a comunicação não é exatamente o que se fala, mas o que se entende. “A preocupação deve ser de quem fala, para ser o mais específico, mais direto e o mais objetivo possível”, orientou Glaucya.

A especialista destacou também que a credibilidade e a naturalidade na comunicação são formadas pelo conteúdo da mensagem, a forma como ela é passada e a emoção envolvida na transmissão. “Apenas 7% é transmitido via conteúdo, o resto é pela voz e pelo corpo. Ou seja, a forma é tão importante quando o conteúdo”, afirmou.

Dar respostas curtas, concisas e precisas; controlar a respiração e relaxar a voz; e ter cuidado ao usar o microfone porque ele amplia problemas da voz foram alguns dos conselhos passados pela fonoaudióloga. “As regras de ouro são oferecer o cenário que o repórter precisa, não mentir, ser você mesmo e não ter medo de dizer ‘eu não sei’.”

A voz do rádio e da tevê

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Reinaldo Gottino,apresentador de telejornal da TV Recorda. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

O apresentador de telejornal Reinaldo Gottino, que já cobriu grandes eventos esportivos, falou sobre a voz no jornalismo. Gottino mencionou a mudança no estilo dos apresentadores, que hoje não precisam mais ter a voz clássica, tão cultuada antigamente.

“Quem trabalha com comunicação hoje não precisa se importar com o seu tipo de voz, tem que se importar com a voz. Para mim, a voz é como o corpo: você consegue treinar, se adaptar e levar sua voz para onde você quer se tiver domínio sobre ela”, afirmou o jornalista, que citou o exemplo do narrador Osmar Santos.

“O Osmar Santos não tem aquele vozeirão, mas quando eu ouvia ele no rádio, ficava encantado com as narrações, cheias de jargões e com uma voz envolvente e carismática. E é por isso que ele entrou para a história do jornalismo esportivo.”

Gottino contou que a fonoaudiologia da Record, emissora em que trabalha hoje, é uma das especialidades mais requisitadas pelos funcionários. “É muito importante falar dos cuidados com a voz, porque a gente só corre atrás quando precisa. Vamos cuidar da voz como a gente cuida do nosso corpo.”

Um coral de esperança

Ao final do evento, o coral Sua Voz, do Hospital A. C. Camargo, fez uma apresentação.

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Coral de pacientes do Hospital A. C. Camargo. Foto: Helcio Nagamine/FIESP


O grupo é formado por pessoas que fizeram cirurgia de retirada da laringe, o que inclui as cordas vocais. Ela é feita normalmente por causa de câncer avançado de laringe, o que, em grande parte, é provocado pelo cigarro e pelo álcool.