Falta de caixa para pagar empréstimos afeta 44% das empresas paulistas

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

A expectativa mais positiva para o planejamento de 2018 não se concretizou, e cerca de 44% das empresas paulistas que recorrem ao financiamento bancário estão com dificuldade de gerar caixa suficiente para pagar as parcelas de suas dívidas junto às instituições. O dado é da pesquisa “Rumos da Industria – Relacionamento com Bancos e Refinanciamento de Dívidas”, realizada pela Fiesp e pelo Ciesp com quase 500 empresas, entre os dias 10 e 20 de julho.

O estudo também aponta que 12,4% das empresas estão com parcelas atrasadas. Cerca de 8,2% atingiram um número tão grande de parcelas em aberto que sofrem bloqueio de movimentações bancárias. Além disso, 70,7% têm alguma dificuldade no relacionamento com seu banco, e 31,5% estão com dificuldades para pagar prestações de seus empréstimos. Um impacto que atinge principalmente as empresas de pequeno e médio portes.

Uma vez que essas empresas são fornecedoras das grandes e representam uma parcela maior do universo empresarial do Brasil, o temor é que elas possam desencadear uma crise na cadeia de fornecimento de insumos e peças, enfatiza José Ricardo Roriz, presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp.

Grandes empresas multinacionais, explica Roriz, conseguem recursos ao deixar de enviar dividendos, ao pedir crédito à matriz ou buscando crédito do mercado internacional. “Já as grandes nacionais têm financiamento a banco e debêntures, por exemplo, o que faz toda a diferença.”

Outro destaque da pesquisa é o refinanciamento/renegociação de dívidas. O levantamento mostra que 38,0% das empresas com dificuldades para pagar já receberam contato do banco para propor refinanciamento de contratos de crédito. Quando avaliam a renegociação de contratos de crédito, 78,7% das empresas com dificuldades para pagar parcelas do empréstimo têm como prioridade a redução da taxa de juros. Em segundo lugar entre as prioridades aparece o alongamento dos prazos para pagamentos (para 62,0%).

Apenas 15,4% das empresas com dificuldades para pagar consideram viável refinanciamento com juros acima de 14% ao ano. No entanto, a taxa de juros média para capital de giro foi de 17,7% ao ano em maio de 2018, de acordo com o Banco Central.

Segundo Roriz,a elevação da capacidade ociosa de um patamar em torno de 10% para mais de 30% nos últimos anos apertou as margens de lucro. Embora os equipamentos estejam parados, eles geram custo fixo por conta da manutenção.

A segunda prioridade das empresas na renegociação de dívidas, como aponta a pesquisa, é o alongamento dos prazos para pagamento: para 57,4% das empresas com dificuldades para pagar, o prazo de pagamento do refinanciamento deve ser de mais de 24 meses.

Além da redução da taxa de juros e do alongamento dos prazos para pagamentos, as empresas também precisam de carência para começar a pagar e de dinheiro novo, ou seja, de mais crédito para conseguir continuar operando: 74% das empresas com dificuldades para pagar precisam de pelo menos 3 meses de carência para começar a pagar as parcelas do refinanciamento, e 72% precisam de dinheiro novo além do refinanciamento dos créditos bancários.

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De modo geral, os resultados da pesquisa mostram que a maior parte da indústria paulista utiliza crédito bancários, principalmente para capital de giro, ou seja, é o crédito necessário para que continue realizando suas operações normalmente. “A cadeia de fornecimento está se desorganizando por falta de acesso a crédito para pequenas e médias empresas. Ou elas de refinanciam agora ou vão ficar insustentáveis, sem conseguir pagar despesas financeiras e impostos. Pode comprometer ainda mais a geração de empregos”, conclui Roriz.