Portal promete acesso facilitado dos calçados brasileiros ao mercado dos EUA

Agência Indusnet Fiesp

Na reunião desta segunda-feira (12 de junho) do Comitê da Cadeia Produtiva de Couro, Calçados e Artefatos (Comcouro), Patricio do Prado, da Promoex, explicou o funcionamento do site de comércio eletrônico depotbrazil.com, site ainda em construção que inicialmente vai oferecer calçados brasileiros nos Estados Unidos. Outros produtos, como bolsas e acessórios, devem depois ser incorporados.

Graças a uma parceria com a empresa de logística UPS, as empresas brasileiras poderão exportar de forma simplificada, sem por exemplo o Radar. A UPS cuidará de todos os trâmites, desde a saída do estabelecimento do fabricante brasileiro até a entrega ao consumidor final nos EUA.

O uso dos serviços de courier é adequado ao baixo volume que consumidores finais costumam demandar, disse Prado. Sua documentação é muito simples de ser preparada e preenchida. As encomendas têm vantagens no desembaraço nas alfândegas, facilitando o cumprimento dos prazos.

Com foco no consumidor norte-americano médio, disse Prado, o site vai usar os meios digitais para promover o calçado brasileiro. Esse investimento cabe somente ao site, afirmou Prado.

Recuperação

Também foi tema da reunião do Comcouro o Mercado de Calçados no Brasil – Dimensões e Perspectivas. Marcelo Prado, membro do Comcouro e diretor do IEMI – Instituto de Estudos e Marketing Industrial, mostrou a evolução do setor, que cresceu até 2013, parou de crescer em 2014 e caiu em 2015 e 2016. A perda foi de 135 milhões de pares. Para 2017, a expectativa é de um segundo semestre muito bom – graças em parte à base anterior muito ruim. No ano, a previsão do Iemi é de crescimento de 4,1% em volume e de 8,8% em valores.

Para os próximos 5 anos estima-se crescimento acumulado de 15,8%, podendo levar em 2021 a novo recorde, com mais de 1 bilhão de pares.

Dos 909 milhões de pares fabricados, metade é formada por chinelos, seguidos por sandálias (22,5%), calçados esportivos (8,8%) e sapatos (8,25).

No comércio externo, houve queda de 26% nas exportações de 2011 a 2015, e aumento de 13% nas importações. Em 2016, a exportação subiu 4%, e a importação caiu 28%. O principal peso na exportação são os calçados masculinos (61%).

No varejo, a estimativa é que em 2016 tenha havido queda de 6,2% em volume e de 1,5% em valores nominais. Há cerca de 33.000 pontos de venda de calçados, dos quais 28.200 são especializados nesse segmento. Prado destacou que ainda é fraca a presença de calçados em lojas de roupas.

As redes de lojas especializadas respondem por 47% das vendas em volume e 60% em valor. Lojas independentes especializadas vendem 30% do volume e 29% do valor, enquanto lojas de departamento são responsáveis por 15% em volume e 6% em valor.

“Estamos voltando aos poucos ao consumo”, destacou, dizendo que houve melhora nas vendas para o Dia das Mães e era esperada alta também para o Dia dos Namorados.

O principal grupo consumidor, pelo novo Critério Brasil, é o B e C.

ICMS

A possibilidade de estender ao setor de couro, calçados e artefatos os novos benefícios do ICMS estabelecidos para o setor têxtil foi outro tema da reunião do Comcouro. Haroldo Silva, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), explicou como seu setor conseguiu benefícios no ICMS por meio do decreto 62.560, uma tentativa de combater a guerra fiscal. O decreto estabelece redução da base com efeito de 12%.

Pleito conjunto feito em 2012 não tinha dado resultado, até que em 2015/16 surgiram no Rios os centros de distribuição, que aproveitavam os créditos de ICMS, ampliando de 19% para 45% a perda do Estado de São Paulo. Houve fechamento de 30.000 postos de trabalho na indústria paulista do setor.

Em 2017 o pleito foi de que as empresas do setor têxtil carregassem 5 pontos a mais de crédito, e o mesmo o de confecção, representando renúncia fiscal de R$ 350 milhões por ano. Alguns problemas do decreto foram esclarecidos por instrução normativa, mas a fiação, que antes no total pagava 7% de ICMS, passou a recolher 12%. Mesmo com os problemas, o benefício foi tão grande para praticamente todas as empresas que a avaliação do decreto é positiva.

Segundo Silva, foi um benefício real para o setor, com a ressalva dos problemas na fiação. “A cadeia está bastante feliz com o que aconteceu.”

Samir Nakad, diretor titular do Comcouro, conduziu a reunião.

Reunião do Comcouro, que teve como temas exportação facilitada para os EUA e mudanças no ICMS. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Comitê da Cadeia Produtiva do Couro da Fiesp planeja parceria com Forças Armadas para o fornecimento de calçados

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de planejar o ano, unir forças e ir em busca de novas oportunidades. Realizada na tarde desta segunda-feira (06/02), na sede da Fiesp, em São Paulo, a reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva de Couro, Calçados e Artefatos (Comcouro) da federação destacou algumas metas dos empresários do setor para 2017.

“Temos que aproveitar toda a força nós temos por estarmos nessa casa”, afirmou o coordenador do Comcouro, Samir Nakad.

Entre os planos do comitê, está uma parceria com o Departamento da Indústria da Defesa (Comdefesa), para a tentativa de fornecimento de produtos como calçados masculinos e femininos para a Marinha. “O Comdefesa nos procurou para aproximar as nossas indústrias das Forças Armadas”, disse Nakad. “Vamos organizar uma reunião com representantes dos dois lados”.

A reunião do Comcouro: fornecimento de calçados masculinos e femininos para a Marinha. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Comitê do Couro da Fiesp debate distribuição de calçados em Birigui

Agência Indusnet Fiesp,

O Comitê da Cadeia Produtiva de Couro, Calçados e Artefatos (Comcouro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) se reuniu na semana passada com fabricantes em Birigui, interior de São Paulo, para estudar um meio de reduzir os custos no transporte e distribuição de calçados.

A região de Birigui é conhecida por sua vocação para a produção de calçados infantis. Mas enfrenta, assim como em outras regiões do país, elevados custos para escoar sua produção, segundo o coordenador do Comcouro, Samir Nakad.

Durante o encontro, o gerente do Departamento Jurídico (Dejur) da Fiesp, Alexandre Ramos, esclareceu dúvidas a respeito do Sistema Público da Escrituração Digital (SPED), especialmente do Bloco K, um dos capítulos do sistema destinado ao registro e controle de produção e estoque, que deve entrar em vigor em janeiro de 2016.

Na avaliação de Ramos, a principal dificuldade para cumprir a exigência está no fornecimento da ficha técnica do produto.

De acordo com o coordenador do Comcouro, Nakad, a implantação de tecnologia para o SPED nas empresas já provocou um aumento de 20% nos custos de controle administrativo das companhias.

Também presente na reunião, o gerente de atividade de vendas corporativas dos Correios, Marcelo Martins Naliati, informou que a empresa trabalha em um novo serviço com mudanças no envio e no frete. Segundo ele, algumas dessas mudanças devem ser apresentadas na próxima reunião do Comcouro, em Franca.

Foto: Instituto Europeu di Design fala de economia criativa para Comitê do Couro

Agência Indusnet Fiesp, 

Reunião do Comcouro nesta segunda-feira (9/2). Foto: Helcio Nagamine

 

Os membros do Comitê da Cadeia Produtiva de Couro, Calçados e Artefatos (Comcouro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) conheceram na tarde desta segunda-feira (9/2) um projeto de produção de calçados artesanais do Instituto Europeu di Design (IED) com seringueiros do Acre.

Na ocasião, o coordenador de pós-graduação do instituto, Fabiano Pereira, apresentou os resultados da iniciativa AcreLátex Design Lab, que capacitou seringueiros e artesãos de comunidades locais para a produção de calçados que expressem as origens da região. Os produtos, feitos exclusivamente de látex, foram exibidos durante uma exposição do setor em Milão, na Itália.

 

4ª Semana Senai Mix Design começa nesta terça-feira (30/07) em Franca

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Começa nesta terça-feira (30/04), na cidade de Franca, no interior paulista, a 4ª Semana Senai Mix Design – Outono/Inverno 2014. O evento é promovido pelo Núcleo de Tecnologia e Design do Couro e do Calçado do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

Muitas atrações aguardam o visitante que estiver presente no Auditório da Escola Senai Márcio Bagueira Leal, localizado na Avenida Presidente Vargas, 2500, no Jardim Petraglia, em Franca.

Durante a realização do evento, haverá o lançamento da edição Inverno 2014 do book de inspirações Senai Mix Design, além de palestras gratuitas, exposição de couros e workshop. O objetivo é incentivar o uso do design como diferencial competitivo para as indústrias do setor coureiro-calçadista.

Débora Sendão, designer de calçados do Núcleo de Tecnologia e Design do Couro e do Calçado do Senai-SP, explica a importância da iniciativa para o mercado. “É um evento de grande importância para o setor coureiro-calçadista, pois fomenta o processo criativo e auxilia o direcionamento e planejamento de coleções com olhar estratégico”.

Durante o evento, assuntos como macrotendências de comportamento e consumo, inspirações, tendências de moda, design estratégico e novas tecnologias serão abordados. São informações valiosas para a cadeia produtiva, cumprindo o objetivo de “preparar as indústrias do setor para atuarem em um mercado cada vez mais segmentado e competitivo”.

Rumo ao inverno de 2014

Segundo Sendão, o book de inspirações para criação de calçados, bolsas e artefatos apresenta macrotendências de comportamento e consumo, visando a aplicação direcionada ao mercado brasileiro, bem como a disseminação do conceito de brasilidade pelo mundo.

“A importância do Senai Mix Design está relacionada à disseminação do design como diferencial competitivo dentro das empresas do setor”, explica a designer.

A nova edição do book de inspirações Senai Mix Design será lançada em formato de fichário, pensando na liberdade de manuseio do conteúdo.

Além disso, o projeto conta com um banco exclusivo de dados e imagens que abrange diversas cidades brasileiras, além de pesquisas internacionais nas principais feiras do setor e cidades relacionadas à cultura do design. Nesta edição, os destinos escolhidos para as pesquisas nacionais foram Foz do Iguaçu, no Paraná, e o circuito Barroco Mineiro, que envolve cidades como Ouro Preto, Mariana e Congonhas.

Serviço

4ª Semana Senai Mix Design – Outono/Inverno 2014

Dias: 30 e 31/07 das 19h30 às 22h

Local: Auditório da Escola Senai Márcio Bagueira Leal. Av. Presidente Vargas, 2500 – Jardim Petraglia – Franca/SP

Para Samir Nakad, indústria brasileira de calçados é bem vista no exterior, mas é preciso eliminar entraves para mantê-la competitiva

Dulce Moraes e Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Samir Nakad, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Couro, Calçados e Artefatos (Comcouro) da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

O empresário Samir Nakad é conhecido da indústria couro-calçadista por seu espírito empreendedor. Iniciou sua indústria aos 19 anos de idade e contribuiu para a formação do polo calçadista da cidade de Birigui, município do noroeste paulista. À frente do Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui (atual Sinbi), ele conseguiu assistir à transformação da cidade em “capital brasileira do calçado infantil”.

Nakad foi vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e hoje é o coordenador titular do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria de Couro, Calçados e Artefatos (Comcouro) da Fiesp, organismo que busca soluções para aumentar a competitividade dos setores coureiro, calçadista e de artefatos, no âmbito de São Paulo e do Brasil.

Em entrevista ao portal da Fiesp, ele afirma que a indústria calçadista brasileira é boa, tem um bom volume de tecnologia, mas é preciso eliminar os entraves à nossa competitividade como a elevada carga tributária e o excesso de burocracia.

Veja a seguir a entrevista concedida ao portal da Fiesp:

Como o senhor avaliaria as conquistas do Comcouro/Fiesp nesses nove anos de existência?

Samir Nakad – A formalização do Comcouro permitiu que o setor tivesse mais acesso ao corpo diretivo da Fiesp e essa aproximação contribui para dotar os polos calçadistas do estado com equipamentos que realmente promovem melhores condições de formação de mão de obra para nossa cadeia. Como resultado, isso gerou condições de maior competitividade para cada um dos polos. Nossas escolas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) foram dotadas de melhores e mais equipamentos. Em algumas cidades foram instaladas novas escolas. Outra conquista foi o Centro de Tecnologia em Design, que é muito importante para a área coureiro-calçadista em Franca e que também serve aos demais polos do estado.

Como o senhor definiria o “antes” e o “depois” do Comcouro?

Samir Nakad – Podemos dizer que o nosso setor amadureceu muito no relacionamento a partir da existência do Comitê, pois passou a ter um único lugar para discutir as necessidades e não é mais aquela “torre de Babel”. Todos falam por meio de uma única entidade e com isso nos tornamos mais fortes. No âmbito estadual, por exemplo, quando se precisa de algo, principalmente na questão tributária, todos buscam o Comcouro e temos ações que beneficiam a cadeia como um todo. No âmbito federal tivemos a Lei dos Portos, que foi a conquista mais recente e que de fato impacta muito nosso setor.

Mas, nesses nove anos houve outras proposituras realizadas e apoiadas pelo Comcouro. Algumas das ações são feitas em conjunto com o Comtextil, pois trabalhamos praticamente os mesmos pontos de vendas e também estamos no mercado da moda.

Nos últimos meses, o setor calçadista passou por um processo de desoneração de tributos. Qual foi o impacto dessas medidas?

Samir Nakad – Realmente tivemos desoneração do ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços], principalmente em relação ao estado de São Paulo. Tínhamos conquistado há alguns anos, por intermédio do Comcouro, a redução no cálculo desse tributo. No primeiro momento passamos a aplicar 18% sobre 66% do valor do produto. Com as novas mudanças acabamos tendo ICMS de 7% dentro do estado de São Paulo.

A questão do ICMS nos torna mais competitivo, porque São Paulo é o grande mercado e onde todos – tanto importadores como fabricantes de outros estados – querem vender. Ao reduzir a quantidade de ICMS que recolhemos dos produtos que vendemos, conseguimos maior competitividade.

E quanto à desoneração da folha de pagamento?

Samir Nakad – Foi um ganho essencial para o nosso setor que é intensivo em mão de obra. A indústria calçadista é muito artesanal, necessita de muita mão de obra. Antes, tínhamos que fazer a arrecadação do INSS [tributo do Instituto Nacional do Seguro Social] sobre a folha de pagamento. E a folha do nosso setor tem um peso excessivo. Recolhíamos 20% ao INSS (a parte do empregador) sobre algo que representava 30% em média do montante dos nossos custos. Hoje, recolhemos 1% de INSS sobre o faturamento. Assim a carga com INSS não é tão pesada, pois está atrelada ao faturamento e não à mão de obra, e podemos empregar mais pessoas.

O Brasil já foi grande exportador de calçados. Qual o cenário hoje?

Samir Nakad – Exportamos para o mundo todo, mas com a questão do real sobrevalorizado, temos tido dificuldades. O que vem acontecendo é que a exportação, ano a ano, vem diminuindo em número de pares. Eventualmente, o volume financeiro tem até certo incremento – pequeno, mas tem. Temos fabricado calçados mais caros e com maior valor agregado, mas nada comparado ao volume que já fizemos no passado. Continuamos a vender para os EUA, com certeza. Para o Oriente Médio, muito pouco, pois eles estão comprando da China. Exportamos também para Europa e, claro, sentimos o impacto da crise, pois o calçado é um produto supérfluo e que se pode adiar o consumo.

O calçado brasileiro é bem visto no mundo?

Samir Nakad – Tem acontecido, nos produtos que São Paulo exporta, uma agregação de valor via design, principalmente motivado pelo Senai-SP que tem trazido as inovações e nos ajudado a melhorar os produtos. Há também muito de P&D [pesquisa e desenvolvimento] das empresas de grande porte e o conceito do “calçado do Brasil”, com uma conotação tropical, de bem estar e alegria. E isso faz com que nossos produtos tenham valor agregado lá fora. Existem ainda as exportações sob encomenda em que as grandes redes nos dizem o querem que a gente produza. Mas vejo que há espaço para mais, se conseguirmos colocar o “quê” de calçado brasileiro. Tudo isso nos faz ser bem vistos no exterior.

A indústria de calçados brasileiros sofre muito com a entrada dos importados? O que se tem feito a respeito?

Samir Nakad – Junto com a Abicalçados pressionamos o governo na questão antidumping em relação aos países asiáticos. Conseguimos a majoração dos calçados vindos da China, o que ajudou um pouco. Hoje enfrentamos uma forte concorrência de outros países asiáticos, vizinhos da China que, de certa forma, nos repassam os produtos da China.

A eleição do embaixador Roberto Azevêdo, novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, poderá ser útil na solução dessas questões?

Samir Nakad – Sempre temos esperança. Foi uma grande novidade, uma alegria. A expectativa é de que haja um entendimento maior de nossos pleitos. Não estamos pedindo nada além. Nós já fomos maiores na fabricação de calçados, tivemos mais indústrias e muito mais gente empregada. E isso está diminuindo.

O Brasil sofre uma concorrência desleal por parte de produtos importados?

Samir Nakad – Sim. Os importados não têm uma carga tributária do tamanho da que temos aqui. Existe toda uma carga tributária a partir do couro, ou a partir do têxtil, ou dos sintéticos e outros produtos que compõem os calçados. Essa carga de tributação vai se somando na cadeia e acaba deixando os produtos caros.

Além disso, se a gente não conseguir desonerar, justamente para poder melhorar a remuneração nas indústrias, estamos fadados a não ter mais colaboradores. Assim, naturalmente, nossa indústria terá que migrar para outros locais. Se não houver uma redução da carga, com o intuito de migrar parte dessas receitas advindas da cobrança de impostos para benefício do trabalhador, corremos o risco de, daqui a 10 ou 15 anos, não estarmos presentes com a mesma pujança.

Quais as próximas batalhas do Comcouro?

Samir Nakad – A próxima batalha do Comcouro é relativa à cobrança do PIS/Cofins. O próprio presidente da Fiesp, Paulo Skaf, está nos ajudando. Mas está sendo uma batalha difícil. Abatemos o PIS e Cofins da matéria-prima, mas não sobre a mão de obra, sobre o marketing e sobre comissão de vendas. O PIS/Cofins era de 3,65%. A lei mudou, há uns oito anos, e, hoje, recolhemos mais de 7%. Essa mudança na sistemática de cobrança nos prejudicou muito. São essas condições estruturais que têm atrapalhado o setor.

E quais os outros entraves para o setor?

Samir Nakad – Nossos principais problemas são a questão tributária e o que chamo de “indústria da maldade” – a burocracia. Existe uma “indústria da maldade” na mente de todos os burocratas do governo, que é uma coisa impossível. Os processos de arrecadação melhoraram muito, ficou tudo eletrônico, mas não se vê redução da máquina estatal nesse âmbito. O presidente Paulo Skaf tem razão quando diz que o problema é da porta para fora. Em pé de igualdade, nós somos muito bons. Nossa indústria é boa, tem um bom volume de tecnologia. Estamos bem. O problema é quanto o governo nos atrapalha. E não é só o governo federal. Também temos problemas no âmbito estadual e municipal.

A indústria paulista se destaca em inovação?

Samir Nakad – Um fator positivo na cadeia é que o Brasil tem uma excelente indústria de máquinas para o setor calçadista, com muita tecnologia. E temos expectativa em ter uma padronização nas nomenclaturas e, com tecnologia, ter um maior controle em todas as etapas da cadeia produtiva.

Como desafios temos a busca de soluções para diminuir os custos, por exemplo, na logística de distribuição dos calçados. Uma caixa de sapato não tem 60% de área ocupada. Se pensarmos num caminhão com volume cúbico, 40% do volume não tem necessidade de existir. Estamos consumindo desnecessariamente mais combustíveis, prejudicamos o meio ambiente, ampliando custos de entrega. Temos que buscar uma forma mais moderna de fazer nossa distribuição, bem como achar solução para o excesso de matéria-prima obsoleta dentro dos nossos polos por conta da sazonalidade das coleções de moda. Enfim, precisamos buscar alternativas viáveis e sustentáveis.

E quanto aos desafios para o futuro?

Samir Nakad – Um desafio que temos que enfrentar é a falta de sucessão dos negócios na indústria calçadista. O governo do Estado já percebeu que essa é uma grande perda para a nação, uma vez que o setor calçadista é um dos poucos que geram emprego aos milhares. É preciso tornar o negócio mais atrativo. Neste mês, vamos a discutir esse assunto em um encontro, em Jaú, no Centro de Inteligência para Indústria do Calçado, recém-criado pelo governo paulista por meio da Fatec. Vamos levar também o pessoal do Comitê da Cadeia Produtiva da Biotecnologia (Combio) da Fiesp.

Rússia e China são mercados que chamam atenção do setor de calçados do Brasil, afirma novo presidente de Abicalçados

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) acompanha um projeto para incursão de 12 empresas no mercado chinês.  Também estão no radar da entidade os mercados russo, norte-americano e francês. A informação é do presidente-executivo da entidade, Heitor Klein.

Heitor Klein, presidente da Abicalçados, participa da reunião do Comcouro. Foto: Everton Amaro

“Começamos na China há cerca de três anos um trabalho procurando já introduzir algumas de nossas marcas no mercado e percebemos imediatamente uma oportunidade muito grande na para produtos de alto valor agregado”, afirmou Klein em encontro com empresários do setor na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

“Hoje estamos com 12 empresas nesse processo de inserção na China e essas empresas estão colhendo resultados cada vez mais consistentes e animadores”, completou o presidente-executivo da Abicalçados na reunião do Comitê da Cadeia Produtiva de Couro (Comcouro) da Fiesp.

No caso da Rússia, Klein disse que, depois de duas tentativas com resultados abaixo das expectativas, desta vez há uma percepção de interesse maior por parte de compradores russos.  “A Rússia é um caso típico. Com essa nova tentativa é possível que agora tenhamos alguma coisa mais sustentada ao longo do tempo”, afirmou.

EUA

O presidente da Abicalçados projeta uma recuperação da demanda norte-americana por calçados brasileiros.

“Em 2011, nós exportamos US$236 milhões e no ano de 2012 caímos para US$197 milhões. Mas há um sinal muito claro de que os Estados Unidos da América [EUA] voltem a integrar posições que estamos buscando aqui de uma forma mais intensa do que a gente tinha observado nos últimos anos, essa é uma perspectiva positiva em termos de exportações”, avaliou.

Apesar da crise econômica ainda comprometer a situação financeira na Europa, Klein observou que o consumo de calçados na França tem aumentado e a demanda pelo produto brasileiro acompanhou o crescimento.

“Tivemos US$65 milhões de dólares exportados em 2011, US$75 milhões em 2012. Em termos físicos foram 4,3 bilhões de pares em 2011 e 8 bilhões em 2012”, informou.

Vitória Fiesp/Ciesp: Portaria do Ministério da Fazenda beneficia setores industriais

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) obtiveram mais uma importante vitória com a publicação, pelo Ministério da Fazenda, da Portaria MF nº 206/12, no Diário Oficial da União no último dia 16 de maio.

A medida corrige distorção de portaria anterior e beneficia os seguintes setores: têxtil, confecção, calçados, autopeças, móveis e couro.

Quando a Portaria MF nº 137/12 foi publicada, em 30 de abril, o prazo de recolhimento referente a março já havia vencido.

Assim, determina-se a prorrogação do prazo de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins relativos aos fatos geradores ocorridos em maio de 2012. Com vencimento em junho de 2012, o prazo foi estendido até o último dia útil da primeira quinzena de dezembro deste ano, ou seja, 14/12.

Esse pleito foi motivado pela divulgação das medidas do Plano Brasil Maior pelo governo federal.

Mais união para ampliar competitividade da cadeia produtiva do couro e calçado

Dulce Moraes, Agência Indusnet

Nesta segunda-feira (8), representantes do sindicatos e associações de fabricantes do setor coureiro-calçadista reuniram-se, na Fiesp, na 3ª reunião ordinária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria do Couro e Calçado (Comcouro).

José Carlos Brigagão do Couto, coordenador do Comcouro, apresentou a nova estrutura do Comitê e as ações prioritárias que serão realizadas com o apoio de outros departamentos da Fiesp. Entre elas, o levantamento da carga tributária do setor e um mapeamento completo da cadeia produtiva em níveis nacional e estadual, do frigorífico ao curtume, passando por atividades como o design e produção de calçados, até o varejo.

O coordenador ressaltou que, para a consecução desse importante diagnóstico, será necessária a colaboração de todos os Sindicatos com envio das informações de seus setores ao Comitê.

Os impactos dos custos da mão de obra sobre a competitividade da indústria também esteve na pauta do encontro. Brigagão destacou que a desoneração de alguns setores anunciada no Plano Brasil Maior, apresentado pelo governo federal no último dia 2, tem gerado muitas dúvidas nas empresas quanto a sua aplicação.

Luiz Gonzaga, do Departamento Jurídico (Dejur) da entidade, explicou que as medidas anunciadas ainda dependem de regulamentação. “Elas, provavelmente deverão entrar em vigor em 1º dezembro de 2011”. Na avaliação do advogado, este é o momento ideal para que cada setor estude o impacto do plano sobre sua atividade e encaminhe seus pleitos à Fiesp. A partir disso, a federação estudará as medidas viáveis.

Paulo Schoueri, diretor da Central de Serviços (Cser), relembrou que todos os Sindicatos filiados à Fiesp já receberam um resumo do Plano Brasil Maior. E avisou que a Fiesp está à disposição dos Sindicatos para esclarecer dúvidas e tomar as medidas cabíveis em benefício da competitividade da indústria.

Sindifranca inicia campanha de arrecadação de calçados

Assessoria de Imprensa 

Qualidade de vida para o próximo. Esta é uma das ações abraçadas pelo Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca), que iniciou uma campanha, junto aos seus associados, de arrecadação de calçados para serem comercializados na 33º Feira da Fraternidade. O evento acontecerá no mês de novembro, na cidade de Franca.

Hélio Ferreira Jorge, gestor executivo do Sindifranca-SP, destacou o crescimento das ações solidárias promovidas pelo sindicato: “O braço social do Sindicato está crescendo. Não mediremos esforços para ajudar quem realmente precisa”.

Feira

Para Fernando de Oliveiro dos Campos, presidente da Feira da Fraternidade, a edição deste ano beneficiará mais de trinta entidades da região. Todos os anos, centenas de pessoas participam do evento. Os calçados são vendidos por um preço simbólico.

Segundo Fernando de Oliveira Campos, presidente da Feira da Fraternidade, todos os anos a feira atrai centenas de pessoas em busca de produtos de qualidade a preços acessíveis: “As entidades que participam da feira dependem do dinheiro levantado com a venda desses donativos para atender crianças, jovens, idosos e deficientes”, comenta Campos.

As doações podem ser entregue na Rua José Marques Garcia, 395 (fundos), Cidade Nova, das 13h às 17h. Ou agendar o recolhimento dos calçados na sede da empresa, pelo telefone (16) 9966-1531.

Alunos do Senai Franca vencem concurso de design de calçados e acessórios

Agência Indusnet Fiesp,

Enquanto Rafael Luis Coelho conquistou o primeiro e o segundo lugares nas categorias Calçados Masculinos e Femininos respectivamente, Paulo Sergio Ferreira foi o primeiro colocado na categoria Livre. Paulo também foi sorteado para participar do curso Negócio de Luxo, com duração de três dias, que acontece em São Paulo.
O convite partiu da Crespi do Brasil, empresa produtora de laminados para calçados e acessórios, que, em uma iniciativa inédita, reuniu profissionais e estudantes do setor calçadista, em Nova Hamburgo, no último dia 17 de fevereiro, para a final do concurso dos jovens estilistas. Os dois alunos do Senai concorreram com outros 109 participantes de nove estados brasileiros.Os jovens são alunos do curso de Aprendizagem Industrial de Confeccionador Eclético de Calçados e do curso Técnico em Calçados do Senai de Franca. Eles confeccionaram os novos modelos para o concurso, a partir de pesquisas em revistas e sites, e usaram o próprio laboratório da escola para a produção dos calçados.