Iniciativas Sustentáveis: Grupo Sabará Beraca – Desenvolvimento Sustentável

Indústria de ingredientes naturais para segmento cosmético promove a Sociobiodiversidade com programa que beneficia a comunidade local e fomenta o uso de matérias-primas sustentáveis

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Com colaboração de Amanda Alves de Melo

Com a complexidade das cadeias de fornecimento e o surgimento de novos riscos no âmbito ambiental, social e de governança, o tema de gestão sustentável na cadeia de suprimentos (supply chain management – SCM) ganhou grande relevância e, consequentemente, a necessidade de soluções inovadoras para geri-los.

Preocupada com suas comunidades fornecedoras e os diversos fatores negativos que uma má gestão na cadeia de fornecimento pode resultar, a empresa Beraca Sabará, do segmento farmacêutico e cosmético, criou o Programa de Valorização da Sociobiodiversidade (PVSD), no ano 2000, com foco no equilíbrio do triple bottom line (tripé da sustentabilidade baseado nas três dimensões do desenvolvimento sustentável: econômica, social e ambiental). O intuito do programa é promover os negócios com desenvolvimento humano e a preservação dos bens ambientais. Segundo Tiago Terada, gerente de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos do grupo, ”É uma plataforma que engloba todos os processos ligados à fabricação de seus produtos, desde os critérios de seleção das espécies a serem exploradas, passando pelas formulações químicas complexas e os arranjos produtivos das comunidades que efetuam o manejo das áreas verdes”, explica. Ele enfatiza ainda que a Beraca se preocupa em atender requisitos de qualidade, com o desenvolvimento social e a conservação do ecossistema que utilizam. O programa, que atua em 105 comunidades agroextrativistas, abrange os estados do Pará, Amapá, Amazonas, Maranhão Piauí e Minas Gerais.

A empresa trabalha com ingredientes naturais e orgânicos da Amazônia e de outros Biomas brasileiros, e se preocupa em garantir a boa qualidade dos insumos/matérias-primas, o bom relacionamento com as comunidades produtoras e a perpetuação dos negócios de todas as partes envolvidas. Tiago Terada explica que a Sustentabilidade na gestão da cadeia de fornecedores é vista como uma vantagem competitiva na companhia. “Hoje, a Sustentabilidade é parte central das atividades da Beraca, que visa fortalecer as comunidades fornecedoras de insumos vegetais ao mesmo tempo em que atende as demandas do mercado”.

O Programa Valorização da Sociobiodiversidade (SPDV) está comprometido com questões importantes de Responsabilidade Social como, por exemplo, a proibição do trabalho infantil ou forçado, corrupção e falta de ética. O projeto inclui ainda reforma de escolas e geração de renda através de práticas sustentáveis, entre diversos outros pontos que podem afetar o fornecimento, o desenvolvimento socioambiental e o relacionamento com as comunidades. “Nossa missão é acompanhar a rotina das comunidades e sempre reforçar as práticas que devem ser melhoradas e as que devem ser mantidas. Trabalhamos diariamente no campo com nossas comunidades fornecedoras para reduzir riscos e melhorar a atuação delas”, explica Terada.

Sobre a Beraca

Este ano o CEO do Grupo, Ulisses Sabará, recebeu o título inédito da ONU, entre lideranças empresariais do mundo todo, como um dos pioneiros na promoção da Sustentabilidade nos negócios e cadeias produtivas. A premiação SDG Pioneers para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) homenageou 10 lideranças na sede da ONU, em Nova York (EUA). O brasileiro foi reconhecido globalmente pelo trabalho da Beraca, com o Programa de Valorização da Sociobiodiversidade, alinhado ao Objetivo número 15 dos ODS – “Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres”.

Entrevista: Riscos e Consequências na Cadeia de Fornecedores

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Por Karen Pegorari Silveira

O especialista em Sustentabilidade Empresarial, Vitor Seravalli*, comenta sobre os riscos e consequências para as indústrias que não se preocupam com sua cadeia de fornecedores em um cenário com mercado e consumidores cada vez mais exigentes.

Segundo ele, podem ocorrer sanções legais e outras restrições, até o limite em que a empresa perca a sua licença para operar.

Saiba mais na íntegra da entrevista:

Em um cenário com mercado e consumidores cada vez mais exigentes, desenvolver a cadeia de valor requer mais do que preocupar-se com suas práticas socialmente responsáveis e eventuais impactos que elas podem causar. Diante disso se torna cada vez mais importante conhecer quem são e como trabalha sua cadeia de valor. Neste caso, como o gestor pode avaliar se o seu fornecedor de insumos e mão de obra opera dentro das normas socioambientais?

Vitor Seravalli: De acordo com as possibilidades de cada empresa e dos recursos disponíveis às mãos dos gestores, níveis diferentes de sistematização podem ser implementados em processos de aquisição de produtos ou serviços. Desde um simples questionário de preenchimento obrigatório com perguntas específicas, até cláusulas contratuais e formalização de compromissos, como adesão de códigos de conduta, etc., são práticas preventivas que contribuirão para que os riscos aos negócios em cadeia de suprimentos sejam reduzidos.

Evidentemente, quando a empresa tem uma gestão da ética em seus negócios de acordo com valores e princípios bem estabelecidos, o caminho é mais simples. Porém, é sempre necessário o monitoramento constante por meio de indicadores, ou mesmo auditorias estruturadas.

Quais os principais riscos e consequências para quem não se preocupa com a escolha dos seus fornecedores? Pode citar alguns exemplos?

Vitor Seravalli: Para empresas que apenas se preocupam com questões financeiras em detrimento de outras questões socioambientais mais amplas, inúmeros são os riscos potenciais aos seus negócios, uma vez que as mesmas são corresponsáveis por tudo o que vier a acontecer em sua cadeia de valor. Entre os possíveis problemas, podem ser citados:  a destinação inadequada de resíduos com danos ao meio ambiente, relacionamentos não éticos entre os fornecedores e seus stakeholders, sonegação de impostos, desrespeito aos direitos humanos, etc. Além disso, podem ocorrer sanções legais e outras restrições, até o limite em que a empresa perca a sua licença para operar.

Existe uma mobilização mundial em torno de matéria-prima certificada – como o algodão por exemplo, e o Brasil é atualmente o maior fornecedor deste insumo. Em contrapartida, o interesse nacional por esse mesmo algodão certificado ainda deixa a desejar no país. Por que muitas indústrias ainda não desenvolveram a consciência de utilizar somente matéria-prima sustentável em sua cadeia e como é possível instruí-las?

Vitor Seravalli: Eu acredito que seja uma questão basicamente cultural, mas já é possível observar uma tendência para utilização de insumos certificados e que estejam de acordo com normas e regulamentações aceitas internacionalmente. Contudo, não se trata de um passe de mágica. Para que esta tendência se materialize e a mudança ocorra mais rapidamente, as empresas precisarão considerar a adesão e a valorização das certificações como um compromisso espontâneo baseado em princípios da sustentabilidade. Nesse contexto, os diversos segmentos industriais, legitimamente representados por sindicatos e federações, tem papel importante para a conscientização, instrumentalização e capacitação para que todos compreendam essa tendência e busquem adesão.

Segundo especialistas, as companhias que de fato se preocupam com a sustentabilidade, enxergam as questões socioambientais como parte da empresa e fazem da sustentabilidade uma estratégia de negócio. No entanto, nem sempre as empresas conseguem engajar lideranças, sócios e colaboradores neste pensamento. Como é possível disseminar esta ideologia dentro da empresa a fim de alcançar a sustentabilidade em toda a companhia?

Vitor Seravalli: As empresas que são bem-sucedidas na implementação da sustentabilidade como estratégia de negócios, entendem a importância de uma orientação com foco claro para resultados em todas as suas iniciativas. Por mais benéfico que um investimento em sustentabilidade seja, é fundamental que ao seu final ele agregue, além de valores intangíveis, também valores que possam se materializar em resultados econômicos e financeiros, ganhos de mercado, redução de custos, maior acesso a capitais restritos, pois estes resultados são percebidos e reconhecidos por todos os stakeholders da organização.

Não é à toa, que uma das áreas mais prioritárias do desenvolvimento sustentável é a cadeia de valor, pois afinal, ela representa o completo ciclo de vida de qualquer negócio.

 *Vitor Seravalli é sócio-diretor da Seravalli Consulting.

Artigo: O valor da promoção da sustentabilidade na cadeia de valor

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Por Cristina Fedato*

As mudanças que vem ocorrendo no mundo nas últimas décadas – entre elas a globalização, a revolução da informação, o crescente poder das corporações, o uso indiscriminado dos recursos naturais e o agravamento dos problemas sociais – tem colocado a sociedade em um caminho de reflexão sobre seu futuro. A mudança rumo a uma sociedade sustentável é uma tarefa complexa e de responsabilidade de todos os atores da sociedade: governos, empresas, organizações sociais, cidadãos.

Neste contexto, as empresas são importantes protagonistas. Por um lado, são geradoras de empregos, formadoras de opinião e possuem as competências necessárias para a inovação em sustentabilidade, enquanto são também responsáveis por grandes impactos negativos do ponto de vista econômico, social e ambiental. Os caminhos que as empresas percorrem na incorporação de atributos de sustentabilidade em seus negócios podem ser bem variados. No entanto, um aspecto que certamente surgirá na agenda de sustentabilidade da maioria das empresas é a importância de avaliar e gerir sua corresponsabilidade por determinadas questões e ocorrências em suas cadeias de valor.

A cadeia de valor inclui todos os parceiros de negócio que compõem os elos a montante e a jusante da empresa. A montante encontram-se fornecedores, subfornecedores, produtores, prestadores de serviços, e a esta parte se aplica o termo cadeia de suprimentos. A jusante encontra-se distribuidores, clientes, consumidores finais e etapas pós-consumo.

A preocupação com seu desempenho frente à cadeia de clientes e consumidores é algo já familiar para as empresas, mesmo para aquelas que atuam em um modelo convencional de gestão. Já a crescente pressão exercida pela sociedade para que as empresas e outras organizações compradoras, como governos ou organizações sociais, estendam seu olhar de sustentabilidade para a cadeia de fornecimento levou ao surgimento da norma ISO 20400 de Compras Sustentáveis (Sustainable Procurement). Esta norma, em elaboração desde meados de 2013 e com previsão de lançamento em 2017, está sendo escrita por especialistas de mais de 30 países em um processo multistakeholder, nos moldes em que foi criada a ISO26000 de responsabilidade Social. Na liderança deste processo estão França e Brasil.

Promover a sustentabilidade na cadeia de fornecimento envolve um conjunto de iniciativas, combinando ações internas na empresa, relacionadas à estratégia e políticas de gestão de fornecedores, e também ações de intervenção e melhorias na cadeia. As ações internas envolvem, por exemplo, revisões de processos de qualificação, seleção, contratação e avaliação de fornecedores para inclusão de critérios e indicadores de sustentabilidade, ações como capacitação de compradores em sustentabilidade ou elaboração de um código de conduta para fornecedores. As ações de intervenção na cadeia podem incluir, por exemplo, iniciativas de capacitação de fornecedores em gestão ou uma revisão da configuração da cadeia. Este conjunto de ações coordenadas, integradas e relacionadas, passa a compor um programa amplo que algumas empresas chamam de Responsible Sourcing.

As empresas que se beneficiam da visão integrada da sustentabilidade na cadeia de valor desenvolvem melhores vínculos comerciais, constroem relações mais justas e duradouras, desenvolvendo uma importante vantagem competitiva para a sustentabilidade. Além das oportunidades de inovação, de acesso a novos mercados, da busca de soluções em conjunto com parceiros e ao mesmo tempo minimizam os riscos para seu negócio.

As organizações que procuram incorporar a sustentabilidade na gestão de suas cadeias de fornecimento precisarão romper paradigmas da relação convencional cliente-fornecedor. Aquela que conseguir olhar para o relacionamento com fornecedores além das atividades transacionais com foco exclusivo em qualidade, preço e prazo, enxergará um enorme campo de oportunidades para inovação e desenvolvimento de soluções mais competitivas e sustentáveis.

*Cristina Fedato Consultora do CSCP – Collaborating Centre for Sustainable Consumption and Production.