No Congresso CJE, Armínio Fraga destaca valor da meritocracia

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Em palestra nesta terça-feira (1/11) no Congresso CJE 2016, na Fiesp, Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC), destacou a valor da meritocracia e disse que em relação a ela teve uma lição preciosa no início de sua carreira: negócio, para funcionar bem, precisa de clareza nas regras. “Como as coisas acontecem, como as pessoas são avaliadas e promovidas. É preciso criar uma cultura que reconheça o funcionamento do grupo como um todo.”

Depois desse período inicial, foi dar aula nos EUA, passou pelo BC e em 2013 criou sua própria empresa, a Gávea Investimentos, em que procura seguir esse modelo de meritocracia. “Uma sociedade com participação e certo espírito de equipe funcionando como uma cola para isso tudo. Estimulando talentos.”

Fraga ressaltou a importância do chefe que dá crédito pelos acertos de seus subordinados e assume os erros. “Experimente fazer isso e veja o que seus funcionários farão por você.”

Setor público

Fraga lembrou que o período no governo foi a parte mais visível de sua carreira. “Melhor experiência de trabalho eu nunca tive”, afirmou, recomendando à plateia que se tiver chance, trabalhe no setor público. É um uso nobre do tempo, disse.

Ele foi diretor do BC em 1991 aos 33 anos, quando o Brasil estava em moratória da dívida externa. E o país saía de um congelamento de preços e de ativos, depois de uma sequência de planos que deram errado.

Há um paralelo com a situação de hoje, afirmou. O momento no país é de muita tensão e dificuldade. E há muita coisa fora do lugar, muita coisa para arrumar. “O motor do crescimento está escangalhado, mas tem conserto”, disse. “Pode ser oportunidade para fazer muita coisa, e é o que me dá esperança.”

A máquina de crescimento precisa hoje de uma resposta muito ampla, explicou Fraga. No lado micro, há um sistema tributário bem complicado. Destacou que a tributação sobre a indústria é muito mais alta que sobre outros setores. O ICMS, afirmou, é obstáculo à integração nacional. Há uma série de questões que representam o custo Brasil e que precisam ser abordadas. É preciso simplificar isso e trabalhar por uma redução da taxa de juros.

As regras trabalhistas também são tema superimportante, na opinião do economista. “O Brasil hoje precisa dar uma arrumada na casa para achar o caminho do crescimento outra vez.” O mais natural parece ser a infraestrutura, em que há uma carência tremenda, mas é algo muito complicado, avaliou Fraga. “Não traz crescimento da noite para o dia.”

Ao fazer sua breve biografia, lembrou que teve todas as chances e gostaria que todos tivessem. Vindo de uma família de médicos, foi parar “por eliminação” na economia. “E dei sorte.” Destacou o peso da influência de economistas que conheceu na faculdade.

Comparou a economia à medicina. A política monetária é uma espécie de cortisona para a economia. Não cura, mas estabiliza o paciente. Em excesso, como tem ocorrido no mundo, provoca problemas. Tem utilidade, mas não resolve tudo. Não melhora a infraestrutura e o ambiente regulatório, exemplificou.

Mas, disse, os problemas têm cura. A melhor cura é a luz do dia. A esperança é que haja um entendimento tanto do lado econômico quanto político, para que o Brasil possa se reconstruir. “Vamos ter que nos organizar melhor e trabalhar muito.”

Fraga vê processo gradual, com uma agenda de reformas em andamento para atacar o custo Brasil. Há um certo problema de endividamento, de excesso de capacidade de produção, alguma dificuldade para investir. E ainda há a influência de 2018 [eleições presidenciais]. “Vamos ter que ter um pouco de sangue frio e ir trabalhando.”

Em relação à produtividade e competitividade, Fraga disse que o Brasil tem escala para ser um país integrado, tem seu espaço, apesar de ser extraordinário o que acontece na Ásia. “Processo tem que de um lado ir abrindo e de outro atacando o custo Brasil, com infraestrutura melhor, reforma do PIS/Cofins, juros mais baixos. Aí, devagarinho, abrir. Não acredito num big-bang. Seria uma loucura. Mas também não pode ficar parado.”

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O ex-presidente do BC Armínio Fraga durante palestra no Congresso CJE. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Juros e câmbio

Caio Cordeiro, coordenador adjunto do CJE, foi o mediador da palestra de Fraga, que incluiu uma análise sobre o comportamento da economia brasileira.

Em juros e câmbio o Brasil tem sido destaque negativo no cenário internacional, destacou Fraga.

O nível dos juros reais é muito alto no país, disse, e recentemente o diferencial em relação aos EUA aumentou, depois de uma tendência de queda. Pondo ordem na casa os juros devem cair. Um país que funciona relativamente bem e tem essa taxa de juros recebe pressão no câmbio, explicou.

O câmbio estava muito defasado na época do Real, o que se inverteu, indo a R$ 4 em 2002. Voltou depois, com o boom das commodities. E no período Dilma, voltou a ficar defasado. Mais recentemente, com a sensação de que os problemas vão ser encarados, melhorou novamente. Relação de trocas e câmbio voltaram à média dos últimos 20 anos, explicou Fraga.

Em reunião com presidente do BNDES, Skaf defende ações para devolver competitividade à indústria

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Durante reunião nesta terça-feira (18/10) com a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, afirmou que há necessidade de criar condições mínimas para o funcionamento das indústrias, com crédito, com juros mais baixos, com câmbio num nível que permita a competitividade. O BNDES, disse Skaf, tem papel fundamental, como banco de fomento, de desenvolvimento econômico e social.

O presidente da Fiesp e do Ciesp lamentou a situação do país. “O Brasil não merece a situação atual, com 12 milhões de desempregados”, disse. “Como já está nela, não adianta olhar para trás. Temos que olhar para a frente.” Lembrou, no entanto, que já houve melhoras importantes. “A confiança foi recuperada, e vai se recuperar mais depois da PEC [241, de teto de crescimento das despesas do governo], depois da reforma da Previdência”, disse.

Skaf destacou o apoio dado pela indústria à PEC 241, por entender que o equilíbrio é essencial. “Não se pode permitir que o país morra na praia”, disse, antes de agradecer a visita de Maria Silvia.

Na reunião, o vice-presidente da Fiesp e diretor titular de seu Departamento de Competitividade e Tecnologia, José Ricardo Roriz Coelho, ressaltou que todos querem o crescimento econômico, mas a situação atual é difícil, com altas taxas de juros e consumidores sem propensão a gastar. O problema maior, disse, é a alavancagem das empresas. Segundo Roriz, a grande tarefa é fazer que elas voltem a ter saúde econômica. Defendeu, como proposta urgente para a atuação do BNDES, que o banco forneça crédito para o capital de giro, para evitar o colapso das empresas. Outras propostas são:

Não devolução antecipada de recursos ao Tesouro Nacional;

Participação do BNDES no lançamento de debêntures de empresas com excessiva alavancagem;

Financiamento para reestruturação de empresas;

Refinanciamento de dívidas vencidas com o BNDES e financiamento às micro, pequenas e médias empresas;

Atuação do BNDES junto aos bancos para recuperar a concessão de credito;

Voltar aos índices de conteúdo local, de 60%, para operação de financiamento do BNDES.

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Maria Silvia Bastos Marques, presidente do BNDES, durante reunião com empresários na sede da Fiesp e do Ciesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


O BNDES

Maria Silvia Bastos Marques disse na reunião que o papel do BNDES tem sido muito discutido neste momento de ajuste fiscal. O objetivo, afirmou, é que o país viva a estabilidade macroeconômica. E há uma escassez de recursos públicos, lembrou, defendendo a importância do retorno social dos investimentos.

Em sua visão, o banco deve ter no futuro papel mais de garantidor que de financiador, permitindo que haja um verdadeiro mercado de debêntures. Estão em discussão instrumentos que vão permitir isso, afirmou.

Inovação e produtividade, em que o Brasil fica atrás de países semelhantes a nós, são pontos importantes. “Qual é a forma mais efetiva de fazer o apoio à inovação? Não sabemos a resposta”, disse Maria Silvia, ressaltando que é um tema sobre o qual a nova diretoria tem se debruçado.

Segundo a presidente do BNDES, a infraestrutura logística e urbana é essencial para a competitividade. Acabar com esse gargalo é urgente, disse. Saneamento é prioridade, por ser viável, ter impacto social e gerar empregos, explicou. A atuação, ao lado da Caixa Econômica Federal, será conjunta com Estados que se interessarem, com a meta de universalização.

O banco, explicou Maria Silvia, voltou a ter papel central nas concessões. Vai atuar no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) desde a contratação de estudos até a assinatura do contrato. Para isso o banco vai se valer de consultores.

Ela destacou a importância de micro, pequenas e médias empresas. Em relação a elas, o BNDES poderia fazer muito mais, disse. O banco procura alternativas para aumentar sua capilaridade e atender melhor o segmento. Uma das medidas para isso será retomar os postos avançados nos Estados, anunciou. “Se pudermos ter presença física, mesmo que pequena, ajuda.”

Para 72% das empresas brasileiras câmbio é o maior limitante das exportações, aponta estudo da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

O temor de nova sobrevalorização do câmbio é o maior obstáculo às exportações para 72% das empresas brasileiras, segundo mostra a pesquisa “Expectativas e Obstáculos Para Exportações e Substituição de Importações da Indústria em 2016”, elaborada pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), em parceria com o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex).

Para Thomaz Zanotto, diretor titular do Derex, a influência do câmbio é um fator preocupante para o setor, pois diminui a competitividade das exportações brasileiras.  “No Brasil, a taxa de câmbio passou muito tempo sobrevalorizada, o que subsidiava a entrada de produtos importados. Assim que alcançou um patamar mais realista, em torno dos R$ 3,70, o manufaturado brasileiro voltou a ganhar mercado externo.”

Além do câmbio, outros fatores foram citados como obstáculos para a exportação. Entre os cinco fatores que dificultam na hora de exportar, o financiamento aparece por três vezes, devido ao alto custo, difícil acesso e restrita oferta, segundo 67%, 64% e 60% das empresas, respectivamente.

Zanotto explica que a taxa de juros para crédito de curto prazo no Brasil é de 32% ao ano, frente a 8,1% no Chile, 5,6% na China e 3,3% nos EUA. Dos entrevistados, 63% apontaram que é muito alto o investimento necessário para criar uma estrutura de exportação, refletindo os diversos fatores do Custo Brasil, e 45% consideram que os preços dos seus produtos não são competitivos no mercado externo.

Segundo o diretor do Derex, há também outros pontos determinantes que limitam as empresas na hora de exportar, como a tributação, por exemplo. “A margem de lucro das exportações é baixa e, na impossibilidade de se exportar tributos, o acúmulo de impostos ao longo da cadeia produtiva tem que ser compensado de alguma forma. Nenhum país exporta tributos”.

De acordo com a pesquisa, somente 35% das empresas entrevistadas exportam anualmente, das quais 43% pretendem ampliar as exportações. Mesmo considerando isso, a previsão de aumento de exportações em 2016 é de 6%. Cinquenta e dois por cento nunca exportaram, e 98% dessas devem continuar sem exportar. Desta forma, empresas que já exportam tendem a elevar suas vendas externas de forma pouco expressiva, realizando poucos investimentos.

Zanotto afirma que exportar produtos da indústria de transformação demanda esforços comerciais e uma série de investimentos específicos que somente podem ser viabilizados com um ambiente de negócios regular, estável e previsível. Para ele, isso abrange desde a sobrevalorização e volatilidade da taxa de câmbio até a incertezas no âmbito macroeconômico, jurídico, tributário, regulatório e trabalhista, principalmente.

Importações

O estudo revelou que 37% das indústrias reduzirão as importações de insumos, incluindo máquinas e equipamentos. A queda será, em média, de 44%. Das indústrias que diminuirão a importação de insumos, 43,5% substituirão fornecedores externos por internos (em média, 24% do que se deixará de importar).

Já as importações de produtos acabados para revenda pelo setor devem cair cerca de 9%. Cerca de 32% das entrevistadas vão reduzir as compras externas para revenda, com queda média de 37,8%. E entre elas, 41% deixarão de vender esses produtos, de forma que a substituição pela produção doméstica tende a ser pequena.

Na análise de Zanotto, “a queda das importações reflete o atual quadro recessivo do Brasil. A redução nas compras de bens acabados mostra que os indivíduos deixaram de consumir. Por outro lado, a queda na compra de insumos também mostra que a indústria deixou de produzir”.

Metodologia

Com objetivo de identificar os fatores que limitam a atuação no mercado externo, identificar estratégias predominantes do setor para a importação de insumos e produtos prontos para revenda e sua eventual substituição por produtos fornecidos localmente, foram ouvidas 1.120 empresas da indústria de transformação, sendo 534 pequenas, 405 médias e 181 grandes, entre os dias 14 de março e 22 de abril de 2016.

Em seminário com Meirelles, Skaf defende redução dos juros

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Na abertura, nesta segunda-feira (19/9), do seminário Perspectivas da Economia Brasileira para os Próximos Anos, Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, afirmou que juros, crédito e câmbio não estão sendo tratados pelo governo da forma que deveriam. “Não há como cobrar em um mês de novo governo, mas essas questões, como os juros, são incompreensíveis e podem ser obstáculo à confiança”, disse Skaf, dirigindo-se ao ministro Henrique Meirelles (Fazenda), que participou do evento, na sede da Fiesp.

Citando a apresentação de Meirelles e a contextualização feita pelo vice-presidente da Fiesp José Ricardo Roriz Coelho, Skaf destacou as muitas coincidências entre o que a instituição pensa que deva ser feito e o diagnóstico do ministro da Fazenda. A PEC dos gastos (241, em discussão no Congresso) é fundamental, disse Skaf, lembrando que a dívida brasileira, caso o limite para crescimento das despesas tivesse sido adotado antes, teria permitido redução da dívida de R$ 4 trilhões para R$ 700 bilhões.

Não há dúvida também em relação à reforma da Previdência, afirmou o presidente da Fiesp e do Ciesp, ressaltando que devem ser mantidos os direitos de quem trabalha. Destacou o alinhamento dos empresários com as propostas do governo, mas disse que “atrapalha um pouco o alinhamento a questão dos juros, que quando a inflação era de 11%, representava taxa real de 3%”, e agora, com a inflação perto de 7%, levou o juro real para 6%. “Esta casa não consegue entender por que a taxa real quase dobrou”, disse Skaf, lembrando que não se pode dizer que isso é feito para enfrentar a inflação. “Não há demanda”, exemplificou.

A solução para o Brasil, lembrou Skaf, é a recuperação do crescimento econômico, mas isso não acontece sem crédito e com juros altos. Mesmo bancos públicos, destacou, dificultam a renovação de contratos. “Não se está falando em ajuda”, disse Skaf. “Se não é possível elevar o crédito, pelo menos que se renove o que já há.”

A terceira questão levantada pelo presidente da Fiesp e do Ciesp foi o câmbio, que “não pode ir para patamar que roube a competitividade brasileira”. Se isso acontecer, não haverá como a indústria se recuperar, o que afeta a arrecadação.

>> Ouça Skaf e Meirelles

Depois da fala de Skaf, Meirelles se disse aliviado por não haver crítica às propostas na área fiscal. Juros e câmbio, destacou, são questões do Banco Central (BC). Mencionando a autonomia operacional do BC, Meirelles disse que o ministro da Fazenda não deve dizer a ele o que fazer, mas afirmou que transmitiria a mensagem de Skaf à diretoria da instituição. O presidente da Fiesp e do Ciesp lembrou que o ministro da Fazenda é responsável pelo pagamento de R$ 500 bilhões de juros da dívida brasileira por ano e portanto dever ter interesse pelas decisões no BC. E brincou: “vamos pôr o Pato na porta do Banco Central”, referência ao pato gigante símbolo da bem-sucedida campanha “Não Vou Pagar o Pato”, promovida pelos setores produtivos, com forte apoio da sociedade, contra o aumento de impostos.

O crédito, reconheceu Meirelles, é problema sério, mas destacou que o crescimento dos valores oferecidos pelos bancos públicos foi impressionante nos últimos anos, e agora eles se ajustam. Acredita que tende a uma normalização, quando houver condições técnicas.

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Henrique Meirelles e Paulo Skaf na abertura de seminário na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Ajuste e crescimento

Meirelles abriu sua apresentação (O Ajuste Fiscal é Pré-condição para o Crescimento Sustentado) lembrando que o momento é importante para o país, pela mudança das perspectivas econômicas e políticas. Uma das conclusões fundamentais da política econômica nos últimos anos foi sintetizada por estudo do G20 que mostrou que se compararmos países com taxa de crescimento e de padrão de renda não aceitáveis com os que conseguiram dar salto em seu nível de produção de renda e de riqueza, o sucesso ocorreu nos que conseguiram identificar claramente as razões para o baixo desempenho e as atacaram com foco, que precisa estar nos problemas de maior relevância. Aplicando isso no Brasil se percebe que o problema está no crescimento das despesas, defendeu. Intervencionismo e outras questões levaram a uma insegurança e queda na confiança. Ela, afirmou, decorre da capacidade do Estado em gerenciar suas contas.

Ressaltou que despesas primárias cresceram 56% entre 2007 e 2015, o que classificou de insustentável. Despesas do INSS passariam de 8% para 17% até 2060, o que, afirmou, claramente não é sustentável.

Para enfrentar a causa do problema, propõe-se movimento de várias etapas. Explicou que a PEC241 impede crescimento dos gastos acima da inflação do ano anterior. Há na Constituição pisos para a despesa em saúde e educação. O que se propõe é um teto para despesas globais. Na prática, afirmou, não há corte nas despesas em saúde e educação. Elas até sobem no primeiro ano, depois ficam estáveis.

Ajustes de curto prazo tendem a ser malsucedidos, porque mais de 75% das despesas públicas nos últimos anos foram definidas constitucionalmente, levando a uma margem de cortes muito limitada. É preciso criar um horizonte de previsibilidade, defendeu. Não só temos que enfrentar o problema com uma mudança constitucional como garantir que o patamar funcione por tempo suficiente para que haja previsão de estabilização e depois queda do crescimento da dívida pública, afirmou.

Não se faz reforma constitucional em 4 semanas, disse. É legítimo que a sociedade exija um debate mais profundo. Velocidade das mudanças é alta se considerarmos que desde 88 não se fazia essa discussão, defendeu Meirelles. “Temos que mudar a dinâmica estrutural das despesas públicas no Brasil, o que exige mudar a Constituição.”

Crítica do outro lado é que se cortam investimentos importantes em saúde e educação, o que, disse Meirelles, não acontece. Eles ficam estabilizados. Temos que melhorar a gestão da educação, disse Meirelles. Número de alunos e tempo que passam na escola aumentam, mas não melhor a qualidade. É um desafio, e deveria ser o foco, e não o dinheiro.

Momento permite discutir o teto de gastos porque a crise chamou a atenção para o problema. Perguntou se é mais importante o emprego ou a despesa. A PEC cria uma janela de oportunidade importante para resolver o problema num horizonte de tempo. Depois de 10 anos o presidente pode propor mudanças, lembrou.

Previdência

Sobre a reforma da Previdência, Meirelles disse que é inevitável. Como a PEC dos gastos, terá que ser feita, ou teremos um Estado insolvente. Lembrou que reformas tendem ser complicadas, como mostra a experiência em outros países. “Mais importante do que a idade com que a pessoa vai se aposentar é ter certeza que vai receber a aposentadoria”, disse.

Meirelles encerrou a apresentação deixando como última mensagem que a curva de confiança caiu muito de 2011 a 2016, mas isso já se inverteu, o que mostra que a consciência sobre o problema é maior do que se pensa.

Contexto

Roriz Coelho abriu o seminário com uma apresentação sobre o contexto, ressaltando que a economia brasileira atravessa o pior triênio desde 1901. Explicou que a crise tem raiz no descontrole fiscal. A irresponsabilidade fiscal levou de resultado primário de 1,3% em 2013 para -2,7% do PIB em2016. Desemprego saiu de7,4% para 11,4%, o que é preocupante. De 2001 a 2015 o PIB cresceu 48,7%, e as despesas, 128,5%.

O gasto público é rígido, disse Roriz, com 90% das despesas do governo federal sendo obrigatórias.

Projeção da Fiesp para os próximos 10 anos mostra que mesmo que houvesse aumento da carga tributária, para o que não há espaço, o resultado primário continuaria ruim, de -0,1% do PIB.

Com reformas, como PEC dos gastos, cortes de gastos no curto prazo e reforma da Previdência, o cenário seria de redução de R$ 30 bilhões no déficit, mas para isso seria preciso, por exemplo, não dar aumento para o funcionalismo. Roriz disse que é preciso negociar para que não haja emendas à Leia orçamentária Anual que a prejudicariam. Também a venda de estatais seria necessária, ainda é insuficiente.

A PEC241 precisa ser aprovada sem alterações em seu texto atual. Ainda assim, a reforma da Previdência tem que ser feita, ou o peso dela vai subir ainda mais.

Com a queda da inflação, a manutenção da Selic representa aumento dos juros. Proposta é já em 2016 cortar 3 pontos percentuais da Selic, e mais 1,75 pp em 2017. Somente com a redução dos juros haverá recuperação da economia, defendeu.

Vetores do crescimento sustentável mostram que a roda da economia voltou a girar.

Com reformas, resultado em 2026 ficaria positivo em 3,1%. Resultado nominal em relação ao PIB seria de -2,6% (contra -15,7% sem reformas). Sem as reformas, a dívida bruta iria a 167,4%, contra 75%. O desemprego iria a 17%, o que chamou de caos social. Com reformas, cairia para 6% (contra 11,8% neste ano).

Em relação à indústria, destacou que sua participação no PIB do Brasil caiu para 11,4%, patamar dos anos quarenta. Razões para a desindustrialização são o custo-Brasil, que onerou a produção, e o câmbio. Essa desindustrialização, explicou, afetou a produtividade da economia brasileira como um todo.

Roriz lembrou que a indústria é a etapa das cadeias produtivas em que é maior a geração de valor, salários e tributos. Cada 1% de crescimento industrial gera 1,1% de crescimento da economia. Além disso, a indústria tem a maior massa salarial, realiza 30% do investimento produtivo, 70% de P&D e 77% da inovação.

“Precisamos criar as condições para essa retomada do crescimento econômico”, disse, encerrando sua apresentação.

Skaf leva a Meirelles proposta de retomada do Reintegra

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, disse nesta sexta-feira (29/7) em Brasília, após reunião com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que a volta do programa de devolução de impostos sobre produtos exportados, o Reintegra, pode evitar queda nas exportações. “Nossa proposta foi a retomada do Reintegra.” A lei permite compensar até 3% dos impostos embutidos nos produtos exportados, mas atualmente só compensa 0,1%. “Se o Brasil quer ser um país exportador –e precisa ser um país exportador- não pode insistir em ser exportador de impostos.”

“Estamos muito preocupados com o câmbio”, disse Skaf, explicando que a excessiva valorização do real rouba a competitividade brasileira. Lembrou que diversos fatores, como o provável fim do processo de impeachment e consequente retomada da confiança, a entrada de investimentos estrangeiros e a repatriação de recursos pressionam o dólar para baixo.

Skaf relatou a Meirelles também sua grande preocupação com o crédito. “As instituições financeiras, mesmo as oficiais, estão muito retraídas”, explicou. Mesmo a renovação de contratos está difícil. “É preciso pelo menos manter o que as empresas têm.”

Em relação aos gastos públicos, Skaf manifestou total apoio à PEC que impõe seu limite. “É fundamental para o Brasil”, disse Skaf. “Vamos apoiar a PEC” no Congresso, afirmou. Se o dispositivo estivesse em vigor, a dívida pública estaria atualmente em cerca de R$ 700 bilhões, em vez de perto de R$ 4 trilhões. Menor, a dívida permitiria a redução da taxa Selic, o que levaria ao crescimento. “O Brasil seria outro.”

Skaf disse a Meirelles que “em hipótese nenhuma” a indústria vai aceitar aumento de impostos. “O ajuste fiscal tem que ser feito pela redução das despesas, não pelo aumento de impostos.” A inadimplência já é alta, explicou Skaf, porque as empresas não têm fôlego para pagar os impostos. “Nossa posição é radical contra a CPMF e contra qualquer aumento de impostos. O governo tem que apertar o cinto.”

Aumento de impostos incentiva informalidade do mercado brasileiro, afirma Flávio Rocha

Amanda Viana, Agência Indunest Fiesp

O aumento da carga tributária amplia as chances de sonegação, pelo alto peso dos impostos – que o Governo pretende aumentar como parte do ajuste fiscal. Com isso, há o crescimento do mercado informal e da clandestinidade da economia brasileira. A análise é de Flávio Rocha, presidente da Riachuelo.

“A questão da informalidade é uma realidade no país. O que estamos vendo no varejo, com muita tristeza, é reclandestinização da economia. Não existe espaço para o aumento de alíquota”, afirmou Rocha. Ele participou da reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta terça-feira (15/9), na sede da entidade.

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O presidente da Riachuelo, Flávio Rocha, que participou de reunião do Comtextil da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp



Fantasma da clandestinidade

De acordo com ele, no Brasil existe muita clandestinidade econômica, com desequilíbrio concorrencial muito grande. No entanto, em determinado momento da economia brasileira, houve uma formalização do mercado, principalmente pelo varejo, que abrange desde empresas entre as maiores do mundo até o camelô da esquina, segundo Rocha. “A formalização da economia brasileira se deu pela formalização do varejo, porque aí você formaliza toda a cadeia de produção”, disse.

Para ele, formalização e produtividade são conceitos que caminham lado a lado. “O crescimento de tecnologias, de investimentos, mais cartões de crédito, boom de indústria de shoppings, nada tem a ver com governo algum, mas, sim, com esse desabrochar do varejo”, comentou Rocha.

O presidente da Riachuelo lamentou o aumento da clandestinidade econômica no país e voltou a criticar o aumento de alíquotas, que, para ele, representa mais informalidade e queda de arrecadação. “Depois de comemorar essa formalização que trouxe tantos impactos positivos, estão evidentes os sinais de que o fantasma da clandestinidade está ressurgindo com todos os efeitos negativos que esperávamos”, afirmou.


“Brincadeira de câmbio” rouba US$ 410 bilhões da indústria brasileira, afirma Delfim Netto

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Nos últimos 20 anos, foi desviado da indústria brasileira o equivalente a mais de US$ 410 bilhões em demanda, com o setor de transformação brasileiro sendo substituído nos últimos anos por indústrias chinesas, afirmou nesta segunda-feira (14/9) o ex- ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto.

“Roubamos essa demanda da indústria nacional por conta dessa brincadeira de câmbio, não apenas por conta dela, mas basicamente por conta dela”, afirmou Delfim, ao participar de uma mesa sobre competitividade e custo do capital durante o 12º Fórum de Economia da FGV, apoiado pela Fiesp.

Delfim, que também é presidente do Conselho Superior de Economia da Fiesp, reforçou que o baixo dinamismo da indústria tem puxado para baixo o crescimento econômico do Brasil nos últimos anos.

“O Brasil não cresceu porque a política econômica roubou-lhe as condições isonômicas de competição. No chão da fábrica, a produtividade no Brasil é a igual à de seus concorrentes. O que não é igual são os custos. Nós roubamos da indústria nacional as condições de competição e por isso estamos pagando o preço que estamos pagando”, reiterou.

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Delfim Netto durante o 12º Fórum de Economia da FGV. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Câmbio e capital

Delfim Netto afirmou ainda que usar o câmbio para controlar a inflação “é a morte de todo ministro da Fazenda. Não tem ministro que não tente ser esperto e use o câmbio para controlar a inflação, mas não dá certo”.

Ele também defendeu o investimento e o aumento da quantidade de capital por hora/homem. “Não tem forma de crescer a não ser educando os homens para usar um capital cada vez mais sofisticado. O Brasil tem uma revolução em andamento: não tem uma empresa no país hoje que não tenha uma sala para ensinar o sujeito.”

O vice-presidente da Fiesp João Guilherme Sabino Ometto participou da abertura do Fórum da FGV, que termina nesta terça-feira (15/9). Segundo ele, o custo com capital de giro representa um acréscimo nos preços dos produtos industriais de 4,1% em comparação com os principais parceiros comerciais do país.

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João Guilherme Sabino Ometto na abertura do 12º Fórum de Economia da FGV. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Custo Brasil deixa produto nacional 33,7% mais caro que importado em 2013

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O chamado Custo Brasil, termo que se refere ao conjunto de entraves estruturais que encarecem a produção industrial local, contribuiu para que mercadorias produzidas pelo setor manufatureiro brasileiro ficassem 33,7% mais caras que produtos importados de países parceiros, ou seja, nações como a Alemanha, Argentina, Chile, França, e outras, que corresponderam a mais de 70% da pauta de importados no ano passado.

Os dados fazem parte da versão atualizada da pesquisa Custo Brasil e a Taxa de Câmbio na Indústria de Transformação 2013, elaborada pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Descontando efeitos como a valorização cambial, o Custo Brasil encareceu os produtos produzidos por indústrias brasileiras em 23,4% com relação os produtos importados dos países parceiros.

No relatório da nova pesquisa, o Decomtec listou algumas razões pelas quais a valorização cambial prejudica a expansão da indústria e, consequentemente da economia.

“A valorização cambial provoca redução do preço de produtos importados, tal redução é mais significativa que a ocorrida no custo de produção da indústria de transformação nacional, uma vez que a maior parte da sua estrutura de custos é insensível a variações da taxa de câmbio”, apontou o estudo.

Segundo o Decomtec, a apreciação do Real ainda desestimula o investimento “produtivo no mercado interno”.

Na comparação com os países desenvolvidos, o diferencial de preços para um produto produzido no Brasil para um produto importado é de 29,9%. No caso dos emergentes, o diferencial do custo é de 36,9%.

Em relação à China

A pesquisa apurou ainda que o custo de produto manufaturado no Brasil é 32,3% superior ao custo de uma mercadoria da China.

O Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp concluiu que as alíquotas do imposto de importação são “insuficientes” para derrubar a desvantagem de competição da indústria de transformação brasileira.

“O Custo Brasil e a valorização cambial explicam o fraco desempenho da indústria de transformação, repercutindo em baixo nível de investimento e crescimento do PIB, muito aquém do necessário para o desenvolvimento da nação”, informou o estudo. “A análise comprova que as deficiências do ambiente de negócios não podem ser compensadas por melhorias nas estratégias empresariais”.

Para acessar a apresentação da Pesquisa, clique aqui.


Influência do câmbio ainda é baixa e plataformas de petróleo impulsionam exportações

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

As plataformas de exploração de petróleo que foram comercializadas ao longo do ano passado ajudaram a incrementar o Coeficiente de Exportações (CE) da indústria geral brasileira, que fechou 2013 em 20,6%, um acréscimo de 0,33 ponto percentual (p.p.) em relação a 2012. O dado está na análise dos Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgados na tarde desta quinta-feira (20/02) pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade.

O aumento de 0,8 p.p. do Coeficiente de Exportação dos manufaturados foi o grande responsável pelo resultado positivo da indústria geral, uma vez que a atividade extrativa mostrou redução de quase cinco pontos percentuais no mesmo período. No entanto, se não fosse o aumento significativo gerado pela venda de sete plataformas de exploração de petróleo – contra duas exportadas em 2012 – o CE teria mostrado retração de 0,3 p.p.

O estudo também aponta que o efeitos do enfraquecimento do Real ainda não foram sentidos pelos exportadores, apesar da moeda ter desvalorizado cerca de 15% nos últimos doze meses.

Baixa competitividade

Segundo o diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, isso acontece porque o cenário de baixa competitividade das exportações brasileiras, “decorrente dos elevados custos de capital, impostos, infraestrutura e logística, neutraliza os efeitos da desvalorização do Real e não contribui de forma mais efetiva para aumentar a presença dos produtos brasileiros no exterior”.

“A manutenção de um câmbio desvalorizado é essencial para que essa inércia exportadora sofra uma mudança positiva no médio prazo”, explica.

Zanotto: oportunidades nas áreas de saúde, segurança, defesa e construção civil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Zanotto: “A manutenção de um câmbio desvalorizado é essencial para que essa inércia exportadora sofra uma mudança positiva no médio prazo”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O dólar mais caro também não inibiu a entrada de produtos estrangeiros no país. O Coeficiente de Importação (CI) da indústria geral extrapolou a barreira dos 25%, atingindo a marca histórica de 25,2% no final de 2013.

Os importados também dominaram o aproveitamento da expansão do consumo aparente, que foi de 2,6%. Na comparação interanual, é possível observar que a indústria brasileira absorveu apenas 10,7% dessa expansão, enquanto os produtos estrangeiros responderam por 89,3% do aumento do consumo.

“Mesmo com a recente desvalorização do Real, as importações continuaram a crescer. Isso se deve a fatores estruturais da economia brasileira, como a relação da indústria doméstica com os insumos importados”, comenta Zanotto.

“No que se refere ao consumo, o ciclo de apreciação cambial dos últimos anos exerceu forte influência em alguns setores, como por exemplo, eletrônicos e máquinas e equipamento. Assim, o produto nacional das indústrias afetadas passou a ser substituído pelo produto estrangeiro.”

Setores

Além do crescimento do CE do setor de “outros equipamentos de transportes” – que engloba as plataformas de petróleo – com aumento recorde de 43,1 p.p., outros dez setores apresentaram alta do indicador, entre eles, o de couro e de celulose, com elevações de 5,8 p.p. e 2,2 p.p., respectivamente.

Já entre os 22 setores que registraram queda no CE, as mais significativas ocorreram em máquinas e equipamentos para extração mineração e construção (-9,9 p.p.), aeronaves (-7,9 p.p.) e tratores e máquinas para a agricultura (-7,1 p.p.).

Em 2013, 17 dos 33 setores registraram aumento do CI em face ao mesmo período do ano anterior. Novamente, o destaque foi para o setor de “outros equipamentos de transportes”, com alta de 17,4 pontos percentuais. Demais setores que mostraram expansão foram os de produtos farmacêuticos (+7,4 p.p.) e equipamentos de instrumentação médico-hospitalar (+ 4,6p.p.).

Entre os segmentos que registraram redução do CI, destacam-se os de máquinas e equipamentos para extração mineração e construção ( -9,7 p.p.) e aeronaves (-5,4 p.p.).

Para acessar os resultados detalhados, clique aqui.

Delegação da Suécia debate relações com o Brasil em visita à Fiesp; Skaf propõe intercâmbio na área educacional

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) recebeu nesta segunda-feira (11/11) a visita da Academia Real Sueca de Ciências e Engenharia. O patrono da academia, o rei da Suécia Carl XVI Gustaf, esteve presente no encontro. Além de participar de debates sobre inovação e competitividade nas relações entre o Brasil e a Suécia, a delegação se reuniu com a diretoria e com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

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Ao lado do rei da Suécia Carl XVI Gustaf (à direita na foto), Paulo Skaf disse que o Brasil precisa de muitos parceiros. “Tenho certeza que a Suécia pode ser um grande parceiro brasileiro.” Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Skaf agradeceu a presença da delegação, em nome de todos os setores produtivos brasileiros, e reforçou a importância de aumentar os negócios entre os dois países.

“A corrente de comércio da Suécia em 2012 foi de US$ 340 bilhões. A brasileira ficou em torno de US$ 500 bilhões. Isso nos estimula a procurar as razões pelas quais a nossa troca de comércio é tão modesta. Deveríamos estar comprando muito mais da Suécia e também vendendo mais para eles, assim como deveria ser maior o investimento de um país para o outro”, afirmou o presidente da Fiesp.“O Brasil tem um grande potencial e precisa de muitos parceiros. E tenho certeza que a Suécia pode ser um grande parceiro brasileiro.”

Ao falar dos investimentos da indústria paulista em educação, o presidente da Fiesp aproveitou a oportunidade para propor um intercâmbio entre as universidades da Suécia com as entidades da indústria como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e o Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

O presidente do Conselho da Academia e líder da delegação, Leif Johansson, disse que a Suécia tem muito interesse no Brasil. “Nossa meta é fazer a imersão profunda em coisas brasileiras, comparar o Brasil e a Suécia e avaliar como os países podem se desenvolver de forma independente e também em conjunto”, declarou. “Temos muito interesse em participar na economia crescente do Brasil, promovendo a ciência em áreas como estrutura energética, inovação, empreendedorismo e sustentabilidade. Sem dúvida, a Fiesp é uma organização importante para chegar a esse objetivo.”

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Leif Johansson (2º da esquerda para a direita): “Temos muito interesse em participar na economia crescente do Brasil”. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Perguntas

Os principais temas questionados pelos membros da delegação sueca foram competitividade, infraestrutura, pré-sal e investimentos do país em educação.

Sobre a competitividade, o diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), José Ricardo Roriz Coelho, citou alguns dos entraves que o Brasil precisa enfrentar nessa questão. “Um dos problemas é o câmbio, porque durante um tempo tivemos o real sobrevalorizado, o que desorganizou os preços relativos no Brasil e perdemos a competitividade para exportar e no mercado interno. Também temos o custo de produzir no Brasil, que é muito caro”, explicou Roriz, que incluiu nesse custo as questões da infraestrutura e da baixa qualidade dos serviços públicos.

Roriz falou ainda que o Brasil precisa fazer um grande trabalho na área de inovação e tecnologia, para melhorar sua competitividade, além de fazer as reformas – tributária, jurídica e política.

O impacto dos investimentos do pré-sal para o Estado de São Paulo também foi tema de uma pergunta da delegação sueca. “De 2012 a 2016, o investimento do estado na área de petróleo e gás vai ficar na casa de R$ 175 bilhões. Em termos de serviços e produtos, São Paulo é responsável por 50% de tudo que se faz nessa área, mas, hoje, representa só 2% da produção. Esse número vai crescer para cerca de 20%, depois de desenvolvidos os campos do pré-sal”, disse Roriz, que avalia o pré-sal como uma grande oportunidade para São Paulo.

O diretor do Decomtec falou ainda sobre a questão da infraestrutura. “Embora o Brasil tenha imensos desafios pela frente, também é um país de grandes oportunidades. E pode trabalhar em conjunto com a Suécia para desenvolver esse potencial.”

‘É viável a inclusão de uma cláusula de proteção cambial nas negociações do acordo com os europeus’, afirma diretor da Fiesp em entrevista ao Valor Econômico

Agência Indusnet Fiesp

O diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, foi citado, nesta quarta-feira (30/10), em duas reportagens do Valor Econômico. Uma sobre o pedido de prorrogação do Reintegra, benefício que dá ao exportador crédito correspondente a 3% do faturamento obtido com vendas ao exterior e que expira em 31 de dezembro, e a outra sobre a cláusula cambial no acordo com a União Europeia.

No texto “Indústria pedirá ao governo a prorrogação do Reintegra”, publicado na página A4 da editoria de Brasil, o periódico informa que um total de 16 entidades que representam indústrias de diversos segmentos devem pedir ao Ministério da Fazenda a prorrogação do Reintegra. Entrevistado pela reportagem, Fonseca explicou que “o objetivo do Reintegra é amenizar o efeito dos tributos não compensáveis na cadeia de produção de bens para a exportação”. E ainda: “O câmbio nem poderia ser alvo de ressarcimento do benefício. Isso é uma impropriedade técnica, já que esse tipo de incentivo seria vetado pela Organização Mundial de Comércio”.

Para ler a reportagem,  clicar aqui e fazer um cadastro (o acesso é livre para assinantes).

Na segunda matéria, também na página A4 da editoria de Brasil, o jornal informa que “a volatilidade do câmbio e sua influência na competitividade das exportações deu origem a um debate sobre a inclusão de cláusulas de salvaguarda cambial nos acordos de livre comércio”. Nesse contexto, Fonseca diz considerar “viável” a inclusão de “uma cláusula de proteção cambial nas negociações do acordo com os europeus. E ainda: “A discussão é complexa e difícil, mas é melhor que ela aconteça agora do que enfrentar discussões e desconfiança no futuro”.

Quer ler o texto? Clique aqui e faça um cadastro (o acesso é livre para assinantes).

Custo Brasil na Indústria de Transformação por Intensidade Tecnológica 2012

No intuito de entender como o Custo Brasil e o Câmbio afetam as diversas atividades industriais, o Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp elaborou novo estudo que quantificou quanto foi o Custo Brasil de acordo com a intensidade tecnológica dos setores da indústria de transformação em 2012.

Os resultados apontaram que os bens produzidos pela indústria de transformação nacional se deparam com elevadas desvantagens de preços em todas as intensidades tecnológicas.

Custo Brasil na Indústria de Transformação em 2012


Imagem relacionada a matéria - Id: 1540073062PARA VISUALIZAR OU GRAVAR O ESTUDO, ACESSE O MENU AO LADO


Para entender melhor o estudo, leia o resumo abaixo:

  • Os mais recentes dados atestam que o baixo crescimento econômico brasileiro é, em boa medida, consequência da crise em curso na indústria de transformação.
  • Essa crise se caracteriza pela estagnação da produção industrial num contexto de aumento do consumo interno (atendido quase integralmente pelo incremento das importações), e tem duas causas fundamentais. A primeira é o “Custo Brasil”, termo referente a deficiências dos fatores sistêmicos da economia brasileira que se traduzem em maiores custos internos em comparação com outras economias. A segunda é a valorização da taxa de câmbio, que, apesar de atenuada no último ano, ainda é muito prejudicial à competitividade do setor.
  • Novo estudo do Decomtec/Fiesp quantifica, detalhadamente, o impacto desses fatores na competitividade dos produtos transformados brasileiros. Em função do Custo Brasil e valorização do real, um bem manufaturado nacional é, em média, 34,2% mais caro que similar importado dos principais parceiros comerciais. Esse percentual se refere à comercialização no mercado brasileiro, inclusos todos os tributos, e, no caso de bens importados, já contando com as alíquotas de importação e demais custos de internalização.
  • Ressalte-se que o diferencial de preços de 34,2% se refere à média da indústria de transformação, existindo distinções de acordo com os setores de atividade considerados. Por sua vez, os diferenciais de preços estão sujeitos a um efeito cumulativo, à medida que se avança nas cadeias produtivas da indústria. É por isso que, no caso de setores a jusante das respectivas cadeias, justamente os que mais empregam e agregam maior valor à produção, a tendência é que os diferenciais d
    e preço ante os produtos importados sejam mais elevados.
  • O diferencial de preços apontado é a causa primordial da crise na indústria de transformação, e, consequentemente, também explica o persistente baixo nível de investimentos e de atividade inovativa, e, portanto, o reduzido crescimento econômico do Brasil.
  • A natureza sistêmica do Custo Brasil e da valorização cambial tornam sua redução fundamentalmente dependentes de políticas de Estado. Pelo prejuízo à competitividade industrial quantificado no estudo, essas políticas têm caráter de urgência.

TV Globo: Fiesp aponta que produto brasileiro é um terço mais caro do que os importados

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

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Reportagem do Bom Dia Brasil mostra percentual de diferença entre produtos brasileiros e estrangeiros.

A edição de hoje do noticiário “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo, exibiu uma reportagem sobre os resultados apontados pelo estudo “Custo Brasil e a Taxa de Câmbio na Competitividade da Indústria de Transformação Brasileira”, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Um estudo feito pela Fiesp mostra que o produto industrializado no Brasil custa em média 34% mais que um similar importado”, narra a repórter Carla Modena.

“O levantamento lista uma série de fatores que encarecem o produto brasileiro. O primeiro é o dólar baixo, que deixa os importados mais baratos. Depois vêm os impostos. E itens como deficiência de transportes, juros altos e custo dos serviços, que subiram muito com o aumento dos salários”, acrescenta a repórter.

>> Veja a reportagem no site do ‘Bom Dia Brasil’
>> Conheça o estudo na íntegra

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'Produzir no Brasil ficou muito caro', diz Paulo Skaf na reportagem.

Além de outros dois entrevistados, um industrial e um economista, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, é ouvido. “[O] Brasil passou a perder a sua competitividade. O custo no Brasil subiu muito. Produzir no Brasil ficou muito caro”, afirma Skaf.

Carla Modena informa que no ano de 2012, segundo estudo da Fiesp, a produção recuou enquanto o varejo cresceu 8,4%. “A indústria local não se beneficiou do aumento do consumo brasileiro. Quem lucrou foi a indústria estrangeira”, explica.

Decomtec

O estudo foi desenvolvido pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp.

Uso do câmbio para controlar inflação é ‘grave equívoco’, afirma Giannetti

Agência Indusnet Fiesp

Usar o câmbio como instrumento para controlar a inflação pode ter resultados positivos no curto prazo, mas traz como consequência a desindustrialização, avaliou o diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.

Em entrevista concedida ao AE Broadcast Ao Vivo, serviço em tempo real da Agência Estado, Giannetti afirma que um valor entre R$ 2,20 e R$ 2,30 representa um patamar de dólar favorável para a indústria brasileira.

“A nossa instituição diz que um câmbio entre R$ 2,20 e R$ 2,30 seria muito mais adequado para representar a real competitividade e equilíbrio de mercado entre importação e exportação a economia brasileira”, afirmou Giannetti.

Leia aqui matéria na íntegra publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Giannetti elogia nova política cambial brasileira e afirma que especulação é estabilizadora ‘só na teoria’

Agência Indusnet Fiesp

A estabilidade cambial dos últimos sete meses não é registrada desde o abando do regime de bandas cambiais do Plano Real em 1999, lembra o Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e de Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, em artigo que ressalta as mudanças na política cambial brasileira como um fato econômico “extremamente relevante”.

Giannetti cita em seu artigo, publicado nesta segunda-feira (21/01) pelo jornal O Estado de S. Paulo, mudanças como a queda do padrão de volatilidade da taxa de câmbio brasileira, a depreciação o Real e o “reconhecimento explícito pelo governo da inadequação do câmbio valorizado para o desenvolvimento industrial”.

O diretor do Derex ainda rebate opiniões de economistas que defendem a livre flutuação como maneira de estabilizar a taxa de câmbio real em um patamar de equilíbrio dos preços domésticos face aos preços internacionais.

“No mundo real, a especulação é desestabilizadora e o mercado financeiro não leva o câmbio a equilíbrio algum”, afirma Giannetti.

Clique aqui para ler o artigo “A nova política cambial brasileira” na íntegra.

Para Paulo Skaf, o ano de 2013 começa com fatores positivos para a competitividade da indústria

Agência Indusnet Fiesp


O  jornal Folha de S. Paulo desta terça-feira, 1º de janeiro de 2013, trouxe uma reportagem com a opinião de investidores e de  empresários sobre como eles vêm as perspectivas econômicas para este ano.

Um dos ouvidos foi o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, que comentou que a  indústria, cuja competitividade foi afetada em 2012, também está moderadamente otimista para 2013. “Vamos iniciar o ano com câmbio a R$ 2,10, ante R$ 1,60 em 2012, com Selic a 7,25%, ante 11%, e redução de tarifas de energia. Isso vai melhorar nossa competitividade”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.


Retrospectiva 2012 – Fiesp marcou sua atuação em 2012 na luta pelo aumento da competitividade do Brasil

Agência Indusnet Fiesp

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Skaf na Globo News. Foto: Junior Ruiz

Ao longo de 2012, a batalha pelo aumento da competitividade do Brasil foi a principal causa global empreendida pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Em todos os fóruns e em entrevistas a jornalistas, o presidente da Fiesp e Ciesp, Paulo Skaf, sustentou que o país precisava de avanços para poder competir em condições de igualdade com os concorrentes estrangeiros.

“O problema não está da porta para dentro das fabricas. Está no custo elevado da energia, do gás, na logística cara, nos juros elevados – a taxa Selic está baixando, mas os spreads ainda são altos, aquilo que a indústria toma [emprestado] ainda é alto. O câmbio melhorou, mas estamos vivendo um câmbio 10% maior do que era em 2000 e de lá para cá tivemos 120% de inflação. A somatória de tudo isso prejudica muito a competitividade do Brasil e a indústria da transformação”, disse Skaf em entrevista à Globo News no mês de julho.

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Presidente Dilma faz pronunciamento na TV

A competitividade do Brasil em 2011, de acordo com estudo divulgado em novembro pelo Departamento de Competitividade (Decomtec), ocupou apenas a 37ª colocação em um ranking com 43 países, que representam 90% do PIB mundial.

Efeito direto ou não das reivindicações da Fiesp e do setor produtivo, a presidente da República, Dilma Rousseff, elegeu o tema da competitividade como prioridade na agenda de seu governo durante pronunciamento do dia 7 de setembro.

Energia

Após ampla campanha da Fiesp, lançada em 2011, a presidente Dilma anunciou em setembro um plano para reduzir as tarifas de energia: a antecipação da renovação das concessões que vencem em 2015 mediante desconto no preço da conta de luz, conforme prevê a Medida Provisória 579.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540073062“[A medida] (…) contribui para o crescimento da economia e para que a indústria recupere um pouco sua capacidade de competir com as estrangeiras”, saudou Paulo Skaf em artigo no Diário de S. Paulo.

Ante a pressão de algumas estatais pela derrubada da MP, a Fiesp lançou em novembro uma campanha em defesa da medida. “A Fiesp fez a sua parte. A Presidenta Dilma fez a sua parte. Mas, para a nossa surpresa, tem gente jogando contra”, reforça o anúncio.

Resolução 72

Em 2012, a cruzada da Fiesp para melhorar o cenário competitivo no país teve início, para o grande público, com a mobilização da Fiesp e Ciesp no Grito de Alerta, circuito de manifestações de diversas entidades empresariais e de trabalhadores a favor da indústria e do emprego no Brasil, foi mais um marco em defesa de medidas – inclusive a Resolução 72 – que aumentassem a competitividade do país.

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"Esta é uma manifestação em defesa da competitividade do Brasil", disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp. Foto: Helcio Nagamine



Em São Paulo, a manifestação aconteceu no dia 5 de abril, com uma caminhada da Avenida Paulista até o local do evento, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. O manifesto ganhou destaque na imprensa.

A primeira grande luta foi contra a chamada “Guerra dos Portos” – os incentivos fiscais concedidos por governos estaduais como mecanismo de incentivo à entrada de produtos importados.

Em fevereiro deste ano, o Decomtec/Fiesp da entidade divulgou o estudo Custos Econômicos e Sociais da Guerra Fiscal do ICMS na Importação  no qual informava que, por causa da prática,  o Brasil havia deixado de gerar 915 mil postos de trabalho em 10 anos.


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Skaf, em Brasília, com governadores de Estados que praticam a chamada Guerra dos Portos, defendeu a aprovação da Resolução 72



Em março, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, foi à Brasília defender o fim dos incentivos fiscais a produtos importados. “O interesse de alguns Estados não pode estar acima dos interesses do Brasil”, afirmou ao participar da audiência pública do Senado.

A aprovação da Resolução 72, no dia 24 de abril, pelo plenário do Senado Federal, foi o desfecho bem-sucedido da causa da Fiesp. A medida unifica em 4%, a partir de 2013, a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre produtos importados, colocando ponto final à chamada Guerra dos Portos.

“Isto é importante para o emprego – e para o bom emprego – porque a indústria de transformação é o melhor salário, o melhor emprego”, disse Skaf, que parabenizou o governo federal e os senadores Romero Jucá e Eduardo Braga pela atuação em favor da Resolução 72.

Desoneração

Entre outras medidas para destravar o crescimento econômico, a Fiesp também pleiteou a desoneração da alíquota do INSS sobre a folha de pagamento para setores da indústria.

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Ministro da Fazenda, Guido Mantega. Foto: Everton Amaro

Depois de anunciar em abril a desoneração para 15 setores, em setembro deste ano, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, divulgou um incremento de 25 setores à lista de segmentos da produção brasileira que, a partir de janeiro de 2013, devem substituir a contribuição de 20% do INSS pelo pagamento da alíquota de 1% ou 2% sobre o faturamento.

Em dezembro deste ano, o setor de construção civil foi incluído à lista de desoneração sobre folha de pagamento. Com a mudança, o setor, que gasta por ano R$ 6,280 bilhões com a contribuição, passará a pagar R$ 3,430 bilhões, uma economia de R$ 2,850 bilhões anuais, segundo estimativas do Ministério da Fazenda.

Câmbio

Em abril, o Banco Central adotou medidas – os leilões de compra de dólares, entre elas – para pressionar a moeda americana a patamares mais elevados.

A desvalorização cambial, que levou o dólar a níveis menos desfavoráveis na competição com os concorrentes internacionais, era uma das medidas reivindicadas pela Fiesp – uma posição reforçada em nota oficial no dia 6 de março, data da divulgação do Produto Interno Brasileiro (PIB).

Taxa Selic

Este ano, a taxa básica de juros, Selic, chegou ao menor patamar da história, a 7,25% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou, no entanto, que deve manter esse patamar por “tempo suficientemente prolongado” em 2013.

Ao longo de 2012, a Fiesp defendeu que o setor produtivo brasileiro precisa de taxas ainda menores.  Em nota oficial comentando a última decisão do Copom no ano sobre juros, Paulo Skaf afirmou que “para que o país possa realmente voltar a crescer em 2013 são necessárias ainda mais ações efetivas que reduzam os custos de produção no país”, citando a aprovação pelo Congresso Nacional da MP 579, que reduz as tarifas de energia; a necessidade de o governo aprofundar as desonerações do setor produtivo; e a redução da burocracia.

“Os bancos também precisam reduzir ainda mais seus spreads, que ainda são elevadíssimos”, diz a nota.

Logística

Infraestrutura e logística são itens essenciais para competitividade. E a Fiesp sustentou a necessidade de investimentos em diversos fóruns e na imprensa. A causa encontrou eco em medidas anunciadas pelo governo. que anunciou em agosto um total de R$ 133 bilhões de investimentos na modernização.

Em nota oficial, a Fiesp elogiou a medida. “A decisão de não utilizar as concessões como instrumento de arrecadação do Estado vai ao encontro da necessidade de reduzir o custo logístico para a indústria e de reestabelecer a competitividade da economia brasileira”, comentou Paulo Skaf.

Alongamento de prazo

Como medida de curto prazo para estimular a competitividade da indústria, a Fiesp fez um novo pleito ao governo federal e estadual: a ampliação do prazo para recolhimento de impostos em mais 60 dias.

Em julho, durante participação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em evento na Fiesp, Paulo Skaf sugeriu a medida. “Isso irrigaria a economia com recursos de forma linear, democrática, correta, horizontal.”

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Governador Alckmin em reunião na Fiesp. Foto: Junior Ruiz

No final do mesmo mês, em reunião de diretoria que contou com a participação do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do secretário de Fazenda do Estado, Andrea Calabi, Skaf pediu a Alckmin mais prazo para recolher ICMS e revisão de outras questões tributárias.

“O prazo para recolhimento do ICMS no Estado de São Paulo — e isso pode servir como exemplo para o Brasil e para o Governo Federal — tem que ser alongado”, defendeu Skaf, lembrando que estudo da Fiesp mostra que, em média, as indústrias pagam os impostos 50 dias antes de receberem pela venda dos produtos.

Inovação

Para ampliar as chances de êxito nos negócios da indústria, o Decomtec/Fiesp lançou em outubro uma versão atualizada do aplicativo Inteligência de Mercado da Indústria.

“O objetivo é entender a realidade mutante de mercado. Hoje a classe média aumentou bastante e houve também mudanças de hábito de consumo”, explicou José Ricardo Roriz, diretor-titular do Decomtec.

Dia da Indústria

Em homenagem ao Dia da Indústria, a Fiesp veiculou no dia 25 de maio, na TV aberta em todo o Estado de São Paulo, uma campanha institucional valorizando o setor industrial e os 75 anos da entidade.

No filme de 90 segundos, o presidente Paulo Skaf reforça que a indústria paga quase metade dos impostos do país e gera 20 milhões de empregos, comenta problemas que aumentam os custos de produção e incentiva o governo Dilma a prosseguir com medidas para aumentar a competitividade brasileira.

Apresentações do Seminário Câmbio e Comércio Internacional em Perspectiva

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Acesse no menu ao lado as apresentações realizadas no Seminário Câmbio e Comércio Internacional em Perspectiva, ocorrido no dia 30 de novembro de 2012.

Palestras disponibilizadas:

  • Política cambial e fluxo de comércio no Brasil: perspectivas para 2013

Roberto Giannetti da Fonseca, Diretor Titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (DEREX) da FIESP

  • A NOVA política cambial Brasileira

Pedro Rossi, Professor da UNICAMP e Pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON) da UNICAMP

  • Exchange Rates and Trade

Vera Thorstensen, Professora e pesquisadora da Escola de Economia de São Paulo (EESP) da FGV

  • Observatorium on Exchange Rate

Emerson Fernandes Marçal, Professor da Escola de Economia de São Paulo (EESP) da FGV

  • CÂMBIO E COMÉRCIO: Uma Visão Operacional em Defesa Comercial

Marco César Saraiva Fonseca, Diretor Substituto do Departamento de Defesa Comercial (DECOM) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC)

  • Desalinhamentos Cambiais não são Ficção

Aluisio de Lima-Campos, Presidente do Instituto dos Analistas Brasileiros de Comércio Internacional (ABCI)


Confira aqui a programação completa do evento.