Aumento do frete vai consumir parte do ganho com exportação da safra 12/13 de milho, diz diretor da Agroconsult

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O elevado patamar dos preços internacionais do milho e a desvalorização da taxa de câmbio no Brasil vão trazer rentabilidade para as exportações brasileiras do grão no próximo ano, mas parte desse ganho deve ser consumida pelo aumento do custo pago pelo frete e outras despesas com logística para escoar a produção, avaliou nesta segunda-feira (10/12) o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessoa, ao participar da reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp.

André Pessoa, da Agroconsult: 'O nosso grande problema do ano que vem é logística'

O especialista espera um recorde de área plantada do milho safrinha de mais de 8 milhões de hectares, o que permite uma produção total (safrinha e safra) de mais de 70 milhões de toneladas no próximo ano.

“O nosso grande problema do ano que vem é logística. Vamos continuar exportando milho em grande volume nos primeiros meses do ano, depois uma safra de soja que tende a ser muito grande, mas não temos nenhum investimento novo de logística nesse período e temos um problema gravíssimo com os caminhões”, afirmou Pessoa sobre a Lei 12.619/2012, que prevê novas normas para a profissão de motorista.

“Nós já estamos com a redução da frota circulante de caminhões exercendo uma pressão muito grande sobre o frete de açúcar. A expectativa é que se tenha uma majoração na safra que vem, no auge da exportação da soja 2012/13 em relação ao que foi em 2011/12, de 30% do frete”, afirmou o diretor da Agroconsult.

Segundo Pessoa, o clima chuvoso no segundo trimestre do ano e a quebra da safra norte-americana de milho por condições climáticas ruins permitiram ao Brasil ter um desempenho robusto em exportações do grão, e as exportações para o começo de 2013 devem seguir fortes.

“O Brasil talvez seja um dos poucos lugares que tenham disponibilidade de milho hoje para exportar. E a gente vai seguir com exportações elevadas até fevereiro”, afirmou o especialista.

Preços

Reunião do Cosag discutiu perspectivas para o ano de 2013. Foto: Everton Amaro.

Desde junho deste ano, uma forte seca e elevadas temperaturas – as maiores desde 1985 – têm reduzido as projeções para a colheita do Cinturão de Milho, no centro-oeste dos Estados Unidos, o maior produtor mundial da commodity.

Em resposta aos prognósticos mais pessimistas, os contratos futuros do grão negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) – principal do mundo – já atingiram o patamar recorde de US$ 8,3875 por bushel.

O executivo da Agroconsult acredita que os preços elevados do milho devem continuar, ao menos, durante o primeiro trimestre de 2013. “Há perspectiva de alguma redução do preço de milho no segundo trimestre do ano que vem, mas, mesmo assim, será muito pequena”, projetou.

Pessoa acredita que o preço do milho deve ficar em US$ 7 por bushel para a média da safra 2012/2013, enquanto a soja deve operar na faixa de US$13,5 por bushel, também em 2012/2013. “Mas são cenários conservadores, levando em consideração a concretização de uma safra brasileira e argentina dentro da normalidade.”