Iniciativas Sustentáveis: Liebe – Reestruturação organizacional

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Por Karen Pegorari Silveira

Segundo o estudo ‘Sustentabilidade e Competitividade na Cadeia da Moda’, da Uniethos, os mercados de produtos têxteis e de confecções estão passando por grandes mudanças, e a competitividade das empresas dependerá de novos padrões de produção, novas relações na cadeia de valor e novas relações de trabalho. Ainda de acordo com a análise, quase todas as etapas de produção são intensivas em mão de obra, que é um ativo estratégico e precisa ser qualificado e valorizado. Locais de trabalho justos, seguros, sem discriminação, em empresas que investem na qualificação e desenvolvimento humano dos seus trabalhadores tendem a ser ambientes mais produtivos, criativos e inovadores.

Esta também foi a constatação da fabricante de moda íntima Liebe, que investiu pesado em um programa de estruturação organizacional por dois anos e, com a ajuda de uma consultoria, criou um novo modelo de gestão que hoje reduziu o giro de profissionais a praticamente zero.

Com o crescimento da empresa e a contratação de novos funcionários surgiram divergências de opiniões entre as diversas áreas. Alguns assuntos envolviam vários setores e não havia definição de qual setor era responsável por determinados temas. Dessa forma, algumas áreas não se sentiam responsáveis por determinadas tarefas e a resolução não saia. Sentiu-se então a necessidade de definir com maior profundidade quais seriam as responsabilidades de cada funcionário e de cada setor, desde o auxiliar até o gerente.

O primeiro passo foi desenhar a estrutura de modo que todos entendessem o que era a empresa, como ela estava no mercado e onde ela queria chegar. Com o projeto, muitos debates foram realizados e foi possível nortear melhor a missão da indústria e os planos para o futuro. Com 350 pessoas na fábrica, a Liebe passou por mudanças em todas as áreas, principalmente a de RH.

O presidente da empresa, Cairo Benevides, conta que fizeram entrevistas com todos os funcionários. “Tivemos a precaução de deixar nossos colaboradores bem à vontade, de maneira que eles nos apresentassem a visão que tinham da empresa. Eles tiveram total abertura, nos indicando até o que fariam caso estivessem na direção da organização. Desse material tiramos muitas coisas e definimos quais as prioridades. Projetei o que eu queria alcançar como diretor no final do projeto e analisei como estávamos na época”, relata o executivo.

O presidente conta ainda que foi ótimo trabalhar com indicadores e metas, pois obrigou-os a formalização de reuniões mensais de apresentação de resultados. “Nelas estão todos os gerentes, supervisores e coordenadores presentes. São 14 pessoas que apresentam o desempenho de todas as áreas e se as metas foram ou não atingidas”.

As áreas de cobrança e assistência comercial são bons exemplos nesta reestruturação. Para elas foi criado um incentivo: quanto mais valores conseguirem resgatar, mais premiação em cima do valor resgatado vão conseguir.

Benevides conta também que o turnover [rotatividade] da empresa passou de 5% a 7% para praticamente 1,20%. “Houve uma queda na saída de funcionários que foi realmente surpreendente. Agora não perdemos mais mão de obra especializada para a concorrência, felizmente. Com simples mudanças conseguimos fazer uma verdadeira revolução nos negócios”, diz o presidente.

Agora os gestores sabem quais ferramentas têm de lançar mão para atingir metas e crescer 15% ao ano.

Como benefícios desta reestruturação o presidente da companhia cita a mudança de visão quando todos entendem quão importante é traçar metas e andar na mesma direção e com os mesmos objetivos; a promoção do debate com tema, hora e dia, baseado em ideias e análise de relatórios e não apenas em opinião; um ambiente mais profissional – com clareza de cargos, papéis e responsabilidades; o despertar de todos à importância do desenvolvimento profissional; a importância da comunicação clara e objetiva;  e o entendimento da missão da empresa, entre outros.

Sobre a Liebe

Fundada em 2005 em Fortaleza, CE, produz anualmente 2 milhões de peças sendo responsável atualmente por 350 empregos diretos e 1000 indiretos. Hoje possui seis lojas próprias em shoppings de Fortaleza; vende para todas as regiões brasileiras e exporta para Europa, Américas e Estados Unidos.