Ação Fiesp – Gestão Sustentável Da Cadeia De Fornecedores

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Evento na cidade de Rio Claro (SP)

Por Raquel Sajonc com colaboração de Amanda Alves de Melo

O projeto “Jornada da Indústria pela Sustentabilidade” deu foco às atividades deste ano na “Cadeia de Fornecedores”. Foram desenvolvidos seminários e workshops em três municípios do estado São Paulo: Taubaté (alcançando cidades do Vale do Paraíba); São Bernardo do Campo (do ABC Paulista) e Rio Claro (da região de Campinas). Os eventos reuniram cerca de 90 profissionais da indústria paulista nas unidades do Sesi e Ciesp, onde foram realizadas as atividades.

O objetivo do projeto este ano foi orientar e promover o diálogo entre pequenas, médias e grandes empresas de diversos ramos ou segmentos de negócios sobre boas práticas de sustentabilidade à estratégia de compras.

A Engenheira Ambiental do Grupo Antonlin, Laila Cristine Resende, participou do evento em Taubaté e ficou satisfeita com o conhecimento que adquiriu. Para ela foi uma oportunidade de reciclagem. “Foi um evento muito importante que veio reforçar nossa responsabilidade perante às escolhas e cuidado com as parcerias firmadas junto a fornecedores. Para que se consiga fornecer um produto que preze sustentabilidade, vemos que o caminho é muito mais que garantir o nosso processo de fabricação, temos que literalmente dar o peixe, ensinar a pescar e ajudar a cuidar do rio. ”, ressaltou.

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Evento em São Bernardo do Campo (SP)

A “Jornada da Indústria pela Sustentabilidade” é uma iniciativa da Fiesp, Ciesp e Sesi SP que, para acontecer de forma bem-sucedida, necessita das parcerias das Diretorias Regionais do Ciesp (DR) e dos Centros Atividades do Sesi (CAT). A diretora geral do Sesi de Taubaté, Roberta Borrego, foi uma dessas parceiras que atuou com muita dedicação para realizar o evento na sua cidade e atender as indústrias da região. “Este evento foi de suma importância para as indústrias de nossa região que participaram. Muitas indústrias saíram do evento já com o esboço do projeto e ideias para implantação de ações em suas empresas. Parabenizamos a FIESP e o CIESP SP pela iniciativa e agradecemos a oportunidade de sediar o evento”, comenta.

No encontro de São Bernardo do Campo a participação das indústrias superou as expectativas. Cerca de 30 profissionais do setor produtivo interessados em integrar ações e processos de sustentabilidade em suas cadeias produtivas e de relacionamento com os fornecedores participaram do evento.

O diretor de Centro de Atividades (Centro de Atividades) do SESI de São Bernardo do Campo, Sérgio Moretti, mencionou a importância da participação dos profissionais da indústria no projeto. “O interesse e a qualidade profissional dos participantes da Jornada em São Bernardo do Campo foi o diferencial marcante nesse evento e, com certeza, a aplicabilidade dos conteúdos e práticas nele apresentados contribuirão fortemente para o aprimoramento do compromisso dos integrantes da cadeia de fornecedores em prol da sustentabilidade”, ressaltou.

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Evento em Taubaté (SP)

A média de satisfação dos participantes dos seminários e workshops da “Jornada pela Indústria pela Sustentabilidade” deste ano, que trouxe o tema “Gestão Sustentável da Cadeia de Fornecimento”, alcançou 93.2%. Os pontos mais elogiados pelos profissionais foram a organização dos eventos, o conteúdo e a experiência dos palestrantes e atendimento da equipe organizadora.

O projeto teve início no ano de 2013 e já realizou diversos encontros e capacitações na capital e em municípios do interior do Estado de São Paulo, como Campinas, Marília e Sertãozinho.

Para conhecer mais, acesse: http://www.fiesp.com.br/jornada-da-industria-pela-sustentabilidade/

Iniciativas Sustentáveis: Sandvik – Parceria na Integração de Procedimentos

Nesta indústria de equipamentos de usinagem todos os fornecedores contam com programa de orientação e supervisão que preserva os colaboradores e o meio ambiente

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Com colaboração de Amanda Alves de Melo

Com a globalização e a disseminação das informações, os consumidores passaram a ser mais exigentes ao comprar e adquirir produtos e serviços de qualidade. Visando o aumento da competitividade, as organizações compreenderam a influência recíproca entre os clientes e seus fornecedores e começaram a integrar a Sustentabilidade na cadeia de fornecimento.

Visto a grande relevância do tema nos negócios atuais a Sandvik, grupo global de engenharia e alta tecnologia, especializada em produção de equipamentos destinados à mineração e construção, atuante em todo o Brasil, tem uma equipe especializada em Sustentabilidade e Responsabilidade Social para desenvolver e colocar em prática o conceito de gestão sustentável da cadeia de fornecedores. O objetivo é garantir a integração dos procedimentos de parcerias e gerenciamento de desempenho em toda a organização.

Preocupada com sua cadeia a Sandvik criou e desenvolveu o programa “Gestão de Fornecedores Sustentáveis”, que atua em temas como Conduta do Fornecedor; Capacitação e Treinamento; Monitoramento e Identificação de Riscos e Envolvimento com a Comunidade. Os fornecedores da companhia precisam seguir o código de conduta com princípios fundamentais de direitos humanos, direitos trabalhistas e meio ambiente. Os treinamentos visam aumentar a conscientização das políticas de compras sustentáveis e o engajamento na relação entre os stakeholders. Para monitorar e identificar os altos riscos, eles supervisionam a saúde e segurança dos colaboradores, os salários e benefícios e as condições de trabalho, além de coibir o trabalho infantil com auditoria anual. Para ser uma comunidade fornecedora é preciso possuir políticas que condizem com o código de ética da Sandvik e ter ações consideradas seguras para a saúde e ou para o ambiente.

A gerente regional da empresa na área de Gestão Sustentável de Fornecedores, Lovisa Curman, explica que a ideia é de parceria para ajudar a melhorar o ambiente e a gestão dos fornecedores. “Não temos a intenção de punir, pois nossa equipe de especialistas dá todo suporte para adequação”, conta a executiva. Lovisa destaca ainda que esta preocupação com a cadeia evita, por exemplo, que a empresa compre um mineral de área de conflito.

Para Nibu Borr, cliente de perfuração de poços de água e energia, “a Sandvik é totalmente comprometida com o cliente e cria valor por meio da prestação de serviço superior, liderança tecnológica e soluções inovadoras”.

Em 2017, entrará em vigor a ISO 20400, Norma de Compras Sustentáveis que orientará e padronizará os processos de aquisição de forma sustentável às organizações que desejam integrar a sustentabilidade, esta Norma complementará a ISO 26000 de Responsabilidade Social (baseados nos princípios: responsabilidade, transparência, comportamento ético, legalidade, direitos humanos) e iniciativas de cadeia de fornecedores.

Sobre a Sandvik

O grupo Sandvik possui mais de 45 mil colaboradores mundialmente no segmento de engenharia e alta tecnologia. Tem o conceito baseado na inovação, na liderança tecnológica e no relacionamento duradouro com os seus clientes. A empresa participa ainda do projeto Inspirewater (abordagem sobre a gestão da água na indústria para aumentar a água e a eficiência dos recursos na indústria de processo) da UE (União Europeia), que tem por objetivo reduzir o consumo de água e energia nos processos industriais.

Entrevista: Riscos e Consequências na Cadeia de Fornecedores

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Por Karen Pegorari Silveira

O especialista em Sustentabilidade Empresarial, Vitor Seravalli*, comenta sobre os riscos e consequências para as indústrias que não se preocupam com sua cadeia de fornecedores em um cenário com mercado e consumidores cada vez mais exigentes.

Segundo ele, podem ocorrer sanções legais e outras restrições, até o limite em que a empresa perca a sua licença para operar.

Saiba mais na íntegra da entrevista:

Em um cenário com mercado e consumidores cada vez mais exigentes, desenvolver a cadeia de valor requer mais do que preocupar-se com suas práticas socialmente responsáveis e eventuais impactos que elas podem causar. Diante disso se torna cada vez mais importante conhecer quem são e como trabalha sua cadeia de valor. Neste caso, como o gestor pode avaliar se o seu fornecedor de insumos e mão de obra opera dentro das normas socioambientais?

Vitor Seravalli: De acordo com as possibilidades de cada empresa e dos recursos disponíveis às mãos dos gestores, níveis diferentes de sistematização podem ser implementados em processos de aquisição de produtos ou serviços. Desde um simples questionário de preenchimento obrigatório com perguntas específicas, até cláusulas contratuais e formalização de compromissos, como adesão de códigos de conduta, etc., são práticas preventivas que contribuirão para que os riscos aos negócios em cadeia de suprimentos sejam reduzidos.

Evidentemente, quando a empresa tem uma gestão da ética em seus negócios de acordo com valores e princípios bem estabelecidos, o caminho é mais simples. Porém, é sempre necessário o monitoramento constante por meio de indicadores, ou mesmo auditorias estruturadas.

Quais os principais riscos e consequências para quem não se preocupa com a escolha dos seus fornecedores? Pode citar alguns exemplos?

Vitor Seravalli: Para empresas que apenas se preocupam com questões financeiras em detrimento de outras questões socioambientais mais amplas, inúmeros são os riscos potenciais aos seus negócios, uma vez que as mesmas são corresponsáveis por tudo o que vier a acontecer em sua cadeia de valor. Entre os possíveis problemas, podem ser citados:  a destinação inadequada de resíduos com danos ao meio ambiente, relacionamentos não éticos entre os fornecedores e seus stakeholders, sonegação de impostos, desrespeito aos direitos humanos, etc. Além disso, podem ocorrer sanções legais e outras restrições, até o limite em que a empresa perca a sua licença para operar.

Existe uma mobilização mundial em torno de matéria-prima certificada – como o algodão por exemplo, e o Brasil é atualmente o maior fornecedor deste insumo. Em contrapartida, o interesse nacional por esse mesmo algodão certificado ainda deixa a desejar no país. Por que muitas indústrias ainda não desenvolveram a consciência de utilizar somente matéria-prima sustentável em sua cadeia e como é possível instruí-las?

Vitor Seravalli: Eu acredito que seja uma questão basicamente cultural, mas já é possível observar uma tendência para utilização de insumos certificados e que estejam de acordo com normas e regulamentações aceitas internacionalmente. Contudo, não se trata de um passe de mágica. Para que esta tendência se materialize e a mudança ocorra mais rapidamente, as empresas precisarão considerar a adesão e a valorização das certificações como um compromisso espontâneo baseado em princípios da sustentabilidade. Nesse contexto, os diversos segmentos industriais, legitimamente representados por sindicatos e federações, tem papel importante para a conscientização, instrumentalização e capacitação para que todos compreendam essa tendência e busquem adesão.

Segundo especialistas, as companhias que de fato se preocupam com a sustentabilidade, enxergam as questões socioambientais como parte da empresa e fazem da sustentabilidade uma estratégia de negócio. No entanto, nem sempre as empresas conseguem engajar lideranças, sócios e colaboradores neste pensamento. Como é possível disseminar esta ideologia dentro da empresa a fim de alcançar a sustentabilidade em toda a companhia?

Vitor Seravalli: As empresas que são bem-sucedidas na implementação da sustentabilidade como estratégia de negócios, entendem a importância de uma orientação com foco claro para resultados em todas as suas iniciativas. Por mais benéfico que um investimento em sustentabilidade seja, é fundamental que ao seu final ele agregue, além de valores intangíveis, também valores que possam se materializar em resultados econômicos e financeiros, ganhos de mercado, redução de custos, maior acesso a capitais restritos, pois estes resultados são percebidos e reconhecidos por todos os stakeholders da organização.

Não é à toa, que uma das áreas mais prioritárias do desenvolvimento sustentável é a cadeia de valor, pois afinal, ela representa o completo ciclo de vida de qualquer negócio.

 *Vitor Seravalli é sócio-diretor da Seravalli Consulting.

Iniciativas Sustentáveis: Korin – Bem estar animal é prioridade

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Por Karen Pegorari Silveira

É cada vez maior o número de consumidores que buscam alimentos mais saudáveis e produtos sustentáveis: sem adição de fertilizantes químicos, agrotóxicos ou produtos reguladores de crescimento. Nos Estados Unidos, cerca de 40% dos consumidores já compram ocasionalmente algum produto desse tipo. E no Brasil, cerca de 17% da população, adquire as versões mais saudáveis. A grande São Paulo, por exemplo, representa metade desse consumo nacional de produtos orgânicos e movimenta em torno de 10 milhões de dólares por ano.

Para atender esse mercado em crescimento, a brasileira Korin Agropecuária, localizada na cidade de Ipeúna, interior do Estado de São Paulo, mantém uma granja sustentável, adepta da Agricultura Natural, foi pioneira na produção de frango orgânico e também a primeira e única empresa brasileira a produzir frangos e ovos livres de antibióticos e promotores artificiais de crescimento em escala industrial. O que garantiu a ela o certificado de produção de animais livre de qualquer tipo de sofrimento: o Certified Humane.

Na fazenda da empresa, todas as galinhas poedeiras são criadas no chão, fora de gaiolas e escolhem os ninhos nos quais vão botar os ovos, se preferem ficar nos poleiros ou comer vegetais na área externa. São criadas sem antibióticos ou ração com substâncias químicas – elas comem ração feita de milho e soja orgânicos, óleos essenciais, extratos vegetais, ácidos orgânicos e probióticos.

O veterinário e diretor industrial da Korin, Luiz Demattê Filho, diz que devido a seu posicionamento como uma empresa aderente aos princípios da Agricultura Natural, a Korin buscou meios de trazer maior nível de conforto e bem estar aos animais. “O fato de não utilizarmos antibióticos, medicamentos e promotores de crescimento, nos fez buscar as condições mais adequadas com o fim de preservar a boa funcionalidade do sistema imune das aves. Assim, mesmo antes que as questões de bem estar animal ganhassem a relevância que têm na atualidade, já há mais de 20 anos, introduzimos noções que hoje são consideradas essenciais, como por exemplo a redução da densidade de alojamento das aves (nº aves/m²), períodos de escuro de pelo menos 6 horas ininterruptas e outras práticas. Desta forma a certificação foi um processo bastante natural para nós. A reputação da marca, somada ao selo de certificação em bem estar animal, vem ampliando a confiança dos consumidores em nosso trabalho”, conta o executivo.

Demattê relata ainda que, além da produção mais natural, a empresa estimula e capacita tecnicamente os 36 pequenos e médios produtores com os quais trabalha, transferindo tecnologia capaz de gerar desenvolvimento econômico e social. “São feitos treinamentos e reuniões de caráter técnico sobre os diferenciais da empresa. Os funcionários da Korin visitam os produtores. Alguns deles são mais ligados à filosofia de agricultura natural, outros, nem tanto, mas, em linhas gerais, são passados todos os níveis da organização, porque isso faz parte do DNA da Korin e está na base da formação de toda uma rotina de trabalho. Assim, os fornecedores tiveram que se adaptar para atender as nossas condições de produção.  No começo, as ideias não estavam de todo estruturadas, mas, ao longo do tempo, foram ganhando forma. Criamos, então, normas, que passaram, mais à frente, por um crivo. Fizemos uma auditoria para que se transformassem em regras auditáveis, que possam ser fiscalizadas”.

Segundo o diretor geral da empresa, Reginaldo Morikawa, “o objetivo principal é fornecer à sociedade alimentos mais seguros e saudáveis”.

Sobre a Korin

Em 1995, quando a empresa foi criada, eram abatidos 12 mil frangos por mês. Hoje são 450 mil abates, com a expectativa de dobrar a produção em dois anos. A empresa produz também produtos como mel, extrato de própolis, aromatizante bucal, água mineral, sopa instantânea sem aditivos químicos e conservantes e com frango orgânico, vegetais orgânicos cozidos e congelados, e o tradicional portfólio de frutas, verduras e legumes in natura orgânicos, além da linha de insumos para agricultura (Bokashi).