Compliance ganha espaço nas empresas, para prevenir fraudes e desvios de conduta

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

Um dos temas abordados durante o Congresso da Segurança na Indústria, realizado pela Fiesp, nesta terça-feira (21/6), foi o compliance, termo que significa agir de acordo com as regras, instruções internas, comando ou pedido. Atualmente as empresas destacam um setor ou um grupo para desempenhar a atividade que garanta estar em compliance, com objetivo único: proteger os negócios. Essa explicação é de Artur Coutinho, presidente do Grupo Camargo Corrêa, que explicou que foi contratado há um ano, por prazo curtíssimo, com o objetivo principal de implementar o sistema de compliance. “O custo é altíssimo, e nenhum empresário está disposto mais a pagar o preço que se paga hoje por desvios de conduta. A gente sabe o quanto isto está hoje ameaçando o Brasil e as empresas, em um cenário que não sabemos aonde vai terminar.”

O executivo lembra que ética, uma questão de escolha, e compliance, fator de conhecimento, treinamento e educação, são condutas que devem caminhar juntas pelo bem dos negócios. “Os negócios estão fortemente ameaçados hoje no mundo pela quebra nas regras, ameaçando diretamente sua sustentabilidade.”

Mas, segundo Coutinho, antes de qualquer coisa é preciso conhecer e transformar a cultura da empresa, fazer com que o conceito chegue ao conjunto de princípios da corporação. “Devemos tornar o compliance uma crença inegociável. É tolerância zero.”

Para o presidente da Camargo Corrêa, em uma legislação que responsabiliza pelos desvios também a empresa e não apenas o indivíduo, quatro verbos definem as ações do compliance: prevenir, detectar, estancar e remediar. “O remediar é ressarcir os entes eventualmente prejudicados no processo. As multas para isto têm sido relativamente altas – e podem esperar que virão de forma astronômica.”

Segurança privada e compliance

Diretor de Segurança Global da indústria farmacêutica Merck Sharp & Dohme, Vagner D’Angelo defendeu em sua apresentação o envolvimento da segurança privada nos processos de compliance, ao lado de profissionais de outras áreas, como jurídico, recursos humanos e auditoria.

O executivo explica que, diferentemente da atuação quando se trata de ataques de agentes externos, como furtos, violação do patrimônio e de produtos, por exemplo, nos casos de desvio de conduta em que colaboradores da empresa estão envolvidos direta ou indiretamente, a segurança empresarial não deve tomar a dianteira das investigações e solução dos casos.

“Na maioria dos casos ocorre a cooptação ou iniciativa de agente interno, mas não podemos tomar a dianteira, não é uma decisão que pode ser tomada sozinha, não podemos iniciar o processo. Nas grandes corporações já há áreas e regras de compliance”, conclui.

D’Angelo lembra que as pequenas empresas também são fornecedoras de grandes empresas. “Para garantir contrato com grandes corporações é preciso também incorporar práticas de compliance”, conclui.

Citando as consequências sociais de fraudes e desvios nas empresas, o advogado e consultor em compliance Roberto Bedrikow afirma que o compliance é uma luta da segurança contra os cerca de US$ 3 trilhões de dinheiro sujo em circulação no mundo. “Pegamos só 1%. Então, sabemos que há um número altíssimo em tráfico de drogas, com as consequências sociais, tráfico de pessoas e de crianças.”

O especialista afirma que empresas de todos os portes devem ter o compliance, considerado um diferencial de mercado. “Fazer economia na adoção de compliance é desprezar uma das mais úteis ferramentas de segurança corporativa, nos aspectos de sua reputação, jurídico e financeiro.”

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Painel sobre compliance, com Artur Coutinho, no Congresso de Segurança na Indústria, realizado pela Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp